COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
terça-feira, 8 de abril de 2014
Afinal, em vez de 300 eram 800 milhões
Perguntei há dias quanto dinheiro havia afinal em caixa quando o País foi obrigado a pedir resgate financeiro, já que Teixeira dos Santos negara ser a quantia de 300 milhões de euros, que Durão Barroso tinha indicado. Soube posteriormente que Sócrates esclarecera que a quantia certa era 800 milhões. Como se perante as necessidades do Estado fizesse alguma diferença...
A nova Primavera para os povos europeus
O modelo francês para o socialismo, ou melhor, o modelo francês para a felicidade dos povos, falhou rotundamente, como os resultados das recentes eleições municipais francesas vieram confirmar. Foi o modelo que serviu de inspiração a Seguro, que agora não consegue encontrar uma alternativa mais consentânea com a realidade. A este propósito, Alexandre Homem Cristo escreve, n'O Insurgente, um "Obituário da esperança socialista" acutilante. Termina assim:
«Partindo do pressuposto que não é possível manter a esperança num homem que já nem em si mesmo acredita, seria bom que alguém avisasse os seguidores do hollandismo deste suicídio. Em particular, António José Seguro que, seguindo as pisadas de Hollande, recentemente prometia pôr fim à situação dos sem-abrigo – alguém se lembra quando, em campanha, o francês se anunciou como o futuro presidente da “justiça contra a pobreza”? A “nova primavera para os povos europeus” não chegará de Paris. Nem chegará pelos socialistas. Simplesmente, não chegará. Hollande aceitou-o. Está na hora de Seguro o fazer.»
«Partindo do pressuposto que não é possível manter a esperança num homem que já nem em si mesmo acredita, seria bom que alguém avisasse os seguidores do hollandismo deste suicídio. Em particular, António José Seguro que, seguindo as pisadas de Hollande, recentemente prometia pôr fim à situação dos sem-abrigo – alguém se lembra quando, em campanha, o francês se anunciou como o futuro presidente da “justiça contra a pobreza”? A “nova primavera para os povos europeus” não chegará de Paris. Nem chegará pelos socialistas. Simplesmente, não chegará. Hollande aceitou-o. Está na hora de Seguro o fazer.»
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Empobrecimento sentido e empobrecimento real
Há pouco, no programa Olhos nos Olhos" da TVI24, Vítor Bento tentava explicar a diferença entre empobrecimento sentido e empobrecimento real. A explicação não era muito diferente do que eu aqui já escrevi e tornei a escrever: Pensávamos que não éramos pobres porque os empréstimos cobriam a diferença entre rendimento real e dinheiro disponível, enquanto a dívida ia crescendo. Quando o endividamento atingiu um tal grau que novos empréstimos se tornaram impossíveis, a pobreza torna-se finalmente perceptível. Claro que Vítor Bento explicou muito melhor, com a precisão e a clareza que lhe conhecemos e com o auxílio de um gráfico bem explícito. Medina Carreira deu também a sua achega. As perguntas de Judite Sousa, que temia que os telespectadores não tivessem compreendido bem, só serviram para atrapalhar. Temo muito que quem não estva a compreender bem era a própria Judite Sousa e não é a primeira vez que tenho esta impressão.
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Olhos nos Olhos empobrecimento Judite Sousa
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Cuidado com o Otelo
Ao afirmar candidamente que as Forças Armadas têm não só o poder, mas mesmo o dever de deitar abaixo um governo mesmo demicraticamente eleito, Otelo acaba por deitar abaixo o resto de credibilidade que ainda poderia ter por ter sido uma peça fundamental do levantamento que permitiu que Portugal passasse a ser um país democrático.
Não era 300 milhões. Quanto era?
O ex-ministro Teixeira dos Santos veio desmentir Durão Barroso quando este disse que, no momento em que o governo de Sócrates pediu o resgate financeiro, o Estado só tinha em caixa 300 milhões de euros. Só é pena que Teixeira dos Santos não tenha esclarecido qual seria então a quantia em caixa. Ao afirmar que não era 300 milhões, deveria ter acrescentado quanto era; talvez 301!
Sem-abrigo
A acreditar na comunicação social, Seguro terá prometido que, quando for primeiro ministro, acabará com os sem-abrigo no período de uma legislatura. A ser verdade, sempre gostava de saber como pretenderá Seguro cumprir esta promessa. Será atribuindo a todos os sem-abrigo o RSI? Será internando-os à força na Mitra (se é que ainda existe Mitra) ou numa instituição que faça o papel que fazia a Mitra? Será prendendo-os todos? E, em qualquer destas hipóteses, como é que na prática obrigará todos os sem-abrigo a aceitar a solução proposta? Será necessário um corpo especial de fundionários da Segurança Social a percorrer as ruas das principais cidades e com poderes para obrigar os sem-abrigo a obedecer?
Ficam as interrogações, mas desde já, para ajudar Seguro a cumprir o que prometeu, lembro dois locais que servem de abrigo aos sem-abrigo e onde os funcionários que puserem em prática a solução que vier a ser adoptada se devem dirigir: a Praça de Figueira e as janelas térreas do Pavilhão de Portugal no Parque das Nações.
De qualquer modo, será uma proeza digna de um grande estadista e servirá de exemplo a cidades como Paris e Nova Iorque, entre muitas outras. Os amigos de Seguro, Hollande e Obama, enviarão certamente observadores para aprender como se faz.
Ficam as interrogações, mas desde já, para ajudar Seguro a cumprir o que prometeu, lembro dois locais que servem de abrigo aos sem-abrigo e onde os funcionários que puserem em prática a solução que vier a ser adoptada se devem dirigir: a Praça de Figueira e as janelas térreas do Pavilhão de Portugal no Parque das Nações.
De qualquer modo, será uma proeza digna de um grande estadista e servirá de exemplo a cidades como Paris e Nova Iorque, entre muitas outras. Os amigos de Seguro, Hollande e Obama, enviarão certamente observadores para aprender como se faz.
terça-feira, 1 de abril de 2014
Será a palavra reestruturação que mete medo?
Tenho ouvido muitas pessoas, entre elas até alguns economistas, que acham que o que está errado no manifesto dos 70 (ou dos 74 ou seja lá de quantos for) é a palvra reestruturação. Dizem que quando se fala em reestruturação, quem ouve pensa logo em perdão da dívida, pelo menos parcial. Claro que a palavra assusta, mas, quer se pretenda uma reestruturação quer se fique por uma negociação, o que se pretende? Claramente, e o manifesto explica-o muito bem, pretende-se um alívio do esforço, seja por extenção dos prazos, isto é, adiamento das maturidades, seja por redução da taxa de juro. Como já aqui citei, Conraria mostrou em pormenor n'A Destreza das Dúvidas que o valor actual de um crédito baixa quer se faça um alargamento dos prazos, quer se consiga uma baixa de juros, do mesmo modo que se obtenha um perdão parcial da dívida. O resultado é sempre o mesmo, como já tinha sido defendido no “Sovereign Debt Restructurings 1950–2010: Literature Survey, Data, and Stylized Facts” do FMI.
Hoje, na SIC, Vítor Bento explicou esta equivalência em pormenor, mostrando claramente que, qualquer que seja o tipo de reestruturação ou de renegociação, os credores perdem parte do valor que tinham contratado, pelo que exigirão sempre um maior prémio para voltar a emprestar ao mesmo devedor. QED.
Hoje, na SIC, Vítor Bento explicou esta equivalência em pormenor, mostrando claramente que, qualquer que seja o tipo de reestruturação ou de renegociação, os credores perdem parte do valor que tinham contratado, pelo que exigirão sempre um maior prémio para voltar a emprestar ao mesmo devedor. QED.
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