COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
quarta-feira, 18 de março de 2015
Sócrates sempre presente
Tive a coragem de me submeter à tortura de ouvir na íntegra os 4 minutos e 26 segundos do hino que os apoiantes de Sócrates dedicaram ao seu herói. Estou convencido que José Sócrates merece a prisão, o que depois da decisão unânime do colectivo de juízes da Relação, que confirmam a existência de fortes indícios da prática de crimes, parece ponto assente, apesar da presunção de inocência. Presunção é uma coisa, convencimento é outra. Mas o que o Sr. José Pinto de Sousa não merecia era um hino destes. É demais: a decisão do Supremo de ontem, a da Relação de hoje e agora este hino com a letra para um lado e a música para outro, deve ser difícil de suportar. O pobre tem a minha solidariedade, tal como a de Maria João Marques.
terça-feira, 17 de março de 2015
Nóvoa
Segundo um jornal, o PS sinaliza apoio a Sampaio da Nóvoa como candidato às presidenciais. Este apoio foi indicado pelo presidente do partido, Carlos César. Sampaio da Nóvoa já se tinha oferecido como candadato a candidato, mas não especificara a quem pedia apoio. Pelo seu discurso, diria que está mais próximo do Bloco de Esquerda ou do LIVRE, mas certamente não será indiferente, pelo contrário, ao eventual apoio do PS, ainda só "sinalizado", o que quer que esta sinalização frepresente. Claro que só com o apoio do PS terá alguma hipótese de êxito. Que dirá António Costa?
segunda-feira, 9 de março de 2015
Dúvidas sobre as dívidas
Aposto que tudo já foi dito sobre as dívidas de Passos Coelho a diversos serviços e departamentos do Estado. Mas, apesar dos milhentos comentários, afirmações, acusações e esclarecimentos, há e haverá sempre quem continue com dúvidas sobre as dívidas. Mesmo que Passos se desfaça em dávidas para suprir as dívidas e afastar as dúvidas, continuará sempre a haver quem exija mais e mais e no fim quem conclua que é preciso e urgente que o Primeiro Ministro se demita ou que o Presidente da República o demita, mesmo que constitucionalmente não tenha poderes para tal. (A desculpa de que pode circundar esse escolho dissolvendo o Parlamento não é válida, pois só o poderá fazer se houve r perigo para o normal funcionamento das instituições, e isto só acontece na mente perturbada de Jerónimo de Sousa. O precedente de Jorge Sampaio não deve ser repetido.) Mas francamente, tenha ou não tenha o PR poderes para tal, a exigência de demissão é absolutamente injustificada, além de altamente inconveniente para o País.
A questão das dívidas à Segurança Social não é, como já tem sido recordado, exclusiva do PM. Sei de casos idênticos. A legislação era confusa e muitos trabalhadores independentes não a conheciam. Dos casos de que tive conhecimento na altura, soube de pelo menos um que acabou por pagar com juros de mora vários anos atrasados, mas houve quem suspendesse a actividade e deixasse passar o tempo sem que nada lhe acontecesse. É melhor que quem assim procedeu não se candidate ao cargo de primeiro ministro.
A questão das dívidas à Segurança Social não é, como já tem sido recordado, exclusiva do PM. Sei de casos idênticos. A legislação era confusa e muitos trabalhadores independentes não a conheciam. Dos casos de que tive conhecimento na altura, soube de pelo menos um que acabou por pagar com juros de mora vários anos atrasados, mas houve quem suspendesse a actividade e deixasse passar o tempo sem que nada lhe acontecesse. É melhor que quem assim procedeu não se candidate ao cargo de primeiro ministro.
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dívidas Primeiro Ministro Segurança Social
quinta-feira, 5 de março de 2015
Miséria moral
O Primeiro Ministro confessou humildemente a sua imperfeição, mas ressalvou que esta não é tão profunda que cometa uma série de actos que descreveu sucintamente, podendo todos classificar-se em geral como abusos de poder. Não há motivos para duvidar, quer da sua confissão, quer da ressalva. Mas parece que houve alguém que se sentiu atingido. Pareceu a esse alguém que a lista de actos que Passos Coelho negou poderem ser-lhe imputados era uma acusação encapotada contra si. Enfim, como diz o povo, enfiou o barrete. E vá de acusar Passos de cobardia e de miséria moral. Talvez o barrete até tivesse a sua medida e toda a gente percebeu que lhe era dirigido. Mas, ao considerar-se ofendido, aceitou que a ressalva do PM correspondia a uma acusação que lhe era dirigida, o que já está próximo de uma confissão. Considerando que quem assim se sentiu está preso por suspeitas de crimes graves, parece-me que devia antes assobiar para o lado e disfarçar, dizendo "De quem estará ele a falar?"
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Manuela Ferreira Leite vs. Maria Luís Albuquerque
Na sua participação na conferência Lisbon Summit, que a The Economist organizou há dias em Cascais, A Ministra das Finanças defendeu que, para manter o défice baixo, como estamos obrigados, só é possível reduzir a elevada carga fiscal reduzindo a despesa. Esta posição de Maria Luís Albuquerque foi objecto de um duro ataque da ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite no programa Política Mesmo. Ferreira Leite acusou a Ministra das Finanças de só pensar no défice e na despesa, sem ter em atenção outras variáveis. Mesmo instada por Paulo Magalhães a explicar como seria possível diminuir os impostos sem reduzir a despesa, Manuela Ferreira Leite não justificou a sua acusação, mudando de assunto. Pensaria, como Seguro e, ao que parece, agora António Costa, que é possível baixar impostos mantendo o défice (em percentgem do PIB) apenas pela via do crescimento? Já foi demonstrado que isso não é possível a curto prazo, pois seria necessário conseguir taxas de crescimento enormes. Não se percebe porque, quando Ferreira Leite esteve na pasta das finanças, preferiu aumentar os impostos em vez de apostar no crescimento.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Troika ou não Troika
Tem sido citada como uma falsa vitória do governo grego a alteração da designação da Troika para "as instituições" ou "as três instituições". O ministro Varoufakis tinha feito questão de que não trabalharia mais com os representantes da Troika, mas sim com as instituições europeias, de acordo com a promessa eleitoral de Tsipras que, logo no primeiro discurso após a vitória, afirmou que "não pretendia negociar com a Troika mas sim com as instâncias europeias". Claro que se esqueceram de que o FMI não é uma instância europeia e que seria indispensável negociar também com esta instituição. Assim, depois da reunião de Sexta-feira, os gregos ficaram muito satisfeitos por ter ficado acordado de que as negociações com os credores institucionais seriam conduzidas com "as instituições" em vez de ser com a Troika. O que a Grécia teria conseguido, como foi largamente salientado, seria apenas uma alteração semântica, mesmo que alguma esquerda realce o significado simbólico e mesmo político da designação.
Para ajuizar da justeza destas posições, dei-me ao trabalho de consultar alguns documentos relativos aos resgates dos países intervencionados. Verifiquei que, como suspeitava, a palavra "Troika" não aparece em nenhum. A designação "Troika" foi adoptada por meios de comunicação e depois por responsáveis políticos, incluindo os da União Europeia, como uma simplificação não oficial. Portanto a alteração da denominação nem sequer existiu. Não foi semântica, nem simbólica e muito menos política. Foi uma não existência. Não houve qualquer alteração. A reivindicação grega nem teve razão de existir.
Para ajuizar da justeza destas posições, dei-me ao trabalho de consultar alguns documentos relativos aos resgates dos países intervencionados. Verifiquei que, como suspeitava, a palavra "Troika" não aparece em nenhum. A designação "Troika" foi adoptada por meios de comunicação e depois por responsáveis políticos, incluindo os da União Europeia, como uma simplificação não oficial. Portanto a alteração da denominação nem sequer existiu. Não foi semântica, nem simbólica e muito menos política. Foi uma não existência. Não houve qualquer alteração. A reivindicação grega nem teve razão de existir.
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