quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mais 50 medidas!

Se bem me lembro, Sócrates disse recentemente que para alcançar os objectivos a que se propunha não seriam necessárias novas medidas. Afinal faltavam 50! E, ao que dizem, não são consequência de quaisquer pressões. A ser assim, visto que desta vez não consta que o mundo tenha mudado, estas 50 medidas são resultado exclusivo do súbito raciocínio dos membros do Governo. Resta saber se podemos confiar que agora são mesmo as últimas.

Por espírito de simplificação de Sócrates e dos outros ministros que falaram depois da decisão governamental ou dos jornalistas que resolveram resumir os discursos, não dei por mais de 4 ou 5 medidas. Espero ver um comunicado do Governo com a lista completa das 50 medidas, de preferência um pouco mais explicadas do que foram. Mas do pouco que recordo, há duas medidas que considero completamente aberrantes.

Uma delas, a do fundo empresarial para ajudar nas indemnizações por despedimento, já ouvi o empresário Henrique Neto classificá-la como contrária ao bom-senso. Como ele disse, a medida pretende que as empresas bem sucedidas, que não precisam de dispensar trabalhadores, paguem, como se fosse uma nova taxa, para que as empresas mal sucedidas possam mais facilmente mandar trabalhadores para o desemprego! Assim, as melhores empresas terão encargos acrescidos, o que prejudicará a sua competitividade. Tem algum jeito? Se Espanha já faz isto, a ser verdade que faz do mesmo modo, não era caso para copiarmos a asneira.

Outra medida controversa é a das sanções aos serviços públicos que não cumpram as metas definidas para o trimestre. Segundo Teixeira dos Santos, as sanções poderão incluir cortes nas verbas atribuídas ao serviço incumpridor. No meu modesto julgamento, pensava que o dinheiro destinado a cada serviço deveria ter em conta a necessidade deste para levar a cabo a sua missão. Não se trata de um prémio e não tem sentido tirar dinheiro a um serviço público como castigo. Se funciona mal, há certamente meios mais adequados de melhorar o funcionamento.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O espião do milénio ou do Millennium?

Ao ouvir ontem à noite, e mais tarde ao ler, a notícia sobre a iniciativa do presidente do BCP Carlos Santos Ferreira de se dispor a passar ao governo dos Estados Unidos informações financeiras que pudesse recolher no Irão no âmbito de uma actividade bancária naquele país, fiquei verdadeiramente chocado. Pensei que hoje ouviria veementes desmentidos do envolvimento de Sócrates e do Governo, mas não consegui pensar qual seria a reacção de Santos Ferreira. Julguei que o mais provável era este, perante a gravidade do escândalo e a verosimilhança das fontes, ter de pedir a demissão do cargo no banco que dirige. Previ um grande reboliço de comentários, pedidos de explicações, desmentidos, desculpas mal forjadas e um rolar de algumas cabeças. Afinal, no país dos brandos costumes, pouco aconteceu do que eu previra. Os lacónicos desmentidos do Governo foram os normais, e o facto de os contactos com membros do Governo ser referido no telegrama confidencial divulgado como uma afirmação de Santos Ferreira pode levar a duvidar da sua veracidade, pelo que os desmentidos podem ser sinceros. Já a posição de Santos Ferreira parece-me insustentável e as suas explicações na entrevista que deu na TV deixam muitas dúvidas. Quem pode, daqui em diante, confiar na confidencialidade das suas contas e operações efectuadas no Millennium BCP? Como encararão os governos dos países em que o BCP tem filiais ou qualquer actividade o facto de alegadamente o banco ter encarado a possibilidade de quebrar o dever de confidencialidade? A confiança no BCP só pode ser reposta se Santos Ferreira sair.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Investimento em Ciência e Tecnologia

Nos últimos dias temos ouvido e lido notícias que referem o aumento de investimento em ciência e tecnologia. No entanto, excepto uma notícia desenvolvida no Público, não tenho encontrado muitos pormenores que permitam avaliar até que ponto este aumento é notável. Uma referência no blog De Rerum Natura do Professor Carlos Fiolhais, "Investimento em Ciência e Tecnologia: o Público e o Privado", veio esclarecer-me melhor. Vale a pena ler.

Fiquei a saber que esta subida foi principalmente devida ao sector privado e que as empresas que mais contribuíram para este investimento em 2009 foram a Portugal Telecom, o BCP e o BPI. Talvez por deformação profissional, já que sempre trabalhei no sector químico e designadamente mais no farmacêutico, não tenho ideias precisas sobre que tipo de desenvolvimento científico façam os bancos e interrogo-me se esse desenvolvimento é exportável ou mesmo comerciável. Pode ser ignorância minha.

Mas o ponto fulcral está na interrogação de Carlos Fiolhais: «Agora bastará ver nas bases de dados internacionais (publicações e patentes; no caso das patentes não passamos da últimas posições!) para ver qual tem sido o volume de resultados da investigação científica e desenvolvimento dos cientistas e engenheiros que aí trabalham.» O meu interesse sobre as patentes, como expressão do resultado prático da investigação científica aplicada, leva-me a ter enorme interesse na resposta a esta questão. Os resultados mais recentes que consultei, é certo que já antigos, de 2007, põem Portugal, em número de patentes por milhão de habitantes, em 43.º lugar, depois da Malásia e da Turquia. Espero bem que o esforço referido em investimento em ciência e tecnologia se possa ter convertido em melhores resultados neste aspecto.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Língua portuguesa secundarizada

Já se temia, mas agora aconteceu mesmo: O Conselho de Ministros aprovou um decreto que aprova a adesão de Portugal ao Acordo de Londres sobre patentes, dispensando deste modo a tradução do texto de patentes de invenção para a língua portuguesa quando os inventores pretendam estender a Portugal a validade da patente, se esta estiver em língua inglesa. Continua a ser obrigatória apenas a tradução das reivindicações (além da tradução do texto completo - incluindo a descrição e o resumo - das poucas patentes cujo texto esteja em francês ou em alemão, as outras línguas oficiais do Instituto Europeu de Patentes (IEP).

Ironicamente, o Governo, no seu comunicado, afirma que um dos objectivos desta medida é "a preservação da utilização da língua portuguesa enquanto língua de acesso à informação sobre as patentes europeias que sejam validadas em Portugal, garantindo que as mesmas ficam integralmente disponíveis para consulta em Português". Preserva-se a língua portuguesa deixando de a usar! É certo que outros países já tinham tomado idêntica medida, com o fim principal de evitar as despesas em traduções, mas, além dos países cujas línguas são oficiais no IEP, Reino Unido, França e Alemanha, todos os restantes aderentes têm línguas muito minoritárias, longe da importância internacional da língua portuguesa. Portugal fazia parte dos países que resistiam ao Acordo de Londres, a par da Espanha, da Itália e de outros, por considerarem que, sendo as patentes documentos com força legal, teriam de estar disponíveis integralmente na língua nacional, a fim de permitir aos cidadãos avaliar se eventuais actividades industriais ou comerciais estavam ou não cobertas pelas patentes e eram, em consequência, ilegítimos ou legais. Pelos vistos, agora este argumento perdeu a validade para o nosso governo. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial é da mesma opinião. A língua portuguesa é assim secundarizada pelos nossos governantes.

Já me tinha referido, sob o título "Em perigo a diversidade linguística da Europa" à possibilidade, então não concretizada, da adesão de Portugal no meu blog O Sexo dos Anjos. Agora, infelizmente, concretizou-se.

Cumpre-me declarar que, como tradutor de patentes, embora retirado, a minha opinião é suspeita. Considero-a, no entanto, bem fundamentada.


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Aprovação do OE e subida das taxas

Há quem se admire de que as taxas da dívida soberana portuguesa continuem a crescer depois da aprovação do OE no parlamento, em consequência do acordo entre o Governo e o PSD. O que admira é que haja quem se admire. Em primeiro lugar, não se sabe se as taxas subiriam muito mais se o OE não tem sido aprovado. Não é portanto impossível que o acordo tenha tido um resultado positivo. Em segundo lugar, e na minha opinião é o ponto mais importante, os eventuais compradores da nossa dívida, especialmente da dívida a 10 anos, não podem basear o seu critério sobre a segurança dos seus investimentos num documento que apenas se refere ao ano de 2011 e que, dada a ausência de medidas de fundo, por muita austeridade que imponha a curto prazo, pouca relevância tem no prazo de 10 anos. Se o Governo apresentasse um conjunto de medidas a médio/longo prazo e se essas medidas fossem credíveis e pudessem ajudar a consolidar a situação financeira, o que não acontece com as actuais medidas de austeridade, talvez os mercados reagissem mais positivamente. Nas actuais condições não admira que continuem a desconfiar.

sábado, 30 de outubro de 2010

Uf! (suspiro de alívio)

Apesar das minhas dúvidas sobre a conveniência de deixar passar o OE, senti um grande alívio ao saber há momentos que o Governo e o PSD tinham chegado a acordo. Aguardo mais pormenores sobre o acordado. Mas ainda restam muitos escolhos: 1) O orçamento, mesmo com as modificações induzidas pelo acordo, não deixa de ser um mau orçamento (até Mário Soares é desta opinião!). 2) A execução será difícil e há fundados receios de que não seja cumprido ou necessite de mais medidas de austeridade. 3) Os principais perigos para a economia portuguesa, assim como os enormes custos causados pela irresponsabilidade dos governos socialistas, que terão de ser suportados pelos nossos filhos e pelos nossos netos, estão para além de 2011. 4) As reformas estruturais necessárias não se encontram sequer esboçadas. Portanto o suspiro de alívio é muito fraquinho.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Pois, Sócrates igual a ele próprio

Não conhecia o blog Visto da Economia, mas felizmente vi no Blasfémias um link para o magnífico post de Helena Garrido "E Sócrates foi Sócrates".

E agora?

E agora? Que nos espera? Será que a reunião do Conselho de Estado vai adiantar alguma coisa? Será que é possível um retomar das negociações? Em que moldes? Será que nada vai acontecer até à discussão na AR? Será que se nada acontecer o PSD vota contra? Será que se abstém e declara que o faz para salvar o País? Será que o País tem salvação?

Como já aqui disse, não sei ao certo se é melhor o OE que quase todos consideram mau seja viabilizado ou se será preferível, não havendo cedências do Governo nem mais do PSD, seja reprovado. De qualquer modo o futuro não se apresenta risonho.

O que mais me impressiona mal no OE, pelo pouco que consegui ler, que foi pouco (nem adiantava ler mais, já que não sou economista), não foi a enorme sobrecarga de impostos que pode lançar o País numa recessão; foi a ausência de medidas de fundo que permitam uma consolidação duradoura ou que apontem sequer nessa direcção. Infelizmente poucos foram os que o criticaram neste aspecto.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Remuneração dos Magistrados

Noticia o Expresso que "Magistrados portugueses são dos mais bem pagos". Mas isto é o que diz o título; porém, ao ler a notícia completa verifica-se que diz apenas que a "remuneração dos juízes em fim de carreira tem um nível bastante superior à média salarial nacional." Mas Ora, sabendo como é baixa a média salarial em Portugal, não admira que a remuneração dos juízes, mais a mais em fim de carreira, seja bastante superior; deverá mesmo ser muito superior. A importância do cargo de juiz, a preparação necessária e a responsabilidade da função devem obrigar a uma remuneração elevada. Mas o que eu gostaria de salientar é que o título é enganador: Não, não são dos mais bem pagos. Dito assim sem mais leva a crer que se trata de valores absolutos. São bem pagos em relação à média salarial nacional. Os salários em Portugal são dos mais baixos da Europa. Portanto os juízes da maioria dos países europeus, onde os salários em geral são mais altos, deverão ganhar bem mais do que em Portugal. A falta de exactidão da notícia é enganadora. A notícia foi repetida de forma acrítica por noticiários da TV. A falta de critério destes também não espanta, infelizmente.

OE

Uns dizem que é absolutamente fundamental que o Orçamento de Estado seja aprovado para evitar males terríveis que assolarão o país, tendo o ministro Teixeira dos Santos chegado a afirmar que estava em perigo a independência de Portugal. Embora pareça esta afirmação muito exagerada, se nos lembrarmos dos perigos enormes que através dos séculos ameaçaram a nossa independência, há outros inconvenientes mais plausíveis, como o fecho do financiamento da nossa economia. Mas outros são de opinião que perante uma proposta de orçamento tão má, mais vale provocar uma crise política, pois esta será a prazo inevitável. Francamente não sei quem tem razão, mas no fundo prefiro que as negociações (ou conversações ou como lhe queiram chamar) entre o governo e o PSD cheguem a bom fim.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Batalha naval

Francamente não sei se na altura em que se resolveu comprar 2 submarinos para substituir os nossos velhos essa decisão foi acertada ou não. Uns falam da necessidade dos submersíveis para defender a nossa área marítima, outros falam da situação económica já então desconfortável que desaconselharia a compra. Não sei quem tem razão. O que sei é que não dá para acreditar que o actual Governo não soubesse que tinha de pagar os submarinos e quando o teria de fazer. Tem razão Pinho Cardão, do Quarta República, quando diz:

«Incompetência, ignorância ou mentira, ou tudo junto?

O Governo sabia perfeitamente que o submarino contratado seria entregue este ano. Mas, incrivelmente, quer o 1º Ministro, quer o Ministro das Finanças não sabiam que tinham que o pagar. Por isso, gastaram alegremente noutras despesas os 500 milhões de euros do dito. Segundo os próprios, o Fundo de Pensões da PT, empresa privada e cotada, foi recrutado para obviar ao buraco, a esse e a outros. Rapidamente e em força.
Com isso, o 1º Ministro e o Ministro das Finanças habilidosamente escondem o défice. Mas o que não podem esconder é o aumento da dívida.
Porque não podem tocar no Fundo, consignado ao pagamento das pensões, lá vai mais um aumento de 500 milhões na dívida. Porque o Governo não poupou no que devia, porque não sabia que o submersível teria que ser pago!...
Nem sei qual a incompetência maior: se não saber que devia pagar, se vir dizê-lo em público. Isto para não dizer simplesmente que mentiram, quando disseram que ignoravam a data do pagamento...»

Foi o que pensei quando ouvi a desculpa esfarrapada.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ajuizar sobre o que se desconhece!

Logo em seguida à apresentação pelo Governo das principais medidas de austeridade, procurei na net informação escrita que me permitisse ler com calma para ficar a saber o que nos espera. Encontrei o Comunicado de Imprensa do Ministério das Finanças e fiquei a saber que não é nada de bom, mas claro que não pude encontrar em 4 páginas os pormenores que me permitissem ter uma opinião firme sobre a bondade das medidas preconizadas. Não duvido da necessidade de medidas de austeridade e estou com aqueles que pensam que já deveriam ter sido tomadas há muito. Mas avaliar em pormenor se estas são as melhores, se haveria alternativas, se vão ser eficazes, isso já não me parece possível.
É portanto com espanto que oiço o Primeiro Ministro pedir, reclamar, exigir e protestar por o PSD não dizer já o seu sentido de voto para o Orçamento de 2011 em que as medidas anunciadas serão aplicadas, chegando a ponto de afirmar que o "tabu" prejudica o País! Como pode o PSD ou Passos Coelho anunciar como deve votar um documento que não conhece, que talvez ainda nem sequer exista, só por ter conhecimento de um pequeno resumo sem pormenores e sem explicações? Acresce que, não tendo o Governo ainda dito nada sobre o resultado da aplicação do PEC em 2010, é ainda mais difícil saber como serão aplicadas as medidas propostas para 2011 e que consequências (boas e más) terão.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Perguntas oportunas

Ora aqui está um caso em que o comentário tem mais interesse e oportunidade do que o texto comentado. Eu também faço essa pergunta, mas ainda ninguém conseguiu responder-me.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Relatório da OCDE

Foi com satisfação que vi no blog Blasfémias uma ligação para o relatório da OCDE, hoje entregue em mão ao Ministro das Finanças, em versão integral.
Quando, num clima de verdadeira emergência nacional, se vê que proliferam os programas e as notícias sobre o diz-que-diz dos políticos, sem qualquer profundidade e sem discussão dos verdadeiros problemas do País (quando não são programas e notícias sobre futebol), é bom que haja quem se interesse sobre as verdadeiras questões que condicionarão o nosso futuro e o dos nossos filhos e netos.
Claro que nem toda a gente tem de ler o relatório na íntegra, mas quase toda a gente que se interessa pela economia nacional deve pelo menos fazer uma leitura parcial e ver os numerosos gráficos que elucidam muitos aspectos do que tem sido a nossa evolução num clima de crise.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Há praia no Poceirão?

Há tempos o nosso ministro das obras públicas justificava a necessidade da linha de TGV entre Madrid e Lisboa pelo facto de possibilitar que Lisboa fosse a praia dos madrilenos. Argumento de enorme peso, já que se sabe que em toda acosta de Espanha não existem praias melhores que as de Lisboa. Mas agora, já adjudicado e em vias de início da construção do troço Caia-Poceirão, eis que se anula o concurso do troço Poceirão-Lisboa (juntamente com a 3.ª travessia do Tejo). Admitindo que do lado espanhol tudo seguirá como programado, teremos um TGV Madrid-Poceirão. Haverá praia no Poceirão? Se não houver, sugiro desde já uma carreira de autocarros entre a estação de TGV do Poceirão e a Costa da Caparica, com desembarque directamente no areal.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quem nos salva, já que não sabemos salvar-nos?

Mais uma vez, não resisto a citar o 4R, sobre a degradação acelerada das finanças nacionais:

"No espaço de uma semana, não podiam ser piores as notícias para Portugal. Foram anunciados o maior desemprego de sempre e o maior risco de sempre para a dívida pública portuguesa.
Governar o país é difícil. Mas o primeiro dever do Governo deveria ser o de contar a verdade aos portugueses, em vez de estar sempre a iludi-la ou negá-la como sistematicamente fazem Sócrates e os seus ajudantes. Ou até de mentirem, mostrando triunfalismos saloios e absurdos sobre a evolução dos principais dados da economia.
Sem a verdade, não se mobilizam energias para a tarefa da recuperação.
Mas a quem tanto mentiu e persistiu na mentira, é impossível falar verdade, por uma vez que seja. Até porque equivaleria a confessar o erro, a mentira e o fracasso.
Nada, pois, há a esperar deste governo, a não ser sucessivos recordes negativos do desemprego e da dívida. Até que os credores se recusem a financiar e os desempregados derrubem o governo
."

É por notícias como esta que até considero positivo para o país que tenha sido aprovada a vigilância de Bruxelas sobre os orçamentos nacionais. Perdemos soberania, é certo, mas só porque não a soubemos merecer. Em vez de desembarcarem no Figo Maduro os homens (ou mulheres) do FMI, como o Prof. Medina Carreira esperava, teremos os alemães a impor-nos as regras que nos vão fazer doer, mas que podem endireitar as nossas finanças, como em tempos fez o Professor António, o que veio de Coimbra.

sábado, 4 de setembro de 2010

A islamização da Europa

Estrará para breve a islamização da Europa? Não creio, apesar de alguma condescendência que apresentamos em relação aos avanços de alguns aspectos mais radicais do Islão.
Mas o aviso de Khadafi vem a tempo:
"As noitadas de Sócrates (2) - à especial atenção do Jugular

Não sei se durante a noitada em Tripoli se discutiu a islamização da Europa. Consta que é o tema favorito de Kadafi quando está com os seus amigos. É capaz de ser boa ideia averiguar.

[A propósito da visita de Khadafi a Itália, realizada há cerca de uma semana]:

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Mitos Climáticos

O blog Mitos Climáticos, que eu visitava com frequência, agradava-me pelo cuidado em aprofundar e justificar as afirmações sobre as aludidas alterações climáticas e suas causas. Apesar de não conhecer o autor deste blog, Rui Gonçalo Moura, foi com grande pesar que soube, se não me engano pelo Rerum Natura, que tinha falecido. Só hoje, quando me preparava para guardar o respectivo marcador na pasta dos blogs descontinuados, li o in memoriam escrito pela família. Fiquei assim a conhecer o percurso deste cientista e a apreciar melhor os seus escritos.


Mas a polémica acerca das alterações climáticas reais e imaginárias e das manipulações que se fazem a propósito (ou a despropósito) felizmente continua noutros locais.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Crise em V, em U ou em W



Desde o início da crise que se discute se esta passaria depressa (crise em V), o que parece já definitivamente afastado, ou se a recuperação tardaria (crise em U). Mais tarde, perante o arrastar da crise e o receio de recaídas, os mais pessimistas lançaram a hipótese de afinal a crise ter um novo fôlego após uma ligeira recuperação (crise em W, já que não há nenhuma letra UU). Não sei se alguém lançou a hipótese de uma crise em L, isto é, sem recuperação à vista. Mas perante os ténues sinais de recuperação e as mais recentes notícias que fazem temer um readensar da crise, com possibilidade de novo período de recessão, a maioria teme que o dabliu (W na versão aportuguesada), isto é, o duplo V, seja o que nos espera.

Eu, que me considerava até há pouco um optimista nato, sou agora mais realista e receio bem que a crise seja em vê-éle. Até desenhei esta nova letra:

Eis o VL. A crise sofre uma recaída e depois não recupera. Tenho esperança de estar enganado.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Governo concede subsídio, consumidores é que pagam

Não compreendo porquê, mas, segundo as notícias abundantemente repetidas na TV, a concessão de um subsídio às empresas de energia terá como consequência um aumento de tarifas. Eu, na minha ingenuidade, pensava que a concessão de subsídios significava a entrada de dinheiro e que portanto poderia permitir um saneamento financeiro e até uma baixa de tarifas. Afinal, quem paga o subsídio vão ser os consumidores! Sendo assim bem dispensávamos o subsídio...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Rap, grafiti e polícia

Ao passar junto a um prédio recentemente pintado, lembrei-me da notícia que vi na Euronews de hoje sobre o rapper francês que foi acusado de incitamento ao crime por ter divulgado no Youtube um rap em que apela explicitamente ao ataque à polícia e a incendiar esquadras. O que me recordou a notícia foi que a pintura amarela do prédio, que tinha tapado várias gerações de inestéticas pintadas sobrepostas, apareceu de ontem para hoje coberta de novos graffiti com grandes letras negras anunciando que estava abrangido pela zona J de Chelas (quando o prédio nem se situa em Chelas, muito menos na zona J), junto à seguinte frase "CRIMINAL KIDS FUCK THE POLICE". Não sendo propriamente um incentivo directo à violência sobre a polícia, anda na mesma linha do rap da notícia. Sintomas do tempo que atravessamos!

sábado, 14 de agosto de 2010

Incêndios e o poder


Estava expectante sobre que importantes resoluções sairiam do briefing sobre os incêndios que flagelam o País convocado por Cavaco Silva e a que compareceu Sócrates. Fiquei muito desiludido quando, acabada a reunião, as TVs apenas transmitiram uma curtíssima declaração do PR declarando-se muito descansado sobre a situação depois das explicações que ouvira dos responsáveis. Muito descansado? Quando há ainda numerosos fogos activos que ameaçam povoações? Quando as populações se vêem obrigadas a pegar em mangueiras e até baldes para tentar travar as chamas que ameaçam os seus bens? Quando assistimos a pessoas que não conseguem suster as lágrimas? Quando já morreram 3 bombeiros e há outros feridos, alguns com gravidade? Mais que desiludido, fiquei chocado. Depois ouvi as restantes declarações de Cavaco e compreendi um pouco melhor a sua posição. As TVs por vezes transmitem impressões erróneas ao fazer a selecção dos trechos das declarações que querem transmitir.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Retenção ou não retenção, eis a questão

A polémica sobre o projecto de eliminar do nosso ensino (suponho que só do básico e secundário) as reprovações, modernamente chamadas "retenções", não me deixou indiferente. As alterações no sistema de ensino têm-me feito sofrer desde que tinha filhos na escola. No entanto agora já tenho saudades desses gloriosos tempos. Agora tenho receio pelos meus netos. Como será no tempo dos meus bisnetos?

A visão do futuro da educação de Pinho Cardão no Quarta República fez-me sorrir num primeiro tempo, mas depois o sorriso tornou-se amarelo! Li os comentários e acho que aprendi algo sobre educação. Já tinha lido sobre o mesmo assunto no De Rerum Natura. Além das vantagens e desvantagens da retenção ou do progresso automático dos alunos mais fracos, notei que se falava sempre no ponto de vista destes; e qual o reflexo sobre os alunos com bom aproveitamento, que, no caso de deixar de haver reprovações, passam a ter nas suas turmas um "lastro" de colegas que estão mais atrasados na matéria? Não serão prejudicados pela baixa automática do nível médio da turma? Catarina, nos comentários, fala que os reprovados têm "problemas comportamentais, baixa auto-estima, fraca assiduidade escolar, que conduzirá ao abandono escolar e por aí fora". E se passarem sem saber como se sentirão? E como se sentem os colegas que passaram por merecer passar?

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Touradas


É possível que a proibição das touradas na Catalunha tenha como causa mais questões políticas que a defesa dos animais. Seja ou não verdade, acho que é uma boa notícia. Conheci aficionados do toureio que eram pessoas cordatas e pacíficas, incapazes de fazer mal a uma mosca (como é costume dizer-se com algum exagero), mas um espectáculo em que se espeta repetidamente um animal e principalmente, como no caso da Espanha, se mata no fim é para mim um espectáculo bárbaro e cruel. O povo espanhol tem outras ricas tradições culturais, nomeadamente na música e na dança, e não necessita de se afirmar considerando como festa nacional a tortura de um bicho que não tem culpa de ter o instinto de atacar, mesmo sofrendo golpes dolorosos. Por isso cada proibição de touradas é um passo no sentido certo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

John Nash

Soube agora pelo blog Quarta República que o matemático John Nash esteve a semana passada em Lisboa para participar na Conferência Europeia de Investigação Operacional na Faculdade de Ciências. É pena que a presença de John Nash em Lisboa não tenha sido mais noticiada. Como não li o Público de 15 de Julho, onde veio publicada uma entrevista, não soube da sua vinda; se algum outro jornal ou alguma TV se referiu ao assunto, não dei por isso.

Vi há dias o filme "Uma Mente Brilhante", tendo-me escapado um pouco do início, pelo que só depois de um bom bocado de seguir a história ouvi o nome do protagonista. Apesar de não ser economista, o nome era-me familiar, pelo que resolvi consultar a Wikipedia e fiquei a conhecer melhor a sua biografia.

O comentário da Quarta Republica, mormente sobre a aplicação disparatada das teorias de Keynes, é muito justo.

domingo, 18 de julho de 2010

Rádio Clube Português


O fecho do Rádio Clube Português passou quase despercebido, como se duma rádio menor se tratasse, como se não tivesse história e não tivesse desempenhado um papel importante na informação deste país. Poucos comentários, poucas saudades, poucos lamentos, poucas recordações. É pena. José Pacheco Pereira foi dos poucos que se referiu ao acontecimento (hoje no programa Ponto Contra Ponto - ou será Ponto Contraponto? - na SIC Notícias).

Confesso que posso ter contribuído para o fim do Rádio Clube porque raramente o ouvia. Aliás há anos, desde que me reformei, que ouço muita pouca rádio em geral. Ainda o que ouço mais amiúde é a Antena 2. Por isso, pessoalmente o Rádio Clube não me faz muita falta, mas não é por mim que lamento o seu fim, é pelo panorama informativo português e pela história. Lamento ainda mais porque é mais um órgão de informação que acaba. Já vi fechar tantos jornais que não sou capaz de os contar. Quando começarão a fechar estações de televisão? Talvez não tão cedo, já que desconfio que são elas as principais responsáveis pelo fim de rádios e de jornais. Até que a informação via internet substitua as televisões, se algum dia acontecer, vai provavelmente demorar muitos anos.

Afinal devemos perspectivar estes encerramentos como ajustes provocados pelos avanços tecnológicos e pelos novos hábitos daí decorrentes. Assim como o Cinema não matou o Teatro, também a TV não matou o Cinema e penso que a internet não matará nem o Teatro, nem o Cinema, nem a TV.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Matar o mensageiro



Estou com aqueles que denunciam os ataques às agências de notação financeira como inúteis e até perniciosos. As agências podem ter muitos defeitos, erros de apreciação, enviesamento da notação por interesses próprios ou dos seus associados, mau conhecimento das circunstâncias locais ou outros, mas os meios financeiros que podem comprar os títulos de dívida portuguesa têm em consideração as notações que estas agências emitem. Por isso bradar contra elas, acusando-as de conluio com os especuladores ou acusá-las de errar não evita que quem nos empresta dinheiro as ouça. É como se uma família muito endividada acusasse a casa de penhores de avaliar mal as peças de ouro que quer empenhar. Pode ter razão, mas não serve de nada, e, se o fizer em voz alta e armando escândalo no próprio estabelecimento que lhe pode emprestar o dinheiro necessário, só pode prejudicar a possibilidade de obter o empréstimo. O mais sensato é fazer um plano de austeridade e procurar não precisar do dinheiro dos outros. É isto que aconselha Cavaco a nível nacional e não é preciso ser grande economista para o perceber.

Uso propositadamente a expressão mais longa de "agências de notação financeira" e não de "agências de rating" porque, picuinhas como sou, não gostei que uma TV (não reparei que canal era) tivesse traduzido do francês (em legendagem), na intervenção do comissário para os serviços financeiros, Michel Barnier "agences de notation" por "agências de rating". Se há um equivalente português, porquê usar a palavra inglesa?

domingo, 11 de julho de 2010

Será possível endireitar o plano inclinado?

Não pude assistir ao Plano Inclinado de sábado passado, mas, segundo relata o Quarta República, em "Inverter o «plano inclinado»", o empresário Alexandre Soares dos Santos é de opinião que "os partidos políticos já não resolvem coisa alguma." e de que "Está chegado o momento, sob a égide do Presidente da República, de sentar à mesma mesa governo, partidos políticos, empresários e sindicatos e outras entidades representativas das forças vivas da sociedade civil para se chegar a um acordo."

Não acredito que seja esta a solução para a grave crise que atravessamos. Essa "solução" era defendida há anos pelo meu sogro para todos os conflitos ou dificuldades do mundo, incluindo as crises porque Portugal passava, que não se comparavam com a actual. O meu sogro morreu há anos com 94 anos, só tinha a 4.ª classe e pouco sabia de política, mas já nessa altura eu sorria incrédulo com a sugestão. Seria uma iniciativa impossível e, mesmo que possível, inútil, porque não se chegaria a acordo e, mesmo que por absurdo se chegasse, não creio que o acordo resultasse. É com pena que o digo, mas parecem-me muito ingénuos os que, como o meu sogro, o propõem.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Ricardo Salgado e o verbo haver

Estou habituado a ver ou ouvir maltratar a língua portuguesa nas televisões (para não falar das línguas estrangeiras, principalmente da francesa e da alemã, mas neste último caso com alguma desculpa, dada a reduzida divulgação que tem no nosso país). Os jornalistas são profissionais da língua, mas por vezes mostram ignorância sobre regras elementares. Um dos erros mais frequentes é o uso do verbo haver impessoal (ou de verbos auxiliares do verbo haver) no plural, principalmente quando usado no pretérito. Arrepio-me todo com estas calinadas, mas tenho uma certa compreensão quando cometidas por jovens ou por pessoas com pouca educação. Mas quando é um banqueiro que possui presumivelmente uma educação esmerada e que aprendeu a língua portuguesa nos tempos em que o ensino não era facilitista, o arrepio é mais intenso. Foi o caso, hoje, ao ouvir o Dr. Ricardo Salgado


a propósito da intervenção do Estado para impedir a venda pela PT da Vivo à Telefónica, dizer que acreditava que "possam haver" outras oportunidades de investimento. É caso para perguntar: Poderão haver outras oportunidades? Haverão estas outras oportunidades? Até agora não houveram muitas!

Desculpem-me o preciosismo. Quando está em jogo um negócio de milhares de milhões, o interesse estratégico de Portugal, o futuro da maior empresa nacional e dos seus milhares de trabalhadores, o que me impressionou foi o erro gramatical que o Presidente do BES deixou escapar, certamente não por ignorância, mas sim por distracção! Certamente que os factores que enunciei são muito mais importantes do que a conjugação do verbo haver, mas não resisti a registar o facto de até uma pessoa com a craveira intelectual e o cuidado com a linguagem do Dr. Ricardo salgado poder enganar-se.

domingo, 4 de julho de 2010

Zita Seabra


Por acaso apanhei hoje quase por completo a entrevista de Zita Seabra a José Luís Goucha. Não costumo ver o programa do Goucha, mas tive a sorte de ligar por acaso para a TVI24 na altura da entrevista. Conheci a Zita de longe na altura da crise académica de 62, era ela uma jovem aluna de liceu. Nunca estive de acordo com as ideias políticas que ela defendia nessa época, mas havia um clima de alguma aproximação por oposição comum à política autoritária vigente. Quando há anos li o seu livro Foi Assim, compreendi a história da sua militância e da sua desilusão com a política comunista. O livro levou-me a recordar muitas das vicissitudes porque passámos e fala de muitas pessoas que conheci nessa época. Admirei principalmente a sinceridade que transparece nas páginas do livro e que revi agora na entrevista.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Cidade inteligente em Paredes

Anuncia-se o nascimento de uma cidade inteligente em Paredes. O projecto perece ser grandioso: 12000 empresas, muitos milhões de investimento, a Cisco a liderar o processo, milhares de postos de trabalho! Curiosamente o Primeiro Ministro não apareceu na cerimónia de lançamento, apenas o Presidente da Câmara de Paredes.

Mas, perante tanta fartura, fiquei desconfiado. Durante 70 anos fui sempre um optimista. Por fim, graças a Sócrates e seus seguidores, abri os olhos e tornei-me pessimista. Cada vez que o PM vitupera os bota-baixistas sinto-me visado. Mesmo perante notícias tão excitantes como virmos a ter a primeira cidade inteligente do mundo em Paredes ou irmos ser o país com mais postos de abastecimento de automóveis eléctricos de todo o mundo, desconfio e pergunto: Porquê nós? Não haverá algo de errado?

terça-feira, 29 de junho de 2010

Acordo Ortográfico

Sou um dos muitos que deploram a adopção do acordo ortográfico, que acho mal negociado, inconveniente e confuso. Foi, por isso, com algum desgosto que li o editorial do último Expresso "Expresso poupa letras e adota acordo". (Como o meu corrector ortográfico ainda está - e estará porque não o vou mudar - segundo a ortografia pré-acordo, aponta erro na palavra "adota".) Mas sei que agora a mudança é inevitável e a partir de 2014 nalguns casos até obrigatória, segundo o Expresso "a nível do Governo, escolas, imprensa, empresas". Eu estou velho para mudar o modo de escrever, mas terei de me habituar ao modo de ler.
Contudo, mesmo para o Expresso, nem tudo é claro. Nos exemplos de palavras que mudam, afirma que "No Caderno de Economia ... 'despediu' as palavras que já não estavam no ativo:" e inclui a palavra 'corretor'. Ora a palavra 'corretor' usada em economia significa o profissional de corretagem, (aquele que age como intermediário em negócios particulares, especialmente aqueles que envolvem compra e venda de bens ou acções na bolsa de valores, segundo o Dicionário Houaiss) e pura e simplesmente não mudou, porque, ao contrário de 'corrector', aquele que corrige, já não tinha 'c'. É exactamente um dos casos em que a nova grafia cria palavras homógrafas desnecessariamente quando, mesmo com grafia diferente, já havia muitos enganos e confusão na pronúncia das duas palavras.

Disparates da TV

Em tempos relatei aqui alguns disparates emitidos pelos noticiários das nossas televisões, até que me cansei e acabei com a série, até porque havia coisas mais importantes a comentar. Mas hoje não resisto a contar que o jornalista do jornal da manhã da SICNotícias, ao relatar o assassinato de um político mexicano, candidato a eleições estaduais, juntamente com alguns correlegionários, afirmou de forma convicta que eram membros do "Partido Revolucionário Inconstitucional". Assim mesmo, como se fosse possível em qualquer país um partido inconstitucional concorrer a eleições. Não sou grande conhecedor de política internacional, mormente de política mexicana, mas conheço o suficiente para saber que há no México um Partido Revolucionário Institucional, que durante décadas monopolizou o poder, até ser derrotado em eleições em 2000. Que um jornalista não saiba isto é desculpável, que perante a palavra "Inconstitucional" não tenha dúvidas que o levem a confirmar, já me parece menos aceitável.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

G20

Gostaria de saber quantas pessoas se deram ao trabalho de procurar na net as conclusões da reunião de Toronto do G20. Estão disponíveis em francês e em inglês e vale a pena lê-las. Não consegui ainda encontrar qualquer referência ou comentário, como se não tivesse repercussões importantes sobre o nosso próximo futuro. Se fosse uma reunião da FIFA, seguramente que teria grande audiência e numerosos comentários.

domingo, 27 de junho de 2010

A Europa e a Formiga

A não perder no Corta-Fitas A Europa e a Formiga. Hilariante mas real.

sábado, 26 de junho de 2010

Presidente entra no clube dos botabaixistas

Os avisos do Presidente da República sobre a "situação complexa" e "insustentável" que o país vive não mereceram a atenção do Primeiro Ministro, que revelou esta manhã que não os tinha ouvido, mas mereceram de ilustres dirigentes do PS comentários negativos, como "inoportunos" e outros, e do próprio Primeiro Ministro afirmações gerais que, para quem não conhecia as palavras do PR, iam mesmo assim direitas ao alvo: "A tarefa dos políticos é exactamente essa: nunca desistir da confiança.", e "Os catastrofistas não terão sucesso... O que o país precisa é de confiança." Sócrates referiu-se ainda negativamente aos que acham que "quanto pior, melhor", o que, sendo certo que não incluiu expressamente o PR nessa categoria, foi referido em resposta a questões sobre o discurso de Cavaco, apesar de não o ter ouvido. Há portanto duas visões opostas do estado do país e das vias para sair dele. Não se vê como pode continuar a cooperação estratégica que Cavaco pretende manter até ao último dia do seu mandato. E se tiver outro mandato, ainda seguirá a mesma linha?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Maçonaria recruta

Ao folhear a separata de Economia do último número do semanário Sol, dei com este anúncio intrigante:


Como é natural, depois de ler e reler o anúncio, fiquei perdido, receando, como Poe ao abrir a porta à treva enorme (n'O Corvo, versão de Frenando Pessoa). Será que a maçonaria já se vê obrigada a recrutar os seus membros por anúncios no jornal? E vem recrutar em Portugal para a loja de Lyon? E paga, embora pouco? E o novo iniciado fica logo com o cargo de Chefe de Obra a gerir uma equipa de 5 a 8 maçons? E como se compreende que sendo a maçonaria uma sociedade secreta faculte assim a todos os leitores do Sol o seu endereço electrónico e o número de telefone? Ou será possível que, mais prosaicamente, alguém traduziu maçonnerie por maçonaria? Francamente, esta última hipótese custa-me a crer.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Saramago, o escritor e o homem

Admito que Saramago pode ser considerado um grande escritor, que os seus livros podem ser obras admiráveis e que portanto deve merecer a admiração e a homenagem dos portugueses. Admito, mas não comungo dessa opinião. Li o Memorial do Convento e gostei. Comprei O Ano da Morte de Ricardo Reis, que tentei ler, mas não consegui passar das primeiras páginas. As restantes obras simplesmente não me interessaram pelos assuntos tratados. Mas admito que pode ser defeito meu. Portanto não critico o Prémio Nobel nem os elogios que ontem e hoje ouvi repetidos por tantas vozes. Já como homem, não comungo das palavras de admiração. As suas opiniões sobre demasiadas coisas, a começar pela sua ideia de sociedade e de nacionalidade, estão nos antípodas das minhas e certamente da grande maioria dos portugueses.

Mas para além destas considerações, mesmo que se trate de um escritor genial, parece-me que houve exageros na homenagem prestada, incluindo a declaração de 2 dias de luto, a representação oficial e principalmente o tratamento dos meios de comunicação. Eu que achava lamentável que ao ligar a TV só conseguisse ouvir falar do Mundial de Futebol, hoje só ansiava que chegassem ao fim as notícias tantas vezes repetidas do funeral de Saramago, mesmo que fosse para falarem de futebol.

Mas o que mais ridículo achei foi a alegada polémica sobre as ausências no funeral. Razão tem Pinho Cardão no Quarta República: "Não seria pois sustentável que os dois mais altos representantes da República estivessem pessoalmente presentes na despedida de alguém que preconizava o fim do Estado português e da República, integrando-o na Monarquia espanhola.
Cavaco Silva e Jaime Gama honraram as suas funções institucionais. Fizeram o que devia ser feito perante quem, deslocando a soberania, acabava com as funções. Denotaram sentido de estado. Mas, de forma idiota, são vergastados pela opinião publicada. Acontece que o pesar pela morte não pode tudo esquecer.
Cavaco Silva e Jaime Gama compreenderam bem a situação e agiram de forma irrepreensível.
"
Haja que tenha a coragem de o dizer, mesmo contra a corrente.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Agências de rating e especuladores

O Bloco de Esquerda acha que é necessário criar uma agência de notação financeira europeia pública. Mas será que os investidores a que nos vemos forçados a recorrer para que nos emprestem dinheiro confiará na avaliação feita por essa agência? Há maneira de os forçar a esquecerem a notação das agências americanas em que eles se baseiam actualmente para saber como investir?

No mesmo tom, por seu lado o PCP afirma que as agências de rating não são independentes (de quê?) e trabalham para os especuladores. A solução (como é que o Teixeira dos Santos ainda não se lembrou disso?) é Portugal passar a pedir emprestado o dinheiro que precisamos para gastarmos a mais a penas a investidores bonzinhos e honestos e não aos especuladores para quem as agências trabalham. Simples, não é?

Desde quando se aplica a taxa de 45%?

Em roda-pé as TVs noticiaram ontem que a nova taxa de 45% do IRS entraria em vigor hoje. Não me parece correcto. Apesar de a lei que cria a nova taxa entrar hoje legalmente em vigor, o que é certo é que também neste caso a taxa se aplica aos rendimentos de todo o ano, portanto a partir de 1 de Janeiro, pois também neste caso há claramente retroactividade, sem sequer haver um coeficiente de correcção.

Pão e circo

Uma pergunta simples: Que terá mais importância a curto prazo e mais influência no futuro dos portugueses a médio e longo prazo?, ou, por outras palavras: Que afectará mais a nossa vida e o nosso bem-estar: a nossa participação no Mundial de Futebol que decorre na África do Sul ou as medidas adicionais sugeridas/exigidas pela União Europeia para atingirmos em 2011 o défice a que nos comprometemos?

Estou em crer que a maior parte dos portugueses estão mais interessados, e, diria mesmo, mais preocupados, com o desempenho da nossa selecção. É natural e não se pode levar a mal. Mas que os meios de comunicação fomentem esta tendência, já me parece condenável. Pois, apesar das notícias importantíssimas que vieram ontem de Bruxelas, não só os jornais televisivos dos 3 canais de TV generalistas mas ainda 2 dos canais por cabo de notícias deram a primazia ao futebol com longas reportagens e deixaram para lugar secundário a exigência de novas medidas de austeridade para conseguir que o défice desça mais 1,5% do PIB de modo a ser possível chegar aos 4,6% em 2011. Parabéns à SIC-Notícias por ter dado ao pedido da UE a importância que merece.

Se as nossas vitórias no Mundial são duvidosas, mais dúvidas há ainda no modo como o governo vai conseguir corresponder ao pedido da UE, com ainda mais impostos, cuja carga já é asfixiante e recessiva, ou com cortes nas despesas, o que parece nitidamente muito difícil de aceitar por este governo. Felizmente o Ministro das Finanças veio imediatamente dizer que serão tomadas todas as medidas indispensáveis, não dando tempo ao PM de vir com o seu discurso optimista, como se o optimismo, ao contrário do pessimismo, criasse emprego, afirmar que não eram necessárias mais medidas. Vamos a ver como acaba a telenovela.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A opinião de Mário Soares

No blog 4.ª República duvida-se se a reacção de Mário Soares sobre o apoio do PS à candidatura presidencial de Manuel Alegre será fruto do ressentimento ou acuidade de julgamento.
Penso que a afirmação pode ser fruto do ressentimento, mas a mim parece-me resultado de uma lucidez que nos últimos anos parecia faltar. Por uma vez estou de acordo com Mário Soares.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Má informação sobre IRS

Hoje entram em vigor as novas tabelas de retenção na fonte do IRS. As taxas de IRS com o agravamento previsto nas medidas de austeridade só entrarão em vigor quando aprovadas na AR, promulgadas pelo PR e publicadas no Diário da República, pelo que a data de entrada em vigor não pode ser conhecida neste momento com exactidão.

Mas os meios de comunicação -- refiro-me fundamentalmente às TVs, já que o tratamento pelos jornais só o conheço pelos títulos --, em vez de adoptarem uma postura de elucidação, resolveram na maioria das intervenções confundir as noções, referindo que as novas taxas de IRS entram hoje em vigor, dizendo que a retenção na fonte tem um aumento de 0,58%, trazendo à baila o problema da retroactividade das leis fiscais e, em consequência, da alegada inconstitucionalidade das novas taxas, como se esse problema real tivesse alguma coisa que ver com as tabelas de retenção na fonte. Em particular o tratamento pela SIC no Telejornal das 20 h foi um desastre completo, baralhando os conceitos de retenção na fonte com aplicação de novas taxas. Como desinformação seria difícil fazer melhor, quero dizer: pior. Depois das trapalhadas do Governo, não era necessária esta distorção da informação para lanças mais dúvidas na mente dos contribuintes.

Dito isto, não compreendo como ninguém se refere ao facto flagrante de o atraso da aprovação da lei que legaliza as sobretaxas de 1% e 1,5%, conforme os escalões, não condizer com os factores de 0,58% e de 0,875% para reduzir a incidência a 7 meses. Quanto mais tempo demorar a entrada em vigor da lei, mais o coeficiente a aplicar terá de ser, para ser correcto e prevenir o problema de retroactividade, corrigido para baixo. Isto independentemente do problema da falta de regularidade dos rendimentos ao longo do ano que tornará aqueles factores de correcção ineficazes. Para este último problema só uma cláusula de salvaguarda o poderá resolver, parece-me.

terça-feira, 25 de maio de 2010

IRS para cá, IRS para lá. Que confusão!

Já não está na moda, como outrora, falar de trapalhadas. Pero que las hay, las hay, como as bruxas. O mais recente exemplo é a questão do IRS, da sua entrada em vigor, da alegada retroactividade e das tabelas de retenção na fonte.

Em primeiro lugar a questão dos 2 despachos de Teixeira dos Santos sobre as tabelas de retenção: A data de entrada em vigor do 1.º estava nitidamente errado, pois era fisicamente impossível às empresas e ao próprio Estado processar os pagamentos a tempo e não correspondia ao previamente anunciado. Claro que as declarações do ministro e do próprio primeiro ministro não podia alterar o que tinha vindo publicado no Diário da República e que tinha força de lei. Mas, em vez de reconhecer o erro, o ministro achou que o 2.º despacho se destinava simplesmente a "evitar a confusão" ou "esclarecer a situação"; deveria ter reconhecido que se tratava de uma rectificação.

Mas logo os meios de comunicação começaram a dizer que "as novas tabelas do IRS" entravam em vigor a 1 de Junho e não a 28 de Maio", confundindo tabelas de retenção na fonte com taxas de IRS.

Depois vieram as acusações de ilegalidade, por a alteração das taxas se ter dado por despacho, quando deveria ter aprovação da Assembleia da República. Não sei se estas acusações têm razão: Se a retenção na fonte pode ser definida por despacho, perece que pode ser alterada independentemente da aprovação das taxas de IRS, que essa sim, só poderá ser feita na AR.

Quanto à retroactividade, parece-me que os críticos têm razão: Apesar de a taxa a aplicar ter este ano uma correcção para se referir apenas a 7 meses e não a 12, esta operação só será correcta para quem tem um rendimento fixo todos os meses. Entre outros, os trabalhadores independentes, que normalmente têm rendimentos variáveis, poderão ficar prejudicados se o rendimento médio mensal de Janeiro a Maio for superior ao de Junho a Dezembro. Serão beneficiados se se der o contrário. Qualquer contribuinte que tenha tido um rendimento extraordinário nos primeiros 5 meses do ano não deveria pagar qualquer taxa agravada por este rendimento, nem 1%, nem 0,58% (no caso dos escalões mais baixos), porque até pode ter decidido o negócio, por exemplo a venda de um bem imobiliário, antes de saber que o IRS iria ser agravado. Aí sim, põe-se um problema de retroactividade que deveria ser acautelado. Como diz Passos Coelho, é um problema técnico, mas é um problema real que poderá chegar aos tribunais por quem se sinta prejudicado.

Mas esta retroactividade não tem nada que ver com as datas dos despachos. Nem sei se será possível que a lei que definirá as novas taxas do IRS poderá entrar em vigor a 1 de Junho, já que tem de ser apreciada e aprovada na AR, promulgada e publicada no Diário da República. Assim sendo, se se atrasar, o coeficiente para reduzir a sobretaxa ao período do ano de vigência terá de ser ajustado. Não seria melhor prever desde já a entrada em vigor para Julho?

terça-feira, 18 de maio de 2010

Até quando, Senhor?

Foi anunciado muito claramente pelo PM que as duras medidas de austeridade para resolver a grave situação deficitária -- as tais que nos foram impostas pelo directório da UE (só porque na nossa cegueira não fomos capazes de antecipar a situação, mesmo quando esta já era evidente, e só nos dispúnhamos a tomar medidas insuficientes e com uma lentidão inaceitável -- durariam 18 meses com início em Julho pp e termo no fim de 2011. Pensei que lá para meados de 2011 se tornaria evidente que este período de austeridade era insuficiente e nessa altura o prazo seria prolongado com desculpas de a situação se ter deteriorado por razões exteriores. Afinal o aviso do prolongamento do período de austeridade foi logo feito pelo Ministro das Finanças poucas horas depois.

Porém o que me preocupa não é esta evidente falta de coordenação entre Sócrates e o seu ministro. O que me faz temer o pior é que Teixeira dos Santos disse que “São medidas que se manterão até que a consolidação se mostre sustentável e duradoura”. Ora como é evidente que as medidas de aumento de impostos, corte em subsídios, congelamentos de salários e de contratações contribuem para baixar o défice momentaneamente mas não terão efeitos sustentáveis e duradoures, temo que tenham de continuar activas para sempre...

Acreditar nas próprias mentiras

Tem sido afirmado por muitos que o Portugal sobre o qual Sócrates fala é um Portugal de ilusão, não é o país real que nós conhecemos. No Portugal de Sócrates tudo corre bem, ou mesmo quando há uma crise (importada, claro está) há já sinais evidentes de melhoria. Este discurso constante desajustado da realidade leva muita boa gente a pensar que Sócrates quer conscientemente apresentar uma versão aformoseada das coisas, embora não ignore que as coisas não são tão formosas como quer fazer crer, sendo por vezes mesmo muito feias. No seu afã, chega por vezes a mentir. Quando as coisas mostram claramente que nada era na realidade como tinha dito, arranja sempre sofismas para tentar provar que não mentiu nem se enganou, houve qualquer coisa que não dependia da sua vontade que alterou os pressupostos.

Hoje, Vicente Jorge Silva lançou a hipótese de Sócrates afinal acreditar nas próprias mentiras. Não está a querer enganar ninguém, apenas está a falar da realidade em que acredita, sem ser capaz de ver o desfasamento entre essa realidade e a realidade real. Talvez VJS tenha razão. Porém, se esta hipótese desculpa o PM sob o aspecto moral, deixa uma dúvida muito mais preocupante: até onde pode ir este delírio e que consequências pode vir a ter para o país?

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Mais vale tarde do que nunca

Finalmente, 2 minutos antes da 1 da manhã, há pelo menos uma televisão (a TVI24) que noticia brevemente o resultado da reunião de Bruxelas dos ministros das finanças, com o plano de formação de um fundo de 500 mil milhões de euros para estabilizar os mercados e o euro e combater a "alcateia de lobos" que atacam as economias dos países mais vulneráveis da eurozona.
Mais vale tarde do que nunca. Claro que a notícia que merece maior desenvolvimento continua a ser a vitória do Benfica, mas também não se pode pedir demasiado...

Crise? Qual crise?

O conselho de ministros das finanças da União Europeia, convocado de urgência este Domingo para Bruxelas para preparar os pormenores do fundo decidido na reunião de chefes de estado e de governo, teve de se prolongar até tarde para chegar a acordo antes da abertura dos mercados asiáticos. Eu supunha ingenuamente que o assunto era importante para Portugal e para os cidadãos portugueses, que serão dos que mais sofrerão as consequências de uma crise do euro. Por isso dediquei parte do meu tempo a percorrer os canais de informação das televisões nacionais na esperança de saber novidades sobre as decisões dos ministros. Só consegui ver multidões com cachecois vermelhos e ouvir os gritos de vitória dos benfiquistas.

Só nos canais estrangeiros pude saber que os ministros estavam reunidos, com algumas imagens destes a cumprimentarem-se. Finalmente consegui alguns pormenores do mecanismo do fundo através de canais como o Bloomberg e a CNBC. Depois achei na net a notícia mais completa no sítio da Bloomberg. As nossas televisões continuavam (e suponho que ainda continuam) a transmitir imagens da grandiosa manifestação de adeptos do Benfica no Marquês de Pombal. Parece que a formação de um fundo de 500 mil milhões de euros e a estabilidade do próprio euro são coisas que não merecem grande atenção.

Júlio César lá sabia!

domingo, 9 de maio de 2010

O Governo não recua, Sócrates não muda de opinião

Francamente! Porque é que os órgãos de informação insistem em dizer que o Governo recuou nas grandes obras. São mal intencionados. Então não viram o Sr. PM afirmar veementemente que não mudou de opinião? Temos de acreditar portanto que não foi por pressão dos seus colegas da UE, nem pela recomendação do Presidente da República, nem pelas palavras de Constâncio, nem pela "chantagem" de Teixeira dos Santos (como diz o Blasfémias) nem pela esmagadora opinião dos melhores economistas portugueses que Sócrates decidiu adiar os investimentos tão importantes para o desenvolvimento do país. Não houve qualquer recuo. Não!, o Querido Líder não mudou de opinião: ele sempre pensou em suspender os grandes investimentos que ainda não estivessem adjudicados, só que não o dizia para não desanimar os seus súbditos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Que dia!

Mas que dia!
Aviso da Moody's sobre a dívida portuguesa, com ameaça de descida de 1 a 2 níveis da nossa cotação.
Revisão, pela Comissão Europeia, das previsões económicas para Portugal, com melhoria do crescimento do PIB no presenta ano (que mesmo assim será inferior à previsão do governo e inferior à previsão do mesmo parâmetro para a zona euro), mas com piores valores para o PIB em 2011, para o desemprego e para o défice.
Regozijo do governo para esta revisão, como se fosse uma boa notícia.
Aviso do FMI de que o contágio da situação grega pode atingir Portugal.
(Para além de regozijar-se, que faz o governo?)
Um deputado do PS (membro da Comissão parlamentar de Ética, vice-presidente da bancada do Partido socialista, coordenador para a área da justiça) irrita-se durante uma entrevista e retira-se levando no bolso gravadores dos jornalistas que o entrevistavam.
3 mortos em Atenas depois de manifestantes incendiarem um banco com cocktails Molotov, durante violentos protestos contra as medidas de austeridade.
Derrocada em Lisboa com destruição de casas, felizmente sem vítimas.
Tempestade no Sul de França, atingindo Cannes e os preparativos para o festival de cinema.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Economia paralela

Parece que a economia paralela ou informal pode ter as suas vantagens na actual situação de crise. Eu já tinha pensado e discutido em família esse ponto de vista, mas confirmei essa hipótese ao ler isto. Portugal não tem, certamente, uma economia paralela da dimensão da grega, mas segundo certas estimativas não andará muito longe. Portanto podemos contar com esse sector para proteger a nossa economia. Também teremos os nossos heróis.

domingo, 2 de maio de 2010

Nuvem estranha sobre Lisboa

Não sei se mais alguém reparou, mas hoje pairou sobre Lisboa uma estranha nuvem oval diferente de todas as outras nuvens. Reparei nela pelas 18:20, a oeste de Lisboa, quando circulava pela Avenida Gago Coutinho. Observei depois a partir da Praça de Londres, perto do Sol que baixava no horizonte. A forma oval era ao princípio bem definida, ao contrário dos cirrostratos que se estendiam através do céu, e apresentava uma iridiscência estranha nas bordas, que era muito mais acentuada vista através de óculos escuros de lentes polarizadoras. Manteve-se aproximadamente no mesmo local alterando ligeiramente a forma para uma oval distorcida com feitio de rim ou de feijão e aumentando um pouco em dimensão.

Na parte média inferior apareceu uma zona acinzentada que parecia denotar nesse local uma maior espessura. Pelas 20:30 tinha-se espraiado por uma zona do céu mais extensa e os bordos ficaram menos definidos. Com o pôr do Sol adquiriu um tom rosado e aproximou-se da vertical de Lisboa cobrindo uma zona muito maior. Como não tinha máquina fotográfica à mão, tentei desenhar, sobre uma fotografia da Praça de Londres, o melhor que pude, mas o desenho está longe de reproduzir o que observei. Não creio em aparições sobrenaturais nem em extra-terrestres e presumo que se tratou de um fenómeno raro mas natural.


Gostaria de saber se mais alguém viu esta nuvem e o que achou.

sábado, 1 de maio de 2010

Euro ou não euro, eis a questão.

Ao procurar na net algum estudo de custo/benefício sobre o TGV, fui parar a um blog até hoje meu desconhecido - o DESMITOS - que em 17 de Abril publicou um interessante texto chamado "Um Jaguar chamado TGV", que não sendo um estudo dava uma visão da polémica TGV ou não TGV que achei interessante. De resto, entre os milhares de referências, encontrei muitas notícias, algumas opiniões, mas nenhum estudo. Já que o PM convidou um deputado a procurar este tipo de estudos na net, teria sido conveniente dar pistas como os encontrar.

Mas como o problema dos mitos e dos desmitos me interessa muito, continuei a vasculhar o blog e encontrei um postal sobre os custos e benefícios, não do TGV, mas sim da saída do euro. O tema interessa-me e penso que deve interessar todos os portugueses, os que têm dívidas como os que têm poupanças, os que compram produtos importados (que somos todos), como os que vendem produtos para exportação (que são muito poucos). Vale a pena ler. Mas, apesar de muito bem explicado e conter a mais completa informação sobre o assunto que vi até hoje, fiquei com algumas dúvidas:

Que aconteceria às dívidas sobre o exterior, seja do Estado seja de particulares (incluindo a banca neste conceito)? Depois da desvalorização do novo escudo, as dívidas em euros (e também as em dólares ou em outras moedas) ficariam mais elevadas em escudos e seriam mais difíceis de pagar. As importações também seriam mais caras e, embora isso servisse para as desencorajar, não se poderia passar sem elas, visto que não somos auto-suficientes. Como os bancos teriam de continuar a pedir financiamento no exterior, passariam a ter mais dificuldades em amortizá-lo e teriam, além disso, de fazer repercutir a desvalorização da moeda nacional aumentando os juros dos empréstimos.

Que aconteceria a quem tem empréstimos em euros, por exemplo para compra de habitação, de bancos portugueses? Seriam convertidos para os novos escudos? Em caso de a saída ser, como é provável, seguida de desvalorização da nova moeda nacional, o valor da dívida após a saída e a desvalorização seria equivalente ao valor em euros ou ao valor na nova moeda?

Que aconteceria a quem tem depósitos em euros em bancos portugueses? E em bancos estrangeiros?

Sem saber as respostas a estas questões, é difícil avaliar os benefícios e os custos.

Novo acto: volta tudo à mesma

Depois de assistir à interpelação ao Governo de hoje na AR, nomeadamente às intervenções do PM, tornou-se evidente que a conferência de imprensa de ontem do Ministro Mendonça foi encomendada por Sócrates para matar à nascença o efeito do anúncio de Teixeira dos Santos sobre a reavaliação dos grandes projectos. Tenho a certeza que o Ministro das Finanças, depois de ser desautorizado deste modo, só não se demitiu para evitar reacções adversas dos mercados.

Sócrates quer e agradece o apoio de Passos Coelho, mas desde que não tenha de ceder em nada. Os grandes projectos públicos, com as consequências conhecidas de aumento do endividamento externo, são-lhe queridos e não vai desistir deles. Quando um ministro vacila, mesmo que seja um ministro chave e insubstituível nas condições actuais, não hesita em impor a sua vontade mesmo que seja evidente que o está a desdizer.

Volto, em consequência, a estar outra vez muito céptico sobre os resultados do suposto entendimento Passos Coelho - Sócrates.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Duelo de gigantes (ou de anões?)

Peça em 3 actos:
1.º acto: O Sr. Coelho e o Sr. Pinto, há muito inimigos figadais, combinam um encontro mais ou menos amistoso. No fim o Sr. Pinto afirma que foram atacados por gambozinos sem fundamento, mas, apesar dessa falta de fundamento, vai fazer já coisas para acalmar os gambozinos que pensava só fazer para o ano e que o Sr. Coelho lhe dera sugestões com o mesmo fim, que ele ia ponderar. O Sr. Coelho confirmou o acordo, excepto que omitiu que o ataque não tivesse fundamento, certamente por no seu íntimo pensar que tinha e até era merecido porque o Sr. Pinto não tinha mantido a quinta limpa.
2.º acto: No dia seguinte, de manhã o Sr. Teixeira afirma, na mesma linha do Sr. Pinto, que algumas obras na quinta terão de ser ponderadas, já que a venda de ovos e feijões tinha rendido pouco e não havia dinheiro, mas que a situação melhoraria se os gambozinos fossem metidos na ordem.
3.º acto: Na tarde do mesmo dia, quando os espectadores já pensavam o espectáculo acabado, vem o Sr. Mendonça dizer que todas as obras se farão como combinado porque a quinta precisa, com excepção dum pequeno remendo num muro, mesmo de todas as obras.
Cai o pano.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Novas sobre a crise

A reunião entre Passos Coelho e Sócrates parece desmentir a minha desconfiança de ontem sobre a possibilidade de um entendimento entre o PM e o líder da oposição. Sem dúvida que foi importante e que foi um golpe de génio de Passos Coelho promover o encontro logo após as notícias da revisão em baixa da notação pela Standard & Poor's. Apesar de não terem saído notícias sobre novas medidas que ajudem a combater a crise, nomeadamente os défices públicos elevados e o endividamento externo, há uma esperança que as reuniões e consultas prometidas venham a ter alguns resultados positivos. Pelo menos, Sócrates não classificou as sugestões de Passos Coelho como "uma mão cheia de nada". Claro que as esperanças têm de ser mitigadas, uma vez que o PM, ao falar nas medidas a tomar, só falou nas já conhecidas, tudo se resumindo a um adiantamento de 2011 para 2010, quando este ano já vai tão adiantado, e sobre as medidas propostas pelo PSD apenas referiu que as vai ter em consideração. Mas o encontro em si com discursos não antagónicos pode ter um pequeno efeito de acalmia dos mercados.
Mais do que o encontro, acho muito positivo o anúncio feito hoje de que a concessão da auto-estrada do Pinhal Interior foi cancelada. É o primeiro sinal da viragem sobre a política suicida dos investimentos megalómanos e economicamente ruinosos.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Estado de emergência financeira

Portugal entrou num verdadeiro estado de emergência financeira, após o último golpe que foi a degradação da notação da Standard & Poor para A-. Digo "último golpe" até agora, que não sabemos o que virá mais.
Tavares Moreira, cujos pertinentes comentários no Quarta República leio regularmente com atenção, admira-se, com razão, do apelo ao entendimento com o PSD feito pelo Ministro das Finanças, após ter desdenhado, do modo deselegante como o fez, da proposta de redução da despesa em 1700 M€.
Perante esta proposta do PSD , o PM chegou a dizer que já estava tudo no PEC! Com tal tendência para a mistificação, não creio que mesmo perante a presente iminência de naufrágio Passos Coelho e Sócrates se cheguem a entender. Talvez haja um fingimento de entendimento, mas temo que não seja nada real, infelizmente.

Pois

Era mesmo ignorância...

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O ataque dos especuladores

No passado dia 7, ao escrever o postal "Portugal, Grécia e os especuladores", perguntava como são em concreto os célebres "ataques dos especuladores" que podem pôr em perigo as nossas finanças e até, segundo alguns, a nossa permanência no euro. Perguntava humildemente e confessava os meus conhecimentos fracos de economia e nulos de finanças internacionais. Infelizmente ninguém me respondeu e fiquei na mesma ignorância até ler o jornal i do dia 20. Dizia:
Agora já sei mais um pouco. Só me pergunto, com poucas esperanças de que alguém me responda, porque há tanto temor nos ataques dos especuladores, que parece que quando abocanham uma moeda ou um país nunca mais o largam até à agonia, quando afinal para atacarem precisam de três coisas: no caso de atacar por via dos CDS, 1) comprar grandes quantidades CDSs do título que pretendem atacar num momento tranquilo do mercado; 2) esperar que o sentimento do mercado se altere (ou provocar a alteração através de notícias, afirmações ou boatos) no sentido de subida da percepção do risco do título; 3) vender; no caso de atacar por via do próprio título, 1) vender a descoberto a um preço elevado; 2) esperar que o mercado se altere ou provocar a alteração como no caso dos CDSs; 3) comprar barato e vender ao preço combinado mais elevado. Em ambos os casos a situação do mercado terá de piorar, ou os especuladores arriscam-se a perder dinheiro. Assim explicado, já me parece que compreenda, mas não supunha que por esta via se pudesse pôr em risco seriamente a situação financeira de um país. Será que na situação em que nos encontramos a situação ainda pode piorar? É certamente ingenuidade minha perguntar.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Desequilíbrios

Não resisto a transcrever o postal de Pinho Cardão na 4R "A desconfiança de Bruxelas" sobre os desequilíbrios da economia portuguesa:

« A desconfiança de Bruxelas

A Comissão Europeia está a torcer o nariz ao nosso PEC. Natural. É que, numa conjuntura já de si desfavorável, não é com remediozinhos de faz de conta que se tratam os nossos graves desequilíbrios orçamentais.
O primeiro grande desequilíbrio é o enorme diferencial entre as Receitas Totais e a Despesa Total, que deu o largo défice de 2009 e o que o Governo anteviu para 2010.
O segundo grande desequilíbrio é que não se cumpre o que alguns chamam a “regra de ouro das finanças públicas”, que consiste em défice não exceder as Despesas de Capital, isto é, o Investimento. Mas excede e tem excedido, com raras excepções, nos últimos anos.
O terceiro grande desequilíbrio é que as Receitas não chegam sequer para pagar a Despesa Corrente, mesmo não incluindo nesta os juros. Como resultado, temos que nos endividar até para pagar os juros.
O quarto grande desequilíbrio está no facto de as Receitas da Segurança Social apenas pagarem metade das respectivas Prestações Sociais. Assim, o Orçamento de Estado tem que consignar verbas da ordem dos 18 mil milhões de euros para a Segurança Social (2009 e 2010).
O quinto grande desequilíbrio está no nosso endividamento público, que vem a subir de forma dramática. Não contando o endividamento escondido nas PPPs, nas empresas públicas deficitárias, no Fundo da Electricidade, nos Hospitais empresarializados e deficitários.
O sexto grande desequilíbrio está na política do Governo que fez de 2010 um ano similar, em termos orçamentais, ao de 2009, empurrando as decisões para o futuro, o que só agravará as penosas medidas a tomar.
O sétimo grande desequilíbrio é que o Governo anda perdido e, com a cabeça na areia, e não vendo o que se passa, continua a dizer que a nossa economia vai bem, uma das melhores entre as da União Europeia.
É, de facto, no Governo, que está o nosso maior desequilíbrio. Ele constitui o nosso grande défice.
posted by Pinho Cardão @ »

É difícil dizer melhor em tão poucas palavras sobre a situação em que a incompetência do governo pôs o País. Haverá PEC que nos valha?

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Portugal, Grécia e os especuladores

Tem-se discutido muito a responsabilidade dos especuladores financeiros na crise que, com início nos EUA, ainda mostra duramente os seus efeitos e, mais recente e especificamente, na crise grega e na dos outros países do Sul da zona euro. Agora diz-se que os especuladores “atacaram” a Grécia, põe-se a hipótese de o verdadeiro alvo dos ataques dos ditos especuladores ser não a Grécia mas sim o euro, teme-se que logo que os gregos consigam com o seu plano de austeridade amansar os ataques, os referidos especuladores se poderão voltar para o segundo elo mais fraco, ou seja Portugal.

Pouco percebo de economia e nada de finanças internacionais. Confesso que não sei o que são os “ataques dos especuladores” nem o que eles fazem de concreto. Que podem fazer os famosos especuladores para baixar o valor de um título? Podem vendê-lo em grandes quantidades ou abster-se de o comprar. Não sei que mais podem fazer nos seus "ataques". O mesmo para uma moeda. Se são títulos de dívida, como os títulos soberanos, compreendo que qualquer pessoa que tenha dinheiro para emprestar deseje receber o máximo rendimento e evitar ao máximo o risco, o que por vezes exige um equilíbrio difícil. Também compreendo que o mecanismo da oferta e da procura (uma das poucas coisas que sei de economia e que me foi ensinado há muitos anos pelo Prof. Pinto Barbosa na cadeira de Economia no IST) leva naturalmente a que seja mais difícil vender dívida de retorno duvidoso e que portanto os financiadores exijam uma taxa maior. Será isto especulação? Também compreendo que na dúvida de um retorno dos seus investimentos, os investidores tentem vender os títulos que os suportam. Será isto especulação? A mim só me parece bom senso.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Astrologia e pena de morte

Não acredito na astrologia. Penso que se trata de uma superstição antiga mas sem sentido, que a ciência moderna contradiz e que o senso comum não aceita. Grandes figuras e até cientistas acreditaram, mas hoje os conhecimentos científicos retiram-lhe qualquer base de verosimilhança. Acho lamentável que revistas sérias e programas de televisão lhe dêem espaço para divulgação. Creio firmemente que muitos astrólogos fazem da sua actividade um negócio, mas eles próprios, na sua maioria, são demasiado inteligentes para crer nas patranhas que debitam.


No entanto fiquei chocado ao ouvir hoje a notícia de que um libanês foi condenado à morte na Arábia Saudita por decapitação por ter apresentado na televisão árabe um programa de astrologia. Sou contra a pena de morte. Sou ainda mais contra a pena de morte do que contra a divulgação da astrologia. Não há métodos aceitáveis para matar e acho ridícula a controvérsia que existe nos Estados Unidos da América sobre a maior ou menor crueldade dos métodos de concretizar a pena de morte. Contudo a decapitação repugna-me particularmente e espanta-me que ainda seja exercida legalmente em alguns países. Por isso, por muito que não acredite na astrologia e até possa dizer que ache detestável o aproveitamento de pessoas crédulas para espalhar esta pseudo-ciência e fazer dinheiro (seja fazendo consultas pagas, seja para vender revistas ou promover audiências), defendo, nas esteira de Voltaire, o direito de o fazer sem represálias. E especialmente quando a represália é a pena de morte e em particular quando esta é exercida por decapitação, acho que seria de esperar uma campanha internacional contra esta injustiça.

Início de operação do LHC no CERN

Não sei para que serve, não sei que vantagens trará, nem sequer tenho conhecimentos suficientes para compreender o que pode resultar em termos de conhecimento científico, mas sei que o avanço da ciência é uma das maravilhas da humanidade e que compreender a natureza nos enriquece. Por isso é com regozijo que tomei conhecimento do reinício, depois da reparação da avaria que teve lugar no ano passado, da operação do Large Hadron Collider (LHC) em Genebra, tendo-se registado os primeiros choques de protões acelerados a velocidades próximas da da luz (e não à velocidade da luz, como afirmado e reafirmado por jornalistas que não sabem que a velocidade da luz é inatingível por corpos com massa), cuja observação, por meio dos numerosos aparelhos de análise, poderá fazer avançar o conhecimento da física das partículas.

domingo, 21 de março de 2010

PEC, um novo conceito de Robin dos Bosques

O PEC abre um novo conceito de Robin dos Bosques: O salteador da Floresta de Sherwood assaltava os ricos para dar aos pobres; o novo paradigma de Robin, a que poderemos dar para variar um qualquer nome de um filósofo grego, por exemplo Sócrates, assalta os ricos e os remediados, mas, apesar de justificar as suas acções como um acto de justiça por os assaltados terem mais dinheiro do que os pobres, não se julga obrigado a distribuir o resultado dos assaltos pelos pobres, pelo contrário, ainda consegue espremer os menos pobres e só poupa os miseráveis. E ainda clama que quem o acusa de assaltar alguém só pretende denegri-lo e atacar a sua benéfica acção, pois não rouba ninguém, apenas alivia as suas vítimas de algum peso a mais.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Ódio visceral

O escritor Richard Zimler - autor de "O Último Cabalista de Lisboa" - concedeu uma entrevista ao jornal Sol em que pergunta: "Sócrates pode cometer erros e ser arrogante, mas merece este ódio visceral?", depois de ter dito: "Porquê tanto ódio e tantas emoções primárias em relação a Sócrates? Será - Sócrates é acusado de ser arrogante - que para os portugueses a arrogância é um pecado maior e mais grave do que a incompetência?"
Maia adiante afirma: "Manuela Ferreira Leite é uma senhora do século XIX. Não sei em que país e em que mundo ela vive, mas não são os meus. Basta referir que para ela o casamento existe para fins reprodutivos. Parece uma solteirona do século XIX."

Pergunto agora eu: Porquê tanto ódio e tantas emoções primárias em relação a Manuela Ferreira Leite? Será - Manuela Ferreira Leite é acusada de ter uma concepção retrógrada do casamento - que para o Sr. Zimler as ideias retrógradas são mais graves do que a incompetência?

Afinal não tenho observado "ódio visceral" e "emoções primárias" contra Sócrates. O que tenho visto são críticas à sua tendência para a mentira compulsiva (até depois de apresentar o PEC com os seu aumento de impostos a vários níveis continua a afirmar que não contém aumento de impostos!) e à sua incompetência que está a levar o país para uma situação gravíssima.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Promessas...

Então, que os impostos não subiam?

sábado, 6 de março de 2010

Sócrates e Teixeira dos Santos: confirma-se a clivagem

Já começava a quase duvidar do meu faro para detectar clivagens políticas. Ter-me-ia enganado quando pensei que o PM e o Ministro das Finanças tinham visões diferentes sobre a aplicação da Lei das Finanças Regionais depois da catástrofe da Madeira? É que não consegui detectar qualquer referência ao evidente desajuste entre os dois governantes em qualquer órgão de comunicação. Mas, apesar dos meus fracos conhecimentos dos meandros da política, a minha dúvida não passou do "quase"; continuei a confiar mais em mim do que nos media. Pelos vistos fiz bem:
Hoje, tive o prazer de ver no Sol de ontem a confirmação da minha tese. A notícia, ou melhor, o comentário, vem na secção Sol... e sombra:
«Teixeira dos Santos» [na sub-secção "sombra"]
Quando Sócrates e dirigentes do PS já haviam assumido meter na gaveta a polémica lei das Finanças Regionais, devido à calamidade que atingiu a Madeira, veio reacender a discussão sobre o tema e garantir que não o retirava de cima da mesa. Um inexplicável passo em falso que acabou com Sócrates a tirar-lhe o tapete e a desautorizá-lo. O peso político do ministro das Finanças vai desaparecendo a cada dia que passa.»

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Madeira causa clivagem entre PM e Ministro das Finanças

É mais que evidente a clivagem entre o Primeiro Ministro e o Ministro das Finanças. Quando ainda há dois dias Teixeira dos Santos reafirmava em plena Assembleia da República a sua oposição à Lei das Finanças Regionais aprovada pela oposição contra a posição do Governo e do PS, Sócrates diz que, dada a situação de catástrofe na Madeira e a necessidade de acorrer com meios financeiros, nada afectará o auxílio que o Estado dará à Região Autónoma. E, para ajudar à festa, Alberto João Jardim manifesta a sua confiança na acção do Primeiro Ministro, afirma, depois da entrevista que aquele deu hoje (28 de Fevereiro) à TVI, que está absolutamente de acordo com ele, e lembra, muito a propósito, que «o Ministro das Finanças responde perante o Primeiro Ministro e perante o Parlamento», não lhe cabendo a ele, Alberto João Jardim, comentar as suas posições. Mais claro do que isto é difícil.

Aliás é evidente o enfado com que ultimamente Teixeira dos Santos responde a perguntas, seja de deputados, seja de jornalistas. Até parece que deseja ardentemente deixar o Governo, sendo apenas impedido por Sócrates, para quem a fuga daquele seria mais uma desgraça, mais um passo para o fim, mais uma tábua no caixão.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Candidaturas

A candidatura de Fernando Nobre à presidência da república faz todo o sentido. Como o presidente da AMI é especialista em auxílio em caso de catástrofes, é natural que queira acorrer à catástrofe que é a política portuguesa.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A manifestação pela família e pelo casamento

Também estive lá. Milhares de pessoas, homens, mulheres e crianças, muita alegria, muita vontade de defender duas ideias simples: a de que o casamento é entre um homem e uma mulher e a de que a família é a base da sociedade.
Vale a pena ver a sequência de fotografias aqui.
Vale também a pela ler os comentários aqui.
E já agora, é oportuno e instrutivo ler as alarvidades contra a manifestação aqui. Estas merecem uma resposta:
Os participantes da manifestação não se podem descrever correctamente como "freiras, miúdos da catequese, gajos a segurar o terço e a bíblia qual livrinho vermelho. Todo um cardápio de horrores". Vi realmente 3 freiras, talvez houvesse mais entre os milhares de manifestantes. Vi muitas crianças, mas nada indicava que fossem "miúdos da catequese", até porque muitos ainda não tinham idade para frequentar a catequese. Só vi um indivíduo com um livro de capa preta na mão que presumo fosse a Bíblia. A mim que nem sou católico, tal não me incomodou. Porque será que incomoda o autor do comentário? Além disso, não vi serpentinas; bandeiras portuguesas havia, mas espanhola só vi uma. E isso que mal tem?
A ideia que motivou os manifestantes pode ser discutida, podem-se apresentar argumentos contra e a favor, mas comentários sem qualquer educação como este não merecem mais que desprezo.
Só não percebo como é possível que alguns dos contra-manifestantes estivessem na varanda do São Jorge, um edifício camarário, fazendo gestos de desaprovação com os polegares para baixo. Será que a CML estava oficialmente contra a manifestação?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Rumores, mentiras e insultos

O nosso primeiro, na sua curta mensagem de ontem ao País, além de enunciar 3 "verdades" entre aspas, queixou-se da campanha de "rumores, mentiras e insultos" com que o atacam. É pena que não tenha especificado minimamente a que rumores, mentiras e insultos se referia, porque não tenho dado conta de tais dislates, e posso afirmar que tenho lido muita imprensa e visto muitos noticiários televisivos nestes últimos dias. Alguma imprensa formula hipóteses com base na informação disponível, como por exemplo a hipótese da existência dum plano do Governo para o controlo da comunicação social. Não me parece que tal seja nem um rumor, mas sim uma conclusão a partir dos factos, nem uma mentira, pois que baseada em argumentos, nem um insulto. Quando muito poderia ser uma acusação infundada, uma hipótese sem sustentação nos factos reais ou uma conclusão mal concebida. Mas se fosse assim, deveria ser desmontado o raciocínio que levou a tais conclusões, se tal fosse possível, o que não me parece o caso.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Portugal e o progresso

Depois da ideia de que o ex-ministro dos corninhos, Manuel Pinho, é o preferido do Governo para substituir Constâncio como Governador do Banco de Portugal, foi ontem anunciada a intenção de Fernando Nobre de se candidatar à Presidência da República. Por muita consideração que se possa ter pela obra de Nobre na AMI, não vejo que qualidades terá para tal cargo. Penso mesmo, parafraseando um antigo político brasileiro, que se Portugal está à beira do abismo, com Nobre a presidente e Pinho a governador dará um passo em frente.

Só Fernando Nobre me faria ver alguma vantagem em votar Alegre.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Crise grega e não só

No seguimento do meu postal de ontem "Pão e circo, mas mais circo que pão", volto a citar o blog O Cachimbo de Magritte a propósito da crise grega, que não é só grega, como infelizmente bem sabemos, visto que cada vez mais nos vamos vendo gregos. O texto Leitura Obrigatória é importante para nos esclarecer sobre o assunto. Dada a quase ausência de notícias ou comentários úteis para os leigos sobre estes assuntos nos nossos meios de comunicação, a divulgação deste texto é um verdadeiro "serviço público". É por estas e por outras que cada vez mais a blogosfera vai substituir os jornais e as TVs como fontes úteis de informação. Depois não se queixem.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Imperdível, o Manifesto pró-Sócrates!

Pão e circo, mas mais circo do que pão

No blog O Cachimbo de Magritte, Jorge Costa declara:

"Um dos índices absolutamente espectaculares do desinteresse de Portugal por si próprio, do seu fechamento alienado a tudo o lhe diz mais directa e fundamentalmente respeito, do seu paroquialismo, que seria cómico se não fosse letal, é a quase inexistência de informação nos media nacionais sobre a evolução da «crise grega» e da forma como esta está a reformatar por completo a União Europeia, com a sua zona monetária e o seu futuro."

Mas, para quê falar mais da chata «crise grega» se há tanto para entreter a malta com futebol, Ídolos e telenovelas? O que é que isso interessa? Os gregos que se lixem! Não vale falar de coisas chatas...

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Face oculta, escutas, Sol, providência cautelar, notificação

Não me sinto abalizado a analisar o caso do dia, o alegado plano do Governo - ou talvez apenas do seu presidente - para controlar a comunicação social, a baralhada das escutas e dos despachos, os últimos acontecimentos de hoje com a comédia burlesca de um oficial de justiça a tentar repetidamente entregar uma notificação à direcção do semanários Sol ou às jornalistas que tê3 tratado do caso. É tudo tão confuso e já tanto se tem dito e escrito sobre o assunto, seus contornos jurídicos e políticos, éticos e criminais, que me abstenho de dar a minha opinião. Mas lá que a tenho, isso é que tenho.

Mas assaltam-me duas dúvidas. Não parecerão muito importantes, mas vendo bem até o são.
A primeira dúvida prende-se com a conhecida velocidade da justiça portuguesa. Até por experiência própria, sei que mesmo uma providência cautelar, que por norma é mais rápida que um processo normal, pode levar meses a dar resultados. Veja-se o caso da providência posta contra Gonçalo Amaral e o seu livro. Contudo desta vez a acção foi rapidíssima. Como não poderia ter sido interposta antes da publicação do Sol da semana passada, em pouquíssimos dias surtiu efeito, sem audição das partes, nem alegações, nem notícia pública da sentença. A primeira coisa que vem a público é a tentativa de notificação. Tendo em conta as declarações solenes de 2 ministros sobre o sagrado princípio de separação de poderes, acredito que não tenha havido influência do Governo sobre a justiça para acelerar tanto o processo, mas lá que a rapidez é estranha, não resta dúvida.

A segunda dúvida prende-se com a dificuldade de notificar os responsáveis pelo Sol. Então não existem actualmente meios mais expeditos de entregar uma notificação do que mandar um oficial de justiça ao local com um papel e fazer com que este pergunte na recepção à funcionária que estiver presente pelos nomes citados? Assim não vamos longe.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Os erros e a política

Com esta impagável fotografia,


o blog De Rerum Natura publica hoje um comentário sobre as declarações contraditórias de Sócrates e de Teixeira dos Santos a propósito do défice surpreendente ou não, que aqui já comentei também. Vale bem a pena ler o comentário de Carlos Fiolhais. As citações das declarações governamentais são mais fidedignas do que as minhas.

Prós e Contras: O OE

O programa Prós e Contras de ontem esmiuçou a situação económica do país e as medidas do Orçamento de Estado apresentado e aprovado na AR. As dificuldades que Portugal vai ter para controlar as contas e a dívida externa foram debatidas por vozes autorizadas como Medina Carreira, Silva Lopes, Nogueira Leite e Henrique Neto, entre outros.

Do debate, reproduzo duas frases significativas:

Henrique Neto: «O Primeiro-Ministro seria um bom vendedor de automóveis».

Bruno Bobone: «Em linguagem empresarial, Portugal está a dar prejuízo: as despesas são maiores do que as receitas. Temos uma dívida que equivale ao total do volume de vendas durante um ano.»

Soluções sugeridas? Poucas e dolorosas.

Défice surpresa (ou talvez não)

O Ministro das Finanças afirmou e reafirmou que foi surpreendido pelo valor do défice das contas públicas de 2009 que atingiu 9,3%. Declarou: «Enganei-me, mas não quis enganar os portugueses.» Porém não explicou, nem quando questionado directamente, como justifica que pouco tempo antes desta revelação surpreendente – até para ele próprio – do défice, ainda adiantasse valores significativamente menores.

Mas quase simultaneamente o Primeiro-Ministro afirmava: «Nós aumentámos o nosso défice porque quisemos aumentar o nosso défice. O défice não aumentou por descontrolo; aumentou porque decidimos aumentar o auxílio social às famílias, às empresas e à economia.»

(citações de memória; as palavras podem não ter sido exactamente estas)

Parece-me não haver qualquer dúvida que estas duas declarações são contraditórias. Se o aumento do défice foi voluntário e programado e não fruto de descontrolo, como diabo pode ter sido uma surpresa? Curiosamente, ontem de manhã diversos canais de televisão deram as duas notícias sem assinalar a contradição. Jornalistas que se limitam a repetir o que os responsáveis políticos dizem, sem cuidar das implicações e de eventuais contradições, são como papagaios. Só à tarde, na TVI, ouvi notar a discrepância entre o PM e o seu principal ministro.