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terça-feira, 29 de março de 2016

O comentador

Igual a si próprio, Marcelo Rebelo de Sousa dedicou 11 minutos a comentar o Orçamento de Estado. Também igual a si próprio, referiu as circunstâncias em que foi elaborado, a estratégia seguida, os aspectos positivos, os aspectos negativos e o que se pode seguir em consequência. É compreensível que o Presidente da República não devia dar a sua opinião sobre se considerava o Orçamento bom ou mau. Agiu pois correctamente em tecer as considerações que teceu sem dar uma valorização política própria, positiva ou negativa, ao contrário do que faria se fosse um comentador político. O que me surpreendeu é que, quando era comentador político, também dava sempre uma no cravo, outra na ferradura, sem exprimir valorizações pessoais. Referia-se à estratégia e não à bondade ou aos valores dos factos que comentava. Se acho bem esta conduta como PR, sempre a contestei como comentador e é com certa ironia que vejo continuar a si próprio no novo papel que agora representa.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Marcelo

Depois do cansativo dia de tomada de posse do novo Presidente da República, a festa continuou, foi o Porto, foi o Palácio de Belém aberto. Não há dúvida de que foi um início de mandato fora do comum. Nada contra. Agora, quando Marcelo Rebelo de Sousa afirma que "É o momento de avançar para uma nova fase da vida portuguesa", tenho sérias dúvidas de que tenha razão. É evidente que o novo PR, ao recomendar aos portugueses que não percam a auto-estima, demonstra que ele próprio tem uma enorme auto-estima. Isso é bom, mas ao pensar que é capaz de inaugurar uma nova fase da vida portuguesa está nitidamente a exagerar. Espero que Marcelo seja um bom PR, mas não acredito que tenha a força, a habilidade e a influência na vida do País que possa dar origem a uma verdadeira nova fase.