quarta-feira, 18 de maio de 2011

Desemprego sobe mas pouco e culpa é da crise internacional

O desemprego continua a subir, atingindo já, com 12,4%, um nível superior ao previsto no Memorando (o tal que o Governo não tornou público e de que só se conhece a versão em inglês e uma tradução particular). Afinal a descida do número de inscritos nos Centros de Emprego não significava que o desemprego estivesse a diminuir. Mas o nosso Primeiro não desfalece. Fiel à sua missão de dar ânimo a Portugal ("puxar pelo País", como ele diz) faz notar que a subida real foi apenas de 0,3 pontos percentuais, uma ninharia, pois o número referido é calculado por uma nova metodologia. Congratulemo-nos pois por tão ligeira subida! Mas Sócrates tem de continuar na sua missão de animar os portugueses e afirma que afinal a nossa subida não tem nada de original, pois o desemprego subiu em todos os países da Europa. Além disso é consequência da crise internacional, e portanto as políticas do Governo não tiveram qualquer influência. Animemo-nos pois.

sábado, 14 de maio de 2011

Um poema

Não tem copyright, e por isso não há problema em transcrever o poema de Fernando Ferreira que um leitor do Expresso enviou como comentário ao artigo de Henrique Cardoso "Sócrates está a mentir ou é irresponsável. Escolham".
Aqui vai:

Poema de Fernando Ferreira

A culpa é do pólen dos pinheiros,
dos juízes, padres e mineiros,
dos turistas que vagueiam nas ruas,
das strippers que nunca se põem nuas,
da encefalopatia espongiforme bovina,
do Júlio de Matos, do João e da Catarina.
A culpa é dos frangos que têm H1N1
e dos pobres que já não têm nenhum.
A culpa é das putas que não pagam impostos,
que deviam ser pagos também pelos mortos.
A culpa é dos reformados e desempregados,
cambada de malandros feios, excomungados.
A culpa é dos que tem uma vida sã
e da ociosa Eva que comeu a maçã.
A culpa é do Eusébio que já não joga a bola
e daqueles que não batem bem da tola.
A culpa é dos putos da Casa Pia,
que mentem sempre de noite e de dia.
A culpa é dos traidores que emigram
e dos patriotas que ficam e mendigam.
A culpa é do Partido Social Democrata
e de todos aqueles que usam gravata.
A culpa é do BE, do CDS e do PCP
e dos que não querem o TGV.
A culpa até pode ser do urso que hiberna,
mas não será nunca do nosso PS e de quem governa!

enviado por Floriano Mongo para o Expresso on-line

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Economia planificada

A propaganda, as propostas e os programas eleitorais do PCP e do BE não revelam o verdadeiro objectivo político destes partidos: estabelecer um sistema socialista no sentido marxista do termo como fase intermédia para uma sociedade comunista. Este objectivo não é normalmente apresentado publicamente e só transparece em certos lapsos de linguagem ou em documentos internos que não se destinam a divulgação geral. Porém este facto não é nunca denunciado pelos políticos, comentadores e politólogos que debatem ou mesmo combatem as ideias apresentadas por estes partidos. Hoje, num comentário raro, talvez mesmo único nos últimos anos, José Gomes Ferreira, ao referir a "ingenuidade" do programa eleitoral do BE, disse claramente que não era possível pôr em prática as ideias defendidas naquele, a não ser que se mudasse do regime de mercado que vigora actualmente para um regime de "economia planificada", isto é, acrescento eu, um regime de tipo soviético em que o estado detém os meios de produção integralmente ou quase e decide o que se produz e em que quantidade para, alegadamente, satisfazer as necessidades da população, em vez de deixar que o mercado deixe equilibrar a oferta e a procura.

Estranhamente foi Sócrates, que de comunista não tem nada e de socialista muito pouco, e que não me parece que adira muito ao ideário marxista, que expressou há dias o princípio marxista a propósito da bondade do SNS: "de cada um conforme as suas capacidades, para cada um conforme as suas necessidades". Tem-se visto como este princípio tem sido aplicado...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Voto na CDU

A palavra "voto", na epígrafe desta mensagem, não representa a 1.ª pessoa do presente do verbo votar, mas sim o substantivo. Mas entenda-se que ao referir-me ao voto na CDU pretendo mesmo dizer que a tentação em votar na CDU é grande desde exactamente ontem. E porquê? Porque ao dirigir-me ao supermercado dei com um carro com 2 autifalantes no tejadilho donde saiam frases aliciantes, como "Para melhores salários e melhores reformas, para combater o desemprego, vota na CDU!". Como resistir? Claro que não sei como a CDU vai conseguir isso, mas talvez valha a pena arriscar: melhores salários e melhores reformas, menos desemprego! Que bom que seria.

Bem, espero que não pensem que estou a falar a sério. O que não deixa de me impressionar é como é possível apelar ao voto com estas promessas e, principalmente, como há quem acredite.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Afinal PEC IV resolvia a crise!

Pensava que já conhecia bem José Sócrates depois de conviver diariamente com ele há 6 anos, via TV, jornais e vários documentos. Afinal continua a espantar-me. Hoje, no excerto do discurso que fez num jantar em Portimão, promovido pela Geração Activa (seja lá isso o que for) transmitido pela televisão, não teve vergonha nem a voz lhe tremeu quando afirmou que o PEC IV teria sido afinal suficiente para tirar Portugal da crise e que, se não tivesse sido chumbado por políticos irresponsáveis, apenas porque têm ambição do poder, não teria sido necessária a ajuda externa. Duas afirmações espantosas:
1) Se o PEC IV tem sido aprovado, como continuaríamos a financiarmo-nos sem os milhares de milhões do resgate? Será possível que Sócrates admita intimamente que os mercados se renderiam e nos emprestariam mais dinheiro a taxas suportáveis só por saberem que o PEC IV iria estar em vigor? Se as medidas do PEC IV fossem suficientes, porque admitiu o Governo que nas negociações fossem introduzidas no acordo tantas novas medidas, principalmente no que se refere a reformas estruturais? Então porque considerou o acordo como "bom"?
2) É crível que na situação aflitiva em que se encontra o país e com medidas tão duras a cumprir, alguém no seu perfeito juízo tenha ambição pelo poder? Até me inclino a aconselhar Passos Coelho a fugir enquanto é tempo.
Afinal não há motivo para espanto. Sócrates continua igual a si mesmo e estas afirmações deixam-nos antever como Sócrates cumpriria as medidas do acordo.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A não comunicação do Primeiro Ministro


Estava anunciada para hoje às 20:30 uma comunicação do Primeiro Ministro sobre o plano de ajuda a Portugal. Afinal a notícia não era verdadeira, porque o PM apareceu realmente diante das câmaras, mas nada comunicou de substancial. Só falou do que não estava no plano acordado, mas não do que estava e aproveitou para dar umas ferroadas na oposição, louvar a acção do Governo e elogiar o Ministro de Estado e das Finanças.

A propósito do Ministro das Finanças, foi também anunciado que acompanharia o PM. No entanto também este anúncio foi um engano. Estava realmente um senhor muito parecido com Teixeira dos Santos ao lado de Sócrates, mas não podia ser ele, pois não é verosímil que tendo tido grande responsabilidade nas conversações, como o PM asseverou, e estando presente, não proferisse uma única palavra. Um Ministro de Estado não serve de figura decorativa. Era com toda a certeza um sósia.

Portanto, depois de uma não comunicação e de uma não presença, fica tudo em aberto e teremos de aguardar até amanhã para sabermos quais são as verdadeiras medidas de austeridade

Exactamente

Li no Corta Fitas:

«Por estes dias, ouvir alguns ex-ministros de Sócrates como Campos e Cunha e Freitas do Amaral, ou ex-ministros socialistas, como Daniel Bessa ou Augusto Mateus, é quanto basta para perceber de quem é a principal responsabilidade por Portugal se encontrar na bancarrota.»

Exactamente!