COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
Manuel de Lucena
Conheci-o em 1962. Admirei o seu raciocínio e a capacidade de convencer. Foi um dos estrategas do movimento, predominantemente expontâneo, dos estudantes em defesa do Dia do Estudante. Nunca mais o vi. Ao longo dos anos li alguns, poucos, dos seus artigos. Verifiquei que continuava com a mesma lucidez, embora nem sempre tenha concordado com o que escrevia. Como diz Helena Matos, morreu um homem livre.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Manifesto dos 74
Perante as dificuldades que o novo Governo grego, e em particular o Primeiro-ministro e o Ministro das Finanças, estão sentindo para defender as suas ideias quanto à reestruturação da dívida grega, tendo já tido de recuar em aspectos que pareciam essenciais, como o perdão de metade da dívida, os subscritores do chamado Manifesto dos 74 (que parece que passaram a 148), assim como os subscritores estrangeiros do Manifesto dos 74 Estrangeiros, entre os quais se encontra o próprio Varoufakis, devem estar, se têm um mínimo de sentido da realidade, bastante arrependidos de se terem deixado enganar tanto.
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reestruturação da dívida manifestos
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Défice e dívida
António Costa e Jerónimo de Sousa estão de acordo em apontar como um dos crimes deste Governo o facto de deixar aumentar a dívida pública. No entanto não criticam o Governo por ter tido sistematicamente défices nas contas públicas. Aliás tal crítica seria incoerente. Não sei como seria como o PCP no governo, mas com o PS vimos demasiado bem como os défices eram a regra. Não têm a noção de que, apresentando défices nas contas do Estado, a dívida pública tem forçosamente de aumentar. Também não elogiam o Governo por ter conseguido baixar o défice de ano para ano e prometer anulá-lo. Ao mesmo tempo bramam contra a austeridade que permitiu esta baixa, que permitirá parar o aumento da dívida.
sábado, 31 de janeiro de 2015
Pobreza
A publicação recente pelo INE do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento relativo a 2013 revela que, nesse ano, "o risco de pobreza continuou a aumenta". Tanto bastou para um enorme coro de críticas ao Governo, nomeadamente por ter anunciado que a situação económica dava já sinais de recuperação. Alguns órgãos de comunicação notaram que os dados eram referentes a 2013, mas muitas das notícias, nomeadamenteem vários canais de televisão, ignoraram esse "pormenor"e deram a notícia como se fosse uma situação actual. Além disso muitas referências ao assunto esquecem que se trata de um risco e não necessariamente de pobreza efectiva. Esperemos pelos dados de 2014 para poder avaliar se realmente a pobreza continua a aumentar em Portugal.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Limpeza preferível a conselhos
Um dos primeiros actos do novo governo grego é, segundo uma notícia televisiva, reintegrar as 600 empregadas de limpeza do Ministério das Finanças. Ao mesmo tempo, o ministro Varoufakis dispensa os conselheiros do ministério. Foi certamente uma medida acertada: Para Varoufakis a limpeza é preferível a conselhos sobre finanças. Calculo que os conselheiros do anterior ministro teriam ideias que não agradariam ao novo titular da pasta, ao passo que a preocupação pela limpeza é sempre de louvar. Só gostava de saber quantos gabinetes, salas e outras dependências terá o ministério para ocupar este pessoal.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
A matemática é implacável 2
Depois de apresentar o seu governo no parlamento grego, o Siriza terá de gizar e fazer aprovar o seu o seu programa e logo um orçamento que respeite esse programa. Não conheço a lei grega, mas suponho que o orçamento terá de obter a aprovação formal do parlamento. Como o governo é maioritário, esta aprovação não deve ter problema, mesmo que um ou vários deputados discordem de alguns pontos, desde que essa eventual discordância não envolva mais de 11 deputados (se o número de deputados dos dois partidos somados é o que foi anunciado). O busilis está na matemática. Dêem-lhe a volta que derem, a receita e a despesa terão de se equilibrar, sendo a sua diferença, se negativa, de ser financiada por empréstimos ou por dívida.
Se a despesa aumentar, ou seja, se o estado for menos austero, a receita ou o défice, ou ambos, terão de crescer. Do pouco que sei do programa do Siriza, e embora do programa do seu parceiro de coligação eu não saiba absolutamente nada, vários pontos implicam aumento de despesa e poucos permitem aumento de receitas (que me recorde, apenas a "taxa sobre as grandes propriedades e casas de luxo" e eventualmente o combate à evasão fiscal). Se mesmo em austeridade a Grécia tem tido défices, não parece possível, sem austeridade, preparar um orçamento sem défice. É a matemática. Resta, portanto, saber como conseguirá Tsipras convencer a UE, o BCE ou o FMI ou então investidores particulares a financiar esse défice e a que preço.
receita = despesa - défice
Se a despesa aumentar, ou seja, se o estado for menos austero, a receita ou o défice, ou ambos, terão de crescer. Do pouco que sei do programa do Siriza, e embora do programa do seu parceiro de coligação eu não saiba absolutamente nada, vários pontos implicam aumento de despesa e poucos permitem aumento de receitas (que me recorde, apenas a "taxa sobre as grandes propriedades e casas de luxo" e eventualmente o combate à evasão fiscal). Se mesmo em austeridade a Grécia tem tido défices, não parece possível, sem austeridade, preparar um orçamento sem défice. É a matemática. Resta, portanto, saber como conseguirá Tsipras convencer a UE, o BCE ou o FMI ou então investidores particulares a financiar esse défice e a que preço.
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A matemática é implacável
Austeridade é a qualidade de quem é austero, sóbrio, frugal. Nos tempos de hoje tem-se entendido como a arte de ser poupado, gastar pouco dinheiro. Quem tem pouco dinheiro para gastar e pouca possibilidade de pedir emprestado tem de ser forçosamente austero.
Não é ainda conhecido o programa do novo governo grego, mas uma coisa é certa: Será um programa que rejeita a austeridade. Foi esta rejeição a principal causa da vitória do Siriza e ainda a razão da escolha do parceiro de coligação. Resta saber como poderá Tsipras fugir da austeridade sendo certo que a margem financeira é escassa. Mesmo que, por absurdo, toda a enorme dívida fosse perdoada, Tsipras precisa de financiemento para pagar as obrigaçõe internas do governo, incluindo os salários dos numerosos (ao que consta) funcionários públicos, financiamento que será ainda muito mais difícil se houver perdão da dívida. Quem vai emprestar dinheiro a alguém que não paga os empréstimos?
Aguarda-se com ansiedade os próximos capítulos.
Não é ainda conhecido o programa do novo governo grego, mas uma coisa é certa: Será um programa que rejeita a austeridade. Foi esta rejeição a principal causa da vitória do Siriza e ainda a razão da escolha do parceiro de coligação. Resta saber como poderá Tsipras fugir da austeridade sendo certo que a margem financeira é escassa. Mesmo que, por absurdo, toda a enorme dívida fosse perdoada, Tsipras precisa de financiemento para pagar as obrigaçõe internas do governo, incluindo os salários dos numerosos (ao que consta) funcionários públicos, financiamento que será ainda muito mais difícil se houver perdão da dívida. Quem vai emprestar dinheiro a alguém que não paga os empréstimos?
Aguarda-se com ansiedade os próximos capítulos.
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