COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
domingo, 19 de agosto de 2012
Liderança bicéfala: homem e mulher
Não haverá uma certa incoerência na ideia do coordenador cessante do Bloco de Esquerda, Prof. Francisco Louçã, em sugerir que seja adoptada para o partido uma liderança bicéfala constituída por um homem e uma mulher, quando esse mesmo coordenador cessante e o partido que ainda chefia e onde pretende continuar a militar condenam veementemente a ideia de que qualquer criança tem direito a ter como pais um homem e uma mulher? Uma das razões invocadas de que essa configuração reflecte a sociedade não será discriminatória?
sábado, 18 de agosto de 2012
Violência na África do Sul
A troca de argumentos nos comentários e comentários a comentários ao post de Sérgio Lavos no Arrastão é o espelho da polémica política em Portugal. Vale a pena ler com atenção. A crítica ao próprio título do post, "A barbárie do capitalismo" deu origem a apreciações antagónicas sobre se se tratou de "confrontos" ou de uma "execução", sobre a acção da polícia, sobre o sindicalismo na África do Sul e sobre a violência latente no país. Mais do que as posições particulares, interessa o confronto de ideias a a diferente visão das mesmas imagens chegando a conclusões opostas.
domingo, 12 de agosto de 2012
Unidades e confusão
Também no Que Treta, leio:
«ouvi ontem no noticiário da TVI que se prevê uma precipitação de 40cm por metro quadrado. É como o limite legal da velocidade ser 120Km/h por automóvel ou alguém ter a idade de 18 anos por pessoa.»
Pois. A falta de precisão em unidades de medidas científicas ou económicas, mas que caíram na linguagem de todos os dias, é flagrante nos nossos meios de comunicação. Ainda hoje ouvi que "a inflação cresceu 2,8%". Não é a primeira vez que ouço disparates semelhantes. Quando compreenderão os senhores jornalistas que a inflação é o crescimento dos preços e que neste caso os preços aumentaram 2,8%, mas a inflação não cresceu, pelo contrário até diminuiu, já que no mês anterior tinha sido de 3,1% (se não me falha a memória).
«ouvi ontem no noticiário da TVI que se prevê uma precipitação de 40cm por metro quadrado. É como o limite legal da velocidade ser 120Km/h por automóvel ou alguém ter a idade de 18 anos por pessoa.»
Pois. A falta de precisão em unidades de medidas científicas ou económicas, mas que caíram na linguagem de todos os dias, é flagrante nos nossos meios de comunicação. Ainda hoje ouvi que "a inflação cresceu 2,8%". Não é a primeira vez que ouço disparates semelhantes. Quando compreenderão os senhores jornalistas que a inflação é o crescimento dos preços e que neste caso os preços aumentaram 2,8%, mas a inflação não cresceu, pelo contrário até diminuiu, já que no mês anterior tinha sido de 3,1% (se não me falha a memória).
sábado, 11 de agosto de 2012
Pingo Doce não amarga
Leio no blog Que Treta:
«Multa
O grupo Jerónimo Martins foi condenado a pagar a multa máxima pela venda de quinze produtos abaixo do seu custo na promoção de dia 1 de Maio. Terão de pagar trinta mil euros. No entanto, é provável que contestem a decisão em tribunal, assim que conseguirem parar de rir.»
Publiquei este post assim que consegui parar de rir.
«Multa
O grupo Jerónimo Martins foi condenado a pagar a multa máxima pela venda de quinze produtos abaixo do seu custo na promoção de dia 1 de Maio. Terão de pagar trinta mil euros. No entanto, é provável que contestem a decisão em tribunal, assim que conseguirem parar de rir.»
Publiquei este post assim que consegui parar de rir.
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Jerónimo Martins multa promoçãp
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
O sorriso dos portugueses
O Económico noticia que "os portugueses sorriem menos por causa da crise". Fiquei curioso de saber como tinham chegado a esta conclusão. Não é fácil medir o grau de sorriso dos portugueses; será que andariam pelas ruas e por outros locais públicos a contar quantos passantes sorriam? E então nas casas particulares? E como poderiam saber se era por causa da crise? Teria perguntado às pessoas sérias por que razão não sorriam? Como poderiam, doutro modo, chegar às conclusões enunciadas?
Também a conclusão de que "as mulheres continuam a sorrir mais do que os homens", tirada a partir de fotografias publicadas na imprensa, parece-me absolutamente sujeita a erro. É fácil verificar que há maior tendência a publicar fotografias de mulheres sorridentes do que de homens sorridentes, até porque a maioria dos jornalistas da imprensa continuam, julgo eu, a ser homens.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
O balde de água fria do BCE
As declarações de Draghi de há dias, "Within our mandate, the ECB is ready to do whatever it takes to preserve the Euro. And believe me, it will be enough", não me deixaram muito entusiasmado. Mesmo que estivesse a nadar em dinheiro não teria corrido a comprar títulos de dívida espanhola ou italiana e muito menos de bancos espanhóis ou italianos. Desconfiei logo da euforia dos mercados perante umas declarações tão vagas. E compreendi que, mesmo com a confirmação, no dia seguinte, de Monti e Hollande sobre o compromisso de defender o euro, a euforia não durasse mais de 48 horas. Não tinha, por isso, grande expectativa sobre o anúncio que Draghi marcara para esta Quinta-feira de tarde. Mesmo nessa manhã, ao ouvir comentários dos nossos informadores económicos nas TVs de que, se Draghi não consolidasse a sua frase algo enigmática com medidas concretas, como compra pelo BCE de dívida espanhola, os mercados poderiam reagir negativamente, fiquei à espera do pior. Ao contrário de alguns, certamente com mais conhecimentos do que eu e mais capazes de analisarem a situação, não "aguardava com alguma expectativa a reunião" do BCE. Pouco sei de economia, menos ainda de finanças e mesmo nada dos mecanismos financeiros internacionais, mas afinal a realidade veio confirmar os meus receios. Penso mesmo que não foi necessário ter em conta as pressões alemãs. Bastou manter-se fiel ao mandato.
Fundações
A publicação do Relatório de Avaliação de Fundações é altamente positiva. Em primeiro lugar porque confirma que o Governo está a trabalhar, por vezes sem ruído, no estudo da melhor maneira de reduzir a despesa pública, tirando assim valor às críticas de nada fazer nesse sentido a não ser fazer cortes nos salários dos funcionários públicos e nas pensões. Aumentam assim as esperanças de que noutros capítulos das despesas do Estado também se esteja a trabalhar sem grande alarde e de que se conheçam resultados positivos em breve, como por exemplo na avaliação e reorganização dos institutos do Estado e nas PPPs. Em segundo lugar, a divulgação do Relatório, incluindo os critérios adoptados e os resultados individualizados por fundação em fichas próprias, revela a máxima transparência neste trabalho e permite ao público conhecer este universo até agora secreto. Vale a pena dar uma vista de olhos ao Relatório e principalmente consultar algumas fichas, conforme o interesse de cada um.
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