Vai para aí uma polémica sobre se o País está melhor ou pior. Claro que podemos argumentar que a pergunta posta assim não tem uma resposta única. Depende do ponto de vista, depende de que aspectos da vida do País consideramos mais relevantes. Há quem acredite que o País está melhor agora do que no início de 2011, mas que os portugueses individualmente estão pior. É uma resposta possível, mas que não me parece muito lógica.
Consideremos um exemplo de uma família, em vez de um país. Se em 2011 a família vivia com certo desafogo mas tinha acumulado uma dívida enorme e estava em risco de ter de entregar a casa ao banco por já não poder pagar a prestação, estava afinal numa situação quase desesperada. Mas conseguiu renegociar as condições do empréstimo e tem ido pagando uma prestação mais suave à custa de austeridade, os filhos vêem-se privados da semanada, vestem roupa já muito usada e deixaram de ter brinquedos novos e guloseimas. Do ponto de vista dos filhos, a família está pior. Mas os pais sabem que conseguiram evitar a perda da casa que os obrigaria a pedir aos pais do marido ou da mulher que os recolhessem em condições precárias para não dormirem na rua e eventualmente a uma separação dos filhos. Portanto do seu ponto de vista a família, menos com menos dinheiro, comendo pior e comprando menos brinquedos e outros objectos, está melhor, sobretudo se pensam que há alguma esperança de aumento dos rendimentos a prazo. Quem tem razão?
Com o País passa-se a mesma coisa. É uma visão limitada, para não dizer infantil, considerar que o País está pior porque existe mais desemprego e mais precariedade ao mesmo tempo que a dívida pública aumentou. Também, mesmo tendo tido cortes nos salários ou nas pensões, os portugueses não estão na verdade pior, porque a sua situação a prazo depende do estado do País. Alguns portugueses estão certamente em piores condições, designadamente os desempregados, mas também aqui para muitos a esperança de melhores dias aumentará com o crescimento da economia. É errado dizer que o que interessa não são os números, mas sim as pessoas, porque a vida das pessoas depende em grande medida dos números.