terça-feira, 7 de abril de 2015

Parece que as eleições na Madeira deixaram de ter interesse

A comunicação social deu a importância devida às eleições regionais na Madeira. Foram reportagens longas e completas, com números, gráficos, comentários e desenvolvimentos. A questão das recontagens foi seguida com interesse. Depois houve a referência aos recursos para o Tribunal Constitucional, sem grande preocupação de explicar a razão de cada recurso e o que os respectivos promotores pretenderiam. A rapidez da resposta do Tribunal Constitucional não conseguiu vencer a velocidade em que o tema passou de moda. Hoje, a importância mínima que essa resposta mereceu das TVs mostrou que o tema já não tem qualquer interesse. Na hora nobre dos jornais das 20 h, todos os canais consideraram que a decisão do TC não merecia abrir os noticiários e deram mais importância a crimes ou outros assuntos, até por vezes já tratados. Depois não houve comentários, desenvolvimentos, entrevistas, narrações das reacções dos partidos ou das populações. Mais nada. Não interessava. Estranha forma de informar.

domingo, 5 de abril de 2015

Corrida de presidenciáveis

Começou cedo a corrida dos putativos candidatos à Presidência da República. Já se falava e já se especulava sobre o assunto e já havia quem se pusesse a jeito, mas agora a coisa é mais séria: Os candidatos a candidatos apresentam-se publicamente. O primeiro a declarar-se interessado foi uma surpresa: Henrique Neto. A sua candidatura deixou António Costa nitidamente embaraçado, declarando-se indiferente, como se, não tendo ainda o PS definido a seu apoio a nenhum possível interessado, a candidatura dum militante socialista, ex-deputado, mas muito crítico do socratismo pudesse ser indiferente. Se Costa optou por uma fingida indiferença, já vários dirigentes socialistas mostraram a sua discordância, por vezes em termos muito pouco elegantes como é publico. Aparece agora Sampaio da Nóvoa a oferecer-se, prometendo uma apresentação formal para breve. Alguns órgãos de comunicação deram conta de um possível apoio para depois da apresentação, mas já há pelo menos uma reacção negativa de um membro da cúpula política do PS. Marques Mendes classificou a declaração de Nóvoa como um presente (um folar de Páscoa) para Marcelo Rebelo de Sousa e talvez tenha alguma razão. A posição política conhecida de Nóvoa, próxima das franjas mais esquerdistas do PS ou mesmo do BE, poderá afastar, diz-se, os socialistas mais moderados. Sabe-se que é ao centro que se formam as maiorias. Os eleitores dessa área vagueiam entre as orlas esquerdas do PSD e as direitas do PS e normalmente decidem o desfecho. Até um político com o passado e o prestígio de Mário Soares sofreu este efeito. Talvez até Helena Roseta, que declarou o seu desejo de se candidatar, lamentando apenas a falta de dinheiro (!), tenha mais probabilidades do que Nóvoa. Não é apenas as suas declarações políticas que o prejudicam: O seu discurso é enevoado e pouco compreensível, o seu passado político é nulo, a sua postura é rígida, altiva e não desperta simpatia. Se levar a sua candidatura até ao fim poderá obter um resultado humilhante. Se o PS lhe der o seu apoio, Nóvoa poderá ganhar mais votos, mas é provável que seja o PS a sofrer a humilhação.

Pelo caminho ficaram outros possíveis candidatos, como Guterres e Vitorino, que não mostraram vontade de arriscar. Carvalho da Silva será prejudicado pela candidatura de Nóvoa e até talvez pela de Henrique Neto. Do lado da direita, além do evidente interesse, que deverá receber o apoio do PSD, não apareceu ainda ninguém com um mínimo de possibilidades. A ideia de lançar o nome de Manuela Ferreira Leite morreu à nascença, despertando apenas sorrisos. O rumor recente da candidatura de Portas, com alegado apoio do PSD e do CDS/PP, foi prontamente desmentido. Assim é de esperar que, se Marcelo avançar e tiver o sim do PSD, o CDS também aprove a sua candidatura.

Ainda há tempo para aparecerem novas personagens, mas não se vislumbra quem possa ser.

PS: Esqueci-me de alguém ter lançado a ideia de que Maria de Belém se deveria candidatar, com o apoio do PS, claro.  Tal sugestão é tão descabelada, que a esqueci logo.

PS2: Também esqueci Pedro Santana Lopes, que espera um chamamento. Não serei eu a chamá-lo.

domingo, 29 de março de 2015

Estrondosa derrota do PS

Nas eleições regionais na Madeira o PS teve uma estrondosa derrota. Apesar de concorrer coligado com 3 partidos, conseguiu menos votos do que a soma dos partidos coligados nas últimas eleições, não evitou o seu principal desígnio de evitar a maioria absoluta do PSD e também não conseguiu sem sequer o desejado 2.º lugar, tendo sido ultrapassado pelo CDS. Fez bem o líder do PS madeirense, Victor Freitas, ao demitir-se do seu cargo. Embora eu seja, como Paulo Portas, dos que não consideram que se possam tirar ilações definitivas de eleições regionais para a situação nacional, parece-me que o PS deve rever as suas estratégias. O facto de concorrer coligado, até com partidos que não me parecia terem grandes afinidades programáticas com os socialistas, revelou o receio, aliás fundado, de não conseguir vencer o PSD se concorresse sozinho. Mas ao tornar evidente esse receio só se prejudicou aos olhos dos votantes e estou convencido que essa estratégia o prejudicou.

António Costa que tire as suas conclusões.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Cofres cheios 2

E já me esquecia da promesa do próprio presidente do PS, Carlos César, de aproveitar o dinheiro dos cofres cheios para ressarcir os lesados com papel comercial comprado no BES assim que o PS chegue ao poder. A vontade de esvaziar depressa os cofres faz parte da alma do PS.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Cofres cheios

Como é possível criticar o Governo por causa da elevada dívida pública e ao mesmo tempo por informar que tem os cofres cheios? Como é possível que pessoas responsáveis e que devem ter noções mínimas de como se deve governar um país digam que o dinheiro que exista nos cofres cheios deve ser distribuído para fins diferentes das obrigações do Estado, nomeadamente amortização de dívidas, pagamentos de salários e pensões e subsídios sociais? Como se compreende que se pretenda que o dinheiro que existe nos cofres seja utilizado para despesas não orçamentadas, como o correspondente aumento do défice?

Por outro lado, se, graças à prudência do Governo, temos dinheiro em caixa que permita o cumprimento das nossas obrigações, como se pode criticar a Ministra das Finanças por descrever essa situação com a expressão "cofres cheios"? Porque considera o comentador Marcelo Rebelo de Sousa que essa expressão é criticável, mas já não seria se dissesse que temos "um pé de meia"?

Não compreendo.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Ainda as percas

As percas são seguramente os peixes mais citados na comunicação social. Depois das percas que "poderiam haver" no dizer de Fernando Ulrich, é agora Fernando Rosas, no seu programa História A História, que se refere aos "20 000 cruzados de percas" que resultariam do afundamento duma nau na barra do Tejo no século XVII. As percas deviam ser muito valiosas nessa época. Vá lá, Rosas não se engana no emprego do verbo haver.

domingo, 22 de março de 2015

Ainda a não questão da lista VIP

Não me agrada voltar a falar da lista VIP que nem acredito que tenha existência real e que, mesmo se a tiver, não me parece que mereça a importância que lhe estão a dar. Mas o facto é que lhe estão a dar essa importância e por isso adquiriu-a. Vamos a ver o que há de novo. Ontem, num programa da SIC-Notícias, foi suscitada a questão da legalidade ou ilegalidade da existência da dita lista. O que compreendi é que a lista, a existir, poderá eventualmente ser ilegal porque não está prevista na lei e porque necessitaria talvez do parecer positivo da Comissão Nacional de Protecção de Dados. Como já confessei, não percebo de leis, a não ser aquele mínimo que preciso para não ser preso, mas lembro-me perfeitamente duma máxima que em tempos ouvi a Sá Carneiro: "Tudo o que não é proibido é permitido". Ouvi e confio que Sá Carneiro percebia o bastante de leis para que eu possa confiar nesse princípio, que aliás a pura lógica confirma. Aplicando esse princípio, concluo que a não existência de uma lei não torna a alegada lista ilegal; seria necessário haver uma lei que a proibisse. Quanto à segunda crítica, a não sujeição à aprovação pela CNPD, não compreendo porque seria necessário esta pronunciar-se: Não se trata de recolher, de divulgar nem sequer de armazenar ou processar dados; trata-se apenas de reforçar a protecção de alguns dados. Se a CNPD tem a atribuição de "controlar e fiscalizar o processamento de dados", o seu parecer será inútil quando os dados já existem e já foram processados, tratando-se apenas de melhor os proteger. Parece-me claro. Se os dados estivessem num ficheiro físico numa gaveta e o responsável pela sua guarda mandasse pôr na gaveta mais uma fechadura para evitar acessos indevidos, seria necessário pedir parecer à CNPD? Se estiverem, como suponho, num ficheiro digital e o responsável decidisse condicionar o seu acesso a mais uma palavra passe, seria necessário pedir parecer à CNPD? Claro que não.