segunda-feira, 21 de maio de 2018

Blog 4R

4R Quarta República

Que se passa com o blog 4R, que já reuniu peças fundamentais para compreender o descalabro da nossa democracia. Nos últimos tempo só lá escreve Pinho Cardão, e mesmo este sem grande frequência. É ou era um blog de referência, mas agora vê-se definhando por falta de colaboração.
JM Ferreira de Almeida, Margarida Corrêa de Aguiar, Massano Cardoso, Miguel Frasquilho, Suzana Toscano,Tavares Moreira, David Justino: de que estão à espera? Já não se passa algo na política que suscite o vosso comentário?
Ou será que os cargos que ocupam lhes roubam tempo para escrever 4 linhas no 4R?

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Sócrates sempre

O caso Sócrates volta ser actual a espaços. Tem passado por várias fases, desde os escândalos ou os casos duvidosos durante o seu governo, passando pela estadia em Paris num luxuoso apartamento, que não se sabe a quem pertence, pela publicação de um livro cuja venda em grandes quantidades foi amplamente comentada, e finalmente pela fase judicial, pela prisão, pelos interrogatórios, pelas visitas dos diferentes sectores do PS à prisão, cada um com a sua história, pela a liberdade condicional, pelas sessões com apoiantes, voltando agora a ser notícia por causa das declarações dos principais dirigentes do PS, que decidiram, finalmente, que a presença de Sócrates no PS só podia prejudicar o partido. Foi nitidamente uma operação consertada enquanto o primeiro-ministro estava no Canadá (e provavelmente decidida antes da partida do PM para essa visita). O Presidente do PS, atacou com força, as declarações de António Costa foram mais brandas, mas não menos corrosivas. Outros dirigentes tiveram posições diferentes, e algumas até de defesa do ex-PM, mas essas não tiveram eco. O mais interessante foi a troca de palavras entre Fernanda Câncio, num artigo de opinião fortemente arrasador da própria personalidade do seu ex-namorado, e as reacções que esse artigo gerou, chegando a ser classificado de "nojo". Não vou referir exaustivamente as intervenções a favor e contra estas posições, mas tratou-se de um verdadeiro combate de palavras que não sei se já se poderá dar por terminado.

Mas para mim, todas estas peripécias são secundárias tendo em atenção o aspecto político da governação do Sr. José Sócrates Pinto de Sousa. Como eu disse em 2017, considero que os erros cometidos durante o tempo em que este senhor governou o País mereciam um castigo violento. Repito que acho correcto que a má governação seja paga nas urnas, mas é preciso reconhecer que não é a má governação que está a ser julgada em tribunal, e, portanto, por muito que os crimes de que Sócrates é acusado levem a uma pena pesada, os erros de governação, que tanto mal causaram a Portugal, continuarão impunes. E, o mais grave, não me parece que esses erros tenham sido erradicados do PS, apesar dos ataques que os principais dirigentes do PS desferiram. Estes tinham por fim evitar que o PS seja prejudicado nas próximas eleições, e mais nada.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

O milagre económico desmascarado

Luís Ribeiro escreve no Observador um artigo que destrói completamente a lenda do milagre económico de Centeno. Desde o mito do fim da austeridade até ao do menor défice da democracia, tudo é desmascarado com dados fiáveis e bem explicados. A conclusão é óbvia: "Centeno conseguiu resolver os problemas da geringonça e os da Europa, mas sem qualquer contribuição para resolver o problema nacional. Merece ser Presidente do Eurogrupo, mas não ministro das Finanças." Mas não aconselho ninguém a ficar pela conclusão: é aconselhável ler o artigo completo.

sábado, 21 de abril de 2018

O Melro

Não me refiro ao melro de Guerra Junqueiro, mas a outro que também era negro, vibrante, luzidio. Aliás há muitos melros na minha rua e arredores. Esvoaçam, cantam e procuram comida. É raro o dia que, saindo à rua, não vejo uns tantos e não oiço o assobio de muitos mais. Dá-me prazer vê-los e ouvi-los. Mas, fugidios como são, Nunca tive oportunidade de fotografar um para prova do que afirmo. Até ontem. Armado em modelo fotográfico, este fez o possível por se pavonear, no chão e nos ramos das árvores, até que desapareceu voando para longe. Tenho gosto em partilhar o resultado da caçada.







O animal feroz volta a atacar

Foi com algum espanto que vi a ameaça de Sócrates ao Juiz Carlos Alexandre e ao Procurador Rosário Teixeira, considerando-os os principais suspeitos da divulgação criminosa de gravações em vídeo de excertos de interrogatórios. Se suspeitar de alguém e afirmá-lo em público não me parece crime, já afirmar que "por ação ou negligência eles são os autores morais dessas e das demais violações da lei" pode ser considerado como difamação se a afirmação não puder ser provada. Mais: Sócrates acusa o Juiz e o procurador de "desonestidade" na feitura da acusação do seu processo. Chamar desonesto a alguém não poderá também ser classificado como difamação? No entanto, não creio que o Juiz Carlos Alexandre ou o Procurador Rosário Teixeira queiram formular qualquer acusação nesse sentido contra Sócrates.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Operação Marquês

Fiquei espantado e mesmo impressionado com a transmissão pela SIC, imitada pela CMTV, de excertos do interrogatório do senhor José Sócrates, chamado frequentemente por "senhor engenheiro", no âmbito da operação Marquês. É necessário ter em conta que os excertos foram escolhidos e desenquadrados da sequência do interrogatório. Mas mesmo assim o que vi suscitou-me dois tipos de dúvidas: 1) Serão assim habitualmente os interrogatórios judiciais? Mais parecia um debate do que um interrogatório. Estabeleceu-se por vezes um diálogo entre o magistrado e o arguido em que este chegou a pôr questões ao procurador, invertendo os papéis. O mais espantoso é que o procurador, em vez de cortar o diálogo, por vezes o sustentava. É certo que uma vez chegou a dizer qualquer coisa como "Eu interrogo e o senhor responde sim ou não", mas logo em seguida permitiu que o debate se restabelecesse. A agressividade de Sócrates, atitude estudada e provavelmente ensaiada, tinha evidentemente por fim cansar e desencorajar o interrogador. Sempre pensei que um interrogatório judicial tivesse outra formalidade e outra disciplina. 2) Apesar de o processo já não se encontrar em segredo de justiça, não pensei que fosse possível e fosse legítimo ter acesso a gravações e muito menos transmiti-las para o público. Segundo algumas notícias parece que tal não é legal. Espero para ver as consequências.

sábado, 14 de abril de 2018

Sexo e género

Muito pertinentes as considerações de Carlos Loureiro sobre a questão levantada pela nova lei de autodeterminação de género. Se cada um pode escolher sem mais o género que prefere, que sentido tem a obrigatoriedade dessa preferência figurar nos documentos oficiais. Tanto como o meu gosto por música clássica ou pela cor verde. Mas afinal o que os documentos oficiais, como o cartão de cidadão, registam é o sexo e não o género. O que resulta da alteração voluntária é uma mentira. O sexo é definido biologicamente e não muda apenas por um acto de vontade e um registo em documentos.