COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
E as boas notícias não se resumem ao crescimento do PIB
Não. Além do PIB crescer há muitas outras boas notícias, muitas que eu ignorava até ler aqui. Realmente há uma relutância em dar boas notícias mas sempre há quem fure a barreira de silêncio.
PIB, criação e destruição de riqueza
Não sou economista mas as minhas fracas noções sobre esta matéria tão ingrata e tão maltratada chegam para saber que o PIB corresponde à soma da riqueza criada num determinado período, em geral num ano. Se o PIB cresce, isto significa que se criou mais riqueza do que no ano anterior. Se o PIB diminui, a criação de riqueza foi menor, mas houve mesmo assim criação de riqueza. Nem de outra maneira poderia ser, se durante o ano, todos os anos, milhões de trabalhadores produzem bens e serviços, mesmo que em menor quantidade do que noutros períodos. A riqueza criada num ano vem somar-se à riqueza acumulada nos períodos anteriores, como é evidente; os bens produzidos num determinado ano, sejam casas, automóveis, mobílias ou objectos de arte, vêm juntar-se aos já existentes, alguns com séculos de existência. Mesmo no caso dos consumíveis, alimentos ou outros, estes contribuem para que a população possa crescer, produzir e fruir da riqueza existente. Mas há economistas que não sabem ou que decidem baralhar os conceitos e falam em destruição de riqueza quando o PIB cai. Claro em certas circusntâncias pode infelizmente haver destruição de riqueza, como no caso de actos de vandalismo, catástrofes naturais ou conflitos armados. Mas, e parece-me que esta é uma das limitações do conceito de PIB, não encontro em lado algum que estes casos tenham influência no PIB ou que, no limite, o PIB possa ser negativo por efeito da riqueza perdida. Pelo contrário, após um período de destruição de riqueza, há historicamente uma tendência para uma forte subida do PIB pelos estímulos criados, nem que seja pela necessidade, para substituir a riqueza destruída criando mais. Evidentemente que não é a este tipo de destruição que os economistas que falam nisso se referem. Falam em destruição quando o que houve foi uma menor criação. Por muito trágica que a recessão possa ser, não é lícito baralhar conceitos.
Quando até economistas dum jornal de referência em economia falam em destruição de riqueza por o PIB ter tido períodos de baixa, penso que deveriam voltar aos bancos da escola.
Quando até economistas dum jornal de referência em economia falam em destruição de riqueza por o PIB ter tido períodos de baixa, penso que deveriam voltar aos bancos da escola.
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PIB criação destruição de riqueza.
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Crescimento
Finalmente o crescimento. Superou todas as previsões. As esperanças de que o PIB poderia começar a crescer para o fim de 2013 já tinham sido ultrapassadas pela previsão de um crescimento marginal no 2.º trimestre, mas o crescimento foi superior ao até agora previsto tendo atingido 1,1% em relação ao trimestre anterior, segundo a estimativa rápida do INE. A oposição não disfarça o incómodo e o Governo manifesta contentamento contido. Não se sabe se se trata já de uma tendência sustentável e se se confirmará a saída da recssão, mas é, indubitavelmente, uma boa notícia.
José Gomes Ferreira lembra que esta viragem aconteceu apesar da austeridade, ao contrário do que muitos previam, dizendo que austeridade provoca inevitavelmente cada vez mais recessão. O mito da espiral recessiva é isso mesmo: um mito.
José Gomes Ferreira lembra que esta viragem aconteceu apesar da austeridade, ao contrário do que muitos previam, dizendo que austeridade provoca inevitavelmente cada vez mais recessão. O mito da espiral recessiva é isso mesmo: um mito.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Baixa: demasiado lixo
Irrita-me ver diariamente lixo acumulado nos passeios, nos canteiros e em passagens do meu bairro. A maior parte são sacos de plástico, folhas de jornais e revistas, restos de embalagens de bebidas e alimentos espalhados ou em montes. Nitidamente os habitantes (e visitantes) não têm cuidado e deixam o lixo no chão, mas também a limpeza das ruas é feita de modo claramente insuficiente. Mas hoje fiquei mais irritado e surpreendido ao ver a cumulação de lixo em ruas da Baixa e do Chiado. Na Rua Nova da Trindade havia montes de sacos com lixo encostados às paredes. Mais adiante, na própria Rua da Misericórdia, numerosos contentores de lixo demasiado cheios até não deixar fechar as tampas estavam nos passeios. Isto cerca do meio-dia de Segunda-feira. Não eram, como no meu bairro, papeis e resíduos espalhados pelo chão por descuido ou falta de civilidade dos cidadãos. Era lixo devidamente acondicionado em sacos ou contentores mas a uma hora em que não devia lá estar. Os numerosos turistas passavam e por vezes tinham de se desviar. Será que os serviços de recolha de lixo não puderam recolher os resíduos de madrugada? Não sei se é assim todos os dias ou apenas às Segundas-feiras por se seguirem a um dia de descanço. De qualquer modo é intolerável e prejudica o turismo.
Manifestações e comunicação social
Ainda a propósito do modo como se noticiam manifestações e pequenos ajuntamentos, tenho notado que há alguma relutância das televisões em geral em mostrar imagens de manifestações de ângulos que permitam ao espectador avaliar com algum critério se os aderentes são muito ou pouco numerosos, como por exemplo imagens tomadas a partir de locais cimeiros ou com meios aéreos. Por vezes bastava ao operador de câmara estender os braços para dar uma visão do conjunto que permitisse julgar da maior ou menor afluência. Se não o fazem, até parece que querem esconder a realidade.
Quando se podem comparar versões diferentes do mesmo acontecimento tomamos consciência de como podemos ser manipulados pela comunicação. Um caso flagrante é exactamente o que se passa com as notícias sobre a manifestação frente à casa onde Pedro Passos Coelho passa as férias, de que ontem mostrei uma fotografia. O jornal i consegue dar uma notícia desenvolvida do acontecimento em que afirma que foram "os utentes da A22" (todos?) que se manifestaram e sem uma única referência se esses "utentes da A22" eram muitos ou poucos. Já o Público informa logo no início da notícia que era "cerca de uma dezena" a manifestar-se. Tratamentos muito diferentes, como se pode constatar.
Quando se podem comparar versões diferentes do mesmo acontecimento tomamos consciência de como podemos ser manipulados pela comunicação. Um caso flagrante é exactamente o que se passa com as notícias sobre a manifestação frente à casa onde Pedro Passos Coelho passa as férias, de que ontem mostrei uma fotografia. O jornal i consegue dar uma notícia desenvolvida do acontecimento em que afirma que foram "os utentes da A22" (todos?) que se manifestaram e sem uma única referência se esses "utentes da A22" eram muitos ou poucos. Já o Público informa logo no início da notícia que era "cerca de uma dezena" a manifestar-se. Tratamentos muito diferentes, como se pode constatar.
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manifestações utentes A22 versões diferentes
Manifestações e pequenos ajuntamentos
É normal que as TVs noticiem a ocorrência de manifestações mesmo que não passem de pequenos ajuntamentos. Mas as reportagens pormenorizadas com longas tomadas de vistas e pedidos de declarações de manifestantes são claramente despropositadas para grupos de poucas dezenas de pessoas, por muitos cartazes que ostentem, por muito barulho que façam, por muito importantes que sejam as razões porque se manifestam. O mesmo se aplica, evidentemente, quando o pequeno grupo não ultrapassa 10 ou 15 pessoas. Nestes casos uma curta notícia bastaria. A não ser que a intenção seja exactamente demonstrar a falta de interesse que estas iniciativas despertam cada vez mais.
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manifestações pequenos grupos
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Pais Jorge e os swaps tóxicos
Do blog O Princípio da Incerteza:
«Toda a gente tem opiniões firmes sobre a demissão de Joaquim Pais Jorge e os swaps. Espanta-me que tantas pessoas entre políticos, jornalistas, politólogos (seja lá isso o que for) e comentadores dominem tão profundamente o assunto. Por mim, confesso a minha ignorância profunda, apesar de me interessar e ter ouvido e lido muito sobre o tema. Gostaria de ver respondidas tantas questões que temo bem que isso seja impossível e eu continue ignorante. São elas:
1) Como se distinguem os swaps tóxicos do edíveis? Quais os critérios de toxicidade?
2) Os swaps que alegadamente Pais Jorge, quando director do City Group, tentou vender ao Governo de Sócrates eram tóxicos?
3) Se eram tóxicos, eram mais ou tão tóxicos do que os swaps tóxicos que o Governo de Sócrates contratou e que estão agora a ser renegociados?
4) Alguém sabe ou desconfia quais as razões porque o Governo de Sócrates não aceitou a oferta do City e aceitou ofertas de outros bancos?
5) Qual o verdadeiro papel de Pais Jorge na oferta do City, para além de ter estado presente nas reuniões em que esta foi apresentada ao assessores de Sócrates?
6) Pais Jorge participou activamente na oferta por actos ou palavras?
7) Pais Jorge, enquanto quadro do City, poderia ter agido de outra forma, poderia ter-se negado a participar nas reuniões ou poderia ter feito uma declaração de discordância por ser de opinião que o produto que era oferecido era inconveniente?
8) O contrato que eventualmente resultasse dessa oferta seria legal?
9) Se o contrato seria legal, porque foi exigida a demissão de Pais Jorge? (Eu sei que nem tudo o que é legal é politicamente aceitável, mas nessa negociação Pais Jorge não actuava politicamente nem era político, era um quadro duma entidade bancária que oferecia um produto legal e apenas os representantes governamentais seriam politicamente responsáveis se tivessem aceitado a oferta, como outros fizeram.)
Se os jornalistas e comentadores que arrastaram o Secretário de Estado do Tesouro para a demissão podem responder a estas perguntas, talvez seja de reconhecer-lhes alguma razão nas suas declarações, caso contrário deveriam procurar informar-se primeiro e informar devidamente o público.»
«Toda a gente tem opiniões firmes sobre a demissão de Joaquim Pais Jorge e os swaps. Espanta-me que tantas pessoas entre políticos, jornalistas, politólogos (seja lá isso o que for) e comentadores dominem tão profundamente o assunto. Por mim, confesso a minha ignorância profunda, apesar de me interessar e ter ouvido e lido muito sobre o tema. Gostaria de ver respondidas tantas questões que temo bem que isso seja impossível e eu continue ignorante. São elas:
1) Como se distinguem os swaps tóxicos do edíveis? Quais os critérios de toxicidade?
2) Os swaps que alegadamente Pais Jorge, quando director do City Group, tentou vender ao Governo de Sócrates eram tóxicos?
3) Se eram tóxicos, eram mais ou tão tóxicos do que os swaps tóxicos que o Governo de Sócrates contratou e que estão agora a ser renegociados?
4) Alguém sabe ou desconfia quais as razões porque o Governo de Sócrates não aceitou a oferta do City e aceitou ofertas de outros bancos?
5) Qual o verdadeiro papel de Pais Jorge na oferta do City, para além de ter estado presente nas reuniões em que esta foi apresentada ao assessores de Sócrates?
6) Pais Jorge participou activamente na oferta por actos ou palavras?
7) Pais Jorge, enquanto quadro do City, poderia ter agido de outra forma, poderia ter-se negado a participar nas reuniões ou poderia ter feito uma declaração de discordância por ser de opinião que o produto que era oferecido era inconveniente?
8) O contrato que eventualmente resultasse dessa oferta seria legal?
9) Se o contrato seria legal, porque foi exigida a demissão de Pais Jorge? (Eu sei que nem tudo o que é legal é politicamente aceitável, mas nessa negociação Pais Jorge não actuava politicamente nem era político, era um quadro duma entidade bancária que oferecia um produto legal e apenas os representantes governamentais seriam politicamente responsáveis se tivessem aceitado a oferta, como outros fizeram.)
Se os jornalistas e comentadores que arrastaram o Secretário de Estado do Tesouro para a demissão podem responder a estas perguntas, talvez seja de reconhecer-lhes alguma razão nas suas declarações, caso contrário deveriam procurar informar-se primeiro e informar devidamente o público.»
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