domingo, 15 de abril de 2012

Caça perigosa

Apesar de republicano convicto, tinha uma certa consideração pelo Rei Juan Carlos de Espanha. Não me esqueço que eu vivia em Espanha em 1981 quando se deu o golpe do coronel Tejero Molina.


O Rei teve uma intervenção decisiva ao fazer abortar o golpe. Além disso é simpático e fala correctamente português, o que, se não contribui para a consideração, dá pelo menos para suscitar alguma simpatia. Ontem, quando ouvi a notícia de que Juan Carlos precisara de ser submetido a uma operação à anca por causa de uma queda, tive pena do pobre Rei. Mas logo que soube que a queda teve lugar quando caçava elefantes no Botsuana, fiquei com mais pena dos pobres elefantes. Espero bem que o Rei não tenha conseguido atingir nenhum. Não tenho qualquer espécie de simpatia pela caça, mormente pela caça grossa como desporto e muito especialmente pela caça de elefantes. Ainda para mais, sob o aspecto político, parece-me muito mal que num momento de crise o Rei se vá divertir para os confins do continente africano a matar, ou tentar matar, animais inofensivos.

sábado, 14 de abril de 2012

O lugar onde se nasce

Alguém disse que "o lugar onde se nasce nunca devia morrer". Quanto a mim é uma afirmação tola e não adianta nada para a polémica sobre o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa, polémica que, como jmf bem notou, tem sido alimentada na comunicação social com os argumentos que menos interessam.

Os meus pais sempre me disseram que eu nasci em casa. Claro que hoje, felizmente, ninguém nasce em casa, mas sim em locais mais seguros e apropriados. Não sei se ainda existe a casa onde nasci, nem me interessa saber. Só sei que ficava numa vila que hoje é cidade. Se eu fosse célebre talvez isso interessasse para porem uma lápide, mas só depois de eu morrer, o que me seria indiferente. Os meus filhos nasceram em clínicas que ou já não existem ou já não têm bloco de partos. A minha neta nasceu na MAC, mas nem ela nem ninguém na família se importa que feche ou que não feche. Depois dessa experiência pude proporcionar ao meu neto um nascimento num hospital privado. Não me arrependi. Esse hospital não está para fechar, mas se fechasse também não nos faria diferença: há outros com as mesmas condições. Os locais, maternidades ou outros, por vezes perdem as condições de terem a utilidade para que foram construídos. Nesse momento não lhes resta senão mudarem de função ou desaparecerem.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Com que então queriam ser espanhóis?

Do blog "O Princípio da Incerteza":

«Lembram-se que ainda não há muito tempo espalhou-se a moda de que seria bom se fôssemos espanhóis, já que os portugueses se debatiam com tantos problemas? Pois eu gostava de saber onde estão agora esses patriotas... Ser espanhol deixou de estar na moda.»

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Financial Times


Tive oportunidade de ler na íntegra o relatório do Financial Times "Doing Business in Portugal". Trata-se de um documento extenso, com vários capítulos que descrevem com um algum pormenor a situação da economia portuguesa, os antecedentes da crise, as medidas tomadas e em curso para a debelar, as privatizações, as reformas, as dificuldades e o clima de negócios. Vale a pena lê-lo: bem escrito e, tanto quanto posso apreciar, exacto. A impressão geral é de uma visão maioritariamente optimista, sem deixar de referir com destaque os perigos e as dificuldades.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Uma verdade para cada um

Se não me falha a memória, o título deste postal baseia-se no de uma peça de Pirandello. Confesso que não li a peça, e portanto não sei se trata da audição de uma ex-Ministra da Educação para quem a verdade é completamente diferente da verdade que o actual ministro da pasta, e com ele muitas outras pessoas, reconhece. Mas se não for este o assunto da peça, bem podia ser. Ouvi com espanto as afirmações de Maria de Lurdes Rodrigues na audição à comissão da AR que investiga a acção da Parque Escolar. Parece que o relatório do Tribunal de Contas que, segundo MLR elogia a gestão da Parque Escolar, não é o mesmo que aponta para enormes derrapagens orçamentais e pagamentos ilegais. Mas o que mais me impressionou foi MLR afirmar, em sua defesa, que "o que é barato, às vezes, sai caro", pois uma poupança nas obras de requalificação de escolas pode provocar que estas só durem 2 anos! Não sei se há casos concretos de escolas ou melhoramentos em escolas que só tenham durado 2 anos. Se houvesse alguma caso assim, certamente que seria possível responsabilizar os construtores.

Outro episódio digno de registo foi a defesa, por parte de MLR, da escolha para uma escola de candeeiros de Siza Vieira, o que, segundo ela, não constituiu um luxo injustificável, pois esta escolha não seria considerado um luxo noutros espaços. Não sei a que espaços se referia, mas o preço dos candeeiros, 1700 euros cada, deveria ser razão para evitar a sua escolha mesmo para o gabinete do Presidente da República.

domingo, 1 de abril de 2012

Passeio até Lisboa


Como desconfiava, foi agora confirmado pela RTP Informação que os numerosos autocarros que trouxeram os manifestantes a Lisboa para participarem na festa contra a fusão de freguesias foram "pagos com dinheiro público". O Presidente da ANAFRE, interrogado directamente por um jornalista da SIC sobre quem pagava a deslocação, quis disfarçar a questão, respondendo que as freguesias são instituições democráticas e que os seus elementos foram eleitos, quando não era isso que estava em jogo. Ninguém duvida da legitimidade e democraticidade da freguesias, mas isso não legitima que gastem o dinheiro dos contribuintes, isto é, nosso dinheiro com deslocações para se manifestarem, por muito que possam ter razão.

Quanto me custou o BPN?

Do Princípio da Incerteza:

Gostava bem de saber quanto me custou, como contribuinte, a nacionalização do BPN. Falou-se de vários números, de injecções de liquidez da parte da CGD de valor não revelado, de um passivo de 1,8 mil milhões de euros, da necessidade de regularização de um "buraco" de 3,5 mil milhões de euros em 2011, de outras quantias, mas qual foi o custo final não foi ainda revelado. Esperemos que a auditoria e o inquérito parlamentar em curso nos esclareçam. Mas fiquei intrigado há dias quando ouvi falar de juros que o BPN terá de pagar pelos empréstimos da CGD e pelo aval do Estado. Será que nas enormes quantias referidas pelo menos uma parte foi dinheiro emprestado? Se sim, quem vai pagar se é que alguém pagará? Não acredito que o BPN depois de comprado pelo BIC pague empréstimos da CGD contraídos antes da venda, isto é, que seja o próprio BIC a pagar. Quem nos esclarece? Quem paga, ou seja, nós todos, tem direito de saber.