O conselho de ministros das finanças da União Europeia, convocado de urgência este Domingo para Bruxelas para preparar os pormenores do fundo decidido na reunião de chefes de estado e de governo, teve de se prolongar até tarde para chegar a acordo antes da abertura dos mercados asiáticos. Eu supunha ingenuamente que o assunto era importante para Portugal e para os cidadãos portugueses, que serão dos que mais sofrerão as consequências de uma crise do euro. Por isso dediquei parte do meu tempo a percorrer os canais de informação das televisões nacionais na esperança de saber novidades sobre as decisões dos ministros. Só consegui ver multidões com cachecois vermelhos e ouvir os gritos de vitória dos benfiquistas.
Só nos canais estrangeiros pude saber que os ministros estavam reunidos, com algumas imagens destes a cumprimentarem-se. Finalmente consegui alguns pormenores do mecanismo do fundo através de canais como o Bloomberg e a CNBC. Depois achei na net a notícia mais completa no sítio da Bloomberg. As nossas televisões continuavam (e suponho que ainda continuam) a transmitir imagens da grandiosa manifestação de adeptos do Benfica no Marquês de Pombal. Parece que a formação de um fundo de 500 mil milhões de euros e a estabilidade do próprio euro são coisas que não merecem grande atenção.
Júlio César lá sabia!
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
segunda-feira, 10 de maio de 2010
domingo, 9 de maio de 2010
O Governo não recua, Sócrates não muda de opinião
Francamente! Porque é que os órgãos de informação insistem em dizer que o Governo recuou nas grandes obras. São mal intencionados. Então não viram o Sr. PM afirmar veementemente que não mudou de opinião? Temos de acreditar portanto que não foi por pressão dos seus colegas da UE, nem pela recomendação do Presidente da República, nem pelas palavras de Constâncio, nem pela "chantagem" de Teixeira dos Santos (como diz o Blasfémias) nem pela esmagadora opinião dos melhores economistas portugueses que Sócrates decidiu adiar os investimentos tão importantes para o desenvolvimento do país. Não houve qualquer recuo. Não!, o Querido Líder não mudou de opinião: ele sempre pensou em suspender os grandes investimentos que ainda não estivessem adjudicados, só que não o dizia para não desanimar os seus súbditos.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Que dia!
Mas que dia!
Aviso da Moody's sobre a dívida portuguesa, com ameaça de descida de 1 a 2 níveis da nossa cotação.
Revisão, pela Comissão Europeia, das previsões económicas para Portugal, com melhoria do crescimento do PIB no presenta ano (que mesmo assim será inferior à previsão do governo e inferior à previsão do mesmo parâmetro para a zona euro), mas com piores valores para o PIB em 2011, para o desemprego e para o défice.
Regozijo do governo para esta revisão, como se fosse uma boa notícia.
Aviso do FMI de que o contágio da situação grega pode atingir Portugal.
(Para além de regozijar-se, que faz o governo?)
Um deputado do PS (membro da Comissão parlamentar de Ética, vice-presidente da bancada do Partido socialista, coordenador para a área da justiça) irrita-se durante uma entrevista e retira-se levando no bolso gravadores dos jornalistas que o entrevistavam.
3 mortos em Atenas depois de manifestantes incendiarem um banco com cocktails Molotov, durante violentos protestos contra as medidas de austeridade.
Derrocada em Lisboa com destruição de casas, felizmente sem vítimas.
Tempestade no Sul de França, atingindo Cannes e os preparativos para o festival de cinema.
Aviso da Moody's sobre a dívida portuguesa, com ameaça de descida de 1 a 2 níveis da nossa cotação.
Revisão, pela Comissão Europeia, das previsões económicas para Portugal, com melhoria do crescimento do PIB no presenta ano (que mesmo assim será inferior à previsão do governo e inferior à previsão do mesmo parâmetro para a zona euro), mas com piores valores para o PIB em 2011, para o desemprego e para o défice.
Regozijo do governo para esta revisão, como se fosse uma boa notícia.
Aviso do FMI de que o contágio da situação grega pode atingir Portugal.
(Para além de regozijar-se, que faz o governo?)
Um deputado do PS (membro da Comissão parlamentar de Ética, vice-presidente da bancada do Partido socialista, coordenador para a área da justiça) irrita-se durante uma entrevista e retira-se levando no bolso gravadores dos jornalistas que o entrevistavam.
3 mortos em Atenas depois de manifestantes incendiarem um banco com cocktails Molotov, durante violentos protestos contra as medidas de austeridade.
Derrocada em Lisboa com destruição de casas, felizmente sem vítimas.
Tempestade no Sul de França, atingindo Cannes e os preparativos para o festival de cinema.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Economia paralela
Parece que a economia paralela ou informal pode ter as suas vantagens na actual situação de crise. Eu já tinha pensado e discutido em família esse ponto de vista, mas confirmei essa hipótese ao ler isto. Portugal não tem, certamente, uma economia paralela da dimensão da grega, mas segundo certas estimativas não andará muito longe. Portanto podemos contar com esse sector para proteger a nossa economia. Também teremos os nossos heróis.
domingo, 2 de maio de 2010
Nuvem estranha sobre Lisboa
Não sei se mais alguém reparou, mas hoje pairou sobre Lisboa uma estranha nuvem oval diferente de todas as outras nuvens. Reparei nela pelas 18:20, a oeste de Lisboa, quando circulava pela Avenida Gago Coutinho. Observei depois a partir da Praça de Londres, perto do Sol que baixava no horizonte. A forma oval era ao princípio bem definida, ao contrário dos cirrostratos que se estendiam através do céu, e apresentava uma iridiscência estranha nas bordas, que era muito mais acentuada vista através de óculos escuros de lentes polarizadoras. Manteve-se aproximadamente no mesmo local alterando ligeiramente a forma para uma oval distorcida com feitio de rim ou de feijão e aumentando um pouco em dimensão.
Na parte média inferior apareceu uma zona acinzentada que parecia denotar nesse local uma maior espessura. Pelas 20:30 tinha-se espraiado por uma zona do céu mais extensa e os bordos ficaram menos definidos. Com o pôr do Sol adquiriu um tom rosado e aproximou-se da vertical de Lisboa cobrindo uma zona muito maior. Como não tinha máquina fotográfica à mão, tentei desenhar, sobre uma fotografia da Praça de Londres, o melhor que pude, mas o desenho está longe de reproduzir o que observei. Não creio em aparições sobrenaturais nem em extra-terrestres e presumo que se tratou de um fenómeno raro mas natural.

Gostaria de saber se mais alguém viu esta nuvem e o que achou.
Na parte média inferior apareceu uma zona acinzentada que parecia denotar nesse local uma maior espessura. Pelas 20:30 tinha-se espraiado por uma zona do céu mais extensa e os bordos ficaram menos definidos. Com o pôr do Sol adquiriu um tom rosado e aproximou-se da vertical de Lisboa cobrindo uma zona muito maior. Como não tinha máquina fotográfica à mão, tentei desenhar, sobre uma fotografia da Praça de Londres, o melhor que pude, mas o desenho está longe de reproduzir o que observei. Não creio em aparições sobrenaturais nem em extra-terrestres e presumo que se tratou de um fenómeno raro mas natural.

Gostaria de saber se mais alguém viu esta nuvem e o que achou.
sábado, 1 de maio de 2010
Euro ou não euro, eis a questão.
Ao procurar na net algum estudo de custo/benefício sobre o TGV, fui parar a um blog até hoje meu desconhecido - o DESMITOS - que em 17 de Abril publicou um interessante texto chamado "Um Jaguar chamado TGV", que não sendo um estudo dava uma visão da polémica TGV ou não TGV que achei interessante. De resto, entre os milhares de referências, encontrei muitas notícias, algumas opiniões, mas nenhum estudo. Já que o PM convidou um deputado a procurar este tipo de estudos na net, teria sido conveniente dar pistas como os encontrar.
Mas como o problema dos mitos e dos desmitos me interessa muito, continuei a vasculhar o blog e encontrei um postal sobre os custos e benefícios, não do TGV, mas sim da saída do euro. O tema interessa-me e penso que deve interessar todos os portugueses, os que têm dívidas como os que têm poupanças, os que compram produtos importados (que somos todos), como os que vendem produtos para exportação (que são muito poucos). Vale a pena ler. Mas, apesar de muito bem explicado e conter a mais completa informação sobre o assunto que vi até hoje, fiquei com algumas dúvidas:
Que aconteceria às dívidas sobre o exterior, seja do Estado seja de particulares (incluindo a banca neste conceito)? Depois da desvalorização do novo escudo, as dívidas em euros (e também as em dólares ou em outras moedas) ficariam mais elevadas em escudos e seriam mais difíceis de pagar. As importações também seriam mais caras e, embora isso servisse para as desencorajar, não se poderia passar sem elas, visto que não somos auto-suficientes. Como os bancos teriam de continuar a pedir financiamento no exterior, passariam a ter mais dificuldades em amortizá-lo e teriam, além disso, de fazer repercutir a desvalorização da moeda nacional aumentando os juros dos empréstimos.
Que aconteceria a quem tem empréstimos em euros, por exemplo para compra de habitação, de bancos portugueses? Seriam convertidos para os novos escudos? Em caso de a saída ser, como é provável, seguida de desvalorização da nova moeda nacional, o valor da dívida após a saída e a desvalorização seria equivalente ao valor em euros ou ao valor na nova moeda?
Que aconteceria a quem tem depósitos em euros em bancos portugueses? E em bancos estrangeiros?
Sem saber as respostas a estas questões, é difícil avaliar os benefícios e os custos.
Mas como o problema dos mitos e dos desmitos me interessa muito, continuei a vasculhar o blog e encontrei um postal sobre os custos e benefícios, não do TGV, mas sim da saída do euro. O tema interessa-me e penso que deve interessar todos os portugueses, os que têm dívidas como os que têm poupanças, os que compram produtos importados (que somos todos), como os que vendem produtos para exportação (que são muito poucos). Vale a pena ler. Mas, apesar de muito bem explicado e conter a mais completa informação sobre o assunto que vi até hoje, fiquei com algumas dúvidas:
Que aconteceria às dívidas sobre o exterior, seja do Estado seja de particulares (incluindo a banca neste conceito)? Depois da desvalorização do novo escudo, as dívidas em euros (e também as em dólares ou em outras moedas) ficariam mais elevadas em escudos e seriam mais difíceis de pagar. As importações também seriam mais caras e, embora isso servisse para as desencorajar, não se poderia passar sem elas, visto que não somos auto-suficientes. Como os bancos teriam de continuar a pedir financiamento no exterior, passariam a ter mais dificuldades em amortizá-lo e teriam, além disso, de fazer repercutir a desvalorização da moeda nacional aumentando os juros dos empréstimos.
Que aconteceria a quem tem empréstimos em euros, por exemplo para compra de habitação, de bancos portugueses? Seriam convertidos para os novos escudos? Em caso de a saída ser, como é provável, seguida de desvalorização da nova moeda nacional, o valor da dívida após a saída e a desvalorização seria equivalente ao valor em euros ou ao valor na nova moeda?
Que aconteceria a quem tem depósitos em euros em bancos portugueses? E em bancos estrangeiros?
Sem saber as respostas a estas questões, é difícil avaliar os benefícios e os custos.
Etiquetas:
TGV euro saída custo benefícios
Novo acto: volta tudo à mesma
Depois de assistir à interpelação ao Governo de hoje na AR, nomeadamente às intervenções do PM, tornou-se evidente que a conferência de imprensa de ontem do Ministro Mendonça foi encomendada por Sócrates para matar à nascença o efeito do anúncio de Teixeira dos Santos sobre a reavaliação dos grandes projectos. Tenho a certeza que o Ministro das Finanças, depois de ser desautorizado deste modo, só não se demitiu para evitar reacções adversas dos mercados.
Sócrates quer e agradece o apoio de Passos Coelho, mas desde que não tenha de ceder em nada. Os grandes projectos públicos, com as consequências conhecidas de aumento do endividamento externo, são-lhe queridos e não vai desistir deles. Quando um ministro vacila, mesmo que seja um ministro chave e insubstituível nas condições actuais, não hesita em impor a sua vontade mesmo que seja evidente que o está a desdizer.
Volto, em consequência, a estar outra vez muito céptico sobre os resultados do suposto entendimento Passos Coelho - Sócrates.
Sócrates quer e agradece o apoio de Passos Coelho, mas desde que não tenha de ceder em nada. Os grandes projectos públicos, com as consequências conhecidas de aumento do endividamento externo, são-lhe queridos e não vai desistir deles. Quando um ministro vacila, mesmo que seja um ministro chave e insubstituível nas condições actuais, não hesita em impor a sua vontade mesmo que seja evidente que o está a desdizer.
Volto, em consequência, a estar outra vez muito céptico sobre os resultados do suposto entendimento Passos Coelho - Sócrates.
Subscrever:
Mensagens (Atom)