quarta-feira, 18 de maio de 2016

Tranquilidade

O PM declara-se absolutamente tranquilo com os avisos e as recomendações da Comissão Europeia, reafirmando que não crê que sejam necessárias novas medidas durante o presente ano para assegurar o défice pretendido. Pois eu não fico nada tranquilo com a tranquilidade de António Costa.

Por outro lado, João Galamba vai mesmo mais longe e declara que a Comissão não exige no seu documento mais medidas.

Ambas as posições, a de tranquilidade e a de negação, são dificilmente sustentáveis. Até parece que tanto Costa como Galamba não ouviram as declarações do comissário Moscovici nem leram o documento "Recommendation for a COUNCIL RECOMMENDATION on the 2016 national reform programme of Portugal and delivering a Council opinion on the 2016 stability programme of Portugal".

Nele pode ter-se:

"The Commission’s analysis leads it to conclude that Portugal is experiencing excessive macroeconomic imbalances. In particular, the large stocks of net external liabilities, private and public debt and a high share of non-performing loans constitute vulnerabilities in a context of elevated unemployment. Policy gaps persist regarding product and services markets, corporate debt restructuring, fiscal issues and selected areas of the labour market."

Mais adiante:

"the Council is of the opinion that there is a risk that Portugal will not comply with the provisions of the Stability and Growth Pact. Therefore further measures will be needed to ensure compliance in 2016 and 2017."

e ainda, sistematizando as recomendações, entre outras:

"RECOMMENDS that Portugal take action in 2016 and 2017 to:
Ensure a durable correction of the excessive deficit by 2016...
...Ensure the long-term sustainability of the health sector, without compromisingaccess to primary healthcare. ...Reduce the reliance of the pension system on budgetary transfers.
ensure that minimum wages are consistent with the objectives."

 Se estas críticas e recomendações são consideradas tranquilizadoras por quem nos governa, é de temer pelo futuro.




Dívida pública 2

Para reforçar a ideia que foi deixada pelo quadro que reproduzi do blog Delito de Opinião, mostro o gráfico da variação da taxa de juro implícita das obrigações a 10 anos portuguesas segundo a Blooberg.


A data da tomada de posse do Governo da geringonça está marcada pela linha vertical.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Dívida pública

Visto no Delito de Opinião:

A solução parece simples: adoptar as políticas que estão a dar resultado na Espanha, na Irlanda e na Alemanha.

domingo, 15 de maio de 2016

Palavra dada é palavra honrada

Salvo confusão da minha parte, o PS integrou no seu programa eleitoral e António Costa prometeu pessoalmente que o horário de trabalho dos funcionários públicos seria reduzido de 40 para 35 horas semanais. Não sei se o momento em que se daria essa redução ficou absolutamente definido, mas penso que toda a gente, incluindo eu, pensou que, após o governo PS, ou, como alguns lhe chamam, de maioria de esquerda ou de geringonça, tomar posse, seria uma coisa rápida. Não que eu desejasse rapidez nesse disparate que vai ficar caro ao País, mas apesar de não o desejar não posso deixar de apontar o contraste entre o que se esperava e o que se tem vindo a tramar. Recentemente António Costa prometeu que a medida tão esperada pelos sindicatos da função pública apenas entraria em vigor a 1 de Julho. Esta declaração já suscitou protestos entre os interessados. Já vamos em quase meio ano de governação da geringonça e só agora se começam a definir as circunstâncias de redução de horário, muito diferentes do que seria de esperar. Assim: 1) A redução será faseada até 31 de Dezembro, isto é, alguns privilegiados passarão a trabalhar menos uma hora por dia enquanto colegas de outros sectores continuarão vários meses a funcionar a "um ritmo alucinante". 2) A medida não se aplicará aos funcionários que celebraram contratos individuais de trabalho, que terão de continuar a aguentar esse ritmo.

Como trabalhador que toda a vida trabalhou a um ritmo por vezes ainda superior a esse ritmo alucinante, de que vinha aliás já habituado do tempo de estudante, estou longe de ter pena dos pobres funcionários públicos, que provavelmente votaram maioritariamente PS na esperança de trabalharem menos, mas não posso deixar de notar a falta de honrar a palavra dada por parte de António Costa e do seu Governo. Porém devemo-nos congratular por o disparate não ser afinal tão gravoso para a economia nacional. Veremos o que acontece depois de 31 de Dezembro.

sábado, 14 de maio de 2016

João Galamba comenta dados económicos


Sugestão d'O Insurgente.

Quem adivinha a data desta declaração tão actual?

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Avenida de Roma e mulheres de bigode

Li num roda-pé num canal de TV que não fixei qual fosse, que "Na Avenida de Roma as mulheres andavam de preto e tinham bigode". Espantado com esta afirmação, procurei a sua origem. Numa rápida busca, o Google facultou-me apenas a informação dada pelo sítio "sabado.pt/" de que quem debitara tal notícia fora Wilton Fonseca numa entrevista no jornal i. Como perdi há muito o bom hábito de comprar jornais em papel e o ionline não se refere ao assunto, não posso averiguar em que memórias Wilton Fonseca se baseia para proferir esta frase, mas as minhas mais antigas recordações da Avenida de Roma não contêm imagens de mulheres de preto em quantidade apreciável e muito menos de mulheres de bigode. A minha Avenida de Roma, que conheço bem por a ter percorrido diariamente durante anos, é e era frequentada por muitas mulheres vestidas de todas as cores e de face sem pelos visíveis. Sempre gostava de saber qual o significado da afirmação de Wilton Fonseca. Sem saber o contexto da frase não o poderei criticar, mas não posso acreditar que se baseie em factos observados pelo próprio ou por outrem.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Krugman

Não vi a entrevista de Krugman na íntegra, mas do que vi pareceu-me útil sublinhar 3 ideias:

1) Krugman criticou a rigidez de Bruxelas e o excesso de austeridade que resulta dessa rigidez. Chegou a afirmar que "Um ponto no PIB não vai fazer diferença, mas pode tornar os custos mais toleráveis para as pessoas". Não referiu que "um ponto no PIB" fará aumentar o défice e a dívida, custo que terá de se pagar mais tarde. Mas sublinhou que a flexibilidade que advoga “não significa uma licença para um gasto descontrolado”.

2) Afirmou também que não é conveniente falar em negociação da dívida e que a dívida portuguesa é "gerível" (entrevista na TV).

3) Elogiou ainda o Banco Central Europeu, “liderado por pessoas inteligentes e observadores, com consciência dos riscos e que estão a tentar fazer tudo o que podem”.

Desconfio que muitos admiradores ou seguidores de Krugman aplaudirão a primeira ideia mas não gostarão muito das outras duas.