Sábado, 17 de Março de 2012

Tiro ao Álvaro


Nas barracas de feira que é a política portuguesa temos assistido nos últimos tempos a uma verdadeira competição de tiro ao Álvaro, tomado como alvo preferido da esquerda bem educada e da outra. Bem podia ter evitado este achincalhamento quem estava em sossego no Canadá. Veio expor-se à fuzilaria até agora em silêncio, o que só irritou os que faziam questão de o acusar de ausente, inexistente, elo mais fraco, demissionário ou demissionável. Finalmente, com calma e educação, respondeu às acusações e mostrou que não foge nem disfarça. Estou com Soares dos Santos quando diz ter dificuldade em compreender porque é tão atacado. Ou talvez compreenda: Pensaram que por ser comedido e trabalhar sem espectáculo seria o elo mais fraco. Estavam habituados ao contrário: falta de comedimento e promoção do espectáculo. Habituem-se!

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

Forte melhoria do Sentimento Económico na Alemanha

Como é habitual, as boas notícias não merecem relevo ou mesmo menção na comunicação social. Não ouvi uma palavra sobre o facto de o Instituto ZEW ter anunciado que o indicador do Sentimento Económico na Alemanha subiu. É uma boa notícia não só para a Alemanha; é-o para a Europa e particularmente para Portugal, já que se trata de um parceiro comercial importante do nosso País. Foi preciso ver a notícia no Quarta República para ficar a saber. Se algum meio de comunicação noticiou, não foram certamente os noticiários das televisões; tinha muito mais interesse dissecar até ao nível molecular a saída de um secretário de estado do Governo do que dar uma boa notícia.

Viragem

A notícia, para mim inesperada, de que a agência Fitch subiu em 4 níveis a notação financeira da Grécia foi uma muito boa notícia. Significa o reconhecimento de que os esforços dos países que tentam debelar a crise podem começar a ter algum êxito mesmo para as agências de notação que têm sido tão implacáveis.

Domingo, 11 de Março de 2012

António Arroio


Passo frequentemente pela rotunda das Olaias e sempre admirei o magnífico painel de azulejos de mestre Querubim Lapa que decora a fachada da António Arroio. A escola que existia no local foi completamente demolida e foi construída uma nova escola de raiz, mas o painel foi felizmente conservado com cuidado. Apesar de me ter regozijado com este cuidado, a própria remodelação radical da escola sempre me pareceu que correspondeu a um custo que talvez pudesse ter sido evitado com uma adaptação menos completa. Agora que estalou o escândalo da Parque Escolar, estou ainda mais convencido de que aquela opção não foi a mais económica e que poderia ter sido evitada. Mas, voltando ao painel e ao cuidado da sua conservação, só é pena que, desde as obras, um enorme cartaz de publicidade à própria obra, representando alunos felizes e sorridentes, como mandam as boas regras da publicidade, esteja ainda, depois de vários meses desde que a obra foi concluída, a tapar exactamente uma parte do painel. Espero bem que o eventual fim da Parque Escolar não provoque o esquecimento da existência do cartaz e não leve à sua eternização.

Sábado, 10 de Março de 2012

O que realmente interessa

Mesmo a propósito do que disse no postal anterior sobre faits divers, sendo as questões sérias relegadas para segundo plano ou ignoradas, li agora no Corta-Fitas a seguinte notícia (não noticiada por quem devia):

«Luís Marques Mendes revelou, hoje, no Política Mesmo da TVi24, às 22 horas, os seguintes dados sobre redução de serviços do Estado pelo governo de Passos Coelho:

Direcções Gerais - das 102 existentes há 8 meses, foram extintas 18.

Direcções Regionais - das 43 existentes há 8 meses, foram extintas 29.

Institutos Públicos - dos 74 existentes há 8 meses, foram extintos 17.

Órgãos Consultivos - dos 122 existentes há 8 meses, foram extintos 65.

Outros organismos - dos 18 existentes, foram eliminados 13.

Ou seja, de um total de 359 organismos do Estado, foram extintos 142, uma diminuição de 40%.

E a omissão intrigante (ou a pergunta legítima) é esta: como é que estes dados eram inéditos até lhes pegar hoje Marques Mendes, um comentador político, e não mereceram atenção ou referência de qualquer jornalista da imprensa, rádio ou televisão?»

Eu não sei responder a esta pergunta! É a informação a que temos direito...


Faits divers

Num momento em que continua acesa a questão da sobrevivência do euro e da Europa na sua concepção actual, em que a grave situação da Grécia parece aliviada pelo menos a curto prazo, mas sem que se tenham desanuviado definitivamente as nuvens que ensombram o horizonte, em que o Primeiro Ministro procura reforçar a situação de Portugal no estrangeiro e em que se perspectivam reformas fundamentais para o futuro do País, a comunicação social diverte-se e procura entreter-nos com o que Cavaco diz num prefácio dum livro, com se quem manda mais é o Ministro das Finanças ou o Ministro da Economia e se o PM respondeu bem ou não a uma questão de compensação sobre portagens em Agosto na Ponte 25 de Abril. Põem pessoas dos partidos, politólogos e comentadores, que ganharam estatuto de quase profetas, a discutir estes assuntos e até o Expresso da Meia Noite desta semana foi inteiramente dedicado à primeira questão, como se não houvesse nada mais importante.

É da maneira que vejo menos televisão, leio menos jornais, e fico com mais tempo para a família, música e livros.

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Quantos são?

A petição ontem entregue na AR a pedir a demissão do Presidente da República tinha, segundo a comunicação social, cerca de 40 000 assinaturas. É um bonito número, mas permite chegar à conclusão que houve pelo menos 690 000 votantes no BE e no PCP que não assinaram, visto que o total de votantes nestes partidos (considerando que os votos na CDU são na prática votos comunistas) foi de 730 345. Já não estou a contar com os votos no MRPP, no PCR e no POUS. Será que não assinaram por apoiar Cavaco Silva? Por, mesmo não o apoiando, acham que se deve manter em funções? Porque não se querem incomodar? Porque não têm intenet? De qualquer modo, não me parece que o Presidente da República tenha razão para preocupações...