Ganhou o "não". Nada ficou resolvido. Tsipras diz que os gregos recuperaram a dignidade. Que se segue?
Ver:
A tragédia dos gregos IV
Nunca tinha visto tanta gente satisfeita por ir sofrer um calote
Todos socialistas
Ainda há fronteiras
Agora aturem-nos
É preciso ser-se muito ingénuo
Varoufakis severíssimo com a "chantagem"
Afinal este referendo serviu para quê?
O Primeiro Ministro grego entende estar em melhor posição para negociar mas engana-se
...
Muito mais haveria a dizer, mas os próximos dias poderão mudar tudo.
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
segunda-feira, 6 de julho de 2015
domingo, 5 de julho de 2015
Se não houvesse PS
António Costa afirmou que a Grécia é "a dramática ilustração do que seria a situação em Portugal se não houvesse em Portugal o PS". Não percebi como teria chegado a esta conclusão singular. É sempre difícil chegar a qualquer conclusão na base de o que seria se não fosse como é. Mas, pensando sobre o assunto, parecia-me que era pouco provável que, se não houvesse o PS em Portugal, os votos dos portugueses se concentrassem de tal modo no Bloco de Esquerda que pudesse resultar um governo comparável ao actual da Grécia. Mas hoje tive ocasião de saber a base do raciocínio: Se não houvesse PS, diz Costa, o país estaria assim condenado "a ter de escolher a continuidade da austeridade que a direita defende ou a ruptura com o euro que a esquerda radical defende". Singular raciocínio. Na ausência do PS, surgiria certamente um partido com qualquer outro nome que representasse a esquerda moderada. De resto, o PS quase mergulhou o País em 2011 numa situação que teria conduzido a um colapso à grega se tivesse continuado a seguir políticas semelhantes. Não foi o PS, mas sim a coligação PSD/CDS que aplicou as medidas que a troika preconizou e que o PS aceitou e que nos permitiram ultrapassar o pior da crise. Entretanto, o PS, embora com direcções diferentes, sempre combateu o rumo de consolidação orçamental seguido, e não pelos defeitos que a sua aplicação possa ter, mas sim exactamente em sentido contrário, colocando-se mais perto das políticas defendidas pelo Syriza do que da correcta aplicação das medidas negociadas pelo próprio PS.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
A democracia vista por Mariza Matias
A Euronews ofereceu-nos hoje uma notícia alargada sobre a questão grega. Decidiu ouvir opiniões de políticos de países que podem ser afectados pela eventual saída da Grécia do euro. Não sei a que critério obedeceu a escolha dos entrevistados, mas o critério jornalístico seguido entendeu que a representante portuguesa deveria ser a deputada europeia Mariza Matias. Assim pudemos ouvir afirmações sobre questões relacionadas com a comparação entre a situação grega e a portuguesa e ficámos a saber que estas duas situações são iguais. Entre outros factores, em Portugal, como na Grécia, "o desemprego está a crescer" e "a dívida portuguesa é tão insustentável como a grega". Mas nem tudo é igual; a diferença está em que "o povo grego tem a possibilidade de decidir; o povo português não". É realmente uma pena que, ao contrário da Grécia, em Portugal se viva num regime de ditadura em que o povo não pode decidir por não haver eleições.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Demasiado ridículo 2
Em aditamento ao que escrevi sobre as fatiotas dos guardas gregos, tenho a acrescentar que nada tenho sobre as indumentárias regionais e históricas de cada país. Se fossem apresentados assim vestidos num festival folclórico ou participassem com as mesmas roupagens e até com os mesmos passos em demonstrações históricas ou regionais, não os consideraria ridículos. É o facto de fazerem as suas manobras solenemente diante da casa da democracia grega que me parece que pode causar sorrisos ou mesmo gargalhadas aos estrangeiros menos habituados. Para apreciar o meu ponto de vista, suponhamos que as fardas da guarda da Assembleia da República eram estas:
Não vos parece um pouco despropositado? No entanto, as mesmas roupagens, no contexto das danças tradicionais mirandesas não nos parecem deslocadas nem suscitam risos.
Claro que os gregos têm todo o direito de adoptar para a sua guarda o traje que quiserem e há que respeitar isso. Mas lá que é ridículo, é.
Não vos parece um pouco despropositado? No entanto, as mesmas roupagens, no contexto das danças tradicionais mirandesas não nos parecem deslocadas nem suscitam risos.
Claro que os gregos têm todo o direito de adoptar para a sua guarda o traje que quiserem e há que respeitar isso. Mas lá que é ridículo, é.
Demasiado ridículo
Descobri o que há de errado com a Grécia e porque não se consegue entender com o FMI, nem com o BCE, nem com a UE. E descobri-o apenas vendo televisão. O problema não está nas ideias de Tsipras, nem na arrogância de Veroufakis, nem na política do Syriza. A questão é o tremendo ridículo das fardas dos guardas gregos e dos incríveis passos que dão levantando a perna mais do que uma bailarina ou uma ginasta.
Faz.me mesmo lembrar o célebre Ministério dos Passos Ridículos dos Monty Python.
Não é possível levar a sério os gregos depois de assistir às manobras de render da guarda ou mesmo ao simples desfilar diante do Parlamento. O ridículo é mesmo demasiado.
PS: Atenção: Quando falo no Ministério dos Passos Ridículos não tenho em mente nenhum ministério de alguém de nome Passos. Os passos de Passos podem ser tudo, menos ridículos. Aliás acho de muito mau gosto piadas baseadas em nomes das pessoas.
Faz.me mesmo lembrar o célebre Ministério dos Passos Ridículos dos Monty Python.
Não é possível levar a sério os gregos depois de assistir às manobras de render da guarda ou mesmo ao simples desfilar diante do Parlamento. O ridículo é mesmo demasiado.
PS: Atenção: Quando falo no Ministério dos Passos Ridículos não tenho em mente nenhum ministério de alguém de nome Passos. Os passos de Passos podem ser tudo, menos ridículos. Aliás acho de muito mau gosto piadas baseadas em nomes das pessoas.
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guardas gregos passos ridículos Monty Pyton
terça-feira, 30 de junho de 2015
Referendos apressados
A pressa com que Tsipras convocou e quer realizar um referendo para repudiar ou aceitar as condições propostas pelos credores faz-me lembrar outro referendo convocado e realizado à pressa recentemente. Foi o da separação da Crimeia da Ucrânia e simultânea adesão à Rússia. Este foi asperamente criticado no Ocidente, não só pela pressa como pela inexistência de debate preparativo. Não me parece que o actual referendo na Grécia vá ter muito mais debate interno; houve um enorme debate anterior, mas nas instâncias internacionais. Até que ponto é que no curto decorrer desta semana o povo grego vai poder compreender o que está em jogo e debater livremente o assunto é para mim uma incógnita. Não condeno a realização do referendo, afinal a Grécia é um estado soberano e a iniciativa de referendar ou não os acordos em discussão é um acto interno que as autoridades gregas têm todo o direito de tomar. Aliás, em comparação com o referendo na Crimeia, tem uma diferença fundamental: É convocado por quem tem a autoridade legal para o fazer. No entanto, apesar de legítimo, arrisca-se a ser praticado por votantes pouco informados e hesitantes, qualquer que seja o resultado.
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referendo Grécia Crimeia pressa debate
segunda-feira, 29 de junho de 2015
Teoria dos Jogos
Quando da formação do Governo grego, foi anunciado que o Ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, era um professor universitário formado em economia e especialista na Teoria dos Jogos. Pois bem, face aos últimos acontecimentos, já ouvi dizer que "os a Teoria dos Jogos é uma treta ou então Varoufakis é muito mau professor. O certo é que o Governo Grego apostou no bluff e meteu-se num grande sarilho. Apostou em esticar a corda ao máximo pensando que, se arriscasse muito, a outra parte, isto é, o FMI, a UE e o BCE, mais o Eurogrupo, acabariam por ceder para além do que desejariam, já que se sabia que consideravam necessário chegar a um compromisso. O Governo Grego e o próprio Varoufakis arriscaram demasiado e mesmo que ainda haja compromisso possível, o que não parece provável, não pouparam o povo grego a um grande susto, que se pode tornar numa grande desgraça.
A ideia de fazer um referendo para aceitação ou não das condições dos credores pode parecer brilhante, mas veio muito tarde para ser útil. Para já os gregos vão ter dificuldades de fazer uma vida normal sem acesso ao seu dinheiro depositado nos bancos durante pelo menos uma semana. Depois, se vencer o sim, não se sabe se as conversações poderão ser retomadas depois de ter terminado o resgate e, mesmo que o sejam, como pode o Siriza continuar a governar contra as suas ideias e o que defendeu vigorosamente. Se vencer o não, as dificuldades irão ser ainda maiores, com a Grécia na banca-rota e sem acesso aos mercados nem à ajuda da UE.
PS: Já depois de escrever esta nota, verifiquei que não sou o único a lembrar a especialização de Varoufakis e a aplicação da Teoria dos Jogos ao caso grego. Ver no Público e o Económico.
A ideia de fazer um referendo para aceitação ou não das condições dos credores pode parecer brilhante, mas veio muito tarde para ser útil. Para já os gregos vão ter dificuldades de fazer uma vida normal sem acesso ao seu dinheiro depositado nos bancos durante pelo menos uma semana. Depois, se vencer o sim, não se sabe se as conversações poderão ser retomadas depois de ter terminado o resgate e, mesmo que o sejam, como pode o Siriza continuar a governar contra as suas ideias e o que defendeu vigorosamente. Se vencer o não, as dificuldades irão ser ainda maiores, com a Grécia na banca-rota e sem acesso aos mercados nem à ajuda da UE.
PS: Já depois de escrever esta nota, verifiquei que não sou o único a lembrar a especialização de Varoufakis e a aplicação da Teoria dos Jogos ao caso grego. Ver no Público e o Económico.
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