COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
domingo, 14 de junho de 2015
António Manuel Baptista
Apesar de já ter passado uma semana, não quero deixar de expressar o meu desgosto pela morte de António Manuel Baptista. As suas crónicas científicas na televisão deixaram uma profunda impressão não só em mim, mas também no meu filho mais velho, que seguia comigo os programas com grande interesse. O meu filho mais novo era demasiado jovem para se interessar e afinal foi ele que se formou em Física e que segue na Física a sua carreira. Os programas apresentavam as leis da Física de modo original e acessível, mas sem perder a exactidão e nós não perdíamos um só. Mas não era só a Física que nos interessava, mas sim o sentido verdadeiramente cientifico que dava às suas explicações.
Mais recentemente encontrei o livro "O Discurso Pós-Moderno Contra a Ciência"
em que António Manuel Baptista desmonta com clareza e sentido crítico teses de Boaventura Sousa Santos, teses essas também mais tarde criticadas pelo meu amigo Jorge Dias de Deus no livro "Da Crítica da Ciência à Negação da Ciência". Ambos me deram momentos de verdadeiro prazer de leitura.
sábado, 13 de junho de 2015
Grau zero do debate político
A privatização da TAP e os conselhos do FMI suscitaram comentários do PS que se aproximam do grau zero do debate político. No primeiro caso, Costa alinhou com as comparações divertidas do preço de venda da TAP, como lhes chamou O Insurgente, ao afirmar que era "escandaloso que a TAP tenha sido vendida por um valor inferior às [sic] das contratações" no futebol. Ora Costa, que não é estúpido, sabe perfeitamente que o preço da venda da TAP não é apenas o valor do encaixe do Estado. Que eu saiba não há contratações no futebol que atinjam 354 milhões de euros e ainda menos que impliquem assumir uma dívida de mil milhões (ou 2 mil, conforme as fontes). Pretender que se pensa que a TAP foi vendida por 10 milhões é querer atirar poeira para os olhos do contribuinte.
Aparentemente a propósito do outro caso, o dos conselhos do FMI, Costa afirmou que "Ao fim destes quatro anos, os próprios amigos do Governo vêm dizer: "falharam". E, portanto, o que nós temos que concluir é que, tendo falhado, há que mudar de estratégia, há que mudar de política, para podermos ter resultados diferentes". Mais uma vez, Costa baralha tudo e, não sendo estúpido, sabe muito bem que o FMI não é mais amigo do Governo actual do que era do Governo de Sócrates com quem negociou o Memorando. Sabe também que o FMI nunca declarou que as políticas do Governo falharam, mas apenas que, para conseguir atingir um défice de 2,7% serão necessárias novas medidas. Portanto, ao contrário do que Costa diz pensar, não foi a política de austeridade que falhou, será, sim, no dizer do FMI, necessária mais austeridade para manter a rota de consolidação, isto é, não há que "mudar de estratégia" nem "mudar de política", mas intensificar a estratégia seguida de que Costa discorda. Não acredito que Costa não tenha compreendido que as declarações do FMI são mais críticas para a política preconizada pelo PS do que para a política seguida pela coligação PSD/CDS-PP.
Aparentemente a propósito do outro caso, o dos conselhos do FMI, Costa afirmou que "Ao fim destes quatro anos, os próprios amigos do Governo vêm dizer: "falharam". E, portanto, o que nós temos que concluir é que, tendo falhado, há que mudar de estratégia, há que mudar de política, para podermos ter resultados diferentes". Mais uma vez, Costa baralha tudo e, não sendo estúpido, sabe muito bem que o FMI não é mais amigo do Governo actual do que era do Governo de Sócrates com quem negociou o Memorando. Sabe também que o FMI nunca declarou que as políticas do Governo falharam, mas apenas que, para conseguir atingir um défice de 2,7% serão necessárias novas medidas. Portanto, ao contrário do que Costa diz pensar, não foi a política de austeridade que falhou, será, sim, no dizer do FMI, necessária mais austeridade para manter a rota de consolidação, isto é, não há que "mudar de estratégia" nem "mudar de política", mas intensificar a estratégia seguida de que Costa discorda. Não acredito que Costa não tenha compreendido que as declarações do FMI são mais críticas para a política preconizada pelo PS do que para a política seguida pela coligação PSD/CDS-PP.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
10 de Junho
Os comentários ao discurso do Presidente da República no Dia de Portugal em Lamego roçaram por vezes o insulto. É natural que haja quem não concorde com o PR. Se é verdade que Cavaco Silva foi eleito para o actual segundo mandato por 52,95% dos votos expressos, o que representa uma maioria expressiva que lhe dá legitimidade para actuar e discursar em nome dos portugueses, é certo que houve 47,05% que votaram por outras opções, para não falar nos que não votaram ou votaram em branco, que não merecem realmente que se fale deles. Portanto a discordância é natural e legítima, o que não significa que se aprove sempre o que causa essa discordância e o modo como é expressa. Fiquei incomodado por ouvir, num programa de antena aberta aberto aos telespectadores, chamar ao PR "múmia" por um interveniente e "capacho do PSD e do CDS" por outro. Claro que as intervenções críticas dos partidos de esquerda não foram tão insultuosos, mas quer me parecer que foram em geral ditados mais por desejo de marcar uma posição política anti-Cavaco do que por divergências sérias com o conteúdo do discurso. Por exemplo, António Costa acusou o PR de ser porta-voz do Governo e não do povo português. Para que não passa nas sondagens de 30 e tal por cento, é prosápia armar-se assim em intérprete do que o povo português pensa.
domingo, 7 de junho de 2015
Perto do acordo ou acordo impossível
Tem havido muita falta de informação e até talvez alguma desinformação sobre as conversações entre as instituições, antes chamadas de Troika, o Eurogrupo e o Governo Grego. Desde a formação do governo após as últimas eleições que sabemos de reuniões, de declarações e de notícias sobre o andamento das conversações, com afirmações de impasses intercaladas com notícias de iminência de acordo. Mas sobre o que se discute, a informação é mínima. Fala-se de pensões, que a UE e o FMI quer que sofram cortes, o que é considerado inaceitável para os gregos, fala-se de divergências sobre subida de IVA em alguns produtos, enquanto os gregos querem antes reduções, fala-se do montante do superavit, fala-se das leis laborais, mas pouco é dito sobre as posições as partes e em que medida se aproximam ou não de um acordo em cada uma destas questões. Surpreendentemente, enquanto Tsipras continua a afirmar sorrindo que o acordo está próximo, a última proposta da UE é considerada absurda e no limite do insulto, o que faz supor que qualquer acordo está muito distante ou será mesmo impossível. Não se percebe se a falta de informação pormenorizada e bem explicada é devida a as conversações serem conduzidas confidencialmente ou com máxima discrição ou se são os órgãos de informação que não explicam bem o que está em jogo. Haverá fontes mais fiáveis e mais explicativas?
terça-feira, 2 de junho de 2015
Não à austeridade, sim ao rigor
António Costa tem proclamado o seu horror à austeridade e promete acabar com ela, seguindo o exemplo de Tsipras. Que tivesse assim defendido até à gloriosa vitória do Siriza na Grécia é compreensível. Que continue nessa senda quando já foi provado que não é por vontade política que se acaba com a austeridade quando o dinheiro não sobra é que já custa a aceitar. Mas, lembrando o exemplo de outro dos seus heróis, François Hollande, decidiu agora adoptar como norma política o rigor. É de louvar, embora as suas propostas avulsas, o seu projecto de programa e as linhas gerais por que se guia constantes da Proposta para a Década não revelem grande rigor. Mas afinal qual é a diferença entre austeridade e rigor. Para o avaliar vali-me do dicionário (Houaiss). Ora verifiquei, sem surpresa, que austeridade e rigor são sinónimos, assim como austero e rigoroso. Pelos vistos, António Costa não tem dicionários de português em casa. (já agora, também Hollande não tem ou pelo menos não consultou o Larousse: O meu Petit Larousse indica rigorisme como sinónimo de austerité).
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Honestidade e propaganda eleitoral 2
Não sou o único que pensa assim. Também André Abrantes Amaral escreveu no i e repetiu n'O Insurgente ideias iguais (expostas em melhor prosa do que eu saberia fazer) em "No Fio da Navalha".
quinta-feira, 28 de maio de 2015
Honestidade e propaganda eleitoral
Já lá dizia Bordalo Pinheiro: A política é uma grande porca! E continua a ser... tantos anos depois. Vem isto a propósito do que se pode dizer e do que se deve calar em períodos pré-eleitorais ou mesmo do que se considera normal mentir, sem o que nenhum político conseguiria ser eleito. Claro que maia tarde não se desculpam as mentiras. Todos acusam os políticos de mentir, de prometer sabendo que não podem cumprir, mas se alguém se atreve a ser honesto e a dizer algo que pode desagradar ao eleitorado ou mesmo só a parte deste, é atacado por "dar tiros no pé". Ouvi a Ministra das Finanças admitir que, para conseguir a sustentabilidade da Segurança Social, poderia vir a ser necessário reduzir o valor das pensões e, por uma questão de justiça intergeracional, isso poderia atingir mesmo as pensões actuais. Claro que como pensionista a hipótese não me agrada, mas além de pensionista sou pai e avô e não quero que, para eu poder manter o valor da minha pensão, venham os meus filhos e talvez mais ainda os meus netos a ser prejudicados no futuro. Admirei a frontalidade das palavras de Maria Luís. Além de não gostar de discursos enganadores, tão frequentes, aprecio que não me tentem enrolar com falsas soluções ou com promessas enganadoras. Também reparei que a Ministra falava apenas de hipóteses para resolução dum problema que ainda não tinha sido estudado em pormenor. Pois houve logo quem se sentisse obrigado a esclarecer que não havia qualquer proposta para cortes nas pensões. Eu bem tinha reparado que não havia qualquer proposta nesse sentido, o que já se sabia desde a apresentação das Opções Estratégicas, que já contemplavam a necessidade de uma poupança de 600 milhões. Mas logo se levantaram clamores de problemas na coligação, de contradições. E a oposição deu como certo que o Governo tinha já decidido fazer esses cortes. Felizmente, Maria Luís Albuquerque veio explicar cabalmente a situação, mas não creio que isso baste para acalmar as hostes. Afinal os que acusam os políticos de só pensarem em propaganda eleitoral não toleram que se fuja a essa prática e se diga a verdade.
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