Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Erros e estimativas

Hoje, duas más notícias sobre o estado das finanças portuguesas, ambas com origem na UTAO:

O défice orçamental terá ficado nos 7,4% no 1.º trimestre, tornando mais difícil atingir a meta dos 4,5% no final do ano.

A queda na receita dos impostos indirectos acumulada até Abril foi quase o dobro do divulgado pela DGO, tendo o erro sido também detectado pela UTAO.

Estranhamente a segunda má notícia levantou muito mais celeuma e um mais sonoro coro de acusações por parte da oposição do que a primeira. Estranho porque, conforme o PM declarou e Marques Mendes explicou no seu comentário, o erro no cálculo da queda das receitas é fruto de um lapso sobre as contas de 2011, e portanto não afecta os dados de 2012. Já a primeira notícia, muito menos comentada, pode pôr em perigo o cumprimento das nossas obrigações definidas no memorando de entendimento.

Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Noticia O Insurgente:

«Caça ao Relvas

...
Expresso: Relvas recebeu nomes secretos de espiões
Visão: Relvas omitiu negócios com Silva Carvalho
Público: Relvas e ex-espião tomaram um café e almoçaram em Março do ano passado»
 
Como se pode comprovar, tudo acusações gravíssimas. Então o facto de ter tomado café é especialmente revelador. Claro que se tivesse sido chá, era bem pior. E receber nomes? Não vou gastar dinheiro a comprar o Expresso para saber pormenores: Saber que Relvas recebeu nomes já me basta. Quanto a omitir negócios, bem, nem sei que dizer. Demita-se o Relvas já! Demita-se o Relvas, PIM!

Domingo, 27 de Maio de 2012

Há quem não goste da verdade

Os gregos (ou talvez alguns gregos) sentiram-se ofendidos e estão furiosos com as declarações da Directora-Geral do FMI. Será que as notícias de que a fuga aos impostos está de tal modo enraizada e espalhada na Grécia que o governo não consegue cobrar o suficiente para alimentar as despesas correntes são mentira? Se assim for, que se ofendam com quem espalhou estas notícias. Se for verdade, não têm razão para se ofenderem, nem mesmo os cumpridores, já que Lagarde não se referia obviamente a estes. Aliás, a acreditar no que foi divulgado sobre o regabofe grego, o problema não reside apenas na dificuldade em cobrar impostos, está também na fuga generalizada ao pagamento dos transportes públicos, nas rendas vitalícias para descendentes de funcionários públicos, nos lugares de nomeação por favor, etc., etc.. Mais uma vez afirmo que lamento os sacrifícios que a austeridade impõe aos gregos, mas ofenderem-se por alguém dizer que pensa antes nas crianças africanas pobres (e podiam ser crianças de muitas outras regiões e adultos e idosos miseráveis de todos os países) é fechar os olhos ao sofrimento alheio.

Pelo sim, pelo não, recomendo à Sr.ª Lagarde que não pense em ir passar férias na Grécia.

PS: Não sou só eu a pensar assim.

Christine Lagarde cansou-se de ser politicamente correcta

As declarações de Christine Lagarde podem chocar os europeus mais convencidos de que a Europa é o centro do mundo e que o povo grego é o mais infeliz do planeta por causa das medidas de austeridade que lhe impuseram. Afinal, há povos com muito mais austeridade, não imposta por troikas nem FMIs, mas pelas circunstâncias difíceis que os seus países vivem, pela pobreza, pela falta de recursos e pela pequena esperança na vida e esperança de vida. Os gregos estão a sofrer, sem dúvida. Nós, que também sofremos a nossa austeridade, embora em menor grau, podemos compreendê-los. Mas ainda estão entre os países desenvolvidos em que a vida se tornou mais fácil e mais rica nos últimos séculos. Há muitos países com problemas muitíssimo mais graves e que já existiam antes da presente crise. Há que ver os problemas dos povos europeus a esta luz.

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

A importância do coiso

Louçã fez um violento discurso em que acusa o Ministro da Economia de tudo e mais alguma coisa por ter, em declarações que não ouvi, ter falado na necessidade de medidas para combater "o coiso" por lhe não ter ocorrido a palavra "desemprego". Claro que não é vulgar um ministro falar em "coiso". Claro que pode parecer estranho que a palavra "desemprego" não esteja na ponta da língua de um membro do governo, mas falhas acontecem. Ocorre-me muitas vezes ter dificuldade de recordar, durante uma conversa, uma palavra vulgar. Mas mesmo que a falha de memória lexical fosse grave, as conclusões que tira e as acusações que faz são completamente despropositadas, afirmando, com uma lógica rebuscada, que se "eles [os membros do Governo] não sabem dizer a palavra", é porque "não se preocupam, não querem saber". Até faz pensar que Louçã não encontrou nada importante para criticar o Governo e teve de fazer de um lapso de linguagem um facto de grande significado político.

Hollande e Rajoi

Não ouvi, nem sei se transmitiram, as declarações de Hollande sobre a necessidade de capitalização dos bancos espanhóis. Mas ouvi a resposta de Rajoi, que acusa Hollande de não conhecer os bancos espanhóis.

Não sei se a acusação de Rajoi tem ou não base de veracidade. Até admito a possibilidade de que o novo Presidente da República francesa seja um perito no sistema financeiro de Espanha (claro que me parece esta possibilidade extremamente improvável). Até admito que Hollande tenha razão no que afirmou, seja por conhecer a questão, seja por puro acaso. Mas o que sei é que a sua apreciação sobre a situação da banca espanhola foi no mínimo deselegante e pode ser considerada uma intromissão inadmissível num assunto interno de Espanha. Apesar de todos estarmos na UE e a situação financeira de um membro poder afectar os outros, uma afirmação como esta terá de ser fruto de falta de prática na diplomacia das relações entre os países.

Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Grande governo!

A notícia de que o novo governo francês escolhido pelo presidente François Hollande tinha 34 ministros deixou-me admirado. Que grande governo! Cá, a preocupação de Passos Coelho quando da formação do governo foi reduzir o número de ministros, já que os 17 de Sócrates lhe pareciam muitos. Não conseguiu reduzir tanto quanto pretendia (para 10), mas ficou-se pelos 11.

Depois de uma busca, verifiquei que nem todos os nomeados são verdadeiramente ministros.Os ministros titulares de pastas, a que correspondem ministérios são "apenas" 18. Os outros 16 são "ministres délégués", ou seja, o correspondente ao que em Portugal se designam como secretários de estado. Mesmo assim, convenhamos que 18 ministros já são muitos, ainda mais do que os do último governo Sócrates!