Segundo uma sondagem da Católica, divulgada pela RTP, a maioria dos portugueses "consideram que a intervenção da Troika em Portugal contribuiu para o empobrecimento do país". É certo que tivemos um período de recesssão, o PIB baixou e portanto parece que ficámos mais pobres. Mas há que ter em conta que a nossa riqueza pré-troika era ilusória e baseava-se em défices constantes alimentados por dinheiro emprestado. Não éramos, portanto, mais ricos.
Por outro lado, temos de ter em conta que se não se tivesse dado a intervenção da Troika, como chegámos a ponto de não conseguirmos financiamento, teríamos ficado muito mais pobres muito mais depressa. Negociámos com a Troika um programa de ajustamento que trouxe a famigerada austeridade mas nos facultou dinheiro para aguentarmos o período desse ajustamento. Se não se tivesse dado a intervenção da Troika, esse dinheiro não teria entrado e a pobreza teria existido à mesma e de modo muito mais evidente. Não foi a Troika que contribuiu para o empobrecimento do País; foram os que nos endividaram até à banca rota e não contribuiram para o crescimento económico. O empobrecimento por acção da Troika é uma ilusão.
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Álvaro
Fui amavelmente corrigido. Ao contrário do que afirmei na minha mensagem anterior, «Álvaro Santos Pereira não irá para a OCDE por nomeação. Submeteu-se a um concurso público internacional, como qualquer cidadão. Houve vários concorrentes e no júri não havia portugueses.» Portanto foi um reconhecimento do seu valor. O facto de vários ex-ministros do Governo terem sido escolhidos para altos cargos em organismos internacionais tem sido interpretado pela esquerda como um favor ou uma escolha por influência política. Não são capazes de reconhecer que tal facto só confirma a alta qualidade esses ex-ministros.
domingo, 12 de janeiro de 2014
Álvaro Santos Pereira
Fiquei contente com a recente nomeação de Álvaro Santos Pereira para um lugar importante na OCDE. Ao contrário de muita gente, gostei da sua acção como ministro. Foi muito criticado e quanto a mim quase sempre injustamente. A sua demissão foi triste. Parece-me muito justa a sua nomeação. Junto-me a João Gonçalves a desejar: Boa tarde e boa sorte, Álvaro.
sábado, 11 de janeiro de 2014
Má pronúncia ou lapsus liguae?
A nomeação de José Luís Arnaut para conselheiro do Goldman-Sachs provocou engulhos na esquerda. Em vez de se regozijarem por ter sido reconhecido a um português a competência para esse alto cargo, destilam ódio e debitam desconfianças. Não espanta, é costume. Mas Catarina Martins não tem estado atenta quando se fala na Goldman-Sachs, não aprendeu a pronúncia correcta da instituição financeira e chamou-lhe "Goldman-Sex". Será que, apesar de o banco norte-americano ser um verdadeiro símbolo do capitalismo e do detestado poder financeiro, acha que é um banco "sexy"?
Não há pequenos-almoços grátis
Catarina Martins, cocoordenadora do BE, afirmou que "não comemos mercados ao pequeno-almoço". Ora aqui está uma afirmação inquestionável. Eu não como mercados a nenhuma refeição, estou absolutamente seguro que Catarina Martins também não, assim como os demais portuguesee e desconfio mesmo que toda a humanidade. Mas assim como não há alomoços grátis, também não há pequenos-almoços grátis, embora devam ser um tanto mais económicos que os almoços. E onde compramos, eu, tu, ele e aposto que Catarina, o pão, a manteiga, eventualmente o leite ou o café e talvez os cereais? Não num simples mercado, mas sim no supermercado ou num hipermercado. E com que dinheiro? Enquanto não chegámos a défice zero, parte do nosso pequeno-almoço era comprado com dinheiro emprestado. Mesmo que Catarina nunca tenha pedido dinheiro emprestado, quem lhe paga o salário de deputada teve de pedir algum aos famigerados mercados para ela poder comprar o pão, a manteiga, eventualmente o leite ou o cafá e talvez os cereais. Se os mercados nos fechassem o financiamento, o que esteva quase a acontecer, Catarina teria de sacrificar parte do pão, da manteiga, eventualmente do leite ou do café e talvez dos cereais ou de outras coisas em que gasta o seu dinheiro. Pelos vistos, Catarina nunca pensou nisto. Não comemos mercados ao pequeno-almoço, mas podemos não comer pequeno-almoço se não recorrermos aos mercados.
Nota: Quando falo de défice zero, não me refiro ao défice orçamental, ao défice do Estado, embora no caso de Catarina Martins, que ganha de um órgão do Estado, a Assembleia da República, não fosse descabido. Quero referir-me ao défice da balança corrente com o exterior, que vai agora estando mais ou menos equilibrada, mas que deixou acumular uma dívida enorme. Temos vindo a comer pequenos-almoços ao longo de anos à custa dessa dívida.
Nota: Quando falo de défice zero, não me refiro ao défice orçamental, ao défice do Estado, embora no caso de Catarina Martins, que ganha de um órgão do Estado, a Assembleia da República, não fosse descabido. Quero referir-me ao défice da balança corrente com o exterior, que vai agora estando mais ou menos equilibrada, mas que deixou acumular uma dívida enorme. Temos vindo a comer pequenos-almoços ao longo de anos à custa dessa dívida.
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
Sinais positivos
Continuam a aparecer sinais positivos: Desta vez é a diminuição da taxa de desemprego pelo 9.º mês consecutivo. Este resultado, divulgado pelo EUROSTAT, refere-se ao final do mês de Novembro. Portanto os que afirmavam que as baixas anteriores do desemprego se deviam a efeitos sazonais não tinham razão, aliás como já se sabia por a baixa ocorrer também em termos homólogos. A desculpa da esquerda agora é que este resultado se deve à emigração. No entanto esta explicação não tem base, já que infelizmente o desemprego dos jovens aumentou e são principalmente os jovens que emigram. Claro que ninguém nega que o desemprego, apesar de baixar há 9 menses, continua intoleravelmente alto. E o aumento do desemprego jovem é muito preocupante. Mas a baixa continuada é um bom sinal, que acompanha outros sinais positivos da evolução da economia no nosso País.
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domingo, 5 de janeiro de 2014
O pai perdulário
A família do Sr. Dias vivia bastante bem. Os rendimentos do trabalho do Sr. e da Sr.ª Dias davam para todas as despesas normais de uma vida relativamente desafogada e sem preocupações e ainda sobrava algum. Dava ainda para sustentar, vestir e tratar o menino Dias, dar-lhe uma semanada algo generosa e comprar-lhe brinquedos e jogos mesmo fora das épocas mais propícias a presentes, como o Natal e os aniversários. Mas com o tempo esta situação começõu a degradar-se. A empresa onde trabalhava o Sr. Dias faliu e, embora tenha conseguido novo emprego em relativamente pouco tempo, o salário do novo trabalho era muito inferior. A Sr.ª Dias manteve, felizmente, o seu posto como funcionária do Estado, mas a crise fez com que também passasse a ganhar menos, enquanto os impostos aumentavam. O casal e o rebento conseguiram manter um nível de vida pouco alterado gastando as suas poupanças e depois devido a terem conseguido empréstimos de bancos com que tinham relações antigas. Um dia, a Sr.ª Dias viu qye a situação era insustentável e convocou o Sr. Dias para uma reunião em que a insuficiência dos rendimentos para manter o nível de gastos, e ainda pior, as prestações correspondentes aos juros e a amortizações dos empréstimos começavam a pesar no orçamento. A reunião foi longa e o menino Dias, no seu quarto, ouviu a mãe, já um pouco exaltada, exigir, entre outras reduções de custos, que as semanadas fossem cortadas e a aquisição de brinquedos reduzida ao mínimo. As outras coisas pouco interessaram ao menino Dias, mas estes cortes chocaram-no, sentindo-se atingido nos seus direitos adquiridos. Dormiu mal e no dia seguinte abordou o Sr. Dias e queixou-se da decisão dos pais. O Sr. Dias, que não estava nada satisfeito com as exigências de contenção de despesas da esposa, e que supunha que alguma solução havia de lhe ocorrer para continuar a gastar como costumava, teve uma enorme compreensão pela reclamação do filho e negou-se terminantemente a seguir as ideias da Sr.ª Dias, alegando o princípio da confiança que a criança tinha em poder continuar a receber semanadas e presentes, pensando, sem o referir expressamente por precaução, que também ele tinha direito a abrigar-se ao mesmo princípio. Os dias passaram para a família Dias, mas em pouco tempo a verdade veio ao de cima e o crédito foi-lhe cortado. À beira da bancarrota, as despesas tiveram subitamente de ser reduzidas a fim de não perderem a casa e o carro e o princípio da confiança não passou disso mesmo: um princípio que não se aplicada quando a realidade se impõe.
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