terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Interessa-nos a política grega?

Temos algo a ver com o que acontece na Grécia? A economia e a política grega têm algum interesse para nós? Tendo em atenção a pouca importância que a comunicação social lhes dá, parece que não. Para dizer a verdade, fiquei absolutamente surpeendido pela falta de interesse que a informação televisiva mostrou em relação à falhada eleição presidencial de hoje na Grécia. Pelas 10:30 já se sabia que o Parlamento grego não tinha conseguido eleger um Presidente da República e que portanto, de acordo com as normas constitucionais, teriam de ser convocadas eleições legislativas, havendo o perigo de o Syriza sair vencedor. Mas, nos jornais televisivos das 13 h, foi em vão que esperei que fosse dada ao acontecimento a importância que me parecia merecida. Falaram de tudo, do avião desaparecido, do navio em chamas, do "caos" no Hospital de Amadora-Sintra, das cartas trocadas entre Sócrates e Mário Soares, na operação da GNR, de futebol, do frio, de notícias repetidas desde ontem, antes de abordarem, já depois das 13:30, as eleições gregas. O primeiro canal que resolveu, finalmente, abordar o assunto, foi a RTP1. Os outros demoraram ainda mais tempo. Durante a tarde, nos canais informativos, houve referências à falhada eleição, mas pouco se aprofundou o assunto nem se referiu o perigo de a instabilidade na Grécia, se houver dificuldades em formar governo, poder ter repercussões importantes para nós. O programa do Syryza e em particular o projecto de renegociação da dívida e as consequências económicas que este projecto acarreta para a estabilidade do euro, para a economia da zona euro e em particular para os países mais endividados, entre os quais nos encontramos, não mereceu, que eu desse por isso, uma referência pormenorizada. Como se não tivéssemos nada a ver com isso.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Greve

Até que enfim que leio uma crítica fundamentada ao direito à greve tal como esse "direito" é exercido actualmente:

«O direito à greve é um anacronismo nas sociedades atuais, um resquício, uma visão ultrapassada que ignora o que é o mundo contemporâneo civilizado. A greve traduz uma visão dialética, conflituante, das relações entre o “trabalho” e o “capital”, ignorando que hoje impera o interclassismo, a economia vive integrada, e o ambiente legal e institucional é suficientemente protector do trabalho, sem que se justifique por isso o recurso sistemático e banal a um processo profundamente destruidor de valor e que é tanto mais eficaz quanto mais prejuízos causa à empresa em si e aos clientes e utentes que dela dependem.
  1. A greve tornou-se infelizmente mais uma ferramenta política dos sindicatos-reféns dos partidos políticos da esquerda, e menos um mecanismo de defesa real dos interesses legítimos dos trabalhadores.
  2. Não deixa de ser relevante que a greve praticamente tenha desaparecido da realidade das empresas privadas, ao mesmo tempo que se tornou um expediente banal no sector público (incluindo empresas públicas). Hoje, em Portugal e em todo o mundo civilizado, impera um ambiente económico em que a empresa se faz, não de relações de conflito, mas de cooperação – uma cooperação por vezes difícil, é certo, mas sempre, de cooperação – entre accionistas, gestores, trabalhadores, clientes e fornecedores, numa teia complexa e multilateral. Muitas empresas em Portugal, que se encontram em dificuldades, são bons exemplos de como a cooperação, por vezes tensa, é certo, é a única saída, por vezes exígua, para a solvência. A destruição de valor não é hoje alternativa para ninguém, que não para alguns agentes sindicais e trabalhadores do setor público, uma ideia obsoleta que persiste nas cabeças da esquerda mais radical – que em Portugal continua a ser mainstream.
  3. Nas empresas públicas, no sistema educativo, nos hospitais, a greve continua a merecer um “carinho” especial por parte de “sindicatos-partidos” e dos que dormem no seu regaço. A greve, diga-se sem rodeiros, não é mais do que uma forma de causar atrito em favor de agendas políticas da esquerda, traduzindo-se num mecanismo agressivo de extorsão da sociedade que tem de pagar os custos da sua banalização – pois não há almoços grátis, todos pagamos, do nosso bolso, os custos das greves dos trabalhadores do metro, da TAP, dos professores, dos profissionais de saúde. Até ao dia em que não haja mais dinheiro para pagar, ou empresas viáveis para financiar. A TAP pode bem vir a tornar-se num primeiro exemplo deste fim-de-linha, dada a falência iminente, e o risco real de não haver quem a queira comprar
Visto n'O Insurgente, escrito por Rodrigo Adão da Fonseca.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

TAP

O Governo informou hoje que irá decretar a requisição civil do pessoal da TAP indispensável para manter as condições de funcionamento pleno durante os dias para os quais os sindicatos anunciaram a greve. Logo se ouviu um coro de críticas de toda a oposição e de muitos comentadores, politólogos e outros cidadãos. Mas que esperavam? Que o Governo esperasse impávido e não actuasse deixando derreter milhões de euros da empresa e da economia nacional? O sector do turismo é fundamental para o nosso desenvolvimento. As famílias e os emigrantes não mereciam serem impedidos de viajar normalmente numa época de tanto movimento como é o período entre o Natal e o Ano Novo. A má fé dos sindicatos ficou bem patente nos 10 pontos das suas reivindicações. É evidente que se essas reivindicações fossem incluídas nas condições de privatização, não apareceriam interesados em adquirir a companhia. A imposição de só dialogarem se o Governo suspendesse a privatização mostra bem que não tinham uma verdadeira vontade de chegar a qualquer acordo. Perante esta situação, se o Governo nada fizesse, mostraria uma incapacidade de resolver os problemas que pesaria fortemente na opinião pública. Para situações tão extraordinárias, impõem-se soluções extraordinárias. Só nestes últimos dias tivemos greves no Metro de Lisboa e na Refer, com consequências graves, mas não tão graves como as que resultariam da greve da TAP. Já basta.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Não é um cidadão qualquer

Segundo António Campos, um dos fundadores do PS, Sócrates não é um cidadão qualquer, é um símbolo da democracia, e portanto não deveria estar preso. Claro que a Constituição deveria ter uma disposição que excluia os símbolos da democracia de serem presos; isso é para os cidadãos vulgares. Há cidadãos sem classificação e os outros que não são cidadãos quaisquer e que merecem tratamento especial.

Campos está no direito de pensar que Sócrates é inocente, mas certamente que concordará que cabe à justiça determinar se o é ou se é, pelo contrário, culpado. Campos pode considerar que a prisão preventiva que foi imposta a Sócrates é injusta e injustificada; até não está sozinho nesta opinião. Mas se de facto for assim, não é por ter sido primeiro-ministro e eleito por milhões de protugueses nem por não ser um cidadão qualquer. Terá de haver razões de direito para justificar ou injustificar essa medida de coacção. Campos recordou que não é jurista, mas basear a sua opinião na pretensa impunidade de um ex-primeiro-ministro por lhe atribuir uma categoria acima do cidadão qualquer é uma discriminação que repugna mesmo aos não juristas.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Manifestações de mau gosto

A CGTP decidiu que não deixa Passos Coelho aparecer em público sem fazer uma manifestação de desagrado. E continua nessa senda apesar de cada vez juntar menos gente e as manifestaçõezinhas se teram transformado numa demosntração da sua falta de força. Mas além disso continua também a não ter a noção da decência. Uma coisa é a luta política e, como a CGTP e a sua central de comando, o PCP, não concordam com a política deste Governo, é lógico que tenham palavras de ordem e cartazes com dizeres que não são agradáveis para o dito Governo. Outra coisa é a falta de educação e o mau gosto. Em várias manifestações tem-se visto um coelho esfolado pendurado dum pau. Agora, no Porto, quando Passos foi à inauguração da Igreja dos Clérigos renovada, lá estava um grupinho de cerca de duas dezenas de manifestantes. Um grupo ostentava uma faixa onde se lia em grandes carácteres: "PASSOS RECORDA TEMOS UMA CORDA".  Que mau gosto. Claro que pode não ser a CGTP a autora destas faltas de educação, mas como ocorrem nas manifestações que convoca torna-se corresponsável.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A melhor defesa é o ataque

Já estou farto de tanto ouvir só falar em Sócrates. Estávamos tão descansados há anos só sabendo dele por vagas referências e a apreciar a distância, eis que se tornou de repente o centro de todas as atenções. Mas apesar de farto, não resisto a comentar algumas das afirmações do ex-primeiro-ministro que mais me impressionaram.

Sócrates tem sido pródigo em mensagens por diversos meios. Como animal feroz que é, tem reagido à falta de liberdade usando abundantemente de uma das poucas liberdades que lhe restam: Protestar por telefone e por escrito, expondo as suas razões, mas principalmente atacando pessoas e instituições de forma violenta, como na longa carta que enviou ao Diário de Notícias. Nesta acusa "os políticos" de serem cobardes. Parece que não reconhece excepções, nem sequer para os seus correlegiolérios, os seus camaradas de partido, os seus amigos ou os que amavelmente o têm visitado. Diz "os políticos" e nem se exclui a si mesmo, ou talvez já não se considere um político. Ataca também jornalistas, mas aí reconhece que são só "alguns jornalistas" e apenas como cúmplices. Isto, apesar de os seus defensores protestarem veementemente contra o cerco mediático e a condenação na praça pública que os meios de comunicação têm promovido, segundo eles. Ataca também "as faculdades" e "os professores de Direito", que considera "cínicos", não reconhecento, neste caso também, qualquer excepção. Francamente não sei bem que mal lhe fizeram "os professores de Direito". Chega a falar na "impunidade de quem comete estes crimes"! Mas os crimes a que se refere não são bem definidos, pelo menos no que pudemos ler da carta.

Sócrates reage à prisão como sempre tem reagido perante as críticas e as dificuldades: atacando. Não sei se o faz porque ainda tem ambições políticas. Se não as tivesse, que lhe importariam as notícias, as alegadas condenações na praça pública, as fugas de informação? Mas talvez seja só por instinto de defesa, já que não pensa, certamente, que com estas mensagens possa influir minimamente no curso da justiça. E para o animal feroz, a melhor defesa está no ataque.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Liderança hexacéfala

Não sei se a palavra hexacéfala existe. Pelo menos o meu corrector (não corretor) de Português de Portugal aponta erro. Mas segundo as regras da numeração, ao "uno", "bi", segue-se "tri", "tetra", "penta" e "hexa", qualquer que seja a segunda parte da palavra. Pois, exista ou não a palavra, é a melhor forma de designar a nova liderança do Bloco de Esquerda. Passaram de liderança louçã, para liderança bicéfala e, quando alguns, entre os quais me incluo, previam uma liderança tricéfala, à Cérbero, aparece-nos este monstro:


É tão raro que foi difícil conseguir uma imagem de qualquer ser de seis cabeças. Após aturada pesquisa na net, depois de muitos bichos reais ou imaginários com 3, 4 e 7 cabeças, consegui finalmente e logo encarnada num dragão. O BE é mesmo um partido muito original. Felizmente, só concorreram 6 moções no Congresso. Se têm aparecido, por exemplo, 24 moções, calculem como seria a imagem do Direcção Política.

sábado, 29 de novembro de 2014

Justiça e política

Mário Soares considera que o processo que levou à prisão de Sócrates, e levará eventualmente a acusação e julgamento deste, é um caso político. Sócrates concorda, ao mandar escrever na carta que ditou: "Não tenho dúvidas que este caso tem também contornos políticos". A acusação é muito grave, mas aparentemente os jornalistas não lhe deram a devida importância. Tanto um como o outro acusam a justiça de actuar por motivos políticos. Soares foi mesmo a ponto de personalizar a sua fúria na figura do juiz Carlos Alexandre, além de referências mais genéricos a "malandros" e "tipos". Ao contrário de António Costa, que fez questão de separar e pedir aos socialistas que separem o caso de justiça de implicações políticas, estes dois socialistas fazem questão de afirmar que a justiça não é independente e tem razões políticas para o que está a fazer ao ex-primeiro-ministro.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Nella Maissa

A notícia da morte da pianista Nella Maissa trouxe-me recordações que julgava esquecidas. A memória prega-nos destas partidas: Coisas (factos, imagens, músicas, poesias) que pareciam definitivamente esquecidas e apagadas da memória aparecem subitamente nítidas, vindas de qualquer conjunto recôndito de neurónios. Nunca assisti a um concerto de Nella Maissa, não possuo qualquer disco dela, mas via-a muitas vezes tocar piano. Sucede que eu acompanhava a minha irmã quando esta ia às aulas de ballet de Mme. Ruth Asvin e era exactamente Nella Maissa que tocava ao piano as músicas que as alunas dançavam. Lembro-me principalmente do Concerto de Grieg e da Finlândia de Sibelius em versões para piano solo, que ouvi repetidamente durante os ensaios. Foi muito mais útil para ficar a conhecer estas e outras obras do que se as tivesse ouvido apenas num concerto. Além disso, o filho de Nella Maissa, Ricardo Maissa, era meu colega no Liceu, o que me levou a dar mais atenção e a apreciar mais atentamente o modo como Nella tocava. Tudo isto estava escondido na minha memória para regressar agora.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Tanto Sócrates!

Nestes últimos dias vi mais imagens de Sócrates, sério, a rir, com a mão direita na testa, com a mão esquerda na testa, de frente, de perfil, etc., do que durante todo o seu longo reinado. Ele são fotografias, muitas de grande formato nas primeiras páginas de jornais e revistas, ele são pequenas cenas nas televisões, Sócrates e mais Sócrates. Não se aguenta mais.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Medidas de coacção

Muito se tem discutido a detenção de José Sócrates e muito se vai discutir a respectiva prisão preventiva há pouco enunciada. A propósito, já repararam que praticamente todas as pessoas, incluindo jornalistas e comentadores, deixaram de lhe conceder o título de engenheiro? Mas vamos ao que interessa. E o que interessa, quanto a mim, não é saber se Sócrates fica ou não em prisão preventiva, já se sabe que fica. O que interessa também não é saber em que facto se funda esta medida, a mais grave da gama possível de medidas de coacção. O que interessa também não é saber em que estabelecimento prisional vai Sócrates cumprir esta medida. O que verdadeiramente interessa é saber porque foi montado um dispositivo inédito para o anúncio das medidas pela escrivã do tribunal constituído por uma cadeira com aspecto vetusto, aparentemente de estilo do Século XVII, e um púlpito acrílico ultra moderno, possívelmente do Século XXI. Alguém me explica?
O choque de gostos, de estilos e de épocas entre a cadeira e o púlpito é completamente inusitado e tem certamente um propósito oculto. Será que a cadeira representa a tradição, a arrogância, a austeridade (no verdadeiro sentido do que austero e não da política de cortes), enquanto que o púlpito representa a leveza e a tolerância? Mas sendo assim, que significado pode ter o facto de a escrivã não ter chegado a usar a cadeira? Não consigo descortinar o verdadeiro significado desta confrontação de objectos.

domingo, 23 de novembro de 2014

Liderança tricéfala: Cérbero

João Cortez sugere n'O Insurgente a seguinte solução para o problema de liderança do BE:





Eu já tinha pensado em solução semelhante, mas perferiria a seguinte imagem:




(Espero que a Walt Disney não exija royalties)

Mas pensando bem, a de João Cortez condiz melhor com o actual estado do BE.

Grande vitória de Costa

António Costa está feliz. Apesar de dizer que lamenta a prisão do seu amigo e ex-chefe, apresenta um evidente aspecto de grande satisfação. Corre-lhe bem a vida. Foi eleito para Secretário-geral do PS com 96% dos votos, 22 702 votos em 23 697 votantes. Grande vitória.

Mas porque será que só votaram 23 607? Segundo números recentes, o PS tem 46 229 militantes com as quotas em dia, portanto com capacidade para serem eleitores. Isto quer dizer que afinal Costa foi eleito por apenas 49% dos militantes habilitados. Se considerarmos o total de militantes, contando com os que não pagado as quotas, então a percentagem desce para 27%.

Teorias de conspiração

Há quem acredite que a prisão de José Sócrates não ocorreu para prender José Sócrates. Parece uma ideia maluca, mas é o que pensam os que julgam que tudo ocorreu por outras razões que não têm nada que ver com averiguar se o ex-PM praticou os crimes de branqueamento de capitais, fraude fiscal, corrupção ou falsificação de documentos. De facto tanto Edite Estrela como João Soares apontam para outras razões: Edite Estrela acha que a detenção de Sócrates foi "a melhor forma de desviar as atenções do escândalo dos vistos gold", enquanto que João Soares opina que se trata de "perversa tentativa de humilhação". Ao menos Soares admite que talvez haja "que julgar", mas acrescenta-lhe um "se". A humilhação estaria mais na forma de efectuar a detenção, numa sexta-feira à noite e por se tratar de um ex-primeiro-ministro (É sabido que os ex-primeiros-ministros não devem ser tratados como os vulgares mortais). Já Edite Estrela está bem acompanhada por alguns que consideram "que a detenção de Sócrates também será para desviar a atenção do caso BES e até dos submarinos". Também se pode pôr a hipótese de tudo servir para desviar as atenções de grandes e importantes acontecimentos da esquerda como a eleição de António Costa a Secretário-geral do PS ou mesmo da Convenção do BE. Coitado de José Sócrates, usado para desviar as atenções! E coitados também das autoridades, do procurador, do juiz Carlos Alexandre e dos jornalistas que cobrem a pé firma o acontecimento, que afinal é apenas uma manobra lateral! Sendo assim, é de esperar que o processo de Sócrates, uma vez cumprida a sua função, seja de humilhar, seja de desviar atenções, seja arquivado sem mais consequências.

sábado, 22 de novembro de 2014

Uma bomba

A notícia da prisão de Sócrates caiu como uma bomba. Mesmo quem a desejava não acreditava que fosse possível, muito menos que estivesse eminente. As razões para a detenção são graves mas expostas de modo genérico. Infelizmente, Sócrates não foi preso (uso propositadamente este termo no lugar do oficial "detido" porque na linguagem vulgar "preso" significa exactamente que não se pode mover livremente) por ter sido o responsável principal pelo desastre por que Portugal está a passar, mas antes por suspeitas de fraude fiscal (falta de declaração de rendimentos ou outra?), branqueamento de capitais (que capitais, qual a sua proveniência, para quem diz não os ter?), corrupção (activa ou passiva?) e falsificação de documentos (quais?). Para a imagem da justiça, é bom que estas suspeitas estejam justificadas por indícios sólidos.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Renovação da carta de condução: serviço super-rápido

Mais uma vez tive de me submeter ao processo de pedir a renovação da minha carta de condução antes da mesma expirar. Estava preparado para uma demora de meses: Da vez anterior, há 2 anos, tive de renovar a guia que substituía a carta durante o complicado processo de renovação por o prazo desta ter chegado ao seu termo e só recebi a carta 7 meses após ter feito o pedido. Agora a demora foi reduzida a 13 dias. Tamanha rapidez deixou-me espantado. Não sei a que se deve este progresso, mas não há dúvida que é notável.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Por duas garrafas de vinho

Até faz lembrar o título daquele filme "Por um punhado de dólares". Bem sei que ainda se sabe pouquíssimo do que se passa nos interrogatórios (segredo de justiça oblige). Mas quando o pouco que transparece do grande escândalo de corrupção é que o principal suspeito teria recebido duas garrafas de vinho e teria sido citado numa conversa telefónica entre terceiros como destinado a receber 5000 não se sabe o quê, é caso para se ficar espantado com a insignificância. Claro que os 5000 podem ser 5000 euros ou 5000 robalos ou até 5000 pares de sapatos. De qualquer modo nada que mereça o grande alarido que se tem ouvido. Eu próprio já tenho sido presenteado por vezes (raras, mas aconteceu) com garrafas de vinho. Também já ofereci garrafas de vinho. Claro que não foi para facilitar a concessão de vistos gold nem de qualquer outra coisa, mas como provar isso? Agora fico com receio de vir a ser acusado de corrupção ou de ostentação ou de quqlauer outra coisa. Entretanto fico à espera de escândalos de corrupção que valham a pena, isto é, que valham coisa quen se veja, isto é, que atinjam os milhões.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Erros de linguagem, de tradução e de interpretação

Assim vão os nossos meios de comunicação, ou pelo menos a nossa TV. É raro o dia em que não há um erro ou pelo menos uma imprecisão. São error de linguagem, de tradução e ainda de interpretação. É certo que são pequenos pormenores e que há problemas bem mais importantes. Mas estes erros são tão frequentes que chegam a enraivecer os ouvintes ou telespectadores.

 Alguns exemplos:
1) A maior parte dos jornalistas que lidam com a linguagem de economia e finanças, que são quase todos, já sabem que quando traduzem numa declaração em inglês a palavra "fiscal" a devem traduzir por "orçamental" e não por "fiscal". Os memorandos celebrados com a Troika estão cheios destes caosos. Vai daí e um jornalista que estava a traduzir ontem as declarações de Jean Claude Junker em francês resolveu traduzir "injustice fiscal" por "injustiça orçamental". Junker referia-se às diferenças entre a política fiscal (isto é, referente a impostos) entre vários países da zona euro. Tratava-se portanto claramente de uma questão fiscal e não orçamental. Aliás "injustiça orçamental" em francês seria "injustice budgétaire". Ainda bem que deixam ouvir as declarações em fundo na língua original; assim é possível detectar os erros, imprecisões e alterações injustificadas que são infelizmente correntes nas traduções.
2) A propósito do surto da doença dos legionários, causada pela bactéria Legionella, foi várias vezes informado que, embora uma das fontes possíveis de infecção sejam instalações de ar condicionado, isto só se refere aos grandes sistemas com circulação de água, já que a Legionella só pode viver em meio aquático. Foi explicado várias vezes que os aparelhos de ar condicionado domésticos não podem representar qualquer perigo. No entanto várias televisões ilustraram as suas reportagens com imagens de aparelhos domésticos. Parecem apostadas em causar confusão em vez de esclarecer.
3) Por vezes a culpa é do chamado acordo ortográfico, que mais não é do que um verdadeiro aborto ortográfico. Na Euronews, numa reportagem sobre negócios com divisas, a jornalista mencionou várias vezes que os profissionais deste ramo eram "correctores". Claro que como a palavra não aparecia escrita para os telespectadores, é de supor que o texto que a jornalista lia teria escrito correctamemnte "corretores", mas o AO90 manda escrever "correctores" sem "c" e daí a confusão. Porém a jornalista tinha obrigação de saber que quem trabalha com divisas faz corretagem e é um corretor, enquanto que a pessoa ou o dispositivo que tem como função corrigir é um corrector, e embora que tem o mau gosto de seguir o AO90 escreva sem "c", deve ler com "e" aberto.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Dia histórico

Hoje é verdadeiramente um dia histórico por se ter conseguido, pela primeira vez, fazer pousar um aparelho feito pelo homem na superfície dum cometa. A sonda Rosetta andou durante dez anos numa trajectória tão bem calculada e dirigida que conseguiu entrar em órbita ao redor do cometa 67-P (encurtando o nome que é demaiado complicado para copiar) e, feito mais extraordinário, enviar o módulo Philae até ao local escolhido para a "acometagem".

Em vez de reproduzir alguma das muitas fotografias que representam simulações do robot Philae pousando na superfície do cometa, prefiro apresentar uma fotografia de um pormenor do cometa que mais parece uma montanha terrena vista contra a noite escura.



É difícil de compreender como é que a humanidade que é capaz de tais feitos não consegue resolver problemas que aparentemente deveriam ser muito mais fáceis, como evitar guerras ou acabar com a fome no mundo. Das duas, uma: Ou estes problemas são na verdade muito mais complicados do que as façanhas científicas ou tecnológicas que nos empolgam, como é pousar um robot num cometa, enviar homens para a Lua ou detectar o bosão de Higgs, ou então poderiam ser resolvidos se fosse possível reunir uma equipa tão competente e dedicada como as equipas científicas que conseguiram organizar e levar a cabo essas façanhas. A humanidade, na sua diversidade, é capaz de feitos extraordinários e das maiores abjecções. Sempre foi assim e continuará a ser.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Eu não diria melhor

Mais uma vez, poupo trabalho e tempo reproduzindo o artigo de outro blog, neste caso do Corta Fitas, porque estou inteiramente de acordo com o que aí é dito.

«A comunicação social que temos...
por Vasco Lobo Xavier, em 06.11.14
O PCP defende que, em 2016, o salário mínimo deve ser de 600 euros e a comunicação social faz eco acrítico disso, como se fosse possível. O líder da CGTP diz que recusa a desculpa de que não há dinheiro e ninguém o interpela para saber onde ele o vai buscar. O Bloco apregoa que a austeridade não funciona como elemento de consolidação das contas públicas e não há um microfone que o interrogue como é que o desbaratar de dinheiro que não existe fará a consolidação das contas públicas. Freitas, Félix, Carvalho da Silva, Louçã e outros, sempre contra qualquer corte da despesa pública, contra aumento de impostos, e críticos de cada vez que o Estado se arrisca a não cumprir o défice ou as previsões, exigem agora que o Estado gaste uma catrefada de centenas de milhões de euros dos contribuintes na PT, coisa que os media divulgam aplaudindo. O desemprego desce e a TVI vai para a porta dos centros de emprego interrogar as pessoas desempregadas. PCP e Bloco desmentem o INE em todos os noticiários e ninguém se lembra de lhes perguntar em que estudos, análises ou estatísticas foram eles basear-se para tais afirmações.
A Troika, com o FMI à cabeça, passou a ter razão plena a partir do momento em que criticou o Governo, e com o aplauso entusiástico de toda a oposição, não obstante as críticas se centrarem no aumento do salário mínimo aprovado pelo Governo e na diminuição de austeridade. O INE só é uma entidade boa, séria e credível quando o desemprego sobe. Acaso desça o desemprego, o INE passa a ser o pior dos malfeitores. Ler os jornais ou ouvir noticiários passou a ser um enjoo. E ninguém se indigna.

A única coisa que este país merece, mesmo, é a comunicação social que tem.»

Eu não diria melhor.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A escola luxemburguesa

A proibição de falar português na aula de uma escola no Luxemburgo suscitou opiniões desencontradas. Inicialmente não consegui ter uma opinião formada por falta de informação. Depois da avalanche de notícias sobre o assunto, com mais pormenores, incluindo punições por falar português mesmo a crianças em creches, fiquei ainda mais baralhado. Helena Matos deu a sua opinião considerando que é natural que nas aulas das escolas no Luxemburgo a língua luxemburguesa seja obrigatória, tal como nas escolas portuguesas se deve falar português, e não "crioulo, russo, chinês ou ucraniano". O raciocínio parece impecável à primeira vista, mas não me convenceu. A menos que Helena Matos tenha informação que eu desconheço (a sua citação é a mesma que cito acima), não posso concordar, pelo menos do modo simplista como o caso é posto. Concordo absolutamente que se possa exigir que, durante as aulas, a intervenção dos alunos, em perguntas, respostas ou quando se dirigem aos professores, assim como na execução de trabalhos escritos ou orais, seja feita exclusivamente na principal língua oficial do país, neste caso o luxemburguês. Já acho altamente reprovável que seja proibido que dois alunos, seja qual for a sua nacionalidade, falem entre si em português ou em qualquer outra língua (mesmo crioulo, russo, chinês ou ucraniano), principalmente se a conversa não tiver lugar na aula, mas sim no recreio, nos corredores ou mesmo dentro da aula, mas fora dos tempos lectivos. Muito mais condenável me parece a proibição de se falar português fora do recinto da escola, na rua ou em outros locais. Ainda menos compreensível é a extensão desta regra às creches. E a obrigatoriedade de comunicar em luxemburguês ser acompanhada de punições em caso de não ser cumprida parece-me, então, completamente aberrante. Na ausência de mais explicações sobre o âmbito da alegada proibição e das consequências do não cumprimento da regra, não me é possível ter opiniões firmes a condenar ou aceitar a situação.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O regresso do Sr. Feliz e do Sr. Contente

Maria João Avillez faz no Observador uma crítica mordaz a atitudes, declarações e intenções de Bagão Félix e de Silva Peneda. Fala da «banalidade grave» e do «sorriso, supostamente beatífico» de Félix (Sr. Feliz) e, quanto a Silva Peneda (Sr. Contente), afirma que «acha-se "indispensável"» e «rebenta dele próprio». Mas não se limita a acusações: Explica porque as faz. Confesso que estranhei a ferocidade da crítica, pouco habitual em em Maria João Avillez, mas tenho de confessar também que concordo com ela. Mais, se o PS, «em caso de vitória eleitoral», se «virar» «"por exemplo"» «para a corrente democrata-cristã (?) do CDS, personificada, segundo ele, “por exemplo, em Bagão Feliz”» e/ou «inclinar-se para a ala social democrata do PSD, representada, “por exemplo”, por Silva Peneda», também concordo que se trataria de uma «infelicidade» e de uma «vergonha».

Prosperidade

Uma boa notícia deve, segundo os critérios jornalísticos, vir sempre acompanhada de uma má notícia, para os leitores, ouvintes ou telespectadores não se sentirem felizes durante demasiado tempo. Na verdade, estou em crer que um dos principais objectivos dos meios de comunicação é incentivar o descontentamento e o pessimismo. Apresento, a mero título de exemplo, uma notícia na revista Visão, transmitida também hoje na RTP, sobre a posição de Portugal no índice internacional de prosperidade. A notícia era óptima: Portugal manteve em 2013 o 27.º lugar no índice de prosperidade num conjunto de 142 países. Portugal é portanto um dos países mais prósperos do mundo, o que só pode ser motivo de regosijo. Claro que temos sempre a tendência para nos compararmos com países mais ricos, mais prósperos e mais felizes, mas o lugar 27 em 142 tem de ser considerado uma óptima classificação.

Mas claro que é obrigatório temperar a eventual satisfação do telespectador com uma má notícia. Ela veio logo a seguir (no caso da Visão até antecedeu a boa notícia e mereceu ênfase no título): Na área da educação, Portugal desceu 14 lugares. Pronto, lá ficamos todos mal dispostos com esta queda tão drástica. Faltou dizer em que área ou áreas teremos subido para compensar esta perda e mantermos o nível global. Como isso seria outra boa notícia, o melhor é calar.

É apenas um exemplo, mas se estivermos atentos veremos que é a regra geral: Nunca dar boas notícias sem acrescenter algo desgradável.

sábado, 1 de novembro de 2014

Violação do espaço aéreo nacional?

Foi largamente noticiado o sobrevoo do "espaço aéreo nacional" por aviões militares russos, que teriam sido interceptados e expulsos por caças portugueses. A expressão "espaço aéreo nacional" ou "espaço aéreo português" e a palavra "violação" foram usadas abundantemente e notícias escritas e lidas. Algumas notícias referiram-se também à violação do espeço aéreo europeu, designadamente do Reino Unido e da Noruega, países cujas forças aéreas também interceptaram e escoltaram os aviões intrusos. A verdade foi reposta tanto pela Embaixada Russa em Lisboa como pelo Ministro da Defesa português Aguiar-Branco: A intercepção dos aviões russos «"não foi em espaço aéreo nacional" mas "em espaço aéreo sob jurisdição nacional" - para afirmar que "a informação dos media portugueses sobre a alegada violação do espaço aéreo português pelos aviões russos não corresponde à verdade"». Esta reposição da verdade, que não nega a gravidade dos incidentes, passou quase despercebida, tendo continuado a aparecerem na comunicação social referências a "violação" do "espaço aéreo nacional". Os nossos meios de comunicação têm definitivamente uma atracção pelo abismo.

Evitar o resgate

Tem causado muita risota a afirmação de Ferro Rodrigues de que Sócrates foi das pessoas que mais se bateram por evitar a necessidade de resgate de Portugal. Já Luís Amado tinha afirmado qualquer coisa no mesmo sentido. Fica agora a grande dúvida que um dia os historiadores terão de resolver: Quem levou as finanças portuguesas ao estado de pré-ruptura que tornou indispensável o resgate?

Prémio Eduardo Lourenço

Leio que o filósofo José Gil ganhou o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Lourenço. Não me admiraria que o ensaista Eduardo Lourenço viesse a ganhar, além do Prémio Pessoa e do Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon e de muitos outros que já são seus, o prémio José Gil...

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Perca grelhada

Apesar de não ser cliente do BPI, ou talvez por isso mesmo, tenho grande consideração por Fernando Ulrich devido às suas opiniões acertadas e ao modo desassombrado como as expõe. Não consigo, contudo, compreender o receio que Ulrich manifestou de ter uma perca se a vende do Novo Banco não compensar o dinheiro com que o Fundo de Resolução contribuiu para a sua capitalização. Uma perca? Será que o patrão do BPI não gosta de peixe ou apenas de perca? Por mim, gosto muito de uma boa posta de perca grelhada. Já não aprecio o sabor do robalo.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Má informação

Demasiadas vezes damos com informação errada nas nossas televisões. Os mais desprevenidos podem ficar mal informados ou pelo menos ficar com dúvidas. Vejamos 3 exemplos recentes:

1) Na proposta do Governo para o Orçamento de Estado para 2015, propõe-se que "o IRC baixe de 25% para 23%" (lido num rodapé durante um noticiário). Errado: Esta baixa já é histórica. O que agora se pretende é reduzir de 23% para 21%.

2) "A proposta de OE contém a reposição de 20% dos salários dos funcionários públicos" (Ouvido num noticiário). Errado: O que se propõe é a reposição de 20% dos cortes actualmente em vigor dos salários dos funcionáriso públicos. Substancialmente diferente.

3) "Segundo a proposta de OE os subsídios dos funcionários públicos e dos pensionistas do Estado serão pagos em duodócimos" (Lido num rodapé). Errado: Só o subsídio de Natal se mantém em duodécimos; o subsídio de férias será pago, como em 2014, todo de uma vez.

Cheias sem solução. E o País?

Ontem, ao ouvir a notícia de que António Costa afirmara que as cheias em Lisboa não têm solução, pensei logo que tal personagem não poderia nunca ser Primeiro Ministro de Portugal, ou arriscávamo-nos a ter um governante que chegava à conclusão de que o País não tinha solução, o que acabaria, por este facto, por ser verdade. Afinal, ao ler hoje a notícia mais desenvolvida das declarações do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, tive de chegar à conclusão, apesar do título parecer confirmar a minha impressão, de que o meu juízo precipitado tinha talvez sido injusto e que Costa tivera alguma razão ao dizer que o plano de drenagem da cidade pode permitir para minorar o problema das cheias, mas que, devido ao grau de impermeabilização dos espaços da cidade, situações como as que se viveram na Segunda-feira podem apresentar"menor grau e ocorrer menos vezes”, reconhecendo assim que o plano, sem resolver na totalidade o problema das cheias, poderá contribuir para o minorar. Afinal, afirmações sensatas, mais do que o título enganador da notícia de que "não existe solução para as cheias". Só não posso concordar com a tese de que as sargetas estavam limpas. Por observação directa, posso afirmar que, pelo menso em certos casos, estavam entupidas por falta de limpeza, o que aliás já é habitual.

sábado, 11 de outubro de 2014

Perder milhões

Ao contrário de algumas pessoas, não tenho o mínimo receio de que seja retirada da minha conta bancária "uma fortuna", seja fraudalentamente ou não. Segundo algumas notícias, a fortuna perdida por Carlos Queiroz chega a "milhões". Ora aí está: Será completamente impossível retirar milhões de qualquer conta, aplicação financeira, investimento, carteira ou bolso meus.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Primárias já no PSD

Segundo uma breve notícia ouvida ontem, hoje repetida e desenvolvida no DN, «apoiantes de Rui Rio apelam a que se realizem eleições primárias no PSD "já"». Terão estes "apoiantes" a noção da confusão que resultaria no espírito dos eleitores do PSD este desafio neste momento? Com o OE em finalização e prestes a ser discutido na AR, submeter o PSD ao mesmo processo desgastante que sofreu o PS só poderia prejudicar o partido, já para não falar na coligação da actual maioria e na possibilidade de negociar nova coligação para as legislativas. E, na intenção desses apoiantes de Rui Rio, essas primárias seriam, como no PS, abertas a simpatizantes? Duvido que Rui Rio, que me parece ser uma pessoa sensata, concorde com este golpe. E, se concordar, é sinal para mim que não é tão sensato como eu sopunha.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Relâmpago mortal

Não é preciso ser-se físico nem ter conhecimentos aprofundados de electricidade para saber que a causa das trovoadas está nas cargas eléctricas que se criam nas núvens e que a diferença de potencial eléctrico entre estas e a terra ou entre diferentes camadas de núvens pode dar origem a descargas violentas, designadas vulgarmente por raios. O clarão provocado pelos raios é o relâmpago. O estrondo que resulta da descarga eléctrica é o trovão. Como é sabido, o relâmpago precede o trovão devido à diferença entre as velocidades de propagação da luz e do som e o lapso de tempo que decorre entre as duas recepções depende da distância a que a trovoada está do observador. Posto isto, é evidente que o perigo reside apenas no raio; a luz e o som podem ser tremendamente assustadores, mas não são perigosos. Tudo isto é do conhecimento comum. Pois ainda hoje um jornalista noticiou, na TVI24, a morte de 11 índios colombianos e ferimentos noutros 18 em consequência de um raio dizendo que "11 pessoas morreram e outras 18 ficaram feridas depois da descarga provocada pelo relâmpago". Até parece que o clarão é que provocou a descarga que esteve na origem das mortes e ferimentos. Tudo ao contrário.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Visita Guiada

Visita Guiada é um programa da RTP, actualmente apresentado na RTP2, da autoria de Paula Moura Pinheiro, que dá a conhecer tesouros do património cultural português. E dá-os a conhecer de uma maneira viva e directa que é pouco habitual e faz com que cada programa mantenha o interesse do princípio ao fim. Hoje, o programa sobre os Templários e as suas relações com Portugal, com particular incidência no Convento de Cristo em Tomar, foi simultâneamente didáctico, informador e repleto de beleza.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Coitado do Costa

António Costa não foi uma das 4 pessoas que já leram a minha mensagem anterior. Não sabe o que perdeu. Está desejoso de chegar a Primeiro-Ministro, fez tudo para isso e, claro, vai ainda continuar a fazer o que falta, que é o mais difícil. Esta sede de poder para cargos tão ingratos faz-me pensar nos versos de Camões: "Oh! glória de mandar, oh! vã cobiça". Será Costa masoquista? Deseja ser insultado, vilipendiado, odiado, acusado de tudo e de mais alguma coisa? Se não deseja, ainda está a tempo de desistir e voltar a ser um modesto Presidente de Câmara, que aliás não deixa saudades.

sábado, 27 de setembro de 2014

Espero que não me convidem para Primeiro-Ministro

Espero bem que não se lembrem de me convidar para Primeiro-Ministro, nem mesmo para ministro simples, com ou sem pasta. Pensando bem, nem sequer aceitaria um convite para Secretário de Estado. Já viram ao que uma pessoa está sujeito nestes cargos, que nem sequer são muito bem remunerados. Insultam-nos, mal tomamos posse começam a pedir a nossa demissão e continuam a fazê-lo todos os dias, quer seja em altos gritos, quer em cartazes, desconfiam sempre de nós, interrogam-nos, escrutinam o nosso passado e a nossa vida privada à procura de qualquer coisinha que nos possam apontar, mal abrimos a boca dizem que nos estamos a contradizer ou que estamos a esconder algo, insinuam sempre que estamos com más intenções. Não estou para isso. Não contem comigo. Claro que sei bem que é altamente improvável que alguém com juízo me venha a fazer um convite destes, a mim que não tenho vida política nem passado político a apresentar, que não sou militante nem simpatizante de qualquer partido, a mim que nunca apareci na televisão, nem escrevi livros, nem publiquei poemas. Mas com a falta de políticos qualificados, nunca se sabe. É sempre bom deixar o aviso. Claro que também sei que este aviso será apenas lido por duas ou três pessoas, mas não estou para publicar anúncios pagos em jornais de grande tiragem, anúncios que de qualquer modo ninguém leria. Bem, fica o registo. Se ninguém me ler, é sinal que, mais do que altamente improvável, será de todo impossível um convite para qualquer cargo, importante ou não. Posso ficar descansado.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Armas nucleares

Lech Walesa, de quem há muito não se ouvia falar, quebrou o silêncio para declarar que a Polónia "deveria adquirir armas nucleares para se salvaguardar contra a Rússia". Este desejo tem como base os aconteciemntos na Ucrânia e especialmente a anexação da Crimeia. Felizmente Walesa diz, segundo a notícia, "deveria" e não "devia" e muito menos "deve", pondo assim a ameaça de tornar a Polónia uma potência nuclear mais condicionada. De qualquer modo, a sugestão é irresponsável. Por muito que a Rússia possa constituir uma ameaça para a Polónia, a possibilidade de esta poder dispor de bombas nucleares não lhe serviria de muito em caso de conflito perante a enorme superioridade da Rússia. Mesmo que todos os países da antiga área de influência soviética viessem a ter armamente nuclear, pouco poderiam perante a força russa. Por outro lado, proliferação nuclear constitui um perigo enorme, não só para os países limítrofes da Rússia, não só para a Europa, mas para todo o mundo. Além disso, que se saiba, a Polónia está longe de poder por si só desenvolver este tipo de armamento e adquiri-lo ainda não é fácil. As bombas nucleares não se encontram à venda no mercado como qualquer outro tipo de armas. Acho que Walesa já não sabe bem o que diz, e é pena para quem teve um papel importante na democratização da Europa do Leste.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A educação dos professores

Quando professores gritam nas bancadas do Parlamento, como querem evitar que os alunos gritem nas aulas? Se os professores têm falta de educação, como podem pretender educar os outros?

A febre das nacionalizações

Ontem, Garcia Pereira pediu a nacionalização de "todo o universo Espírito Santo". Pedir é fácil. Já agora, pedir por pedir, bem podia ter pedido a nacionalização de todo o Universo. Era muito mais abrangente.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Novo Banco e teorias de conspiração

A saga do BES e do seu filho mais novo, Novo Banco, que talvez seja afinal o seu gémeo, tal como no filme Gémeos com Schwartzenegger e DeVito, sendo evidentemente o BES o gémeo interpretado por DeVito e o Novo Banco o de Schwartzenegger, a saga, dizia eu, ainda parece longe de terminar. Mas a saída de Vítor Bento, a sua substituição por Stock da Cunha e as pripécias que precederam esta reviravolta têm dado origem aos mais díspares comentários. Ouvindo Marques Mendes, Camilo Lourenço, José Gomes Ferreira e outros, ouvem-se tantas explicações diferentes quantos os comentadores, com acusações dirigidas tanto a uns como a outros dos intervenientes no processo. E o ponto comum a quase todas as explicações dos factos ocorridos, por vezes com previsões dos que ainda estão para ocorrer, é a teoria de que a depreciação do valor do Novo Banco é inevitável, está a dar-se a velocidade acelerada e, o que é mais importante, é propositada. Qual a razão para esta malvadez? Segundo alguns, com ligeiras variantes, é de que a depreciação do valor do banco tem como finalidade dar uma vantagem ao potencial comprador. Seria portanto resultado de uma conspiração entre um ou mais candidatos à compra do Novo Banco e os que estão a criar as condições para que o valor deste diminua.

Quanto a mim, esta teoria é disparatada: Que vantagem pode ter o comprador em comprar barato se esta baixa de preço resulta de uma diminuição do valor real? O caso parece-me muito mais complicado do que estas visões simplistas. No entanto, eu não tenho qualquer explicação alternativa nem previsões do que pode vir a acontecer. Esperemos calmamente os próximos dias e talvez os próximos anos para vermos o que se vai passar e, talvez, compreendermos melhor as verdadeiras razões do que está a suceder.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Comunicação social: imprecisões e confusões

O número de disparates que se ouvem ou lêem diariamente na comunicação social parece estar a aumentar. Se fosse possível estar senpre a ouvir com um caderno e um lápis para tomar nota das imprecisões e confusões que se ouvem, poderia fazer-se um relato diário. Um pouco de cuidado evitaria estas ocorrências. Vejamos alguns exemplos de hoje:

A RTP-Informação lista diariamente as cotações e variações das acções do PSI20. Pois uma das cotadas é o BES que todos os dias, segundo a RTP, cai 40,5% para 0,12 €. Não há um responsável que verifique que o BES já não faz parte do PSI20 há mais de um mês e não pode continuar a desvalorizar-se diariamente, mantendo, muito embora, a mesma cotação!

Na TVI24, Rita Rodrigues informa que "A inflação caiu 0,4% no mês de Agosto". Ora a inflação não caiu, pelo contrário, até subiu, já que passou, em termos homólogos, de -0,5% pra -0,4%. Tornou-se menos negativa e portanto subiu. O que caiu foram os preços. A inflação foi de -0,4%. Mas o jornal Económico, de que me socorri para me certificar se estava certo, embora dê a notícia correctamente, cai no sub-título no mesmo erro, o escrever que a inflação "recuou 0,4%". Não recuou, não senhor, avançou 0,1 pontos percentuais, ou seja, 20% (em relação ao valor do mês anterior).

O canal Euronews, que tem a vantagem de dar notícias que por cá são, por vezes, completamente silenciadas, também por vezes informa mal. Hoje (10) de manhã, noticiou que Carlos Moedas tinha ficado com o pelouro do trabalho e emprego na nova Comissão Europeia, quando os canais portugueses já tinham informado que seria o comissário encarregado da investigação, inovação e Ciência.

Espero que amanhã o número de disparates, imprecisões e confusões seja menor.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Bruxaria

Segundo uma notícia, jiadistas do auto-intitulado estado islâmico decapitaram sete pessoas, incluindo três mulheres, acusadas de praticar bruxaria e de serem ateus. Tenho uma grande curiosidade em saber o que é que os jiadistas consideram bruxaria. Também não tenho a certeza de que a definição de "ateu" dos jiadistas seja coincidente com a que é corrente nos países ocidentais. Já quanto à ideia que têm de liberdade de religião, é evidente qual seja.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Quotas e votos

Na minha modesta opinião, o aspecto mais grave da actual polémica no PS sobre o pagamento de quotas de militantes que já não militam há muito e sem conhecimento destes, de emigrantes e até de mortos não é o facto em si de alguém pagar quotas de outrém, vivo ou morto. Isto seria uma simples irregularidade. O grave é que quem o fez tinha certamente algum propósito, obviamente possibilitar que estes militantes pudessem exercer o direito de voto. Ora se os próprios não sabiam que as quotas iriam ser pagas, não sabem, alegadamente quem o fez, ou nem sequer podem votar por terem já falecido, tudo indica que quem praticou essas irregularidades tinha (ou ainda tem) o propósito de fazer entrar nas urnas os votos correspondentes a esses militantes mesmo ausentes ou mortos. Se não foi um louco ou um lunático que gastou mais de 100 000 euros nessa jogada, isso significa que esta chapelada seria possível, pelo menos se as irregularidades não tivessem sido descobertas, e isso é que é verdadeiramente gravíssimo.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Mulheres, precisam-se

Parece que há falta de mulheres, não só na China, onde a política do filho único foi a causa da ocorrência de milhões de machos excedentários, não só na Índia, onde as filhas são indesejadas porque são causa de despesas enormes das famílias com a necessidade de dotes consideráveis, mas também na Comissão Europeia. O excesso de machos na CE está a preocupar Martin Schulz e parece que com alguma razão. Até há quem preveja que Junker vai pedir aos chefes de governo que propuseram homens para comissários que ponderem a sua escolha. Espero que tenha êxito nessa tarefa e que possamos vir a ter uma Comissão bem equilibrada, nem que seja necessário aliciar para o cargo de comissárias algumas mulheres mais reticentes por meio de chorudas regalias. A proposta de Helena Matos também poderá ajudar a resolver a situação criada pela preferência por homens (ou talvez antes pela preferência dos homens). Felizmente não existem no mundo problemas mais graves do que a carência de mulheres na Comissão.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Pode valer a pena matar?

Há dias ouvi na TV a notícia de que ia ser discutida uma proposta de lei para que um homicida não pudesse vir a ser beneficiado pelo seu crime, recebendo em herança bens da vítima. Fiquei espantado por ser preciso fazer uma nova lei para impedir tal iniquidade; pensava que, por uma simples questão de bom senso, tal já não seria possível. Portanto, além de espantado, fiquei também contente: Finalmente corrigia-se essa injustiça. Mas eis que o assunto volta à baila: Hoje, pela SIC-Notícias, soube que "a ordem dos advogados diz que a condenação por homicídio não pode ditar a perda de herança". Claro que a notícia não explicita que se refere a herança da vítima do homicídio, mas a não ser o caso não teria sentido. Concluo portanto que um potencial homicida tem um motivo evidente para matar os seus pais, os seus avós ou mesmo os seus filhos, se puder vir a herdar deles, já que, mesmo que seja condenado, continua a ser legítimo possuidor da herança!!! A notícia não explicita também a razão porque a Ordem pensa que evitar esse móbil para o assassinato não é possível. Há uma lei contra? Mude-se a lei. É inconstitucional? Mude-se a constituição. O criminoso não deve poder nunca ter vantagem em cometer o crime, a não ser, claro que tenha cometido o crime perfeito e nunca seja descoberto, mas isso é outro problema; se for descoberto e condenado é incrível que possa continuar a manter alguma vantagem pelo crime que cometeu.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

PIB, crescimento e imprecisão de linguagem

Ouvido hoje na SIC (ou SIC_Notícias?): "Economia cresceu no segundo trimestre, mas ainda está pior do que no ano passado." Que significa isto? Em que ficamos? Que entendimento terá o jornalista do crescimento económico? Vamos a factos: Segundo a notícia que esta frase pretendia introduzir, o PIB português cresceu 0,6% em relação ao trimestre anterior e o crescimento homólogo foi de 0,8%. Boas notícias, portanto, embora não seja caso para nos pormos aos saltos de contentamento: Trata-se de um crescimento reduzido, menor do que o esperado e inferior ao do ano passado, mas mesmo assim, é um crescimento. O crescimento foi, pois, pior do que o do ano passado, mas o jornalista, na frase citada, não se referia ao crescimento; o sujeito da frase é a economia. Ora se houve crescimento homólogo positivo, a economia está melhor do que no ano passado e não pior. Há uma tendência em alguns jornalistas, a avaliar pela redacção das notícias que veiculam, para confundir um valor que evolui com a sua derivada, as grandezas com a sua evolução. O PIB é uma medida da criação de riqueza, ligado portanto à economia. Se a variação do PIB é nula, isto é, se o PIB não cresce nem diminui, a criação de riqueza é igual à do período anterior e isto significa que a economia não melhorou. Quando o PIB cresce, a criação de riqueza é maior e portanto a economia está melhor. O jornalista confundiu os conceitos de economia e crescimento.

A César o que é de César

Numa conferência de imprensa que teve lugar no Santuário de Fátima, a propósito da peregrinação anual do migrante e do refugiado, o director da Obra Católica Portuguesa para as Migrações disse que a Igreja deve servir de “alerta e denúncia das injustiças". Nessa linha teceu considerações sobre a "incompetência dos políticos", "incompetência" esta que é, para o orador, "fruto de uma crise de valores, de uma corrupção política e financeira que levou a que o país não tivesse condições para criar trabalhos e condições para fixar particularmente os jovens”. Concordo que o Igreja denuncie injustiças, mas ao empregar uma linguagem de generalizações populistas nas frases transcritas e em geral no seu discurso, parece-me que o director da OCPM está a ultrapassar o papel que cabe à Igreja neste campo e a tomar posições nitidamente políticas. Esquece que Jesus distinguiu entre o domínio do político e o domínio do religioso. Para mais, ao referir "os políticos" e, ao considerar que a causa da crise está na corrupção sem apontar outras causas nem reconhecer que haverá certamente entre os políticos e responsáveis alguns competentes e não corruptos, está a cometer uma injustiça flagrante.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Não sou o único a pensar assim

Depois de ter escrito "A reacção de Israel aos foguetes do Hamas é desproporcionada" em que considerava que esta desproporção não contrariava o direito de Israel a defender-se, pensei que ia receber comentários indignados ou pelo menos ler em outros blogs opiniões contrárias. Afinal encontrei em apenas uma curta frase a ideia que eu tinha defendido: «Numa guerra não há considerações sobre proporcionalidade até uma das partes ser derrotada. Nenhuma intervenção de Israel poderá ser considerada desproporcional se falhar em neutralizar o Hamas.» (Carlos Guimarães Pinto em O Insurgente).

Robin Williams

Chocou-me a notícia da morte de Robin Williams, um actor por quem sempre tive grande admiração. Uma das características que me cativou foi o sorriso fácil, mas (aparentemente) sincero. Mas ainda mais do que a notícia da morte, chocou-me saber que combatia há anos contra a tendência para o alcoolismo e o consumo de cocaína. Parece que o facto era conhecido, mas para mim foi uma notícia cruel.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A reacção de Israel aos foguetes do Hamas é desproporcionada

Concordo que a reacção de Israel aos ataques do Hamas com foguetes (recuso-me a escrever rockets, afinal rockets são foguetes, porquê dizer em estrangeiro?) é desproporcionada. Bombardeamentos aéreos e uma ofensiva com blindados não têm proporção em relação a alguns foguetes disparados, destruição maciça de edifícios e quarteirões inteiros não se podem comparar com alguns estragos quando os foguetes não caem em descampados, muitas centenas de mortos não têm qualquer relação com dezenas de mortos. Há evidente desproporção. Mas que sugerem os que criticam duramente Israel e se manifestam contra a sua acção militar? Que Israel responda aos disparos de foguetes de Gaza para Israel com um número idêntico de foguetes disparados para a faixa de Gaza? E de preferência com a mesma pontaria errónea? O que é certo é que a reacção de Israel, mesmo desproporcionada, não tem sido suficiente para convencer os islamitas do Hamas a suspenderem os disparos, apesar da destruição de alguns sítios de lançamento. Se Israel respondesse proporcionadamente, os foguetes do Hamas continuariam a cair pelo menos ao mesmo ritmo.

domingo, 10 de agosto de 2014

Defesa dos mais fracos

António José Seguro anda outra vez preocupado. Aliás muitos portugueses andam preocupados, mas Seguro nos últimos dias tem andado constantemente preocupadíssimo por várias razões e faz questão de dar a conhecer aos portugueses o seu estado de alma por intermédio das televisões. Anda tão preocupado que é de temer que o stress possa ser prejudicial para a sua saúde. Ontem, era por Vítor Bento, na entrevista que deu na SIC, ter admitido que o Novo Banco pode necessitar de uma reestruturação que pode implicar redução de pessoal, logo despediemntos. Seguro acha "inadmissível que sejam os mais vulneráveis a pagar os erros dos administradores e dos accionistas". Não sei onde tem estado Seguro nos últimos tempos, em que várias empresas têm sido reestruturadas com redução de pessoal e muitas outras nem sequer conseguiram sobreviver, tendo pura e simplesmente falido, contribuindo decisivamente para o elevado desemprego de que temos sofrido. O próprio sector bancário tem passado por processos de encerramento de balcões com despedimentos substanciais e nunca vi Seguro referir-se aos mais vulneráveis ou aos erros que levaram a estes processos. Pensa Seguro que os postos de trabalho devem ser mantidos em todas as circunstâncias, mesmo quando esta manutenção é incomportável? E só neste caso em especial?

sábado, 9 de agosto de 2014

Salvar a TAP

É curioso que as greves e protestos realizadas por trabalhadores de várias empresas ou mesmo de vários sectores nunca têm objectivos egoístas como procurar obter aumentos de salários ou outras regalias. Não, os grevistas ou protestantes só pensam em razões altruístas e no bem da empresa contra a qual protestam, do sector ou do País. O caso da TAP é mais um destes: os pilotos grevistas só pretendem salvar a empresa que a administração quer por força prejudicar por qualquer razão obscura. Espero só que não lhes acontaça como noutros casos, para já recordo o da General Motors da Azambuja: Tantas greves fizeram para tentar salvar a empresa que esta acabou por fechar.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O Bom, o Mau e o Vilão

Logo que o informador oficial do que se passa no Conselho de Ministros, mas ainda não deve ser divulgado, Marques Mendes, anunciou que a solução engendrada pelo supervisor para o caso BES era a divisão em um banco bom e um banco mau, cá em casa perguntámos quem seria então o vilão. A resposta foi imediata: Ricardo Salgado. Assim como as profecias de Marques Mendes se concretizaram, também parece que a nomeação para vilão também se confirma, com a variante de que, além do vilão principal, haverá outros vilõezinhos secundários, mas que também pagam as favas. A música de Ennio Morricone é absolutamente adequada para fundo do drama.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Abcesso ou cancro?

Há cerca de 20 dias, Ulrich referiu-se ao caso BES com um "abcesso no caminho de prestígio do País". Perante a reação indignada de alguns, explicou que um abcesso é uma afecção que pode ser tratada e até é possível que não deixe sequelas. Nos últimos dias verificou-se que Ulrich, como de outras vezes em que previu problemas graves, se não tinha razão foi por defeito, ao nter comparado o caso do BES a um abcesso, quando afinal seria mais apropriado compará-lo com um cancro. Claro que um cancro também é tratável e com os avanços da medicina pode felizmente muitas vezes ser tratado e curado sem sequelas, principalmente quando se conhece o remédio adequado. A semelhança com um cancro é adequada porque o doente sentiu os sintomas que faziam adivinhar doença grave, mas quiz mantê-los em segredo e só agravou o seu estado ao não tomar a tempo as precauções que se impunham. Quando teve mesmo de ir ao médico, começou por tentar embelezar a situação e só com meios de diagnóstico mais poderosos se descobriu o tumor. Uma observação mais invasiva revelou que o tumor já era enorme, pondo em perigo a vida do doente. Só um tratamento de choque e uma mudança radical de comportamento podem conduzir à cura e salvar o doente, mas o facto de se conhecer agora com maior precisão a causa e a localização do tumor torna mais fácil o tratamento e provável uma evolução favorável. Estirpar o tumor e eliminar completamente possíveis metástases constituem as únicas vias de salvação.

Pode dizer-se, numa alegoria religiosa, que, em vez de rezar ao Espírito Santo, o caminho correcto é recorrer a água benta.

Clandestinidade revolucionária

Os membros do PND que decidiram passar à clandestinidade revolucionária não se viram ao espelho antes de dar a conferência de imprensa onde anunciaram a sua decisão. Se tivessem olhado as suas imagens já vestidos e preparados para o acto, tinham reparado na figura ridícula que faziam vestidos de fantasmas com boinas bascas por cima do lençol. Esperam-se os seus actos revolucionários.

domingo, 27 de julho de 2014

Prisões à dezena

No Eixo do Mal de hoje, alguém emitiu a opinião de que a detenção de Ricardo Salgado só pecou por insuficiência: Não devia ter sido preso só um, mas sim 20! Calculo que, ao especificar um número tão exacto, tenham conhecimento de quem são os outros 19 e por que crimes deverão ser presos (ou, pelo menos, que indícios deverão levar à sua detenção). No PREC havia ordens de detenção em branco que serviam para prender qualquer um que desagradasse a quem as tinha em seu poder. Actualmente pretendemos viver num estado de direito e não se prendem pessoas às dezenas.

sábado, 26 de julho de 2014

Fala quem sabe

Teixeira dos Santos defende que não deve haver recurso de dinheiros públicos para resolver os problemas do BES. Sabe bem do que fala, pois tem experiência do desastre a que pode conduzir a intervenção de dinheiros públicos para salvar bancos e conhece como esta intervenção pode ficar cara aos contribuintes. Só espanta como ainda tem cara para aparecer a falar do assunto.

Moody's dá melhor nota a Portugal

Depois de, em Maio passado, ter aumentado a notação da dívida soberana de Portugal de BA3 para BA2, a agência Moody's subiu agora a dívida portuguesa mais um ponto, para BA1, a um degrau de sair da categoria especulativa, o chamado lixo. Mais uma indicação de que a situação em Portugal vai lentamente melhorando.

O neo-liberalismo em que vivemos

Eu não sabia que vivíamos em neo-liberalismo, muito menos em neo-liberalismo repressivo. Mas Adriano Moreira (AM) elucidou-me agora, ao declarar que «Sou contra o neoliberalismo repressivo em que vivemos». Pensava que quando se vivia nesse estado repressivo se dava por isso e, para falar a verdade, eu não tenho dado. Pode ser distracção minha, já que há que reconhecer que AM tem muito mais prática de regimes repressivos do que eu. Mas, o regime repressivo em que AM viveu não era mesmo nada liberal, nem neo nem não neo. Se é certo que AM tenha sido, de início, simpatizante da oposição ao Estado Novo, tendo chegado a ser preso, mais tarde veio a aproximar-se cada vez mais do regime de Salazar, que chegou a chamá-lo para o Governo. Por isso talvez seja mais contra o aspecto neo-liberal do que contra o aspecto repressivo.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Ainda a natalidade, ou melhor, a justiça

Ainda a propósito da bondade de algumas das medidas propostas para o fomento da natalidade, há uma que merece todo o meu apoio. E merece também o apoio de Vasco Lobo Xavier no Corta-Fitas:

«A criação de um quociente familiar em função do número de filhos para aferir, face ao rendimento colectável do casal, o escalão e taxa de IRS a pagar nem deveria ser um estímulo à natalidade mas antes uma mera e óbvia questão de justiça que tarda.»

Claro que é uma medida de carácter económico, das tais que critiquei aqui, mas, exactamente por ser uma «óbvia questão de justiça»,  tem a minha concordância, mesmo que não venha eventualmente a conribuir para um aumento da natalidade.

domingo, 20 de julho de 2014

Fomento da natalidade

As propostas de medidas anunciadas para combater a diminuição da natalidade baseiam-se em grande parte em incentivos económicos. É certo que muitos casais se desculpam da sua pouca vontade para criarem descendência ou para adoptarem a regra chinesa do filho único com as dificuldades económicas, mas não é certo que seja sempre essa a verdadeira razão. Para ajuizar da justeza desta posição, covirá meditar que a natalidade era muito superior nas épocas em que o grau de pobreza em Portugal era muito superior e em que mesmo grande parte da classe média não tinha possibilidades de dispor de factores de conforto que hoje são considerados indispensáveis. Basta ver estatísticas dos anos 30, 40 ou 50 do século passado sobre o número de automóveis por 100 habitantes e mesmo de outros bens hoje tão vulgares como telefone em casa, frigorífico ou aspirador. Não é preciso ir às épocas em que estes bens eram novidade, basta perguntar a pessoas de 80 anos como era na época da sua juventude. E, apesar destas circunstâncias, o número de filhos por mulher era muito superior. Além disso é nos países mais desenvolvidos e mais ricos que a natalidade mais caiu.

Não quero dizer que algumas das medidas propostas, mesmo de carácter económico, não possam ser úteis ou justas. O que me parece é que o problema não é predominantemente económico.

sábado, 19 de julho de 2014

Costa: PSD sim; Passos não

Leio em roda-pé da TV: "Costa abre porta a aliança com PSD, mas sem Passos". É moda nova um militante (e candidato a Secretário-Geral) de um partido arrogar-se o direito de poder escolher o líder de outro partido. Mas já que é assim, o melhor é Costa organizar umas primárias no PSD, abertas a simpatizantes, para substituir Passos Coelho. Já tem o know how.

Ou será que não interpretei bem a frase e o "abre porta" tem a ver com Portas? Se no CDS há quem proponha Rui Rio para candidato presidencial, porque não alguém no PS propor o Portas para presidente do PSD? Talvez conviesse ao PS.

terça-feira, 15 de julho de 2014

BES, GES e ignorância

Esta tarde segui parte do programa Opinião Pública na SIC Notícias sobre o caso BES. Após uma exposição de José Gomes Ferreira, sucinta mas muito correcta e bem explicada, das circunstâncias e dos efeitos possíveis da situação financeira do Grupo Espírito Santo e do Banco Espírito Santo, sublinhando muito bem a diferença entre as duas entidades, foi dada a palavra aos telespectadores. A ignorância, a superficialidade e a distorção da realidade da maior parte dos intervenientes deixou-me atónito. Para praticamente todos os telespectadores que telefonaram, o BES está condenado irremediavelmente a falir, entre outras coisas porque deve 900 milhões segundo uns ou 7000 milhões segundo outros. Várias vozes afirmaram que a situação do BES era igualzinha à do BPN e que os contribuintes portugueses pagariam também neste caso uma factura pesada. A explicação de José Gomes Ferreira foi muito criticada e o jornalista económico foi mesmo acusado por um interveniente de defender a família Espírito Santo e a posição do Primeiro Ministro sobre esta questão por partidarismo e por ser de direita. A confusão entre o BES e o GES foi total e ignorou-se em geral todas as explicações que se têm ouvido e lido na comunicação social sobre o caso. Lamentável.

domingo, 13 de julho de 2014

O triunfo e a derrota, eternos impostores

Custa-me muito compreender a paixão futebolística e, em geral, toda a paixão clubística, principalmente quando levada ao extremo. Não entendo como é possível chorar convulsivamente por o seu clube ou a selecção do seu país perder um jogo ou mesmo um campeonato. Compreendo que as pessoas se preocupem com as circunstâncias que têm influência na sua vida, em especial na sua felicidade, a ponto de chorar quando alguma coisa lhes corre mesmo mal. Mas chorar porque os 11 indivíduos que representam o seu clube ou o seu país não conseguiram meter a pontapé uma bola numa baliza é coisa que me ultrapassa. Confesso que não gosto de futebol e, embora admire a habilidade de alguns bons jogadores, sou incapaz de seguir mais do que breves minutos um jogo na televisão. Os resultados deixam-me indiferente ou quase. Mas não pretendo que todos ou mesmo a maioria tenham a mesma falta de gosto por este desporto. Posso mesmo dizer que, embora eu não tenha estes sentimentos, compreendo alguma alegria por um triunfo ou alguma tristeza por uma derrota. Mas daí a ficar destroçado ou enraivecido, a chorar ou ter uma tristeza profunda por uma derrota, como se de morte de parente próximo ou de um amigo se tratasse, aí ultrapassa a minha compreensão. Do mesmo modo as festividades em caso de vitória parecem-me sempre exageradas.

Neste capítulo, como noutros, estou de acordo com Rudyard Kipling, quando no poema Se(1) diz:
"Se podes encarar com indiferença igual o triunfo e a derrota, eternos impostores..." e depois de muitos outros "ses", afirma: "Alegra-te, meu filho, então serás um homem!"

(1) Se, de Rudyard Kipling, na tradução de Félix Bermudes, quanto a mim a mais conseguida. Outra tradução, a do brasileiro Guilherme de Almeida, junto do original inglês "If" pode ser vista na Folha de São Paulo on-line.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Aviso aos investidores

Segundo notícias de há pouco, a Moody's e a S&P cortaram 3 níveis na notação financeira do BES. Estas agências parecem-me de uma inutilidade flagrante: Não prevêem, não avisam os potenciais investidores a tempo, actuam vários dias depois de toda a informação estar abundantemente disponível em todo o mundo. Se eu fosse um potencial investidor e me guiasse exclusivamente pelas notações destas agências para fazer as minhas escolhas, sem ver televisão, sem ler jornais, sem ouvir rádio e sem falar com amigos ou conselheiros, poderia ontem ter comprado um milhão de acções do BES na bolsa (antes de a CMVM ter fechado a torneira; depois já não poderia). Talvez até fosse um excelente negócio, mas das duas uma:

Ou teria sido um excelente negócio por as acções estarem a preço de saldo e poderem valorizar-se muito a prazo, depois da nova administração tomar posse e tomar as suas medidas, e então os conselhos da Moody's e da S&P são completamente errados.

Ou então a Moody's e a S&P têm razão e as acções do BES valem menos que lixo e não virão a valorizar-se nunca ou só daqui a muitos anos, e então o conselho das agências foi inútil para mim, porque só avisaram tarde demais para quem não têm informações por outras vias. Felizmente não sou um potencial investidor, mas mesmo assim estou mais bem informado pela comunicação social do que pela notação financeira atribuída por estas poderosas agências.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Plano concreto para a bancarrota

Depois dos 74 vêm os 4. Quais cavaleiros do apocalipse, anunciam a desgraça, mas, ao contrário dos cavaleiros, estes peões disfarçam a desgraça num triunfo: Num documento intitulado Um Programa Sustentável para a Reestruturação da Dívida Portuguesa prometem resolver de vez o problema da dívida pública e privada e explicam em pormenor ao longo de mais de 70 páginas como é possível realizar esta proeza. Quando ouvi o anúncio deste programa, desconfiei, não só por vir de quem vinha, mas também por já ter meditado um pouco sobre a problemática graças ao Manifesto dos 74. Mas, como os meus conhecimentos de economia são apenas básicos, não me atrevi a exprimir críticas sobre o plano até ler opiniões mais abalizadas:

Carlos Guimarães Pinto, n'O Insurgente, analisa resumidamente, mas de modo sistemático, a proposta de Louçã ed al., e apresenta, sob a forma de perguntas, as mais que prováveis consequências: "fuga de depósitos" e perda da "solvabilidade dos bancos portugueses".

José Manuel Fernandes, no Observador, também analisa em pormenor a proposta e apresenta as dificuldades e os inconvenientes (entre outros a "perda imediata de acesso aos mercados").

Vital Moreira, no blog Causa Nossa, faz uma crítica mais feroz e mesmo destrutiva. Conclui que a proposta de Francisco Louçã equivaleria a um "maciço confisco e coletivização (sic, assim sem "c", a culpa é do AO90) patrimonial" e afirma que "É evidente que nenhum governo responsável alguma vez poderia perfilhar uma ficção destas, para não falar da sua rejeição liminar pela UE."

Creio que os quatro subscritores do programa terão alguma dificuldade em rebater com algum êxito estas críticas. O "programa sustentável" parece tudo menos sustentável.

Declaração de interesses: Possuo um Certificado de Aforro e alguns Certificados do Tesouro, além de algum dinheiro no banco, como quase todos os portugueses. Por isso, não aceitaria o programa proposto, já que me prejudicaria sensivelmente. (ver página 32)

terça-feira, 8 de julho de 2014

Morreu José Delgado Domingos

Não cheguei a conhecê-lo, apesar de termo coincidido no Instituto Superior Técnico durante 3 anis, mas desde cedo segui com muito interesse a sua intervenção pública sobre temas de energia, nomeadamente de crítica à opção pela energia nuclear e aos argumentos políticos sobre a causa antropogénica do aquecimento global. Nestas duas polémicas, o Professor Delgado Domingos foi incansável e baseou sempre os seus argumentos em bases científicas sólidas. Espero que com a sua morte não se verifique o esquecimento da sua obra e das consequências práticas que o seu estudo deve ter nas opções políticas sobre questões energéticas e ambientais.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Homem prevenido

Já tinha ouvido alguém comentar que Vítor Bento era capaz de vir a ter uma grande surpresa quando visse as contas do BES. Mas Vítor Bento já tem muita experiência em lugares ligados à alta finança e não é ingénuo. Por isso não fiquei nada surpreendido quando soube hoje que Bento só tomará o seu lugar como presidente da Comissão Executiva do BES depois de Salgado apresentar as contas do primeiro trimestre. Assim, por muitas surpresas que possa vir a ter quando examinar as contas, será evidente para toda a gente quem foi o responsável pelo passado e o novo presidente terá mais justificação para tomar medidas correctivas se vierem eventualmente a ser necessárias.

domingo, 6 de julho de 2014

Novos administradores do BES

A escolha dos nomes indicados e mais que provavelmente aceites para a nova administração do Banco Espírito Santo, nomeadamente Vítor Bento para presidente da Comissão Executiva, Moreira Rato para administrador financeiro e Paulo Mota Pinto para presidente do Conselho de Administração, mereceu críticas dos partidos da oposição, mais violentas nos casos do PS, na reacção de Seguro, e do BE, nas palavras de João Semedo, mais brandas, vá-se lá saber porquê, no caso do PCP, pela boca de Jerónimo de Sousa. Criticam a influência do PSD na nova liderança, a promiscuidade entre os negócios e a política. Não terão aqueles dirigentes esquerdistas a noção de que os melhores gestores de negócios são de direita?

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Onde houver um português, aí está Portugal

A frase é muito bonita e até tem o seu quê de verdade, mas, se se pretende combater a divisão do País entre Continente (ou Cont'nente, como diz Jardim) e as regiões autónomas, como suponho que é a ideia de António Costa, afirmar que não deve haver divisões porque "Portugal são todos e cada um dos portugueses, esteja no Minho, no Algarve, aqui, no Machico, em Ponta Delgada, na África do Sul, na Venezuela, onde esteve um português, está Portugal" pode não agradar aos portugueses de Machico e de Ponta Delgada. Juntá-los com os portugueses da África do Sul e da Venezuela é dizer que Machico e Ponta Delgada, e por extensão as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, não são bem Portugal, são territórios exteriores a Portugal oude há portugueses. Isto pode ser combater a divisão dos portugueses, mas parece estabelecer uma divisão estre Portugal e regiões estrangeiras. Certamente não foi essa a intenção de António Costa, mas escolheu muito mal a frase.

domingo, 29 de junho de 2014

Nova descoberta de Seguro

Seguro prova que tem ideias. Seguro prova que sabe qual é a solução para o País. A solução para o País é a industrialização. Como é que ninguém tinha ainda pensado nisso? Mentira: O próprio Seguro incluiu "um plano de reindustrialização" como a 1.ª medida da série de 80 propostas no seu Contrato de Confiança de 17 de Maio. Pareceu agora a Seguro conveniente relembrar esta descoberta. Comparemos agora com a 3.ª via de António Costa: Este apostava na criação de riqueza. Seguro aposta na industrialização. Ambas as soluções são muito boas. Temos dois bons candidatos a primeiro ministro.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Símbolos nacionais

Será desrespeito pelos símbolos nacionais baixar o preço de bandeiras nacionais para 0,77 € ainda antes do jogo com o Gana? Acho que sim. Já se fosse depois do jogo seria de considerar uma atenuante. O produto referido, pequenas bandeiras com uma mola para prender na janela do automóvel, foi visto (mas não adquirido) na Lidl. Atenção: Isto não é uma denúncia, é apenas uma opinião.

sábado, 21 de junho de 2014

Maioria de esquerda

No Abelhudo leio uma demonstração cabal de como é disparatada a ideia de António Costa (e não só) de formar uma maioria de esquerda capaz de governar Portugal.

De facto, a maioria de esquerda não é nova e nunca pôde, que me lembre, ser capaz de proporcionar um governo de esquerda baseado nessa maioria, a não ser com o PS isolado. Agora mais do que nunca não vejo como seria um hipotético programa de governo baseado em qualquer combinação ou coligação do PS com qualquer dos outros partidos de esquerda. As incompatibilidades de pensamento e acção são inultrapassáveis. E historicamente, nos países onde se criaram governos baseados nessas maiorias, tipo Frente Popular, os resultados foram desastrosos. Em Portugal, no caso que numericamente mais possibilidades teria de um governo de maioria, PS+PCP, a ortodoxia dos nossos comunistas tornam a coisa ainda mais complicada. Como pode Alberto Martins evocar essa possibilidade ou António Costa pensar nela é coisa que me transcende.

O jornalismo que temos

Nos canais de TV de notícias tornou-se regra inserir pequenas notícias em roda-pé enquanto no ecrã dão as notícias principais. Estas notícias de roda-pé podem ser úteis, embora se torne um pouco dofícil seguir o noticiário principal, dito pelos jornalistas ou com imagens, e ler simultaneamente os roda-pés. Mas quando a notícia principal não interessa, a leitura das pequenas notícias pode ser um modo de não estar a perder tempo à espera simplesmente de ver se a notícia seguinte já é do nosso interesse. O pior é a falta de cuidado com que frequentemente as notícias de roda-pé são redigidas. Excepto os roda-pés das manhãs, que são meras transcripções de títulos de jornais, os restantes veiculam informações frequentemente incompletas e mesmo incompreensíveis, quando não absolutamente desactualizadas. Apenas um exemplo: Hoje, Sábado 21 de Junho li na TVI24: "Multinacionais criam 10000 empregos nos serviços". É muito, é pouco, é bom, é mau? A criação de tantos empregos pelas multinacionais ocorreu em Portugal, na zona euro, na Europa ou no mundo? Ou mesmo no Afeganistão? E estes 10000 empregos foram criados num ano? Que ano? Num trimestre? Que trimestre? Num mês? Que mês? Num dia? Que dia? Claro que é muito diferente se as multinacionais criaram 10000 empregos num ano em todo o mundo, o que seria mau, ou, no limite contrário, num dia em Portugal, o que seria óptimo. Sem a mínima indicação a notícia é pura e simplesmente inútil. Neste caso a redacção é irrepreensível, mas de pouco serve, porque a informação é incompleta.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

A 3.ª via de António Costa

António Costa descobriu e anunciou com ar prazenteiro e muito satisfeito consigo próprio que as medidas do Governo para redução do défice não são aceitáveis pois se reduzem à diminuição da despesa ou ao aumento da receita, quando afinal há uma terceira via. Ao ouvir tais declarações fiqueri espectante e atento para saber qual a descoberta de AC. Afinal a 3.ª via é, por outras palavras, exactamente a que Seguro tem defendido desde pelo menos 2012: a via do crescimento. AC chama-lhe a via de aumento da riqueza, mas é a mesma coisa. Afirmei aqui em 2012 que para se atingirem os défices a que estamos obrigados seriam necessários crescimentos verdadeiramente estratosféricos, completamente fora das possibilidades. E, como Seguro insistiu na asneira, demonstrei-o em 2013 com umas simples contas.

Agora António Costa apresenta a mesmíssima solução (falsa solução) chamando-lhe aumento da riqueza em vez de crescimento [do PIB] como se fosse uma ideia original e inédita. Se é assim que pretende demonstrar as suas diferenças em relação a Seguro, só mostra que não tem memória, andava desatento ou nos quer aldrabar.

Mais uma vez, para continuar a reduzir o défice, conforme estamos obrigados, e que seria necessário mesmo sem qualquer tratado ou memorando, já que a manutenção de défices elevados faz aumentar a dívida e é insustentável a prazo, a via do crescimento ou, o que é o mesmo, do aumento da riqueza, exigiria crescimentos impossíveis.

As contas são semelhantes às que apresentei em 2013. Qual terá de ser o PIB em 2015 para que 2,5% desse valor não seja superior ao défice actual? Ou qual terá de ser o PIB em 2016 para que 0,5% desse valor não seja superior ao défice de 2015? Como diria Guterres: É fazer as contas. Os cálculos são independentes do valor absoluto do PIB. Basta ter em conta os valores do crescimento do PIB e do défice. Dando o valor de 100 para o PIB de 2014 (que, de acordo com as previsões deve corresponder a cerca de 166 mil milhões de euros), e tendo em consideração o crescimento previsto de 1,1%, teremos um valor de 101,1 em 2015. Para não aumentar a receita nem reduzir a despesa do Estado, o valor do défice em 2015, em valor absoluto, não pode ser superior ao de 2014, ou seja 4% do PIB, 4 em valor absoluto. Como o défice só pode ser 2,5% do PIB, o crescimento de 1,1% é insuficiente; só um crescimento de 60% permitirá que 4 seja 2,5% do PIB em 2015. Este é um valor claramente impossível. Vamos agora ver que crescimento será necessário em 2015 para permitir um défice de 0,5% do PIB em 2016, ou seja, que um défice de 4, na mesma escala de PIB 100 em 2014, seja 0,5% do PIB de 2016. A impossibilidade é ainda superior, se é que uma impossibilidade pode ser superior a outra: O crescimento teria de ser de 400%.

Falando agora em euros, o PIB em 2014 de cerca de 166 mil milhões de euros teria de atingir 840 mil milhões de euros em 2016 para que o défice previsto para 2015 de 4200 milhões de euros fosse apenas 0,5% daquele último valor. A terceira via de Costa não é simplesmente viável.

Como não sou economista, admito que o meu raciocínio esteja errado. Muito agradeceria a quem me corrigissse, se for o caso. Se esse quem for António Costa, pedir-lhe-ei perdão. De qualquer modo, sempre gostava de saber qual a ideia dele para aumentar a riqueza.

Argentina não é notícia

A Argentina está perto da bancarrota outra vez. Há 11 anos conseguiu renegociar a dívida com 90% dos credores. Os 10% restantes ganharam agora uma batalha jurídica e exigem o pagamento dos créditos. A Argentina não tem possibilidades de cumorir a sentença. A renegociação da dívida é, como se está a ver, uma coisa magnífica: resolve todos os problemas. Os 74 devem estar satisfeitos. Mas se não fosse a Euronews e O Insurgente, não teria dado pela notícia, pois não consegui ouvir uma palavra nas nossas TVs. Acharam, dentro dos seus critérios jornalísticos, que não tinha qualquer interessa. Ou então não houve tempo para esta notícia, já que está tudo preenchido com notícias, reportagens, comentários e relatos do mundial...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Hollande indignado com António Costa

Não é só Seguro que está, segundo o próprio admite, indignado por verificar que António Costa, pela sua acção inusitada, precipitada e inconveniente, que talvez mesmo se possa designar como traição, causou graves danos na imagem do PS que se reflectem na acentuada queda nas sondagens. Hollande ainda não se queixou, talvez por não saber a causa da sua queda, não só nas sondagens, mas até nas eleições, mas é fácil ver que na origem da baixa de vontade dos franceses em votar PSF está certamente também o terem conhecimento de que António Costa se preparava, como agora se tornou mais evidente, para desferir golpes profundos na imagem do socialismo internacional.

sábado, 7 de junho de 2014

Tal um, tal outro

A luta no interior do PS agrava-se: Costa aceitou a convocação de umas eleições primárias, mas deixou claro que não concorda com a data e não desiste de exigir um congresso, anunciando que não lhe interessa candidatar-se a primeiro-ministro sem ser secretário-geral do partido. Seguro declara-se indignado com a sondagem publicada pelo Expresso e culpa Costa pela monumental queda do PS, esquecendo-se que já anteriormente houve uma sondagem em que a distância entre o PS e a soma de PSD com CDS/PP era de 0,2 pp e que mesmo nas europeias a diferença foi mínima.

Mas no plano programático ainda não consegui descobrir as diferenças. Citei aqui Seguro por anunciar medidas que não são coerentes com o Tratado Orçamental. Agora, ao ler algumas das declarações programáticas de Costa, nomeadamente que "É preciso romper com a visão de curto prazo, com o ciclo vicioso e precário em que o Governo se bloqueou e bloqueou o país, subindo impostos para aumentar a receita ou cortando salários e pensões para baixar a despesa", anunciando em simultâneo que pretende a sustentabilidade económica, financeira e outras, fiquei com sérias dúvidas de como pensa que poderá atingir essa sustentabilidade sem aumentar a receita nem baixar a despesa.

Tal um, tal outro, portanto.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Igualdade

Não sou um adepto fervoroso da igualdade, embora reconheça o seu mérito como princípio orientador no sentido de igualdade de oportunidades. Mas há que reconhecer que elevar este princípio a um dogma e exigir a igualdade absoluta obrigaria a tornar os salários dos indivíduos mais qualificados iguais aos dos mais ineptos, por exemplo pagar tanto aos juizes do Tribunal Constitucional como aos varredores de rua das Câmaras (parece que agora são das Juntas de Freguesia, mas dá na mesma). E esta igualdade de remuneração deveria estender-se a outras regalias e obrigações. Mas o princípio está plasmado na Constituição e há que respeitá-lo; é tudo uma questão de interpretação e de critérios. Atente-se, por exemplo, à lógica inatacável do raciocínio que lembra que o TC não se pronunciou nem foi chamado a pronunciar-se quando, em 2009, o Governo de então, resolveu aumentar os funcionários públicos e os pensionistas, mas se o Governo actual quer cortar nos salários dos funcionários ou dos pensionistas já não pode ser por causa do dito princípio. Quer dizer: o princípio só funciona para um lado. Não tem qualquer lógica, como nota João Cortez n'O Insurgente.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Suicídio em directo

Tem sido uma semana alucinante. Tem sido um espectáculo penoso. Desde a declaração de vitória que Seguro apregoou triunfalmente após ter ganho as eleições europeias por magra margem, passando pela recusa em confrontar ideias num comgresso com o seu opositor, até à descoberta de uma solução genial para o diferendo baseada na proposta de um novo método de eleição, não directamente do secretário-geral do partido, mas do candidato a primeiro ministro, tudo mostra um dirigente sem um rumo definido. Se como líder partidário não se lhe conhece um desígnio além de criticar o Governo por todos os pretextos possíveis e de lançar propostas desgarradas, sem um plano de conjunto, como dirigente atacado mostrou uma falta de estratégia coerente. Qualquer que seja o desfecho da luta no interior do PS, Seguro, quer consiga afastar António Costa e continue como secretário-geral, quer seja obrigado a demitir-se ou seja substituído num congresso, não parece que tenha condições para conseguir deixar uma marca no partido.

domingo, 1 de junho de 2014

Coerência

Segundo o dicionário, coerência é a "ligação, nexo ou harmonia entre dois factos ou duas ideias; relação harmónica" e ainda "harmonia de uma coisa com o fim a que se destina" e tabém "propriedade de critério que assegura a não-adopção de decisões baseadas em incertezas e cujas consequências são nitidamente indesejáveis". Basta atentar nestas definições para verificar que não há qualquer coerência entre considerar uma moção de censura "um frete ao Governo" e votar favoravelmente essa moção quando não se pretende defender esse Governo, antes se deseja o contrário. Não há nexo nem harmonia. O truque de afirmar que o que se vota é a censura e não se apoia os considerandos dessa moção é contraditório em si, pois uma censura tem de ter um motivo e por isso, ao apresentar uma moção de censura, é obrigatório fundamentá-la, especificar qual é o motivo da censura. Se o PS não concordava com os motivos alegados, nunca deveria ter votado a favor. Se, apesar de não concordar com as alegações que suportavam a censura, achava que o Governo era digno de censura por outras razões, o que seria coerente era apresentar uma moção própria com os fundamentos que considerava ajustados. Assim ficaria expresso qual o motivo porque o PS censurava o Governo. Se, como Seguro tinha anteriormente afirmado, o PS não apresentava uma moção própria por ser inútil, já que a maioria não permitiria a sua aprovação, não fazia sentido associar-se a uma moção alheia. Para mais, além de ser considerada um frete ao Governo, os pressupostos da moção não só censuravam também o PS e os seus governos como anunciavam claramente princípios políticos que o PS não poderia subscrever sob pena de apoiar um regresso ao PREC. Seria pelo menos indispensável que o PS repudiasse expressamente esses princípios, dentre os quais os mais importantes já transcrevi no meu artigo anterior. Não o fez, o que o torna cúmplice das teses marxistas-leninistas do PCP. Anunciou que apresentaria uma declaração de voto, mas até hoje não tive notícia dela. Se isto é coerência, não sei o que será a incoerência.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O PS apoia novo 11 de Março?

Seguro foi evidentemente precipitado quando anunciou que o PS votaria a favor da moção de censura que o PCP se prepara para propor na Assembleia da República. Além de precipitado foi contraditório, pois já antes classificara tal moção como um frete ao Governo, concluindo-se portanto que o PS apoia os fretes que o PCP presta ao Governo. Mas o mais grave é que na sua precipitação Seguro nem tinha lido o texto da moção ou então, o que é bem pior, está de acordo com esse texto.

Nesta última hipótese, Seguro apoia, entre outras coisas:

-  "a renegociação da dívida nos seus montantes, juros, prazos e condições de pagamento rejeitando a sua parte ilegítima"

- "recuperação para o Estado do sector financeiro e de outras empresas e sectores estratégicos indispensáveis ao apoio à economia"

- o "aumento da tributação dos dividendos e lucros do grande capital"

- "medidas que preparem o País face a uma saída do Euro"

Se realmente Seguro leu e compreendeu as "opções fundamentais e indispensáveis" da moção, apoia um novo 11 de Março, que outro significado não consigo ver na expressão em negrito (meu) do que uma nova nacionalização dos bancos. Se não leu, foi muito imprudente ao anunciar o seu voto a favor. Se leu e não compreendeu, não tem condições para liderar um grande partido.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Os grandes perdedores

Quanto a mim os grandes perdedores da noite eleitoral de ontem (domingo) não foram o BE nem a coligação dos partidos que suportam o Governo. Os grandes perdedores foram as empresas de sondagens que não souberam prever a pequena distância entre o "desastre estrondoso" da coligação e a "grande vitória" do PS. Que não previram que Marinho e Pinto teria o condão de elevar a votação no MPT para níveis nunca vistos, ultrapassando o BE. Mesmo já uma hora depois de fechadas as urnas, pelas 20 h, as sondagens à boca da urna, se bem que já tivessem conseguido prever a emergência do MPT, davam ainda uma diferença entre o PS e a coligação PSD/CDS de 7 pontos percentuais, quando a diferença real foi menos de metade deste valor. Uma sondagem a essa hora indicava ainda para o PS um intervalo entre 32,1 e 36,3, mas afinal o valor real foi abaixo do limite inferior. Claro que é difícil prever o futuro, que o digam os meteorologistas e os economistas, mas enquanto que oe meteorologistas tem sempre a utilidade de informar sem erro o tempo presente e os economistas tenham por missão muito mais do que fazer previsões, as agências de sondagens têm exactamente esse fim e, quando falham, falham mesmo no seu objectivo e na sua razão de existência.