Também estou com Rodrigo Moita de Deus quando escreve no 31 da Armada: «Na sua cabeça até pode ter presidenciais esperanças para o dia em MRS se farte do lugar mas a verdade é que Passos Coelho sai de cena como o mau da fita. Mau líder da oposição. E o homem responsável pela "destruição do SNS", pelo "desinvestimento público", a "pior crise económica da democracia" e a probreza de milhares e milhares de portugueses. O pai da austeridade. O passismo tornou-se adjetivo. E o adjetivo não é um elogio. Uma narrativa da esquerda que o próprio, por omissão, deixou vingar. A política tem destas injustiças. Passos fez o que mais ninguém quis fazer - nem o PS. Assumiu responsabilidades que mais ninguém quis assumir - nem o Presidente. E, contra todas as expectativas, conseguiu. E conseguiu mesmo. O país que não tinha dinheiro para o ordenado dos funcionários públicos evitou a ruptura. O governo que não tinha condições para sobreviver mais de três meses durou um mandato inteiro e até ganhou as eleições. Ao país herdado e falido de 2011 valeu a teimosia daquele homem. Tudo o resto é conversa. E no fundo, no fundo, a Catarina, o Jerónimo e o António até sabem disso.»
PS: Não dou qualquer importância a comentários de anónimos. Até ficarei muito divertido se o Sr. Anónimo que se fartou de rir ao ler o meu artigo anterior também achar graça a este.
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
sexta-feira, 2 de março de 2018
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
Reconhecimento
A despedida de Pedro Passos Coelho pode ter sido sentida por alguns com alívio, mas terá sido, certamente, o próprio o que maior alívio sentiu. Atacado, incompreendido e caluniado, Passos Coelho saiu da cena política calmamente e com dignidade. Estou com os que lhe prestaram homenagem. Em particular com Ricardo Campelo de Magalhães, que escreveu há dias n'O Insurgente: «É um tempo novo, mas não queria deixar passar a oportunidade de
agradecer todo o serviço de Passos Coelho ao país. Em meu nome e em nome
de todos os que apreciam uma certa forma de fazer política: Muito Obrigado!». Estou também com Luís Rosa, que escreveu no Observador outro agradecimento a Passos Coelho de que João Távora retirou para o Corta-Fitas o seguinte excerto: «
(...) Ao
contrário de todos os outros, e por única e exclusiva culpa de um deles
(José Sócrates), Passos Coelho teve de gerir um país à beira da
bancarrota, focado que estava em cumprir um único programa de
ajustamento para evitar repetir a tragédia da Grécia. Tudo ao mesmo
tempo que reconstruia o tecido económico nacional com um enfoque
estratégico no sector exportador de valor acrescentado que permitisse um
equilíbrio sustentável da nossa Balança de Pagamentos, que construía
reformas importantes na legislação laboral para atraír investimento
direto estrangeiro, que criava uma legislação no arrendamento que acabou
com décadas a fio de iniquidades derivadas do congelamento das rendas
que promoveu o abandono e a decadência dos nossos principais centros
urbanos e que liberaliza sectores estratégicos da nossa economia de
forma a combater o desemprego e a promover o progresso económico.
Mais do que o “não” a Ricardo Salgado para envolver a Caixa Geral de Depósitos na viabilização de um Grupo Espírito Santo falido — o que permitiu-lhe ser coerente e consequente com um pensamento económico liberal que não vê o Estado como o motor da economia ou como o salvador promíscuo de empresas inviáveis a troco de um controlo político de instituíçoes que devem orientar-se pelo valor que criam para os seus acionistas — mais do que esse fundamental “não” que muito poucos seriam capazes de dizer, um dos contributos mais importantes de Passos Coelho para um aprofundamento da democracia portuguesa foi a construção de uma Justiça verdadeiramente independente que pôde finalmente cumprir o seu papel: escrutinar todos aqueles que se julgavam acima da lei e investigar tudo o que fosse necessário independentemente do poder político, social e económico dos respetivos protagonistas. (...) Em suma, estou com os que reconhecem a justeza da política de Passos Coelho. Temo que Portugal não o tenha merecido.
Mais do que o “não” a Ricardo Salgado para envolver a Caixa Geral de Depósitos na viabilização de um Grupo Espírito Santo falido — o que permitiu-lhe ser coerente e consequente com um pensamento económico liberal que não vê o Estado como o motor da economia ou como o salvador promíscuo de empresas inviáveis a troco de um controlo político de instituíçoes que devem orientar-se pelo valor que criam para os seus acionistas — mais do que esse fundamental “não” que muito poucos seriam capazes de dizer, um dos contributos mais importantes de Passos Coelho para um aprofundamento da democracia portuguesa foi a construção de uma Justiça verdadeiramente independente que pôde finalmente cumprir o seu papel: escrutinar todos aqueles que se julgavam acima da lei e investigar tudo o que fosse necessário independentemente do poder político, social e económico dos respetivos protagonistas. (...) Em suma, estou com os que reconhecem a justeza da política de Passos Coelho. Temo que Portugal não o tenha merecido.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Aborto ortográfico
Desta vez até estou de acordo com uma proposta do PCP agora em discussão na Assembleia da República. Abaixo o aborto ortográfico. Lembremos os argumentos da Vasco Graça Moura. Bem ajam os que assinaram a petição e os que se associaram a ela, como Bagão Félix, António Lobo Antunes, Eduardo Lourenço, Mota Amaral,
Pacheco Pereira, Ribeiro e Castro, Júlio Isidro, Manuel Alegre, Maria
Filomena Mónica, Miguel Sousa Tavares, Richard Zimler ou Rui Veloso,
entre outros, e as organizações como a Sociedade Portuguesa de Autores,
Associação Nacional de Professores de Português e o Centro de Estudos
Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Esperemos que os fortes argumentos contra este aborto tenham eco nas posições da maioria dos deputados.
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
A garrafa de Lisboa é inglesa
A EPAL teve a ideia de convidar o arquitecto Álvaro Siza Vieira a desenhar uma garrafa que evocasse a "história e o património de Lisboa", como homenagem às "matérias primas [a]os artistas nacionais. Boa ideia, sem dúvida. O desenho da garrafa é inspirado "na Torre de Ulisses, fundador lendário da cidade". Talvez a EPAL se refira ao Ulisses de James Joyce e não ao herói grego, só assim se poderá justificar que alguém, não sei se da EPAL ou o próprio Siza Vieira, tenha pensado que era apropriado dar à garrafa um nome inglês: Lisbon Soul. Assim talvez tivesse sido mais lógico que a garrafa evocasse a história e o património de Londres ou mesmo de Dublin em homenagem às matérias primas e aos artistas ingleses ou talvez irlandeses. Ou, mais prosaicamente, alguém pensou que seria mais conveniente apostar no mercado dos turistas ou até da exportação e um nome em português seria mesquinho. Já agora, porque é que a EPAL não passa a vender water aos seus clientes, Lisbon water.
Não cobro nada pela ideia.
Não cobro nada pela ideia.
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
Tanta pressa porquê?
As eleições para o novo Presidente do PSD decorreram no último Sábado, dia 13, no 1.º dia do fim-de-semana, período de merecido descanso. Hoje é, portanto, o primeiro dia útil após a eleição de Rui Rio, que não teve tempo para fazer contactos para quaisquer alterações de órgãos dirigentes do partido. Como é presidente eleito, mas só tomará posse depois do Congresso, que apenas decorrerá daqui a um mês, não é exigível que comece já hoje com quaisquer iniciativas. Mas parece que os barões e baronetes do partido e vários politólogos não pensam assim e todos decidiram dar sugestões, quase exigências, sobre o que Rui Rio deve fazer e até do que já deveria ter feito. Como se estas sugestões e quase exigências não fossem suficientes, sugere-se ainda que os titulares de cargos no Partido tomem eles próprios a iniciativa que, pensam, se impõe após e vitória de Rio. Marques Mendes abriu logo no Domingo o espectáculo declarando que Hugo Soares deveria pôr o lugar à disposição, logo imitado por Manuela Ferreira Leite. Qual é a pressa? E põe-se a questão, que parece não aflorar aos neurónios de Mendes nem de Ferreira Leite: pôr o lugar à disposição de quem? O lugar de Hugo Soares como Presidente do grupo parlamentar do PSD, é de escolha do dito grupo parlamentar. Ora o Presidente do partido mudou ou mudará no próximo congresso, mas os deputados que formam o grupo parlamentar não mudaram nem se prevê que mudem até lá. Portanto ou todos colocariam o seu respectivo lugar à disposição dos eleitores, os que os elegeram, o que é impossível, ou então não tem sentido mudarem de opinião por irem mudar de Presidente. Claro que toda a gente sabe que as escolhas dos deputados são influenciadas, quando não comandadas, pela direcção política, mas também se dá o caso de que esta ainda é a mesma. Por estas razões parece-me que Mendes e Ferreira Leite se apressaram demasiado. Deixem Rui Rio decidir, falar e, principalmente, tomar posse, e dêem então as sugestões que quiserem, mesmo as que não tenham qualquer cabimento.
domingo, 14 de janeiro de 2018
Notícias de 1623
Não é uma notícia recente, muito menos de última hora, mas não deixa de ter actualidade nos dias de hoje. Leio em "História de Portugal por datas", Temas e Debates, 3.ª edição, 2000, a seguinte notícia: "1623 [31 de Janeiro] Carta de lei que estabelece que os funcionários públicos devem proceder à declaração de bens." Já havia, portanto, a preocupação de vigiar o enriquecimento não justificado dos titulares de cargos públicos e, mais do que agora, mesmo de todos os funcionários públicos! Note-se que isto acontece durante a dinastia filipina. Não sei se esta medida se manteve depois da restauração.
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
O pior
O pior não é uns deputados, na verdade a grande maioria deles, terem cozinhado uma lei às escondidas, aprovando-a disfarçadamente num dia em que pensavam que todas as pessoas estavam distraídas e não davam por isso. O pior não é terem aprovado essa lei para permitir que os partidos se pudessem financiar à fartazana e sem limites. O pior não é arrogarem-se o direito de isentar os respectivos partidos de pagar IVA. O pior não é não terem a noção de que havia um claro conflito de interesses na aprovação dessa lei, feita para lhes facilitar a vida. O pior não é terem mentido ao afirmar que se tinham limitado a esclarecer dúvidas que a lei anterior suscitava. O pior não é os deputados que aprovaram a lei não terem tido a sequer esperteza, já não digo a inteligência, de pensar que o povo não é parvo e alguém havia de dar pelo disparate e que a aprovação pelo Presidente da República era improvável. Tudo isso é grave, é gravíssimo, mas nada disso é o pior.
O pior é que são estes indivíduos que mandam em nós, fabricando as leis que nos regem, nomeando o Governo que nos governa. Isso é que é o pior. E com estes indivíduos mais o Governo que escolhem a mandarem assim em nós não admira que o País vá tão mal como vai.
O pior é que são estes indivíduos que mandam em nós, fabricando as leis que nos regem, nomeando o Governo que nos governa. Isso é que é o pior. E com estes indivíduos mais o Governo que escolhem a mandarem assim em nós não admira que o País vá tão mal como vai.
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