terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Irão traça "linhas vermelhas" em Portugal

A distribuição de notícias por grupos no Google Notícias continua mais ou menos aleatória. Hoje, a notícia de que o Irão traça as suas linhas vermelhas é integrada no grupo "Portugal". Na rubrica "Ciência", além de notícias sobre GPS e telemóveis, informa-se que a Força Aérea portuguesa busca um tripulante dum navio mercante, que terá caído ao mar. São muito positivas estas acções da Força Aérea, mas não vejo o que terão de científico. Em "Entretenimento, inclui-se a notícia de que os tribunais não conseguem cobrar a maior parte das dívidas das empresas. Com o que eles se entretêm!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Miró é entretenimento!

Sâo no mínimo discutíveis os critérios de classificação das notícias no sítio Google Notícias. Nalguns casos são mesmo disparatados, de tal modo que julgo que essa classificação não é feita por humanos mas sim por algum algoritmo com base em palavras chave, mas muito mal construído. Vejamos exemplos de hoje:

Na rubrica "Notícias do dia", há de tudo, desde que actual: notícias da actualidade nacional e do estrangeiro, política e outros temas, incluindo desporto. Até aqui, tudo bem. Mas o grupo "Mundo", tem, como o nome indica, notícias do estrangeiro, que também são normalmente do próprio dia. Não se compreende porque é que algumas notícias do estrangeiro são inseridas em "Notícias do dia" e outras em "Mundo". O mesmo se poderia dizer das notícias nacionais, divididas entre "Notícias do dia" e "Portugal", mas aqui, pelo menos hoje, começam os disparates: Uma notícia sobre as escutas da NSA foi inserida em "Portugal", sem fazer qualquer referência ao nosso país. Em "Negócios" vêm notícias económicas nacionais, o que é natural, mas já em "Ciência" há uma notícia sobre a aplicação 5i lançada pela RTP, que terá algum aspecto tecnológico mas nada tem de científico, e outra ainda menos ligada a ciência, sobre a página do Facebook "Vi-te no Comboio". Que ciência há neste caso? Na secção "Entretenimento" temos 1) o Festival Optimus Primavera (bem), 2) a opinião de Canavilhas sobre a colecção Miró (Considerar a arte de Miró como entretenimento é uma ofensa à pintura. Pode-se não gostar de Miró, mas entretenimento é que não é. Que pensará Canavilhas disto?), 3) o caso de um bombeiro ferido com gravidade na sequência de uma colisão (Calculo que o bombeiro não tenha ficado nada entretido...), 4) a notícia de que o vocalista dos Beady Eye já não vem a Lisbo (bem). De entretenimento temos 50%. O resto é hoje pacífico: Em "Desporto" há desporto, em "Saúde" há saúde, mas nem sempre á assim.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Tratar os bois pelos nomes

É de admirar que não tenha ainda havido comentários, protestos ou acusações sobre as declarações de Nuno Crato no International Club of Portugal, quando disse que o país vive num sistema que classificou de extremamente centralizado e acrescentou: "É um sistema de patrão único, quase soviético e com um sistema quase soviético também a oposição sindical é quase soviética ou mesmo soviética".

Não é a primeira vez que Crato critica os sindicatos do seu sector, mas estas afirmações são mais acutilantes. Mas, na minha opinião, não são chocantes, são apenas uma constatação da situação real. Nem todos têm tido a coragem de chamar os bois pelos nomes.

Miró

Já que todos falam no Miró e todos têm opinião firme sobre a conveniência ou o desastre, conforme os casos, de trocar as suas obras ex-propriedade do BPN por patacos (muitos patacos, mas uma gota de água comparado com o que o BPN nos está a custar), não vejo como não dar também a minha opinião sobre Miró e a sua obra. Leio no 31 da Armada: «Miró era um surrealista, mas o caso das obras que pintou e foram parar às mãos do BPN e, depois, às do Estado português, é um retrato neo-realista, do mais cruel, da contemporaneidade nacional.» Ora aí está. A primeira vez que ouvi uma jornalista dizer que Miró era surrealista, pensei que a senhora sabia pouco de arte. Afinal eu é que estava enganado; todos afirmam que era mesmo surrealista, o próprio, ao que parece se considerava surrealista. Para mim o surrealismo era mais como os quadros de Dali ou os desenhos de Cruzeiro Seixas: reconhecem-se os corpos e os objectos, só que a combinação destes é fora da realidade comum, por isso é surreal. O Vespeira também é considerado surrealista, e admito que com certa razão, embora em geral as formas dos seus quadros sejam menos reconhecíveis, mas insinuam qualquer coisa. Já os quadros de Miró não representam coisas reais nem surreais, são formas quase sempre irreconhecíveis e que nada insinuam. Se Miró pretendia representar qualquer coisa, para mim não conseguiu. Claro que esta é a opinião de um ignorante em arte.

Surreal é mesmo a controvérsia do vende, não vende, leiloa, não leiloa. Alexandre Borges, no 31 da Armada, acha o caso neo-realista. Para mim é mesmo surrealista. Não Miró, não os quadros, mas a controvérsia. Por isso ligo tanto ao caso como o gato do meu filho.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Poucos predicados

É frequente os jornalistas porem de lado a obrigação de informar sem tomar partido. Por vezes basta um adjectivo ou um "mas" para deixar transparecer a sua opinião pessoal sobre um acontecimento, uma personagem ou um grupo, fugindo à regra de neutralidade e independência no acto de informar.

Há 2 dias ouvi uma notícia sobre uma manifestação de extrema-direita na Grécia em que o jornalista classificou de "sujeitos de poucos predicados" os manifestantes. Confirmei agora essa classificação na notícia piblicada na net no sítio da Euronews. Posso comungar com o jornalista na pouca simpatia pela extrema-direita grega ou sobre a extrema-direita em geral. Mas notícias não são comentários e não devem ser influenciadas por simpatias ou antipatias nem por posições políticas. Quem na Euronews tem competência para fazer juízos sobre os predicados dos "sujeitos" que se manifestaram? De que modo se chegou à conclusão de que os "cerca de 3000 sujeitos" teriam poucos predicados? Se logo a denominação de "sujeitos" não é habitual e não parece ser de grande delicadeza, o julgamento sobre os predicados de 3000 manifestantes parece abusiva e mais ditada pela posição política do redactor do que por qualquer conhecimento sobre as qualidades ou defeitos dos sujeitos.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Praxes II

Em poucas palavras, está quase tudo dito:

«Para lá dos casos de polícia, reservados aos verdadeiros tribunais, a praxe é um caso de indigência mental»

Visto em Combustões, tirado do "Açoriano Ocidental".

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Luta

A CGTP continua a promover jornadas de luta, felizmente muito pacíficas, e cada vez menos populosas. A comunicação social refere milhares em Lisboa e milhares no Porto, mas mais especificamente menos de 400 participantes em Faro, cerca de 200 em Coimbra e 30 em Vila Real. As imagens confirmam a pequena participação. Absolutamente nada comparado com as grandes manifestações de há meses. Apesar da insignificância das consequências práticas destas "formas de luta", resolveu convocar uma semana de luta lá para Março. O próprio discurso de Arménio Carlos revela cansaço e falta de ideias novas. Se não mudarem de estratégia não se vê bem para que continuam a fingir que lutam.