Na sessão de apresentação do seu último livro, "A esperança é necessária”, Mário Soares apresentou teses que considero pelo menos controversas, para não dizer disparatadas.
A principal foi a tirada em que afirmou que "O Presidente da República mandou o diploma do corte de pensões para o Tribunal Constitucional por ter ficado aterrorizado depois da sessão que fizemos na Aula Magna" (citado de memória). Estou mesmo a ver Cavaco Silva aterrorizado, talvez mais ainda do que os banqueiros internacionais tremeriam se nós disséssemos "Não pagamos!", como alguns preconizam. Cavaco com as pernas a tremer de medo, talvez escondido num armário, receando a violência que Soares anunciou...
Outra foi ter considerado que "O Papa disse que isto vai resultar em violência dois dias depois de eu dizer". Claro que Soares não se atreve a supor que o Papa o imitou, mas a afirmação de haver uma concordância não tem em conta que o Papa não se freferia, obviamente, à situação portuguesa, mas ao ambiente mundial, o que é completamente diferente. Uma coisa é pensar que o "capitalismo selvagem", a que o Papa aludiu, pode levar a reacções violentas em algumas regiões do mundo por causa das desigualdades a que alegadamente dá origem, outra muito diversa é prever que a acção do Governo português vai inevitavelmente dar origem a violência a breve trecho, como defendeu Soares. A propósito: Não estou com os que acusam Mário Soares de incitamento consciente à violência; Penso sim que a justificação da violência como reacção inevitável é tão perniciosa como o incitamento. E isto aplica-se não só ao ex-Presidente, mas a outros interlocutores que o acompanham nestas andanças.
Se não disparatada, foi pelo menos muito exagerada a forma como criticou a chefia do PS: "Se o PS fosse um bocadinho mais activo, tinha 90 por cento com certeza". Concordo que entre as causas de o PS não despegar nas sondagens que o põem muito longe da maioria absoluta estará certamente a fraqueza da sua liderança, a ausência de ideias firmes de Seguro e a inconsequência das críticas ao Governo repetidas monotonamente. Mas há outras causas, como a lembrança da acção de Sócrates que nos levou à beira da banca-rota e o modo como o Governo PS negociou o resgate com a troika, origem de muitos dos graves problemas que atravessamos agora. Se o PS fosse um bocadinho mais activo talvez conseguissa alcançar um bocadinho mais do que os 32 a 37% dos votos que as últimas sondagens prevêem. Se além de mais activo fosse também mais certeiro nas suas críticas e capaz de apresentar alternativas viáveis, teria um pouco mais, mas a maioria absoluta para o PS tem sido uma excepção e falar em 90% é uma piada de mau gosto.
A novela Mário Soares continua a dar que falar, mas só faz pena e não dá vontade de rir. Suponho que o livro agora dado à estampa padecerá do mesmo mal.
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
TC aprova 40 horas
Já aqui dei a minha opinião sobre a questão do aumento de trabalho dos funcionários públicos para as 40 horas semanais. Por uma vez o Tribunal Constitucional foi da mesma opinião que eu. Desta feita venceu o princípio da equidade em detrimento do da confiança, isto é, deixou de haver trabalhadores previlegiados (apenas neste aspecto do horário de trabalho), mas os funcionários públicos viram traída a confiança que tinham de que o patrão Estado lhes tinha atribuído um horário mais leve do que o dos trabalhadores privados e que esse previlégio duraria até à reforma. Não durará, apesar da decisão do TC ter sido obtida apenas por 1 voto de vantagem.
domingo, 24 de novembro de 2013
Comunismo e direitos humanos
Estou certo de que Marcelo Rebelo de Sousa não é comunista nem cripto-comunista e nem sequer simpatiza muito com a doutrina comunista. Nem creio que MRS considere que os comunistas são defensores sinceros dos direitos humanos. No entanto deixou sair uma frase que parece ter essa ideia: No seu programa semanal de comentário na TVI, referindo-se ao Presidente Kennedy, disse que este, "apesar do seu anti-comunismo, era um defensor dos direitos humanos". O "apesar" deve ter-lhe escapado sem pensar.
O ADN de São Pedro
Na SIC noticiaram a exposição pela primeira vez na história de alguns fragmentos ósseos de São Pedro. Segundo a notícia, os ossos, descobertos numa escavação em 1940, foram atribuídos pelo papa Paulo VI ao Apóstolo Pedro pelo local, pelas circunstâncias do achado e ainda pelas características físicas. No entanto, acrescenta a notícia, não há testes de ADN que confirmem a conclusão. Não compreendo como seria possível qualquer confirmação por testes de ADN; seria necessário comparar o perfil de ADN com antepassados ou descendentes do santo. Por análise do ADN apenas é possível saber a identidade do indivíduo por comparação com amostras do próprio ou de parentes próximos. Quando muito seria talvez possível determinar o grupo étnico a que pertencia, mas dado que na época existiriam muitos milhares de judeus esta determinação não permitiria qualquer identificação. Uma determinação de carbono-14 poderia indicar a época em que viveu o dono dos ossos, mas ainda é pouco para se poder dizer se era ou não São Pedro ou um qualquer seu contemporâneo. Parece-me que a atribuição feita pelo papa Paulo VI é mais uma questão de fé.
Esquerdas
Com a promoção da reunião desta Sexta-feira em defesa da Constituição (e de ataque ao Governo e ao Presidente da República), Mário Soares tentou lançar o embrião de uma frente ampla que reunisse toda a esquerda e sectores de independentes e de direita críticos das políticas do Governo e das medidas de austeridade. Uma vez que a participação da direita se resumiu quase à presença de Pacheco Pereira, foi fundamentalmente uma reunião das esquerdas. Soares estava visivelmente satisfeito e foi muito cumprimentado. A sua ideia de contribuir para a formação de uma "frente patriótica" e "reunir os patriotas" através do "Congresso de Esquerdas" tinha tido um início bem conseguido.
O pior estava para vir, mas não demorou muito. Logo após as 11 da noite, no programa "Expresso da meia-noite", a troca de argumentos entre João Oliveira, líder parlamentar do PCP, e Pedro Silva Pereira, ex-ministro do PS, mostrou que a reunião de patriotas não é tão fácil como Mário Soares pretende.
O pior estava para vir, mas não demorou muito. Logo após as 11 da noite, no programa "Expresso da meia-noite", a troca de argumentos entre João Oliveira, líder parlamentar do PCP, e Pedro Silva Pereira, ex-ministro do PS, mostrou que a reunião de patriotas não é tão fácil como Mário Soares pretende.
sábado, 23 de novembro de 2013
Descida da dívida pública não é notícia importante
Há 2 dias a SIC-Notícias noticiou brevemente em roda pé que a dívida pública tinha "caído" para 128,8% do PIB. Mais uma vez, como era uma notícia positiva, não lhe foi dado o devido relevo. Não vi nem ouvi nada sobre esta descida em qualquer outro órgão de informação assim como não dei por qualquer repetição nem desenvolvimento no próprio canal onde vi a notícia. Também não dei por nenhum comentador ter salientado o facto. Só depois, numa busca na net, confirmei que vários outros meios de comunicação, como o Jornal de Negócios online, deram a notícia, mas foi tudo tão discreto que só procurando se acha. Verifiquei não só que a descida foi acentuada (2,6 pp) como foi a primeira baixa desde final de 2011. Se tivesse sido um aumento da dívida, calculo as parangonas, os comentários e as repetições, com várias conclusões catastrofistas e acusações às políticas do Governo que tinham levado a tal resultado. Assim foi tudo muito discreto. Pouparam-se os foguetes, já que continua a ser tempo de crise.
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dívida pública descida notícia discreta
O programa político muito democrático de Mário Soares e companheiros
Do blog (Im)pertinências:
«Vamos pegar na nossa criatividade, energia e imaginação e vamos fazer-lhes frente até que sejam corridos.» «Não são cortes nem poupanças o que estão a fazer. São roubos o que eles estão a fazer. A violência é legítima para pôr cobro à violência.» Helena Roseta, presidente da AM de Lisboa
«Estamos aqui em legítima defesa colectiva da Constituição perante a agressão das políticas do Governo.» Pedro Silva Pereira, dirigente do PS
«Estamos a caminho de uma nova ditadura». «É preciso ter a consciência de que a violência está à porta. Com um Governo completamente paralisado e sem rumo, que não dialoga com o povo, e um Presidente da República que só pensa em manter o seu partido, estamos todos dias a criar o desespero e a violência. É por isso que digo que o Presidente e o Governo devem demitir-se.» Mário Soares, ex-presidente da República
«Eles ou saem enquanto têm tempo ou qualquer dia, como dizia há uns dias em Alcaçovas, vão ser corridos à paulada, se não for pior». «Capitão de Abril» Vasco Lourenço
«Não, os que aqui estão não estão a defender coisa nenhuma mas a atacar. A iniquidade, a injustiça, o desprezo, o cinismo dos poderosos para quem a vida decente de milhões de pessoas é irrelevante, é entendida como um custo que se deve poupar.» José Pacheco Pereira
Exortações de verdadeiros democratas na conferência «Em defesa da Constituição, da Democracia e do Estado Social» que terminou com o Hino Nacional.
«Está na hora do Governo ir embora.» «A polícia unida jamais será vencida». Palavras de ordem dos polícias em manifestação frente à Assembleia da República
Memo to the file: «Mas que tal se os meus críticos se pronunciassem … sobre esta fabulosa arrogância que é considerar que as eleições só são boas, dignas e “livres” quando o “povo” vota em nós? Sobre a acusação ao “povo” que é “feio, porco e mau” quando não vota à “esquerda”?» (José Pacheco Pereira em Janeiro de 2006).
«22/11/2013
ESTADO DE SÍTIO: Democracia, legitimidade e eleições são como, se e quando eles quiserem, respectivamente. Voilà.
«Vamos pegar na nossa criatividade, energia e imaginação e vamos fazer-lhes frente até que sejam corridos.» «Não são cortes nem poupanças o que estão a fazer. São roubos o que eles estão a fazer. A violência é legítima para pôr cobro à violência.» Helena Roseta, presidente da AM de Lisboa
«Estamos aqui em legítima defesa colectiva da Constituição perante a agressão das políticas do Governo.» Pedro Silva Pereira, dirigente do PS
«Estamos a caminho de uma nova ditadura». «É preciso ter a consciência de que a violência está à porta. Com um Governo completamente paralisado e sem rumo, que não dialoga com o povo, e um Presidente da República que só pensa em manter o seu partido, estamos todos dias a criar o desespero e a violência. É por isso que digo que o Presidente e o Governo devem demitir-se.» Mário Soares, ex-presidente da República
«Eles ou saem enquanto têm tempo ou qualquer dia, como dizia há uns dias em Alcaçovas, vão ser corridos à paulada, se não for pior». «Capitão de Abril» Vasco Lourenço
«Não, os que aqui estão não estão a defender coisa nenhuma mas a atacar. A iniquidade, a injustiça, o desprezo, o cinismo dos poderosos para quem a vida decente de milhões de pessoas é irrelevante, é entendida como um custo que se deve poupar.» José Pacheco Pereira
Exortações de verdadeiros democratas na conferência «Em defesa da Constituição, da Democracia e do Estado Social» que terminou com o Hino Nacional.
«Está na hora do Governo ir embora.» «A polícia unida jamais será vencida». Palavras de ordem dos polícias em manifestação frente à Assembleia da República
Memo to the file: «Mas que tal se os meus críticos se pronunciassem … sobre esta fabulosa arrogância que é considerar que as eleições só são boas, dignas e “livres” quando o “povo” vota em nós? Sobre a acusação ao “povo” que é “feio, porco e mau” quando não vota à “esquerda”?» (José Pacheco Pereira em Janeiro de 2006).
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Impertinente
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Sexta-feira, Novembro 22, 2013»
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