Não se pode ligar a TV, abrir um jornal, ler um blog, sem dar com notícias, comentários, graçolas, afirmações e interpretações sobre se Centeno mentiu ou não mentiu, se tinha ou não prometido a Domingues que este e os restantes administradores da CGD ficariam livres da obrigação de entregarem no TC declarações de rendimentos e de património para poderem ocupar os seus lugares na administração do banco público e se falou verdade perante os deputados. A chave do problema parece estar nos célebres SMS's que toda a gente já conhece excepto eu. Portanto não tenho provas de que o Ministro das Finanças tenha mentido no Parlamento, mas o grave não está na eventual mentira.
Quando um membro de um Governo acede, em negociações para nomeação para um cargo da importância como o de administrador da CGD, a mudar uma lei, para reduzir as exigências legais que estão legalmente previstas para o cargo, a pedido e para satisfazer exigências de um candidato, parece-me que a gravidade é suficiente para que que seja demitido. Quando um detentor de um alto cargo se encarrega de negociações tão importantes como estas e permite que o candidato indique um escritório de advogados para auxiliar a determinar que modificações devem ser feitas à lei para que se adapte ao que este pretende, e ainda por cima permite que a remuneração desta equipa corra a cargo dos contribuintes, parece-me que não tem condições para continuar no cargo. Mas principalmente quando um alto funcionário deixa que se dê um "erro de percepção mútuo" no que se refere às condições acordadas em longas e importantes negociações para um cargo desta responsabilidade, é forçoso que seja afastado do cargo. E ainda, quando um homem que ocupa um cargo da importância da chefia de um ministério chega, pela sua conduta desajeitada, a ser alvo da chacota generalizada de todo um País, deve tomar a iniciativa de resignar.
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
O que é grave não é ter mentido
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
Afinal o optimismo irritante é contagioso
O nosso comentador oficial do Palácio de Belém criticou em tempos o optimismo irritante do Primeiro Ministro. Mas o actual Presidente da República foi contagiado por essa doença. Só assim se explica que, voltando a vestir a pele de comentador, desta vez económico, tenha revelado um grande contentamento pela desgraça de a taxa de juro implícita na nossa emissão de dívida a 7 anos de hoje ter quase duplicado em relação à de Junho último. Uma taxa a 10 anos de 3,67% seria dificilmente suportável, embora não tão má como a taxa a 10 anos no mercado secundário de hoje, que, ainda que aliviando, ficou nos 4,115%. Mas esses mesmos 3,67% a 7 anos são uma indicação de que o financiamento da nossa economia está cada vez mais difícil. Mas para Marcelo Rebelo de Sousa são um bom resultado e mostram que a política económica do Governo está correcta, pois foi como resultado desta emissão que a taxa a 10 anos hoje aliviou! Mais do que uma colagem ao Governo, o PR revela um desejo de acalmar o povo e de deixar que António Costa continue a levar o País para o abismo.
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Notícias que não interessam
A nossa comunicação social é muito selectiva. Há notícias que não interessam. E não se trata do conceito de que o cão que mordeu o homem não é notícia; só vale a pena informar sobre as coisas pouco naturais, como o caso do homem que mordeu o cão. Não! A selectividade da nossa comunicação social não é deste tipo. É do tipo de informar só o que interessa que se saiba. Há um enviezamento direccional. Quando o que interessa é fazer crer que tudo vai bem, que quem está ao leme conduz bem o barco, as notícias que podem perturbar o optimismo não devem ser dadas. Pelo contrário, se o que se quer é fazer crer que tudo vai mal, aí, quanto mais se perturbar, melhor.
Só pelas considerações anteriores se pode compreender que a notícia de que a agência de notação financeira canadiana DBRS baixou a notação da Itália de A para BBB não tenha merecido ser divulgada pela nossa imprensa nem pela nossa TV, ou, se alguém a divulgou, foi de tal modo discretamente que não dei por isso nem ninguém das minhas relações habituais. Afinal a DBRS pode baixar notações! Pode-nos estragar o equilíbrio precário em que vivemos com o BCE a cuidar da nossa dívida. Mas isso pode assustar. É melhor calar.
Só pelas considerações anteriores se pode compreender que a notícia de que a agência de notação financeira canadiana DBRS baixou a notação da Itália de A para BBB não tenha merecido ser divulgada pela nossa imprensa nem pela nossa TV, ou, se alguém a divulgou, foi de tal modo discretamente que não dei por isso nem ninguém das minhas relações habituais. Afinal a DBRS pode baixar notações! Pode-nos estragar o equilíbrio precário em que vivemos com o BCE a cuidar da nossa dívida. Mas isso pode assustar. É melhor calar.
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sábado, 4 de fevereiro de 2017
Há quem goste de lixo...
Quando o PM considerou uma boa notícia que a agência Fitch tivesse mantido a notação financeira de Portugal no grau de lixo com perspectiva estável não me admirei. Quem o conhece já sabe que gosta tanto de lixo que está a fazer o possível para conservar o lixo nacional em bom estado. Para tal até negociou o apoio de partidos que têm políticas absolutamente contrárias às que o próprio partido do PM tinha até agora seguido. Portanto, se Portugal continua no lixo, é natural que António Costa fique feliz. Já me espantou que o Presidente da República tenha também considerado uma boa notícia continuarmos no lixo e não termos perspectivas para de lá sair. Por muito que a actuação e as declarações públicas de Marcelo Rebelo de Sousa me tenham sistematicamente desagradado, e cada vez mais, não esperava que ficasse contente com o lixo do País.
Se eu tivesse a minha casa cheia de lixo e me dissessem que esta situação de lixarada ainda continuava e era para ficar no futuro, nem me passa pela cabeça que ficasse resignado, muito menos feliz. Mas infelizmente há quem se sinta feliz no meio do lixo e não aspire a melhor situação.
Se eu tivesse a minha casa cheia de lixo e me dissessem que esta situação de lixarada ainda continuava e era para ficar no futuro, nem me passa pela cabeça que ficasse resignado, muito menos feliz. Mas infelizmente há quem se sinta feliz no meio do lixo e não aspire a melhor situação.
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domingo, 29 de janeiro de 2017
Cimeira
Cimeira dos Países do Sul da Europa
Southern EU Countries Summit
Lisbon
Porque é que nesta Cimeira o painel colocado atrás da recepção tinha o nome da cimeira escrito só em Português e Inglês? E porquê, ainda por cima, o nome da cidade de acolheu a Cimeira estava só em Inglês?
Que eu saiba, apenas Malta tem como língua oficial o Inglês, além do Maltês. O número de falantes de Inglês estava francamente numa ínfima minoria. Gostaria de saber em que língua falaram os participantes na Cimeira não só durante os trabalhos, se é que trabalharam alguma coisa, mas também nas conversas ao almoço.
Southern EU Countries Summit
Lisbon
Porque é que nesta Cimeira o painel colocado atrás da recepção tinha o nome da cimeira escrito só em Português e Inglês? E porquê, ainda por cima, o nome da cidade de acolheu a Cimeira estava só em Inglês?
Que eu saiba, apenas Malta tem como língua oficial o Inglês, além do Maltês. O número de falantes de Inglês estava francamente numa ínfima minoria. Gostaria de saber em que língua falaram os participantes na Cimeira não só durante os trabalhos, se é que trabalharam alguma coisa, mas também nas conversas ao almoço.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Como financiar o aumento do salário mínimo em 5% ao ano?
Não se fala de outra coisa (Bem... não é bem assim, também se fala de Almaraz): É justo e conveniente compensar as empresas por terem de suportar um aumento do salário mínimo superior ao que a inflação, o crescimento da economia e o da produtividade justificariam, concedendo-lhes um desconto na TSU? É ou não um erro, talvez um monumental tiro no pé, o facto de Passos Coelho se negar a apoiar o Governo nesta cruzada? A resposta à primeira pergunta parece-me ser que pode ser justo, mas não é conveniente. A lógica diria que, se o crescimento do salário mínimo acima da produtividade pode prejudicar as empresas, então não deveria ser aprovado. Compensações, ainda por cima à custa das receitas da Segurança Social perecem profundamente erradas. Quanto ao monumental tiro no pé que alguns acusam Passos Coelho de praticar, há muitas opiniões que não classificam assim a posição do PSD neste caso.
Mas para mim, o fundamental desta questão não está em nenhum destes aspectos, mas sim no aspecto da sustentabilidade. O acordo que o PS firmou com os partidos que apoiam o seu Governo prevê que o salário mínimo volte a aumentar em 2018 e mais ainda em 2019, até atingir os 600 € no final da legislatura. Se já em 2017 é necessário compensar as empresas para que possam suportar o custo acrescido, como pensa António Costa, se é que pensa alguma coisa, conseguir o apoio em Concertação Social nos próximos anos? Com mais descontos na TSU? Parece nitidamente impossível. Haverá outros modos sem custos que desequilibrem o orçamento? Se há, porque teve este ano de se fazer esta acrobacia? Em resumo: Como financiar o aumento do salário mínimo em 5% ao ano? Focados na dificuldade do momento, ninguém fala nisso.
Mas para mim, o fundamental desta questão não está em nenhum destes aspectos, mas sim no aspecto da sustentabilidade. O acordo que o PS firmou com os partidos que apoiam o seu Governo prevê que o salário mínimo volte a aumentar em 2018 e mais ainda em 2019, até atingir os 600 € no final da legislatura. Se já em 2017 é necessário compensar as empresas para que possam suportar o custo acrescido, como pensa António Costa, se é que pensa alguma coisa, conseguir o apoio em Concertação Social nos próximos anos? Com mais descontos na TSU? Parece nitidamente impossível. Haverá outros modos sem custos que desequilibrem o orçamento? Se há, porque teve este ano de se fazer esta acrobacia? Em resumo: Como financiar o aumento do salário mínimo em 5% ao ano? Focados na dificuldade do momento, ninguém fala nisso.
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sábado, 14 de janeiro de 2017
Será que os portugueses querem mesmo o Novo Banco nacionalizado?
A SIC e o Expresso noticiam que a maioria dos portugueses aprova a nacionalização do Novo Banco. Aprova? Não é bem assim. Lendo melhor, segundo uma sondagem, a maioria dos portugueses concorda com a nacionalização do Novo Banco se não houver se não houver uma boa proposta de compra. Será agora verdade? Talvez seja melhor explicar ainda que, segundo o vídeo da notícia no sítio da SIC-Notícias, a maioria concorda se não houver proposta de compra lucrativa. Pode haver alguma diferença entre o que se considera uma boa proposta e uma proposta lucrativa. Lucrativa para quem? Poderá ser considerada lucrativa uma proposta que não cubra pelo menos a quantia que o Estado emprestou ao Fundo de Resolução? Se não, já é sabido que não existe qualquer proposta lucrativa. E como foi feita a pergunta aos entrevistados para a sondagem? O modo como a pergunta é feita é muito importante. Pelo modo como são apresentados os resultados da sondagem presume-se que, na hipótese de não haver uma proposta de compra boa ou lucrativa, se deu a escolher entre a nacionalização e a liquidação. Não foi posta a hipótese de vender mesmo que ao proponente de uma proposta menos boa ou não lucrativa. Ora há quem tenha defendido publicamente que a melhor solução é vender pela melhor proposta (ou seja, pela menos má). Esta resposta não foi prevista. Portanto parece.me que a conclusão de que há uma maioria de portugueses que concorda que a melhor hipótese é a nacionalização está profundamente errada. Ainda bem, porque afinal os portugueses não são maioritariamente estúpidos e não gostam de desperdiçar dinheiro.
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