Apesar de ainda faltar um dia para terminar o Congresso do PS em Matosinhos, já é possível fazer em poucas palavras um resumo do que lá se disse:
"A situação do nosso país é muito grave e a culpa é da oposição e particularmente do PSD, aquele partido que tem um líder inexperiente e irresponsável, porque até esse partido assassinar o PEC IV o nosso país estava numa situação muito boa mercê da boa governação do PS desde que tomou o poder. Os malandros do PSD deitaram tudo a perder com a sua acção irresponsável e eis-nos agora nesta situação aflitiva." Pouco mais se disse. O que pensa o PS do futuro do país que governa, que linhas mestras tem em mente para sair do abismo, que fazer, é coisa que não mereceu uma palavra no Congresso (se houve esta palavra, peço desculpa, mas eu não a ouvi).
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
domingo, 10 de abril de 2011
sábado, 9 de abril de 2011
Um compromisso nacional
Espantou-me que 47 personalidades de vários quadrantes de actividade e políticos tenham tido a peregrina ideia de um "compromisso nacional" que inclui "um compromisso entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos no sentido de garantirem a execução de um plano de ação imediata". É quase uma União Nacional. Então para que serve haver partidos? Não é para que apresentem soluções alternativas para que o soberano, que em democracia é o povo, possa escolher o que prefere? No contexto actual é possível tal compromisso, quando o partido que está, esperemos, quase a sair do Governo tem uma visão do país tão oposta à do principal partido da oposição? E quais são os "principais partidos"? Incluem-se nestes o PCP e o BE? Se não, inclui-se o CDS, que por vezes tem menor representação parlamentar que aqueles? Se este compromisso fosse possível, seriam inúteis as eleições. Reuniam-se todos e faziam um compromisso de "ação" ou, de preferência, pelo menos para mim, de "acção". Mas não pensem que vou comprar o Expresso para saber mais sobre o assunto. Nos últimos tempos já gastei dinheiro inutilmente nesse exercício.
Nota: Algumas das personalidades que consegui reconhecer pelas fotografias têm-me merecido respeito pelas suas opiniões, o que não implica que tenha de concordar com todas as suas ideias.
Nota: Algumas das personalidades que consegui reconhecer pelas fotografias têm-me merecido respeito pelas suas opiniões, o que não implica que tenha de concordar com todas as suas ideias.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Este País não é para cardíacos
A rápida sucessão de notícias dos últimos dias, culminando esta noite com o anúncio do PM de que afinal sempre decidira pedir apoio do FEEF (ao contrário do que vinha repetindo e tripetindo desde há tempos até ao último dia e depois de um aparecimento fugaz nas TVs em mangas de camisa a perguntar em que posição ficava melhor), deixou-me atordoado. Juros da dívida a aumentar rapidamente, notação das agências da dita em queda acentuada, quer para a dívida soberana quer para os bancos e as empresas, declarações dos banqueiros, teima dos políticos, culpabilização e caça aos responsáveis da derrocada, e, como cereja em cima do bolo, o pedido de resgate financeiro, tudo em sequência rápida com sobressaltos e golpes de rins, é demais para simples mortais, bons contribuintes e cidadãos preocupados como nós. Será que vamos agora ter uns dias mais calmos? Não me parece...
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Rua Nova dos Mercadores - D. Sebastião: descobertos quadros
Não sou sebastianista e não tenho esperança de que D. Sebastião apareça numa manhã de nevoeiro. De resto, este jovem rei fogoso, "bem nascida segurança da lusitana antiga liberdade, e não menos certíssima esperança de aumento da pequena Cristandade", em vez de ter sido, como esperava Camões, "jugo e vitupério do torpe Ismaelita cavaleiro, do Turco Oriental e do Gentio" foi, sim, o responsável pela perda da independência de Portugal. No entanto exultei com a notícia da descoberta no Museu Rietberg de uma tela que se julgava perdida como sendo do jovem D. Sebastião com 8 anos, que estava mal identificado como um nobre austríaco.

Mas achei ainda mais interessante a descoberta de duas telas (que parecem provir de um único quadro cortado ao meio) que representam a Rua Nova dos Mercadores da Baixa lisboeta pré-pombalina (e não pós-pombalina, como por erro disse o jornalista da RTP ao introduzir a notícia). Ainda há dias estive mais uma vez no Museu da Cidade onde vi a maqueta da reconstituição de Lisboa antes do terramoto e estive a observar como se pensa ter sido esta importante artéria da cidade. Uma das duas telas tem sido reproduzida e é fácil de encontrar na net:

mas a outra, só a consegui vislumbrar na reportagem da RTP2. Tentei apanhá-la, mas uma parte à direita ficou tapada. No entanto acho de interesse apresentar o que se consegue ver:

Mas achei ainda mais interessante a descoberta de duas telas (que parecem provir de um único quadro cortado ao meio) que representam a Rua Nova dos Mercadores da Baixa lisboeta pré-pombalina (e não pós-pombalina, como por erro disse o jornalista da RTP ao introduzir a notícia). Ainda há dias estive mais uma vez no Museu da Cidade onde vi a maqueta da reconstituição de Lisboa antes do terramoto e estive a observar como se pensa ter sido esta importante artéria da cidade. Uma das duas telas tem sido reproduzida e é fácil de encontrar na net:

mas a outra, só a consegui vislumbrar na reportagem da RTP2. Tentei apanhá-la, mas uma parte à direita ficou tapada. No entanto acho de interesse apresentar o que se consegue ver:
domingo, 3 de abril de 2011
Culpabilização e crispação
Os apelos de vários quadrantes e de várias personalidades para que a campanha política que começou em força seja cordata e para que os intervenientes evitem a crispação parecem não ter tido grande aceitação. Ainda ontem, as palavras de Sócrates em relação às últimas declarações de Passos Coelho mostram que a campanha vai seguir num tom violento e de assacar culpas, se necessário inventando intenções que não se podem concluir do discurso dos adversários políticos criticados.

A propósito, não percebi porque discursou Sócrates, numa acção de campanha no Porto, em frente de uma parede onde se lia "José Sócrates - defender Portugal construir o futuro" (Não tenho a certeza de que as letras pequeninas dissessem o que me pareceu; se interpretei mal, peço desculpa). Era uma acção do PS ou de José Sócrates? Será que Sócrates está a concorrer individualmente a algum cargo? Ou são já sintomas de culto da personalidade?

A propósito, não percebi porque discursou Sócrates, numa acção de campanha no Porto, em frente de uma parede onde se lia "José Sócrates - defender Portugal construir o futuro" (Não tenho a certeza de que as letras pequeninas dissessem o que me pareceu; se interpretei mal, peço desculpa). Era uma acção do PS ou de José Sócrates? Será que Sócrates está a concorrer individualmente a algum cargo? Ou são já sintomas de culto da personalidade?
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campanha crispação culto da personalidade
quarta-feira, 30 de março de 2011
Iodina
Bem sei que no meio de tantos problemas domésticos e internacionais é quase escandaloso eu escolher fazer notar hoje um pequeno problema de nomenclatura que é simultaneamente um erro de tradução, mas como químico e tradutor não resisto a assinalar o facto. Hoje, no canal Euronews, que costuma ser rigoroso na versão portuguesa das notícias, a propósito do acidente nuclear da central de Fukushima, o jornalista português referiu-se ao perigo da "iodina", falando, mais adiante na "iodina 131 radioactiva" que se encontrou na água do mar perto da central. Ora "iodina" é o nome duma planta (Iodina rhombifolia). O isótopo radioactivo que tem sido encontrado nas águas do mar perto de Fukushima é o iodo 131. O iodo é um elemento químico, de número atómico 43 na Tabela Periódica. Uma má tradução do inglês iodine terá levado a este erro. É certo que o Dicionário Cândido de Figueiredo inclui "iodina, f. (V. iodo)" por a palavra aparecer no lugar de iodo em alguma literatura brasileira. Mas em português de Portugal o nome correcto do elemento químico de símbolo I continua a ser iodo. E não há acordo ortográfico que mude as palavras. Note-se que a versão portuguesa da Euronews nunca empregou, que eu tivesse dado por isso, brasileirismos, pois se destina a ser difundida em Portugal e não no Brasil.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Há défice para além da vida?
Já sabemos que, segundo Jorge Sampaio nos elucidou, há vida para além do défice, embora seja uma vida em crise financeira permanente e a precisar de um bailout, acrescento eu. Mas será que há défice para além da vida? Não sei, mas parece que há défice de 2010 para além de 2010. Para mim a notícia mais inquietante do dia não foi o chumbo do PEC nem o pedido de demissão do PM: Foi a notícia das dúvidas do Eurostat sobre o verdadeiro montante do défice português de 2010. Se as dúvidas têm razão de ser, a redução do défice de 2011 e anos seguintes para os valores a que nos comprometemos será ainda mais difícil, acho eu.
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