terça-feira, 12 de abril de 2016

Banco mau

António Costa teve a brilhante ideia (terá mesmo sido ideia dele?) de fundar um banco mau para limpar o sistema financeiro. Não compreendo a necessidade: ele já há tantos bancos maus!

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Panama papers

Quanto mais leio, ouço e vejo o que se diz sobre os papéis do Panamá, mais ignoro qual o interesse que uma associação de jornalistas lhe conferem ou como podem dizer algo que o cidadão comum precise de saber. Que me perdoe Sophia, mas nem sempre ler, ouvir e ver evita a ignorância.

Até agora, fiquei a saber que existem off-shores onde cavalheiros honrados e também posivelmente tipos menos honrados podem investir ou guardar dinheiro com fins legais ou talvez menos legais. Mas isso já toda a gente sabia. Fiquei também a saber que há muitos nomes nesses papéis, uns de pessoas conhecidas e outros de completos desconhecidos, entre os quais 204 portugueses. Alguns dos nomes foram divulgados, não sei para quê, porque não se sabe se essas pessoas praticaram actos lícitos ou ilícitos. Parece-me um completo flop.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Desculpas condicionais

O caso escabroso das ameaças de bofetear dois comentadores políticos por parte do então Ministro da Cultura, João Soares, mereceu enorme atenção dos órgãos de comunicação, dos comentadores, dos políticos e das redes sociais. O sentido geral foi de condenação, o que considero inteiramente merecido. A excepção mais notável veio do PS, com a intervenção do deputado Ascenso Simões, que lamentou que, perante a actual "vida liofilizada" se tenha "evaporado da vida pública" a "grandeza do discurso político viril". Esta reacção é tão idiota quanto as ameaças do ex-ministro. Depreendo que Ascenso Simões considera que há grandeza em ameaçar com bofetadas e que o discurso político deve ser viril, o que me parece nem sempre ser pouco adequado, já que actualmente o discurso é frequentemente proferido por fêmeas, deputadas, comentadoras ou simples cidadãs, cuja virilidade se dispensa. Considera ainda uma pena que a vida actual seja liofilizada. Prefere a grosseria à pureza da liofilização!

Mas, voltando às origens do caso, o que mais me fez ver quão grosseira e mesquinha foi a ameaça do então ministro foi o próprio pedido de desculpas ter sido condicional, ao dizer "Peço desculpa se os assustei." Ora se os visados não se assustaram, como perece que foi o caso, as desculpas não se aplicam. Soares arma em valentão que pensa que assusta os incautos com as suas ameaças. De certo medo, este pedido de desculpas condicional equivale a uma acusação de cobardia dos visados. Como é costume dizer, é pior a emenda que o soneto.

PS: Espero que este texto não me sujeite a ser ameaçado de levar bofetadas ou pior. Por mim, fico desde já assustado.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Holanda diz não

Houve um referendo na Holanda sobre a aceitação ou não do acordo UE/Ucrânia. Segundo as últimas notícias da Euronews, o "não" ganhou. Há expectativa sobre a participação: se for superior a 30%, o resultado do referendo será vinculativo. Um "não" terá um grande impacto no futuro da UE. Mas não consegui ouvir uma única notícia sobre o assunto nas cadeias de televisão portuguesas. Será que não compreendem a importância do assunto?

terça-feira, 5 de abril de 2016

O escândalo do momento

Todos os jornais televisivos começam do mesmo modo com grandes reportagens cheias de pormenores sobre os Panama Papers. Ficamos a saber que há muita gente, incluindo enpresários risos, políticos, desportistas e outros, que têm fortunas em paraísos fiscais, que movimentam grandes quantidades de dinheiro, que possuem empresas fantasmas e fazem circular quantias enormes de modo a que seja extremamente difícil seguir-lhes o rasto e sequer identificar os proprietários. Isto dificilmente é novidade, só que foram encontrados documentos que o comprovam. Para dizer a verdade, ou sou eu que não percebo ou é o assunto que está muito mal esclarecido. Vamos a ver: É perfeitamente legal ter dinheiro no estrangeiro, mesmo em off-shores ou em empresas fantasma. o que é ilegal é não declarar os rendimentos, sejam obtidos em que parte do mundo forem. As notícias falam na possibilidade de os investimentos em off-shores estarem relacionados com corrupção, lavagem de dinheiro, actividades criminosas ou simplesmente fuga ao fisco, mas ainda não ouvi mencionar dados concretos sobre algum caso provado ou mesmo suspeito. Claro que não sou ingénuo a ponto de pensar que todos os milhões de documentos divulgados se referem a dinheiro perfeitamente legal e é bom que tudo seja investigado, mas dar as notícias como se já houvesse provas, com nomes e tudo, não é boa prática jornalística. Como eu disse em tempos, os grandes escândalos são bons para melhorar as audiências. Mas neste caso, como em outros, só haverá verdadeiro escândalo quando as investigações encontrarem os actos criminosos por trás do que está divulgado nos Panama Papers.

domingo, 3 de abril de 2016

Salvação

Informa Pedro Arroja que "O Papa Francisco tem causado impacto em certos meios católicos mais tradicionais por algumas das suas afirmações. Uma delas é a de que a salvação está aberta aos ateus."

 Alegra-me a notícia. Pelo sim, pelo não, se eu estiver enganado e afinal Deus sempre existir, sempre tenho uma chance. Boa.

terça-feira, 29 de março de 2016

O comentador

Igual a si próprio, Marcelo Rebelo de Sousa dedicou 11 minutos a comentar o Orçamento de Estado. Também igual a si próprio, referiu as circunstâncias em que foi elaborado, a estratégia seguida, os aspectos positivos, os aspectos negativos e o que se pode seguir em consequência. É compreensível que o Presidente da República não devia dar a sua opinião sobre se considerava o Orçamento bom ou mau. Agiu pois correctamente em tecer as considerações que teceu sem dar uma valorização política própria, positiva ou negativa, ao contrário do que faria se fosse um comentador político. O que me surpreendeu é que, quando era comentador político, também dava sempre uma no cravo, outra na ferradura, sem exprimir valorizações pessoais. Referia-se à estratégia e não à bondade ou aos valores dos factos que comentava. Se acho bem esta conduta como PR, sempre a contestei como comentador e é com certa ironia que vejo continuar a si próprio no novo papel que agora representa.