quarta-feira, 14 de março de 2012

Viragem

A notícia, para mim inesperada, de que a agência Fitch subiu em 4 níveis a notação financeira da Grécia foi uma muito boa notícia. Significa o reconhecimento de que os esforços dos países que tentam debelar a crise podem começar a ter algum êxito mesmo para as agências de notação que têm sido tão implacáveis.

domingo, 11 de março de 2012

António Arroio


Passo frequentemente pela rotunda das Olaias e sempre admirei o magnífico painel de azulejos de mestre Querubim Lapa que decora a fachada da António Arroio. A escola que existia no local foi completamente demolida e foi construída uma nova escola de raiz, mas o painel foi felizmente conservado com cuidado. Apesar de me ter regozijado com este cuidado, a própria remodelação radical da escola sempre me pareceu que correspondeu a um custo que talvez pudesse ter sido evitado com uma adaptação menos completa. Agora que estalou o escândalo da Parque Escolar, estou ainda mais convencido de que aquela opção não foi a mais económica e que poderia ter sido evitada. Mas, voltando ao painel e ao cuidado da sua conservação, só é pena que, desde as obras, um enorme cartaz de publicidade à própria obra, representando alunos felizes e sorridentes, como mandam as boas regras da publicidade, esteja ainda, depois de vários meses desde que a obra foi concluída, a tapar exactamente uma parte do painel. Espero bem que o eventual fim da Parque Escolar não provoque o esquecimento da existência do cartaz e não leve à sua eternização.

sábado, 10 de março de 2012

O que realmente interessa

Mesmo a propósito do que disse no postal anterior sobre faits divers, sendo as questões sérias relegadas para segundo plano ou ignoradas, li agora no Corta-Fitas a seguinte notícia (não noticiada por quem devia):

«Luís Marques Mendes revelou, hoje, no Política Mesmo da TVi24, às 22 horas, os seguintes dados sobre redução de serviços do Estado pelo governo de Passos Coelho:

Direcções Gerais - das 102 existentes há 8 meses, foram extintas 18.

Direcções Regionais - das 43 existentes há 8 meses, foram extintas 29.

Institutos Públicos - dos 74 existentes há 8 meses, foram extintos 17.

Órgãos Consultivos - dos 122 existentes há 8 meses, foram extintos 65.

Outros organismos - dos 18 existentes, foram eliminados 13.

Ou seja, de um total de 359 organismos do Estado, foram extintos 142, uma diminuição de 40%.

E a omissão intrigante (ou a pergunta legítima) é esta: como é que estes dados eram inéditos até lhes pegar hoje Marques Mendes, um comentador político, e não mereceram atenção ou referência de qualquer jornalista da imprensa, rádio ou televisão?»

Eu não sei responder a esta pergunta! É a informação a que temos direito...


Faits divers

Num momento em que continua acesa a questão da sobrevivência do euro e da Europa na sua concepção actual, em que a grave situação da Grécia parece aliviada pelo menos a curto prazo, mas sem que se tenham desanuviado definitivamente as nuvens que ensombram o horizonte, em que o Primeiro Ministro procura reforçar a situação de Portugal no estrangeiro e em que se perspectivam reformas fundamentais para o futuro do País, a comunicação social diverte-se e procura entreter-nos com o que Cavaco diz num prefácio dum livro, com se quem manda mais é o Ministro das Finanças ou o Ministro da Economia e se o PM respondeu bem ou não a uma questão de compensação sobre portagens em Agosto na Ponte 25 de Abril. Põem pessoas dos partidos, politólogos e comentadores, que ganharam estatuto de quase profetas, a discutir estes assuntos e até o Expresso da Meia Noite desta semana foi inteiramente dedicado à primeira questão, como se não houvesse nada mais importante.

É da maneira que vejo menos televisão, leio menos jornais, e fico com mais tempo para a família, música e livros.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Quantos são?

A petição ontem entregue na AR a pedir a demissão do Presidente da República tinha, segundo a comunicação social, cerca de 40 000 assinaturas. É um bonito número, mas permite chegar à conclusão que houve pelo menos 690 000 votantes no BE e no PCP que não assinaram, visto que o total de votantes nestes partidos (considerando que os votos na CDU são na prática votos comunistas) foi de 730 345. Já não estou a contar com os votos no MRPP, no PCR e no POUS. Será que não assinaram por apoiar Cavaco Silva? Por, mesmo não o apoiando, acham que se deve manter em funções? Porque não se querem incomodar? Porque não têm intenet? De qualquer modo, não me parece que o Presidente da República tenha razão para preocupações...

terça-feira, 6 de março de 2012

Casamentos e idosos


Não é comum reunir numa mesma declaração o que se passa com casamentos e a situação de idosos, a não ser em casos particulares como a notícia de um casamento entre um casal de internados num lar de idosos. Já em declarações gerais não parece esta associação muito lógica.

Não pensou assim o jornalista da SIC que declarou hoje num noticiário: "Retrato de Portugal moderno: Cada vez há menos casamentos e mais idosos que vivem sem companhia." (reproduzido de memória) Não me parece uma notícia bem trabalhada, porque na verdade são duas notícias, sem grande relação entre si, numa só frase. Seria quase o mesmo que noticiar: "Aumenta a produção de couve galega e diminui o número de acidentes com moto-serras."

Mas de qualquer maneira, podemos achar uma certa lógica, pelo menos no que se refere à possibilidade de remediar os dois problemas: Para incrementar o número de casamentos e contribuir para a diminuição do número de idosos solitários é possível preconizar, e incentivar com deduções fiscais ou outras mordomias, o casamento entre idosos. Assim teríamos mais casamentos e menos idosos a viverem sozinhos. Talvez este aumento dos casamentos não tivesse efeito na natalidade, mas pelo menos combatia-se a solidão dos idosos.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Robôs e a felicidade na Terra

Lembro-me de ter visto há muitos anos, quase de certeza mais de 10, um programa de TV que previa que o aparecimento de robôs na indústria, que nesse momento começava a entrar em força principalmente na indústria automóvel, iria a médio prazo revolucionar o mundo do trabalho à medida que a robotização se espalhasse pelas outras indústrias e demais actividades humanas de modo a reduzir drasticamente a necessidade de trabalho humano. Talvez a previsão não andasse totalmente longe da verdade, com mais ênfase na computorização e menos na robotização, só que o que a reportagem supunha que vissem a ser as relações de trabalho no futuro era demasiado optimista, parecida com a felicidade na Terra, para não usar a expressão "amanhãs que cantam", que diz respeito a outra utopia. Previa-se, e demonstrava-se com imagens, que devido à redução da necessidade de trabalho humano, os trabalhadores poderiam trabalhar apenas qualquer coisa como 2 horas por dia, passando o resto do tempo a descansar ou divertindo-se, o que era ilustrado com um trabalhador que depois do seu curto período de trabalho ia calmamente jogar golfe. Para mais, a robotização reduziria os custos de produção, o que faria com que o feliz trabalhador pudesse nos seus longos tempos de lazer ter acesso a todas as comodidades. Não terá ocorrido ao autor da previsão que o resultado pudesse ser o aumento vertiginoso do desemprego, com as suas trágicas consequências, sem vantagens evidentes para os poucos que conseguem manter os seus postos de trabalho, para mais sempre com medo que o desemprego os possa vir também a atingir.