No discurso de António Costa, substitua-se "nossa informação" por "nosso querido Primeiro-Ministro". Fica:
Um dos maiores problemas do País é a péssima qualidade do nosso querido Primeiro-Ministro, que só acorda para os problemas a meio das tragédias, esquecendo-se habitualmente do problema na hora certa de prevenir que a tragédia possa vir a acorrer.
Fica mais correcto. De facto, não cabe à "nossa informação", isto é, à comunicação social, prevenir tragédias. A sua missão é informar, ao contrário da do Governo. É certo que, quando Ministro dos Assuntos Internos, em 2006, António Costa aprovou uma legislação de limpeza das florestas, mas esqueceu-se de a fazer cumprir (e há dúvidas de que fosse eficaz em caso de ter sido cumprida). Quando Primeiro-Ministro, continuou a esquecer-se de que tal lei, supostamente de sua autoria, existisse. Só 2 anos depois, acordou, não no meio da tragédia, mas sim apenas no fim da tragédia, depois de merecidas férias e mais uns meses de tragédia em curso. Mas parece que a culpa é da "nossa informação". É preciso ter lata.
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
sexta-feira, 16 de março de 2018
terça-feira, 6 de março de 2018
40900
Alguém ainda se lembra da luta académica de 1962 a favor da autonomia da Universidade e contra o Decreto 40900? As críticas que se têm ouvido contra a contratação de Pedro Passos Coelho pelo ISCSP da UL levam a crer que já não. A esquerda contribuiu decisivamente para esta luta, desde a esquerda moderada e democrática até à esquerda comunista. E, nesse tempo, poderia considerar-se de esquerda todo aquele que estava contra a ditadura de Salazar, muitos dos quais são agora designados como de direita. O ódio que Passos Coelho suscita na actual esquerda, leva a uma verdadeira cegueira. Chega ao ridículo de afirmar que, se o PSD voltar ao poder, vamos ter novamente cortes nos salários da função pública e nas pensões, entre outras malfeitorias, como se os cortes não tivessem sido iniciados pelo PS no tempo de Sócrates e continuados porque o acordo com a troika feito pelo PS assim o exigia, como aliás exigia também a salvação das finanças do País. Se a Universidade é de opinião que a experiência governativa pode ajudar a transmitir critérios de Administração Pública, não são razões políticas que se devem sobrepor.
PS: Já depois de escrever isto, vi isto, com que concordo totalmente.
PS: Já depois de escrever isto, vi isto, com que concordo totalmente.
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Pedro Passos Coelho
sexta-feira, 2 de março de 2018
Critérios jornalísticos
Porque será que a confirmação por parte do INE de que o crescimento do PIB em 2017 foi 2,7%, reconhecimento este que não deu lugar a qualquer surpresa mas sim a inúmeras referências, mereceu uma interrogação por parte de jornalistas ao Presidente da República sobre o que pensava desse facto positivo e notável, mas, por outro lado, a notícia, conhecida no mesmo dia, dada pelo Banco de Portugal, de que a dívida pública voltou a aumentar em Janeiro (mil milhões) não teve grande eco nos meios de comunicação nem suscitou qualquer interrogação a Marcelo Rebelo de Sousa sobre o que poderia pensar deste facto negativo e detestável? Não quero acreditar que foi apenas para provocar mais um elogio do PR ao Governo de António Costa.
PS: A própria dívida pública líquida, que para mim é mais importante do que a bruta, aumentou 300 milhões.
PS: A própria dívida pública líquida, que para mim é mais importante do que a bruta, aumentou 300 milhões.
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Reconhecimento (II)
Também estou com Rodrigo Moita de Deus quando escreve no 31 da Armada: «Na sua cabeça até pode ter presidenciais esperanças para o dia em MRS se farte do lugar mas a verdade é que Passos Coelho sai de cena como o mau da fita. Mau líder da oposição. E o homem responsável pela "destruição do SNS", pelo "desinvestimento público", a "pior crise económica da democracia" e a probreza de milhares e milhares de portugueses. O pai da austeridade. O passismo tornou-se adjetivo. E o adjetivo não é um elogio. Uma narrativa da esquerda que o próprio, por omissão, deixou vingar. A política tem destas injustiças. Passos fez o que mais ninguém quis fazer - nem o PS. Assumiu responsabilidades que mais ninguém quis assumir - nem o Presidente. E, contra todas as expectativas, conseguiu. E conseguiu mesmo. O país que não tinha dinheiro para o ordenado dos funcionários públicos evitou a ruptura. O governo que não tinha condições para sobreviver mais de três meses durou um mandato inteiro e até ganhou as eleições. Ao país herdado e falido de 2011 valeu a teimosia daquele homem. Tudo o resto é conversa. E no fundo, no fundo, a Catarina, o Jerónimo e o António até sabem disso.»
PS: Não dou qualquer importância a comentários de anónimos. Até ficarei muito divertido se o Sr. Anónimo que se fartou de rir ao ler o meu artigo anterior também achar graça a este.
PS: Não dou qualquer importância a comentários de anónimos. Até ficarei muito divertido se o Sr. Anónimo que se fartou de rir ao ler o meu artigo anterior também achar graça a este.
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
Reconhecimento
A despedida de Pedro Passos Coelho pode ter sido sentida por alguns com alívio, mas terá sido, certamente, o próprio o que maior alívio sentiu. Atacado, incompreendido e caluniado, Passos Coelho saiu da cena política calmamente e com dignidade. Estou com os que lhe prestaram homenagem. Em particular com Ricardo Campelo de Magalhães, que escreveu há dias n'O Insurgente: «É um tempo novo, mas não queria deixar passar a oportunidade de
agradecer todo o serviço de Passos Coelho ao país. Em meu nome e em nome
de todos os que apreciam uma certa forma de fazer política: Muito Obrigado!». Estou também com Luís Rosa, que escreveu no Observador outro agradecimento a Passos Coelho de que João Távora retirou para o Corta-Fitas o seguinte excerto: «
(...) Ao
contrário de todos os outros, e por única e exclusiva culpa de um deles
(José Sócrates), Passos Coelho teve de gerir um país à beira da
bancarrota, focado que estava em cumprir um único programa de
ajustamento para evitar repetir a tragédia da Grécia. Tudo ao mesmo
tempo que reconstruia o tecido económico nacional com um enfoque
estratégico no sector exportador de valor acrescentado que permitisse um
equilíbrio sustentável da nossa Balança de Pagamentos, que construía
reformas importantes na legislação laboral para atraír investimento
direto estrangeiro, que criava uma legislação no arrendamento que acabou
com décadas a fio de iniquidades derivadas do congelamento das rendas
que promoveu o abandono e a decadência dos nossos principais centros
urbanos e que liberaliza sectores estratégicos da nossa economia de
forma a combater o desemprego e a promover o progresso económico.
Mais do que o “não” a Ricardo Salgado para envolver a Caixa Geral de Depósitos na viabilização de um Grupo Espírito Santo falido — o que permitiu-lhe ser coerente e consequente com um pensamento económico liberal que não vê o Estado como o motor da economia ou como o salvador promíscuo de empresas inviáveis a troco de um controlo político de instituíçoes que devem orientar-se pelo valor que criam para os seus acionistas — mais do que esse fundamental “não” que muito poucos seriam capazes de dizer, um dos contributos mais importantes de Passos Coelho para um aprofundamento da democracia portuguesa foi a construção de uma Justiça verdadeiramente independente que pôde finalmente cumprir o seu papel: escrutinar todos aqueles que se julgavam acima da lei e investigar tudo o que fosse necessário independentemente do poder político, social e económico dos respetivos protagonistas. (...) Em suma, estou com os que reconhecem a justeza da política de Passos Coelho. Temo que Portugal não o tenha merecido.
Mais do que o “não” a Ricardo Salgado para envolver a Caixa Geral de Depósitos na viabilização de um Grupo Espírito Santo falido — o que permitiu-lhe ser coerente e consequente com um pensamento económico liberal que não vê o Estado como o motor da economia ou como o salvador promíscuo de empresas inviáveis a troco de um controlo político de instituíçoes que devem orientar-se pelo valor que criam para os seus acionistas — mais do que esse fundamental “não” que muito poucos seriam capazes de dizer, um dos contributos mais importantes de Passos Coelho para um aprofundamento da democracia portuguesa foi a construção de uma Justiça verdadeiramente independente que pôde finalmente cumprir o seu papel: escrutinar todos aqueles que se julgavam acima da lei e investigar tudo o que fosse necessário independentemente do poder político, social e económico dos respetivos protagonistas. (...) Em suma, estou com os que reconhecem a justeza da política de Passos Coelho. Temo que Portugal não o tenha merecido.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Aborto ortográfico
Desta vez até estou de acordo com uma proposta do PCP agora em discussão na Assembleia da República. Abaixo o aborto ortográfico. Lembremos os argumentos da Vasco Graça Moura. Bem ajam os que assinaram a petição e os que se associaram a ela, como Bagão Félix, António Lobo Antunes, Eduardo Lourenço, Mota Amaral,
Pacheco Pereira, Ribeiro e Castro, Júlio Isidro, Manuel Alegre, Maria
Filomena Mónica, Miguel Sousa Tavares, Richard Zimler ou Rui Veloso,
entre outros, e as organizações como a Sociedade Portuguesa de Autores,
Associação Nacional de Professores de Português e o Centro de Estudos
Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Esperemos que os fortes argumentos contra este aborto tenham eco nas posições da maioria dos deputados.
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
A garrafa de Lisboa é inglesa
A EPAL teve a ideia de convidar o arquitecto Álvaro Siza Vieira a desenhar uma garrafa que evocasse a "história e o património de Lisboa", como homenagem às "matérias primas [a]os artistas nacionais. Boa ideia, sem dúvida. O desenho da garrafa é inspirado "na Torre de Ulisses, fundador lendário da cidade". Talvez a EPAL se refira ao Ulisses de James Joyce e não ao herói grego, só assim se poderá justificar que alguém, não sei se da EPAL ou o próprio Siza Vieira, tenha pensado que era apropriado dar à garrafa um nome inglês: Lisbon Soul. Assim talvez tivesse sido mais lógico que a garrafa evocasse a história e o património de Londres ou mesmo de Dublin em homenagem às matérias primas e aos artistas ingleses ou talvez irlandeses. Ou, mais prosaicamente, alguém pensou que seria mais conveniente apostar no mercado dos turistas ou até da exportação e um nome em português seria mesquinho. Já agora, porque é que a EPAL não passa a vender water aos seus clientes, Lisbon water.
Não cobro nada pela ideia.
Não cobro nada pela ideia.
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