terça-feira, 1 de novembro de 2011

Referendo na Grécia

A decisão de Papandreu de pedir aos gregos que se pronunciem em referendo sobre o perdão de 50% da dívida soberana e o novo empréstimo já acordado é uma jogada muito perigosa, mas audaciosa. Sem este referendo, Papandreu e o seu governo continuariam a ter de enfrentar uma reacção popular muito violenta às medidas de austeridade. É possível que, mesmo na hipótese de Papandreu ganhar o referendo, as manifestações de protesto continuem e sejam talvez ainda mais violentas com o endurecimento das medidas, mas faltar-lhes-á legitimidade. Por outro lado, se o "não" ganhar, como indicam as sondagens, a situação na Grécia só pode piorar e a banca-rota será inevitável. Não vejo como Papandreu pode continuar a presidir ao governo grego e, com eleições antecipadas ou sem elas, as consequências para a Grécia e para a Europa serão terríveis. Se hoje, segunda-feira 31 de Outubro, só por se noticiar a perspectiva de referendo, as bolsas caíram e as taxas das dívidas portuguesa e italiana subiram, é difícil imaginar o que acontecerá se Papandreu perder.

sábado, 29 de outubro de 2011

Mudança da hora

O blog astro.pt lembra que esta madrugada mudamos para a hora de Inverno. Ainda se discutem as vantagens e os inconvenientes desta mudança e da que tem lugar em Março para voltar à hora de Verão - conforme os casos, desfasagem do relógio biológico, crianças que são obrigadas a ir para a escola ainda com pouca luz, trabalhadores que chegam a casa já noite cerrada, poupança de energia, etc. - mas para mim o caso é outro.
A mudança de hora irrita-me muito, quer a de Março quer a de Outubro, não por dormir menos ou dormir mais nem por anoitecer cedo ou ter de me levantar antes do nascer do Sol, mas simplesmente porque hoje em dia na minha casa, como em qualquer casa moderna, existem muitos relógios que têm de ser acertados à mão. Só os computadores e a ZON Box acertam a hora automaticamente. Além destes tenho os relógios de pulso (meu e da minha mulher), dos telemóveis, das mesas de cabeceira, do telefone, do gravador de DVDs, dos ares condicionados, do fogão, do carro e ainda vários relógios de parede. Para poupar trabalho há alguns (carro, ares condicionados e fogão) que deixo sempre na hora de Verão, o que me poupa trabalho, mas pode dar origem a confusões. Com isto tudo vou necessitar amanhã de manhã muito tempo e muita paciência a acertar relógios. Será que mais ninguém se queixa do mesmo?

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Akordu ortugráfico

Nunca gostei do chamado acordo ortográfico e recuso-me a adoptá-lo, mesmo nos casos em que sei as regras. Infelizmente não posso impedir que ensinem os meus netos por essas novas regras. Algumas são só irritantes, outras são completamente destituídas de lógica.

Leio agora com satisfação os comentários de Helena Araújo no blog 2 Dedos de Conversa sobre esta questão.
Também com satisfação saboreei a sugestão de passar a escrever exactamente como se lê, dando a cada letra um único som e atribuindo a cada som uma única letra. Já há muito que a ideia me ocorreu, mas nunca a desenvolvi. Chamei-lhe "ortografia fonética". Vejam o exemplo da própria Helena Araújo:

«à atensão dos purtugezes rezidentes em Berlim
Carus amigus,

escrevu-vus segundu as minhas próprias regras de nova urtugrafia. Bem sei que anda pur aí um acordo, mas eu axo que ele peca por defeito. Se é para simplificar, vamos até ao fim. Até às últimas consecuênsias.
Por ezemplo: acabar com o ç - o que soa ç escreve-se com s, e o que soa z escreve-se com z.

Para us mais acumudados, contudu, organizaram uma sesão de esclaresimento no prósimo fim-de-semana. Um "tudo o que sempre quis saber sobre o acordu ortugráfico e não teve curajem de perguntar".»

Porque não?

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Uma coisa que funcionou bem

É com satisfação que constatamos que há alguma coisa que funciona bem para além das nossas expectativas. Não resisto por isso a descrever o modo como foi dado seguimento por entidades públicas a um pedido meu. O assunto pode não ter muita importância, mas é um bom exemplo.
Em frente da porta do prédio onde vivo há anos há um pequeno triângulo ajardinado com alguma erva, a que os serviços camarários chamam pomposamente de “relva rústica” - sem dúvida muito rústica – e com algumas árvores. Logo diante da porta do prédio está uma árvore que foi plantada há alguns anos para substituir outra que foi retirada por ameaçar queda e que serviu de brinquedo aos meus filhos quando eram pequenos. A árvore actual não tem o porte da outra e a relva que a circunda está pouco cuidada e suja, mas é um espaço verde que torna a vista agradável. Foi pois com preocupação que vi há coisa de um ano que as folhas da árvore se enchiam de manchas brancas e murchavam e caiam rapidamente, tirando-lhe completamente o vigor e a beleza. Resolvi enviar uma mensagem de correio electrónico ao vogal do ambiente da Junta de Freguesia com uma fotografia de algumas folhas da árvore atacadas. Algum tempo depois, ao chegar a casa, vi um pequeno veículo da Câmara Municipal com a menção “Espaços Verdes” e duas técnicas que observavam as árvores com atenção. À minha pergunta, confirmaram que vinham por causa da minha reclamação e prometeram dar seguimento ao assunto.



Recebi agora uma carta do Presidente da Junta de Freguesia com o seguinte teor:
«Assunto: Árvore. Em seguimento da reclamação sobre o assunto em título, somos a informar V. Exa. o teor do despacho proferido pela Câmara Municipal de Lisboa – Direcção Municipal do Ambiente Urbano, o qual passamos a transcrever: “(…) Encarrega-me o Sr. Chefe de Divisão de Manutenção dos Espaços Verdes, na sequência da reclamação apresentada, a qual mereceu a melhor atenção, de informar que a árvore em causa encontra-se atacada por um fungo causador de oídio nas folhas, responsável pela queda precoce da folhagem. O tratamento contra o oídio, nesta altura do ano, é pouco eficaz, pelo que será efectuado tratamento aos primeiros sintomas de ataque à nova folhagem, no início da próxima Primavera(…)”».
Há pois coisas que funcionam bem. Esperemos pela Primavera.

domingo, 23 de outubro de 2011

Desonestidade ou incompetência

Importante ler.

Extrema-direita revisitada

Afinal, não é só Vasco Lourenço que vê a extrema-direita em acção: os indignados que se reunem frente às Assembleia da República também. E não é uma extrema-direita qualquer: está já organizada em milícias. Só que em vez de atacarem a sede da democracia burguesa, atacam os activistas que se manifestam contra a mesma Assembleia!

A extrema-direita está no poder!

Segundo o "capitão de Abril" Vasco Lourenço, os soldados, revoltados com o tratamento que o actual Governo lhes reserva, têm de fazer valer os seus direitos, mas não há perigo de que façam uma nova revolução, porque a revolução já está a acontecer, mas não é a dos soldados, é a da direita e extrema-direita, numa espécie de novo PREC de direita. Ouve-se e fica-se a pensar como chegaram indivíduos com uma capacidade de raciocínio tão primária e ter responsabilidades importantes na condução do País... Onde vê Vasco Lourenço a extrema direita? Há milícias de camisas negras ou de outra cor nas ruas? Estamos a prender os comunistas e os socialistas? Alguém deitou fogo ao parlamento? E pensar que Vasco Lourenço era dos "moderados"...