COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Não há um teimoso sem dois
Mário Nogueira, Secretário Geral da FENPROF, acusa o Ministro da Educação de "preferir o confronto". Claro que se Nuno Crato tivesse abdicado de defender um normal decorrer dos exames, os interesses dos alunos e a defesa do trabalho dos professores seria considerado amigo do diálogo e do consenso. O diálogo e o consenso têm alto valor, mas não são condição necessária e suficiente para assegurar sempre e em todos os casos as melhores soluções políticas. Quando o diálogo não produz frutos e o consenso não existe de facto, tem de haver coragem da parte de quem exerce o poder democrático para impor as soluções que se julgam melhores. De outro modo seria a anarquia. Neste caso não é apenas os interesses dos professores que está em jogo, é também o dos principais prejudicados com a greve aos exames: os alunos (e as suas famílias, como sei por experiência própria duma passada greve dos professores aos exames). Assim, o confronto era inevitável, e tanto se pode acusar o ministro de o preferir como o próprio Mário Nogueira. Não há um teimoso sem dois.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Eu não dizia?
Visto no Forte Apache:
Visto no Forte Apache:
por Alexandre Poço
"Nós, comunistas, não aceitamos o jogo
das eleições. As eleições não me interessam nada! Nada! Se crê que a
questão se pode reduzir às percentagens dos votos obtidos por um partido
ou por outro, engana-se redondamente."
Álvaro Cunhal, em 1975, numa entrevista a Oriana Fallacci.»
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Avenida Álvaro Cunhal eleições
Aborto ortográfico
Acabo de ler num rodapé dum jornal televisivo que Dilma Rosseff e Passos Coelho confirmaram a aplicação do acordo ortográfico a partir de 2015. Não sei pormenores mas, a ser verdade, é uma pior notícia do dia. O aborto ortográfico é uma infelicidade evitável. Que pensará o recém galardoado com o prémio Camões, o moçambicano Mia Couto? Quase estou com vontade de comprar o seu último livro para ver como escreve.
sábado, 8 de junho de 2013
Avenida nova
A Câmara Municipal de Lisboa decidiu (e cumpriu) dar a uma das novas avenidas de Lisboa, construídas na área da antiga Musgueira, o nome de Álvaro Cunhal. Quanto a mim fez mal e suponho que muitas pessoas pensarão como eu. Mesmo os próprios comunistas não terão tido grande entusiasmo na honra feita ao seu antigo Secretário Geral, a julgar pelo pequeno número de assistentes à cerimónia de inauguração. Sem dúvida, Álvaro Cunhal foi uma figura importante na política portuguesa recente, mas nem todas as figuras importantes merecem dar o nome a avenidas ou mesmo a ruas. E Álvaro Cunhal não o merecia pelas suas opções e acções antidemocráticas, que puseram Portugal em risco de cair num regime totalitário, aproveitando a instabilidade que se estabeleceu durante certo tempo após a queda de outro regime totalitário. Álvaro Cunhal combateu a ditadura do Estado Novo, é certo, mas não pelas melhores razões. É preciso recordar que, depois da fuga da prisão, se refugiou na URSS, onde acompanhou e aplaudiu os crimes de Estaline, que concordou com a invasão da Hungria em 1956 e mais tarde da Checoslováquia em 1968. Depois do 25 de Abril, o partido comunista, sob a chefia de Álvaro Cunhal, contribuiu para as políticas que ajudaram a afundar a economia e causaram danos difíceis de reparar no nosso tecido produtivo. Que acções relevantes de Álvaro Cunhal justificam este acto? É geralmente elogiada a sua qualidade de coerência. Mas essa coerência foi uma coerência no erro.
É geralmente aceite dar a avenidas e ruas nomes de reis e presidentes da República, sejam quais forem as suas qualidades humanas. É um reconhecimento histórico e não uma honraria nem um reconhecimento de mérito (mesmo assim, não passaria pela cabeça de qualquer português dar a ruas ou avenidas os nomes dos Filipes I, II e III, que sem dúvida foram reis de Portugal). Mas Álvaro Cunhal foi apenas chefe de um partido e ministro, e não é norma dar a arruamentos nomes de todos os chefes de partidos e ministros. Mesmo que isso tivesse algum sentido, seria necessário construir muitos mais arruamentos. O acto que hoje decorreu foi inútil e injusto. Álvaro Cunhal ficará na nossas história, mas não pelas melhores razões.
É geralmente aceite dar a avenidas e ruas nomes de reis e presidentes da República, sejam quais forem as suas qualidades humanas. É um reconhecimento histórico e não uma honraria nem um reconhecimento de mérito (mesmo assim, não passaria pela cabeça de qualquer português dar a ruas ou avenidas os nomes dos Filipes I, II e III, que sem dúvida foram reis de Portugal). Mas Álvaro Cunhal foi apenas chefe de um partido e ministro, e não é norma dar a arruamentos nomes de todos os chefes de partidos e ministros. Mesmo que isso tivesse algum sentido, seria necessário construir muitos mais arruamentos. O acto que hoje decorreu foi inútil e injusto. Álvaro Cunhal ficará na nossas história, mas não pelas melhores razões.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Violência contra-policial
É sabido que não constitui notícia de interesse um cão morder um homem (a não ser em casos extremos), mas é notícia de 1.ª página um homem morder um cão. Da mesma forma, deveria ser com as agressões de polícias sobre cidadãos pacatos comparadas com as agressões de cidadãos não tão pacatos contra polícias. Parece que estas últimas deveriam ter mais relevo jornalístico, exactamente por serem mais contrárias ao habitual e mais raras. Surpreendentemente não é assim, a ponto de uma evidente (e filmada) agressão dum manifestante a um polícia ser noticiada como se se tratasse de violência policial sobre um cidadão. Mas para dizer a verdade, esta transformação não nos admira. É que, para lá do efeito do homem que mordeu o cão, está a tendência dos nossos meio de comunicação para dar um jeito às notícias no sentido mais populista, omitindo pormenores, dando relevo às versões mais contrárias às autoridades ou ao governo ou mesmo deturpando a realidade.
Não, não se tratou de um pacato e pacífico cidadão que, revoltado por lhe terem reduzido a pensão, pensou que deveria pedir simplesmente a demissão dos responsáveis por esse acto e escreveu numa folha A4 (na impressora do computador) o apelo "DEMISSÃO JÁ" ao abrigo da liberdade de opinião, pacato cidadão que, ao levantar a folha A4 foi agredido pela polícia, algemado e levado para a esquadra. O cidadão, que fazia parte dum grupo pouco numeroso que gritava e mostrava faixas a pedir a demissão do Governo à passagem da Ministra da Agricultura, foi empurrado, ao aproximar-se brandindo o cartaz, por um ou mais polícias à paisana que asseguravam a segurança da Ministra. Não tendo gostado, deu um soco num dos homens que o tinham empurrado. Pode alegar que não sabia que era um polícia por estar à paisana, mas não pode continuar a fingir que não bateu em ninguém e que só o detiveram e algemaram por levantar o dito cartaz. Agressão é crime, e alegar que ignorava que fosse polícia não é desculpa. Ora alguns jornais resolveram ignorar a agressão (ou não se informarem como deviam) e noticiaram ou deram mais relevo, pelo menos nos títulos das notícias, à detenção como se se devesse apenas a ter protestado.
Não, não se tratou de um pacato e pacífico cidadão que, revoltado por lhe terem reduzido a pensão, pensou que deveria pedir simplesmente a demissão dos responsáveis por esse acto e escreveu numa folha A4 (na impressora do computador) o apelo "DEMISSÃO JÁ" ao abrigo da liberdade de opinião, pacato cidadão que, ao levantar a folha A4 foi agredido pela polícia, algemado e levado para a esquadra. O cidadão, que fazia parte dum grupo pouco numeroso que gritava e mostrava faixas a pedir a demissão do Governo à passagem da Ministra da Agricultura, foi empurrado, ao aproximar-se brandindo o cartaz, por um ou mais polícias à paisana que asseguravam a segurança da Ministra. Não tendo gostado, deu um soco num dos homens que o tinham empurrado. Pode alegar que não sabia que era um polícia por estar à paisana, mas não pode continuar a fingir que não bateu em ninguém e que só o detiveram e algemaram por levantar o dito cartaz. Agressão é crime, e alegar que ignorava que fosse polícia não é desculpa. Ora alguns jornais resolveram ignorar a agressão (ou não se informarem como deviam) e noticiaram ou deram mais relevo, pelo menos nos títulos das notícias, à detenção como se se devesse apenas a ter protestado.
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agressão manifestante polícia protesto
domingo, 2 de junho de 2013
Manifestações de 1 de Junho
A esquerda está desesperada: as manifestações têm cada vez menos aderentes. O desalento desta vez, nas manifestações convocadas pelo movimento "Que se lixe a troika" em 18 cidades portuguesas, simultaneamente com manifestações com o mesmo espírito em vários outros países, foi evidente. Os manifestantes profissionais, como os dirigentes da CGTP e do Bloco de Esquerda, ainda tentaram disfarçar, mas muitos dos aderentes, interrogados pelos jornalistas, não esconderam a tristeza de verem que as presenças estiveram longe da afluência esperada e muitíssimo longe das grandes manifestações de há meses.
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1 de Junho manifestações afluência
Esquerda volver
Não consigo compreender qual o sentido da reunião promovida por Mário Soares para "unir a esquerda". Menos ainda entendo que João Semedo afirme que constitui um primeiro passo para um governo de esquerda. Será que Semedo acredita no que diz? Quantos passos serão necessários ainda para que o Bloco possa participar num governo em Portugal. Parece-me que, felizmente serão muitos. O PS não parece, na sua maioria e nas suas chefias, não mostra grande adesão às ideias de Soares, agora na ala mais à esquerda do partido e o BE continua extremamente minoritário. Como pensam então em poder um dia governar? Na sessão PS(ala esquerdista)+BE Soares repetiu as suas ideias sobre a ilegitimidade do Governo e os ataques ao PR por não o demitir. Nunca gostei muito de Soares e nunca votei nele, mas respeitei-o enquanto PM e mais tarde PR e reconhecia-lhe algum mérito e coerência. Essa coerência desvaneceu-se completamente ao aderir às ideias do BE e ao voltar as costas aos fundamentos da democracia representativa.
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