sábado, 10 de setembro de 2011

Lema do PS


O lema do PS é actualmente "PS O grande partido da esquerda democrática". Acho que este lema não é novo, mas agora, ao vê-lo inscrito nos painéis do Congresso de consagração de Seguro, é que reparei melhor nele. E fica-me uma pergunta: Se o PS é o grande partido da esquerda democrática, quais serão os pequenos partidos da esquerda democrática?

Beija-mão

É raro estar de acordo com as declarações de Vitalino Canas, mas desta vez acho que ultrapassou o limite da minha discordância para emitir um disparate de alto calibre: Ao comentar as deslocações de membros do Governo português à Alemanha e as reuniões que têm tido com a Chanceler Angela Merkel e outras autoridades alemãs, acusou-os de "irem ao beija-mão!". Não sei se o cumprimento com a Senhora Merkel foi alguma vez um beija-mão, mas é evidente que a acusação implícita não era de terem sido muito corteses, mas sim de serem subservientes. Esquece-se Vitalino Canas das reuniões e dos cumprimentos de Sócrates, enquanto Primeiro-Ministro e mais recentemente, à Chanceler alemã, cheios de sorrisos e vénias e, se não beija-mãos, pelo menos não faltaram beija-bochechas.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

No Insurgente, escreve Rui Carmo:

«Na edição (em papel) de ontem do DE, na primeira página está impresso o título: “Gaspar garante que contas da Madeira serão auditadas antes das eleições”. Assim mesmo, o Gaspar. Será o vizinho da frente? O homem da tabacaria? O fantasminha? Ou um dos amigos do Sérgio Godinho? Picuinhices à parte, na edição de hoje há uma ligeira confusão entre alta e baixa, como bem assinala o Joaquim do Portugal contemporâneo.

O instituto de estatísticas grego reviu em alta a contracção da economia grega de 6,9 para 7,3% nos 12 meses terminados no segundo trimestre.

Vamos lá usar a cabeça: se estava prevista uma contracção de 6,9% e, afinal, o cenário macroeconómico se agravou e a contracção vai chegar aos 7,3%, então o crescimento foi revisto em baixa. Em baixa! Fónix.
O DE não editará as notícias da Lusa?

Não me parece que tenha razão, senão vejamos:

1) Sobre o uso do apelido Gaspar para designar o Ministro das Finanças: Não vejo onde está o espanto. O anterior MdF não era sempre tratado pelo seu apelido Teixeira dos Santos? Era, e ninguém se admirava. O mesmo acontecia e acontece com muitos políticos, incluindo aqueles em que o apelido não é composto ou é simplificado: Basta lembrar Soares, Cavaco, Jardim, Passos, Bagão, Portas. Mais de estranhar era designar o anterior PM pelo segundo nome próprio Sócrates, coisa que não me lembra de ter ocorrido com qualquer outro PM ou simples ministro. Só por ironia ou para o atacar lhe chamavam Sr. Pinto de Sousa.

2) Confusão entre alta e baixa: A confusão reside no comentário. Se o jornal referia "reviu em alta a contracção" estava absolutamente correcto. Quando o crescimento é negativo ocorre uma contracção, que evidentemente é positiva. Portanto quando a contracção aumenta, significa que o crescimento baixa ainda mais. Então uma grandeza (a contracção, ou qualquer que ela seja) passar de 6,9 para 7,3 não é uma revisão em alta? É assim, mesmo que a grandeza inversa, o crescimento, ao passar de -6,9 para -7,3 seja revisto em baixa. Elementar, meu caro Watson. Quando se tem menos saúde, está-se mais doente, não é assim?

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Princípio do fim de quê?

Ouvi Passos Coelho dizer claramente, no seu discurso de encerramento da Universidade de Verão do PSD, que 2012 seria "o princípio do fim da emergência". Referia-se, como é evidente, ao plano de emergência que faz parte do seu programa para acção a curto prazo. Fiquei admirado quando no Domingo Marcelo Rebelo de Sousa referiu, como um dos pontos negativos do discurso, que não deveria ter falado no "princípio do fim da crise". Pensei que era um lapso, mas que não teria grande importância porque não correspondia ao que Passos dissera. Mas já ouvi outras pessoas, entre elas o Prof. Manuel Maria Carrilho criticarem o PM por ter afirmado que 2012 seria "o princípio do fim da crise". Carrilho manifestou fortemente a sua discordância pela alegada afirmação. Assim se cria uma lenda, deturpando as palavras para criar um facto novo e poder aumentar o efeito da crítica.

sábado, 27 de agosto de 2011

Périplo de Passos e reunião internacional

As TVs noticiam laconicamente que na próxima semana, que começa dentro de minutos visto que escrevo sábado à noite, o nosso primeiro fará um périplo pela Europa durante o qual se encontrará com Zapatero em Madrid, com Angela Merkel em Berlim e finalmente com Sarkozy com quem estará presente numa "reunião internacional". Ninguém, que eu saiba, explicou qual a finalidade deste périplo nem de que "reunião internacional" se trata. Reuniões internacionais há muitas, mas não consegui obter qualquer notícia sobre esta. Claro que, estando Passos Coelho e Sarkozy presentes, já é uma reunião internacional, mesmo que mais ninguém participe, mas como só no caso de Sarkozy se usa essa expressão presumo que haverá outros participantes de outros países, mas quais e para quê é mistério. Curioso como nenhum jornalista pôs estas interrogações, como se noticiar que haverá uma reunião internacional com a presença do Primeiro-Ministro português sem acrescentar mais sobre o organismo que a promove, se a reunião tem um nome, uma agenda e uma finalidade, fosse a coisa mais natural deste mundo.
Esperemos que durante os próximos dias venhamos a saber a resposta a estas interrogações.

Alemanha e 2.º resgate de Portugal

O Vice-Ministro alemão das Finanças considerou, numa entrevista à Reuters, que é absolutamente prematuro falar sobre a possibilidade de um 2.º resgate a Portugal, visto que há um novo governo, que o programa de recuperação ainda está no início e que parece que as autoridades portuguesas têm vontade e são capazes de terem êxito no cumprimento deste programa.

Curiosamente não vi, não li e não ouvi qualquer referência a esta entrevista nos meios de comunicação portugueses, o que não quer dizer que não tenha havido, mas certamente sem a divulgação que merecia. É pena, porque, no meio de tantas más notícias, bem precisamos de uma notícia positiva.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Os ricos e a crise

A ideia de que os ricos podem ajudar a combater a crise está-se a espalhar rapidamente por todo o mundo. Como extensão fala-se que se devia obrigá-los a ajudar a resolver a crise da dívida pública excessiva taxando-os para que, com as receitas assim arrecadadas, esta, e em consequência a dívida soberana, diminua mais rapidamente. Não sou em absoluto contra esta ideia, mas admira-me o modo como se expande de país para país e como os meios de comunicação a discutem me a defendem, exibindo com algum grau de voyerismo a riqueza dos mais ricos, estrangeiros e nacionais, os respectivos patrimónios e rendimentos, o que disseram sobre o assunto, se são contra ou a favor, com entrevistas, declarações de responsáveis internacionais e muita confusão. Sim, confusão, porque não se distingue bem taxas extraordinárias, para resultados imediatos, ou novos impostos para ficarem, taxação de rendimentos ou taxação de património, entre os rendimentos se se deve distinguir os que já são taxados, se a taxas progressivas ou a taxas liberatórias, e os que não estão sujeitos a impostos, no caso do património se se inclui o património imobiliários ou se só o mobiliário. Também não se diz como são estes rendimentos ou patrimónios taxados actualmente nos diversos países, logo não é possível avaliar da justeza de novas taxas.

Também não vi ninguém discutir a possibilidade de aumentar a fuga de capitais, nomeadamente para paraísos fiscais, nos países que aplicarem tais medidas. Nem vi considerar o efeito negativo sobre a poupança, que deveria ser promovida. Muito menos vi uma discussão séria sobre o nível de riqueza que seria justo ou útil submeter ao novo imposto.

Sobre o assunto tenho uma proposta: Que, no caso de se avançar para um imposto adicional sobre os rendimentos muito elevados, se isentem aqueles que se destinam a investimentos produtivos. Talvez assim não se facilite a redução das dívidas públicas, mas certamente se promoveria o investimento.

Por último, trazer à lembrança o slogan do PREC "Os ricos que paguem a crise!" só pode baralhar as ideias. Até porque as fortunas dos ricos, mesmo que taxadas a 100% se tal fosse possível, não chegavam para pagar a crise. A crise actual é mesmo muito cara!