COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
A César o que é de César
Numa conferência de imprensa que teve lugar no Santuário de Fátima, a propósito da peregrinação anual do migrante e do refugiado, o director da Obra Católica Portuguesa para as Migrações disse que a Igreja deve servir de “alerta e denúncia das injustiças". Nessa linha teceu considerações sobre a "incompetência dos políticos", "incompetência" esta que é, para o orador, "fruto de uma crise de valores, de uma corrupção política e financeira
que levou a que o país não tivesse condições para criar trabalhos e
condições para fixar particularmente os jovens”. Concordo que o Igreja denuncie injustiças, mas ao empregar uma linguagem de generalizações populistas nas frases transcritas e em geral no seu discurso, parece-me que o director da OCPM está a ultrapassar o papel que cabe à Igreja neste campo e a tomar posições nitidamente políticas. Esquece que Jesus distinguiu entre o domínio do político e o domínio do religioso. Para mais, ao referir "os políticos" e, ao considerar que a causa da crise está na corrupção sem apontar outras causas nem reconhecer que haverá certamente entre os políticos e responsáveis alguns competentes e não corruptos, está a cometer uma injustiça flagrante.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Não sou o único a pensar assim
Depois de ter escrito "A reacção de Israel aos foguetes do Hamas é desproporcionada" em que considerava que esta desproporção não contrariava o direito de Israel a defender-se, pensei que ia receber comentários indignados ou pelo menos ler em outros blogs opiniões contrárias. Afinal encontrei em apenas uma curta frase a ideia que eu tinha defendido: «Numa guerra não há considerações sobre proporcionalidade até uma das partes ser derrotada. Nenhuma intervenção de Israel poderá ser considerada desproporcional se falhar em neutralizar o Hamas.» (Carlos Guimarães Pinto em O Insurgente).
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Israel Hamas fogueres proporcionalidade
Robin Williams
Chocou-me a notícia da morte de Robin Williams, um actor por quem sempre tive grande admiração. Uma das características que me cativou foi o sorriso fácil, mas (aparentemente) sincero. Mas ainda mais do que a notícia da morte, chocou-me saber que combatia há anos contra a tendência para o alcoolismo e o consumo de cocaína. Parece que o facto era conhecido, mas para mim foi uma notícia cruel.
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
A reacção de Israel aos foguetes do Hamas é desproporcionada
Concordo que a reacção de Israel aos ataques do Hamas com foguetes (recuso-me a escrever rockets, afinal rockets são foguetes, porquê dizer em estrangeiro?) é desproporcionada. Bombardeamentos aéreos e uma ofensiva com blindados não têm proporção em relação a alguns foguetes disparados, destruição maciça de edifícios e quarteirões inteiros não se podem comparar com alguns estragos quando os foguetes não caem em descampados, muitas centenas de mortos não têm qualquer relação com dezenas de mortos. Há evidente desproporção. Mas que sugerem os que criticam duramente Israel e se manifestam contra a sua acção militar? Que Israel responda aos disparos de foguetes de Gaza para Israel com um número idêntico de foguetes disparados para a faixa de Gaza? E de preferência com a mesma pontaria errónea? O que é certo é que a reacção de Israel, mesmo desproporcionada, não tem sido suficiente para convencer os islamitas do Hamas a suspenderem os disparos, apesar da destruição de alguns sítios de lançamento. Se Israel respondesse proporcionadamente, os foguetes do Hamas continuariam a cair pelo menos ao mesmo ritmo.
domingo, 10 de agosto de 2014
Defesa dos mais fracos
António José Seguro anda outra vez preocupado. Aliás muitos portugueses andam preocupados, mas Seguro nos últimos dias tem andado constantemente preocupadíssimo por várias razões e faz questão de dar a conhecer aos portugueses o seu estado de alma por intermédio das televisões. Anda tão preocupado que é de temer que o stress possa ser prejudicial para a sua saúde. Ontem, era por Vítor Bento, na entrevista que deu na SIC, ter admitido que o Novo Banco pode necessitar de uma reestruturação que pode implicar redução de pessoal, logo despediemntos. Seguro acha "inadmissível que sejam os mais vulneráveis a pagar os erros dos administradores e dos accionistas". Não sei onde tem estado Seguro nos últimos tempos, em que várias empresas têm sido reestruturadas com redução de pessoal e muitas outras nem sequer conseguiram sobreviver, tendo pura e simplesmente falido, contribuindo decisivamente para o elevado desemprego de que temos sofrido. O próprio sector bancário tem passado por processos de encerramento de balcões com despedimentos substanciais e nunca vi Seguro referir-se aos mais vulneráveis ou aos erros que levaram a estes processos. Pensa Seguro que os postos de trabalho devem ser mantidos em todas as circunstâncias, mesmo quando esta manutenção é incomportável? E só neste caso em especial?
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sábado, 9 de agosto de 2014
Salvar a TAP
É curioso que as greves e protestos realizadas por trabalhadores de várias empresas ou mesmo de vários sectores nunca têm objectivos egoístas como procurar obter aumentos de salários ou outras regalias. Não, os grevistas ou protestantes só pensam em razões altruístas e no bem da empresa contra a qual protestam, do sector ou do País. O caso da TAP é mais um destes: os pilotos grevistas só pretendem salvar a empresa que a administração quer por força prejudicar por qualquer razão obscura. Espero só que não lhes acontaça como noutros casos, para já recordo o da General Motors da Azambuja: Tantas greves fizeram para tentar salvar a empresa que esta acabou por fechar.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
O Bom, o Mau e o Vilão
Logo que o informador oficial do que se passa no Conselho de Ministros, mas ainda não deve ser divulgado, Marques Mendes, anunciou que a solução engendrada pelo supervisor para o caso BES era a divisão em um banco bom e um banco mau, cá em casa perguntámos quem seria então o vilão. A resposta foi imediata: Ricardo Salgado. Assim como as profecias de Marques Mendes se concretizaram, também parece que a nomeação para vilão também se confirma, com a variante de que, além do vilão principal, haverá outros vilõezinhos secundários, mas que também pagam as favas. A música de Ennio Morricone é absolutamente adequada para fundo do drama.
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