A palavra "voto", na epígrafe desta mensagem, não representa a 1.ª pessoa do presente do verbo votar, mas sim o substantivo. Mas entenda-se que ao referir-me ao voto na CDU pretendo mesmo dizer que a tentação em votar na CDU é grande desde exactamente ontem. E porquê? Porque ao dirigir-me ao supermercado dei com um carro com 2 autifalantes no tejadilho donde saiam frases aliciantes, como "Para melhores salários e melhores reformas, para combater o desemprego, vota na CDU!". Como resistir? Claro que não sei como a CDU vai conseguir isso, mas talvez valha a pena arriscar: melhores salários e melhores reformas, menos desemprego! Que bom que seria.
Bem, espero que não pensem que estou a falar a sério. O que não deixa de me impressionar é como é possível apelar ao voto com estas promessas e, principalmente, como há quem acredite.
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
quarta-feira, 11 de maio de 2011
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Afinal PEC IV resolvia a crise!
Pensava que já conhecia bem José Sócrates depois de conviver diariamente com ele há 6 anos, via TV, jornais e vários documentos. Afinal continua a espantar-me. Hoje, no excerto do discurso que fez num jantar em Portimão, promovido pela Geração Activa (seja lá isso o que for) transmitido pela televisão, não teve vergonha nem a voz lhe tremeu quando afirmou que o PEC IV teria sido afinal suficiente para tirar Portugal da crise e que, se não tivesse sido chumbado por políticos irresponsáveis, apenas porque têm ambição do poder, não teria sido necessária a ajuda externa. Duas afirmações espantosas:
1) Se o PEC IV tem sido aprovado, como continuaríamos a financiarmo-nos sem os milhares de milhões do resgate? Será possível que Sócrates admita intimamente que os mercados se renderiam e nos emprestariam mais dinheiro a taxas suportáveis só por saberem que o PEC IV iria estar em vigor? Se as medidas do PEC IV fossem suficientes, porque admitiu o Governo que nas negociações fossem introduzidas no acordo tantas novas medidas, principalmente no que se refere a reformas estruturais? Então porque considerou o acordo como "bom"?
2) É crível que na situação aflitiva em que se encontra o país e com medidas tão duras a cumprir, alguém no seu perfeito juízo tenha ambição pelo poder? Até me inclino a aconselhar Passos Coelho a fugir enquanto é tempo.
Afinal não há motivo para espanto. Sócrates continua igual a si mesmo e estas afirmações deixam-nos antever como Sócrates cumpriria as medidas do acordo.
1) Se o PEC IV tem sido aprovado, como continuaríamos a financiarmo-nos sem os milhares de milhões do resgate? Será possível que Sócrates admita intimamente que os mercados se renderiam e nos emprestariam mais dinheiro a taxas suportáveis só por saberem que o PEC IV iria estar em vigor? Se as medidas do PEC IV fossem suficientes, porque admitiu o Governo que nas negociações fossem introduzidas no acordo tantas novas medidas, principalmente no que se refere a reformas estruturais? Então porque considerou o acordo como "bom"?
2) É crível que na situação aflitiva em que se encontra o país e com medidas tão duras a cumprir, alguém no seu perfeito juízo tenha ambição pelo poder? Até me inclino a aconselhar Passos Coelho a fugir enquanto é tempo.
Afinal não há motivo para espanto. Sócrates continua igual a si mesmo e estas afirmações deixam-nos antever como Sócrates cumpriria as medidas do acordo.
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Sócrates discurso PEC IV crise ambição
terça-feira, 3 de maio de 2011
A não comunicação do Primeiro Ministro

Estava anunciada para hoje às 20:30 uma comunicação do Primeiro Ministro sobre o plano de ajuda a Portugal. Afinal a notícia não era verdadeira, porque o PM apareceu realmente diante das câmaras, mas nada comunicou de substancial. Só falou do que não estava no plano acordado, mas não do que estava e aproveitou para dar umas ferroadas na oposição, louvar a acção do Governo e elogiar o Ministro de Estado e das Finanças.
A propósito do Ministro das Finanças, foi também anunciado que acompanharia o PM. No entanto também este anúncio foi um engano. Estava realmente um senhor muito parecido com Teixeira dos Santos ao lado de Sócrates, mas não podia ser ele, pois não é verosímil que tendo tido grande responsabilidade nas conversações, como o PM asseverou, e estando presente, não proferisse uma única palavra. Um Ministro de Estado não serve de figura decorativa. Era com toda a certeza um sósia.
Portanto, depois de uma não comunicação e de uma não presença, fica tudo em aberto e teremos de aguardar até amanhã para sabermos quais são as verdadeiras medidas de austeridade
Exactamente
Li no Corta Fitas:
«Por estes dias, ouvir alguns ex-ministros de Sócrates como Campos e Cunha e Freitas do Amaral, ou ex-ministros socialistas, como Daniel Bessa ou Augusto Mateus, é quanto basta para perceber de quem é a principal responsabilidade por Portugal se encontrar na bancarrota.»
Exactamente!
«Por estes dias, ouvir alguns ex-ministros de Sócrates como Campos e Cunha e Freitas do Amaral, ou ex-ministros socialistas, como Daniel Bessa ou Augusto Mateus, é quanto basta para perceber de quem é a principal responsabilidade por Portugal se encontrar na bancarrota.»
Exactamente!
sábado, 30 de abril de 2011
Programa eleitoral do PS
Achei estranho que, das 70 páginas do Programa Eleitoral do PS, metade fosse consagrada a recordar o modo como o PS tem conduzido bem a governação, repetindo o que já tem dito em várias ocasiões que só teve os maus resultados que se conhecem por causa da crise internacional, explicada no documento em pormenor, e pela acção irresponsável da oposição.
De facto, não sei se já repararam que o que se pode chamar "programa", a parte que revela as linhas do futuro governo e as medidas que tomará, se ganhar as eleições, só começa na página 35, exactamente a meio.
De facto, não sei se já repararam que o que se pode chamar "programa", a parte que revela as linhas do futuro governo e as medidas que tomará, se ganhar as eleições, só começa na página 35, exactamente a meio.
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Procura-se ministro desaparecido
Desapareceu já há dias e continua sem dar notícias um conhecido ministro. Não se encontra no ministério nem no parlamento, agora inactivo, nem tem sido visto em público. A ausência estende-se aos meios de comunicação, que se combinaram para não falar dele, depois de dias e dias em que era um dos principais assuntos noticiosos. Nem compareceu a uma cerimónia pública importante em Belém onde estiveram todos os seus colegas. Nesta ocasião, um amigo do desaparecido disse julgar que a ausência se deveria a estar a trabalhar para o bem do país nas negociações com a troika que nos visita por estes dias. O desconhecimento deste amigo sobre o exacto paradeiro do ministro eclipsado é tanto mais desconcertante quanto o referido amigo é, além de amigo, também o chefe directo do desaparecido, visto frequentemente na sua companhia. Dadas as responsabilidades do ministro em falta, o desaparecimento é muito grave, pelo que se apela às pessoas que possam dar indicações sobre o seu paradeiro que entrem urgentemente em contacto com as autoridades. O desaparecido tem o cabelo branco e olhos claros, não se sabendo que roupa vestia quando do seu desaparecimento. Dão-se alvíssaras de 80 mil milhões de euros.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Protesto para a SIC
Se há coisa que me irrite são as alterações de programação de TV não anunciadas, principalmente quando eliminam um programa que me interessa. Cheguei a telefonar para uma estação de TV, não me lembro já qual, queixando-me da alteração que tinha suprimido o programa que eu queria ver por outra coisa que não tinha qualquer interessa para mim. Responderam-me amavelmente que um programa de TV é uma coisa viva e que é preciso mudar quando há razões e surgem acontecimentos que interessam a um público mais numeroso.
Já no início deste ano protestei, desta vez por escrito, por um caso idêntico na SIC-Notícias, irritado principalmente por o programa substituto ser sobre futebol. Eis o meu protesto:
«Eu sei que o futebol dá muitas audiências, mas considero uma enorme falta de consideração pelos telespectadores anunciarem, como habitualmente, o programa Negócios da Semana para hoje às 23 h e em vez do programa esperado darem uma dose reforçada de futebol. Não sabiam que ia haver hoje um jogo importante? Foi pelo resultado inesperado que tiveram de prolongar a informação desportiva e ouvir todos os comentadores possíveis, cancelando (ou remetendo para outro horário?) sem avisarem o que estava programado? Não pensaram que mesmo para quem gosta de futebol há um programa a respeitar? E quem não gosta de futebol e se interessa por economia, como é o meu caso?
Se tivessem um mínimo de respeito pelos telespectadores cumpriam o programa e, quando por motivos de força maior não fosse possível fazê-lo - o que não é o caso de hoje -, pelo menos avisavam. Exijo explicações.
F., Um telespectador até agora fiel mas indignado»
Não houve qualquer explicação ou resposta da parte da estação televisiva. Nem um aviso de recepção.
Como repetissem a graça na semana passada, voltei a protestar, desta vez com alguma ironia:
«Mais uma vez fiquei profundamente frustrado por ter esperado em vão pelo programa "Negócios da Semana" programado para hoje às 23 horas mas que acabou por não ser transmitido. O alto critério do responsável da programação da SIC-Notícias achou preferível brindar-nos com chatíssimos comentários sobre um jogo de futebol que certamente terá muito mais importância do que a situação económica do país. Realmente, quem se pode interessar pelo facto de Portugal atravessar uma pequena crise e pela insignificância de termos entre nós representantes de organismos como o FMI, o BCE e a UE para negociações, quando houve um encontro de futebol. O futebol justifica tudo. O que é preciso é falar de futebol. E para os poucos que se interessam pelo futuro do país, nem vale a pena avisar que a programação foi alterada. Que fiquem a ver os discursos dos treinadores, dos jogadores, dos comentadores e tudo o mais ou que mudem de canal. Entretanto no guia de programação da ZON continua a anunciar-se o "Negócios da Semana" para as 23. É não só falta de respeito pela programação, mas também falta de respeito pelos espectadores. Por favor, para a próxima, se a maioria do público gosta é de futebol e não aprecia programas de economia (mesmo quando estão preocupados pela dureza das medidas de austeridade), podem encher o programa de futebol, mas, por favor, avisem.
Cumprimentos
F.., espectador habitual (por enquanto»
Desta vez obtive resposta:
«Exmo. Sr. F. ,
Apesar de não me considerar um espetador, já que não espeto nada, mas sim um espectador - com grafia que acho que é ainda legal - fiquei agradado por obter uma resposta, mas não com a explicação dada. Aguardo a justificação da "área responsável".
Já no início deste ano protestei, desta vez por escrito, por um caso idêntico na SIC-Notícias, irritado principalmente por o programa substituto ser sobre futebol. Eis o meu protesto:
«Eu sei que o futebol dá muitas audiências, mas considero uma enorme falta de consideração pelos telespectadores anunciarem, como habitualmente, o programa Negócios da Semana para hoje às 23 h e em vez do programa esperado darem uma dose reforçada de futebol. Não sabiam que ia haver hoje um jogo importante? Foi pelo resultado inesperado que tiveram de prolongar a informação desportiva e ouvir todos os comentadores possíveis, cancelando (ou remetendo para outro horário?) sem avisarem o que estava programado? Não pensaram que mesmo para quem gosta de futebol há um programa a respeitar? E quem não gosta de futebol e se interessa por economia, como é o meu caso?
Se tivessem um mínimo de respeito pelos telespectadores cumpriam o programa e, quando por motivos de força maior não fosse possível fazê-lo - o que não é o caso de hoje -, pelo menos avisavam. Exijo explicações.
F., Um telespectador até agora fiel mas indignado»
Não houve qualquer explicação ou resposta da parte da estação televisiva. Nem um aviso de recepção.
Como repetissem a graça na semana passada, voltei a protestar, desta vez com alguma ironia:
«Mais uma vez fiquei profundamente frustrado por ter esperado em vão pelo programa "Negócios da Semana" programado para hoje às 23 horas mas que acabou por não ser transmitido. O alto critério do responsável da programação da SIC-Notícias achou preferível brindar-nos com chatíssimos comentários sobre um jogo de futebol que certamente terá muito mais importância do que a situação económica do país. Realmente, quem se pode interessar pelo facto de Portugal atravessar uma pequena crise e pela insignificância de termos entre nós representantes de organismos como o FMI, o BCE e a UE para negociações, quando houve um encontro de futebol. O futebol justifica tudo. O que é preciso é falar de futebol. E para os poucos que se interessam pelo futuro do país, nem vale a pena avisar que a programação foi alterada. Que fiquem a ver os discursos dos treinadores, dos jogadores, dos comentadores e tudo o mais ou que mudem de canal. Entretanto no guia de programação da ZON continua a anunciar-se o "Negócios da Semana" para as 23. É não só falta de respeito pela programação, mas também falta de respeito pelos espectadores. Por favor, para a próxima, se a maioria do público gosta é de futebol e não aprecia programas de economia (mesmo quando estão preocupados pela dureza das medidas de austeridade), podem encher o programa de futebol, mas, por favor, avisem.
Cumprimentos
F.., espectador habitual (por enquanto»
Desta vez obtive resposta:
«Exmo. Sr. F. ,
Agradecemos a disponibilidade demonstrada para nos transmitir a sua opinião. As alterações efetuadas nas grelhas de programação dos canais da SIC têm por principio a preferência dos espetadores, que são medidas e se traduzem em audiências. Este fator tem um papel importante na definição da estratégia de uma estação comercial como a SIC. Informamos que a sua insatisfação foi registada e encaminhada para a área responsável.
Sem outro assunto de momento, agradecendo o seu contacto, e colocando-nos à sua inteira disposição para futuros contactos, apresentamos os nossos melhores cumprimentos,
Bruno Costa
Assistente de Relações Públicas»Apesar de não me considerar um espetador, já que não espeto nada, mas sim um espectador - com grafia que acho que é ainda legal - fiquei agradado por obter uma resposta, mas não com a explicação dada. Aguardo a justificação da "área responsável".
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