terça-feira, 5 de outubro de 2010

Batalha naval

Francamente não sei se na altura em que se resolveu comprar 2 submarinos para substituir os nossos velhos essa decisão foi acertada ou não. Uns falam da necessidade dos submersíveis para defender a nossa área marítima, outros falam da situação económica já então desconfortável que desaconselharia a compra. Não sei quem tem razão. O que sei é que não dá para acreditar que o actual Governo não soubesse que tinha de pagar os submarinos e quando o teria de fazer. Tem razão Pinho Cardão, do Quarta República, quando diz:

«Incompetência, ignorância ou mentira, ou tudo junto?

O Governo sabia perfeitamente que o submarino contratado seria entregue este ano. Mas, incrivelmente, quer o 1º Ministro, quer o Ministro das Finanças não sabiam que tinham que o pagar. Por isso, gastaram alegremente noutras despesas os 500 milhões de euros do dito. Segundo os próprios, o Fundo de Pensões da PT, empresa privada e cotada, foi recrutado para obviar ao buraco, a esse e a outros. Rapidamente e em força.
Com isso, o 1º Ministro e o Ministro das Finanças habilidosamente escondem o défice. Mas o que não podem esconder é o aumento da dívida.
Porque não podem tocar no Fundo, consignado ao pagamento das pensões, lá vai mais um aumento de 500 milhões na dívida. Porque o Governo não poupou no que devia, porque não sabia que o submersível teria que ser pago!...
Nem sei qual a incompetência maior: se não saber que devia pagar, se vir dizê-lo em público. Isto para não dizer simplesmente que mentiram, quando disseram que ignoravam a data do pagamento...»

Foi o que pensei quando ouvi a desculpa esfarrapada.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ajuizar sobre o que se desconhece!

Logo em seguida à apresentação pelo Governo das principais medidas de austeridade, procurei na net informação escrita que me permitisse ler com calma para ficar a saber o que nos espera. Encontrei o Comunicado de Imprensa do Ministério das Finanças e fiquei a saber que não é nada de bom, mas claro que não pude encontrar em 4 páginas os pormenores que me permitissem ter uma opinião firme sobre a bondade das medidas preconizadas. Não duvido da necessidade de medidas de austeridade e estou com aqueles que pensam que já deveriam ter sido tomadas há muito. Mas avaliar em pormenor se estas são as melhores, se haveria alternativas, se vão ser eficazes, isso já não me parece possível.
É portanto com espanto que oiço o Primeiro Ministro pedir, reclamar, exigir e protestar por o PSD não dizer já o seu sentido de voto para o Orçamento de 2011 em que as medidas anunciadas serão aplicadas, chegando a ponto de afirmar que o "tabu" prejudica o País! Como pode o PSD ou Passos Coelho anunciar como deve votar um documento que não conhece, que talvez ainda nem sequer exista, só por ter conhecimento de um pequeno resumo sem pormenores e sem explicações? Acresce que, não tendo o Governo ainda dito nada sobre o resultado da aplicação do PEC em 2010, é ainda mais difícil saber como serão aplicadas as medidas propostas para 2011 e que consequências (boas e más) terão.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Perguntas oportunas

Ora aqui está um caso em que o comentário tem mais interesse e oportunidade do que o texto comentado. Eu também faço essa pergunta, mas ainda ninguém conseguiu responder-me.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Relatório da OCDE

Foi com satisfação que vi no blog Blasfémias uma ligação para o relatório da OCDE, hoje entregue em mão ao Ministro das Finanças, em versão integral.
Quando, num clima de verdadeira emergência nacional, se vê que proliferam os programas e as notícias sobre o diz-que-diz dos políticos, sem qualquer profundidade e sem discussão dos verdadeiros problemas do País (quando não são programas e notícias sobre futebol), é bom que haja quem se interesse sobre as verdadeiras questões que condicionarão o nosso futuro e o dos nossos filhos e netos.
Claro que nem toda a gente tem de ler o relatório na íntegra, mas quase toda a gente que se interessa pela economia nacional deve pelo menos fazer uma leitura parcial e ver os numerosos gráficos que elucidam muitos aspectos do que tem sido a nossa evolução num clima de crise.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Há praia no Poceirão?

Há tempos o nosso ministro das obras públicas justificava a necessidade da linha de TGV entre Madrid e Lisboa pelo facto de possibilitar que Lisboa fosse a praia dos madrilenos. Argumento de enorme peso, já que se sabe que em toda acosta de Espanha não existem praias melhores que as de Lisboa. Mas agora, já adjudicado e em vias de início da construção do troço Caia-Poceirão, eis que se anula o concurso do troço Poceirão-Lisboa (juntamente com a 3.ª travessia do Tejo). Admitindo que do lado espanhol tudo seguirá como programado, teremos um TGV Madrid-Poceirão. Haverá praia no Poceirão? Se não houver, sugiro desde já uma carreira de autocarros entre a estação de TGV do Poceirão e a Costa da Caparica, com desembarque directamente no areal.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quem nos salva, já que não sabemos salvar-nos?

Mais uma vez, não resisto a citar o 4R, sobre a degradação acelerada das finanças nacionais:

"No espaço de uma semana, não podiam ser piores as notícias para Portugal. Foram anunciados o maior desemprego de sempre e o maior risco de sempre para a dívida pública portuguesa.
Governar o país é difícil. Mas o primeiro dever do Governo deveria ser o de contar a verdade aos portugueses, em vez de estar sempre a iludi-la ou negá-la como sistematicamente fazem Sócrates e os seus ajudantes. Ou até de mentirem, mostrando triunfalismos saloios e absurdos sobre a evolução dos principais dados da economia.
Sem a verdade, não se mobilizam energias para a tarefa da recuperação.
Mas a quem tanto mentiu e persistiu na mentira, é impossível falar verdade, por uma vez que seja. Até porque equivaleria a confessar o erro, a mentira e o fracasso.
Nada, pois, há a esperar deste governo, a não ser sucessivos recordes negativos do desemprego e da dívida. Até que os credores se recusem a financiar e os desempregados derrubem o governo
."

É por notícias como esta que até considero positivo para o país que tenha sido aprovada a vigilância de Bruxelas sobre os orçamentos nacionais. Perdemos soberania, é certo, mas só porque não a soubemos merecer. Em vez de desembarcarem no Figo Maduro os homens (ou mulheres) do FMI, como o Prof. Medina Carreira esperava, teremos os alemães a impor-nos as regras que nos vão fazer doer, mas que podem endireitar as nossas finanças, como em tempos fez o Professor António, o que veio de Coimbra.

sábado, 4 de setembro de 2010

A islamização da Europa

Estrará para breve a islamização da Europa? Não creio, apesar de alguma condescendência que apresentamos em relação aos avanços de alguns aspectos mais radicais do Islão.
Mas o aviso de Khadafi vem a tempo:
"As noitadas de Sócrates (2) - à especial atenção do Jugular

Não sei se durante a noitada em Tripoli se discutiu a islamização da Europa. Consta que é o tema favorito de Kadafi quando está com os seus amigos. É capaz de ser boa ideia averiguar.

[A propósito da visita de Khadafi a Itália, realizada há cerca de uma semana]: