domingo, 7 de outubro de 2012

Natalidade

O discurso do Presidente da República na comemoração do 5 de Outubro focou principalmente a questão da educação. Sem dúvida que é importante. Mas para mim o ponto fundamental do discurso foi a referência ao problema da baixa natalidade. Já em tempos Cavaco Silva disse que era necessário pensar o que era necessário fazer para os portugueses terem mais filhos. Na ocasião a frase foi objecto de chacota, mas é tempo de começarmos a pensar em incentivos para a natalidade, sem os quais não há solução possível para a sustentabilidade do estado social nem para uma retoma económica durável.

5 de Outubro: O melhor discurso

O melhor discurso das comemorações do 5 de Outubro foi, sem dúvida, o do vice-presidente do PSD Jorge Moreira da Silva. Dir-me-ão: Mas não foi um discurso, foi uma intervenção informal em resposta a perguntas de jornalistas. É certo, mas no conteúdo valeu como um discurso e foi certeiro e esclarecedor, mais oportuno que os discursos de António Costa e de Cavaco Silva.

sábado, 6 de outubro de 2012

A bandeira de pernas para o ar

Não me lembro de um 5 de Outubro com tanta animação ou, se preferirem, com tantos incidentes. Talvez por ser o último em feriado, houve
- o hastear da bandeira ao contrário, ou, como se diz vulgarmente, de pernas para o ar, apesar de a bandeira não ter pernas,
- a perturbação da parte final do discurso do Presidente pelos gritos de uma senhora que clamava ter fome e ganhar pouco e
- a colaboração espontânea de uma cantora lírica que, no final da cerimónia, cantou o poema Firmeza de Fernando Lopes Graça.
Na situação grave que o País atravessa todos estes acontecimentos são apenas sintomas menores. Como disse (com algum cinismo) Mário Cesariny, "Que afinal o que importa não é haver gente com fome, porque assim como assim ainda há muita gente que come". Claro que não sou tão cínico como o Cesariny foi neste poema  chamado "Pastelaria", que aprendi de cor quando era estudante e é um dos meus preferidos: Haver gente com fome é realmente um problema gravíssimo, mesmo que haja muita gente a comer (e há, basta passar à hora de almoço pelas zonas de restaurantes dos centros comerciais). Quanto à cantora lírica, se o seu gesto era de protesto, não foi compreendido como tal e até foi aplaudido no final. Já o caso da bandeira ao contrário não passou de um lapso lamentável da organização, um engano entre duas pontas de uma corda, mas quem lhe quer ligar qualquer significado político está, obviamente, a ser pelo menos ilógico.

A este propósito não resisto a contar o que se passou há muitos anos com a minha mãe, que era professora do ensino primário, quando, depois de muitos anos a deambular por escolas da província, conseguiu finalmente, já perto do fim da carreira, colocação em Lisboa e foi nomeada directora de uma escola na Ajuda. Aos Domingos era norma hastear a bandeira portuguesa no mastro por cima da porta da escola. Ora num fim de semana a empregada que fazia esta operação teve o mesmo percalço que agora coube a Cavaco Silva: pôs a bandeira de pernas para o ar. Na Segunda-feira, a minha mãe deu pelo erro, mas como era ocasião de baixar a bandeira não deu muita importância ao caso, mas uma das professoras ficou escandalizada com o pouco caso que a minha mãe tinha dado ao incidente, clamando que era muito grave ter tido o símbolo da Pátria de pernas para o ar e exigindo esclarecimentos para castigar a responsável. O caso não teve, porém, qualquer seguimento. Nessa altura ninguém se lembraria de pensar que o erro tinha mais significado do que isso mesmo, um erro, um engano, sem consequências e sem significado. Como diria Cesariny

"Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra"

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Enorme? Que exagero!

Francamente esperava mais, principalmente depois de Gaspar ter afirmado que o aumento era "enorme". Claro que não gosto, também me estão a ir ao bolso. Terei de poupar mais, terei de adiar novamente algumas substituições de coisas avariadas lá para casa. Mas depois do que já tinha sido anunciado ou que se desconfiava vir aí, a notícia não me alarmou particularmente. Parece que há muita gente alarmada e mesmo indignada, mas não são assim tantos que tenham sequer conseguido encher a rua da residência do Primeiro Ministro com milhares de manifestantes. Segundo as notícias eram dezenas, mais especificamente pouco mais de uma centena. Para o alarme de alguns comentadores, parece pouco. Veremos se a CGTP, o PCP e o BE mais os indignados de diversos quadrantes vão conseguir fazer aumentar as manifestações contra a "enorme" austeridade.

TSU à francesa

Quando vi a notícia no Insurgente, duvidei que fosse exactamente como diziam, mas segui o link e, a menos que o Expresso tenha inventado, têm mesmo razão. Como, além do Expresso, o Insurgente se baseia no blog The Portuguese Economy que por sua vez cita o Monde, parece ser mesmo verdade. Sugiro que Seguro, que se vai encontrar com Hollande na próxima semana, faça ver ao presidente francês o terrível erro que está a preparar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Ignorantes

Do blog "O Princípio da Incerteza":

Como é possível que meio País se preocupe mais em saber se quem chamou ignorantes a alguns empresários é ou não demitido, o que pensa sobre isso o Primeiro Ministro e o Ministro das Finanças e os outros ministros todos mais os deputados, os dirigentes de organizações patronais e outros que tais do que em saber como se vai governar o País?

Que significado político tem um dirigente de um partido de extrema esquerda acusar alguém que chamou ignorantes a alguns empresários de ofender o povo português? Será que para alguma esquerda os empresários ou alguns empresários são legítimos representantes do povo?

A falácia do falhanço da austeridade

Como sou preguiçoso a escrever, limito-me a aproveitar o trabalho dos outros, neste caso o do Dr. Tavares Moreira no Quarta República, que mostra claramente a falácia do dilema entre austeridade e crescimento e desenvolvimento. Para mim é evidente, mas não o saberia explicar tão bem como Tavares Moreira. Apesar desta evidência e de não ser a primeira vez que a falácia é denunciada, embora sem a clareza deste artigo, continua a haver gente a reclamar que a política de austeridade seja substituída pela do crescimento e a haver multidões que se juntam para reivindicar essa mudança, mas sem explicar como seria isso possível.