A falta de cuidado de alguns tradutores que tratam as notícias transmitidas pelas nossas televisões pode prejudicar a compreensão das notícias. Muitas vezes resolvem aformosear as frases ditas pelos entrevistados ou de pessoas que participam em reportagens, substiuindo palavras ou expressões por outras, quando a tradução literal seria mais justa. Outras vezes não compreendem bem o que se diz e sai disparate. Principalmente quando a língua original é o alemão ou o francês, sai asneira pela certa.
Hoje houve duas situações semelhantes nas traduções, em legendas, das declarações de Jean-Claude Junker e do porta-voz da Comissão sobre as medidas do PEC português. Junker afirmou que as medidas preconizadas pelo governo português (PEC IV) tinham sido avalizadas pela Comissão. Pois na legenda apareceu que tinham sido analisadas. O sentido é totalmente diferente. Vi a reportagem 3 vezes e a palavra de Junker - avalisées - era bem audível e não deixava dúvida. Mais tarde, o porta-voz veio dizer que a aprovação das medidas era firme (ferme) e traduziram por estava fechada. Aqui o sentido é mais ou menos o mesmo, mas trata-se de um evidente erro de compreensão.
É preciso mais cuidado.
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
quarta-feira, 23 de março de 2011
terça-feira, 22 de março de 2011
Até ver, é o governo que tem obrigação de governar.
Já vêm de há muito os apelos do governo aos partidos da oposição para que apresentem alternativas às medidas que eles criticam nos governantes. Se criticam, se dizem que não serve, têm de dizer como querem que se faça. Parece lógico, mas neste caso não é. Seria um apelo razoável entre iguais, entre colegas, amigos ou familiares: Não gostas do modo como eu faço, então diz tu como farias. Mas governo e oposição não são iguais. O governo dispõe de meios e tem acesso a informações que a oposição não tem.
No caso actual, Francisco Assis repete e repete o apelo: Se o PSD quer reprovar as medidas do PEC, deverá apresentar alternativas. Diz isto em várias ocasiões e em vários tons e critica o PSD por não fazer o que Assis pensa que teria obrigação de fazer. Mas não tem razão. Primeiro, porque o PSD não tem tanta informação sobre os dados económicos e financeiros do país como o governo. Segundo, porque o Ministério das Finanças dispõe de uma quantidade de funcionários que formam uma máquina poderosa para estudar alternativas e preparar as decisões, enquanto que Passos Coelho, por muitos economistas que tenha à disposição para o aconselhar, está longe de ter uma máquina semelhante. Por último, o PSD não é governo, e quem tem dever de governar é o governo; a oposição pode concordar ou discordar, mas se discordar é ao governo que cabe resolver a questão e, sendo minoritário, procurar alternativas que possam ser aprovadas pelo parlamento.
No caso actual, Francisco Assis repete e repete o apelo: Se o PSD quer reprovar as medidas do PEC, deverá apresentar alternativas. Diz isto em várias ocasiões e em vários tons e critica o PSD por não fazer o que Assis pensa que teria obrigação de fazer. Mas não tem razão. Primeiro, porque o PSD não tem tanta informação sobre os dados económicos e financeiros do país como o governo. Segundo, porque o Ministério das Finanças dispõe de uma quantidade de funcionários que formam uma máquina poderosa para estudar alternativas e preparar as decisões, enquanto que Passos Coelho, por muitos economistas que tenha à disposição para o aconselhar, está longe de ter uma máquina semelhante. Por último, o PSD não é governo, e quem tem dever de governar é o governo; a oposição pode concordar ou discordar, mas se discordar é ao governo que cabe resolver a questão e, sendo minoritário, procurar alternativas que possam ser aprovadas pelo parlamento.
segunda-feira, 21 de março de 2011
Ainda o PEC IV
Muito se tem dito e escrito sobre o PEC IV e as peripécias da sua apresentação ao PR, à AR, aos partidos, à Comissão Europeia, ao BCE e da sua divulgação ao povo. Quem soube primeiro as medidas a que o nosso Governo se comprometeu? Para além da discussão bizantina sobre o dia e a hora exacta em que ocorreu a divulgação e se foi primeiro em Bruxelas ou em Lisboa, em inglês ou em português, há uma questão que ainda não vi abordada por ninguém e que me parece ter alguma importância: A versão apresentada publicamente pelo ministro Teixeira dos Santos na manhã do dia 11 é muitíssimo mais resumida do que o documento enviado para Bruxelas datado do dia 10, mas que só terá seguido e sido recebida a 11, por ventura depois da apresentação. Basta comparar as duas versões e é fácil reparar nas diferenças. O Governo não teve a sensibilidade para saber que deveria divulgar a versão portuguesa da carta enviada a Bruxelas ou um documento equivalente, por ventura mais desenvolvido, mas nunca mais resumido, antes ou pelo menos simultaneamente ao seu envio para a Comissão e o BCE, já para não falar da apresentação oficial aos órgãos de soberania PR e AR, pelo menos.
domingo, 20 de março de 2011
Líbia II
Afinal, a minha memória não ajudou: A tal cimeira Europa-África II já se realizou, mesmo na Líbia, recentemente.

«Começou na Líbia a cimeira entre a União Europeia e África. O enviado-especial da RTP a Tripoli, António Esteves Martins, acompanhou o primeiro dia. O anfitrião Kadhafi abriu a sessão com um discurso crítico, insinuando a possibilidade de a África se voltar para outros parceiros, em consequência do fracasso europeu.
2010-11-29»
Mesmo assim, mantenho a sugestão de uma nova cimeira no mesmo local mas sem os 2 cavalheiros da figura.

«Começou na Líbia a cimeira entre a União Europeia e África. O enviado-especial da RTP a Tripoli, António Esteves Martins, acompanhou o primeiro dia. O anfitrião Kadhafi abriu a sessão com um discurso crítico, insinuando a possibilidade de a África se voltar para outros parceiros, em consequência do fracasso europeu.2010-11-29»
Mesmo assim, mantenho a sugestão de uma nova cimeira no mesmo local mas sem os 2 cavalheiros da figura.
Etiquetas:
Líbia Khadafi cimeira Europa-África Sócrates
Líbia
Quem se lembrará desta notícia do Público de 2007.12.09?
«A Líbia propôs organizar a próxima cimeira União Europeia-África, anunciou hoje em Lisboa o primeiro-ministro José Sócrates, no seu discurso de encerramento da II Cimeira UE-África.»

Eu não tenho tão boa memória que me lembrasse deste anúncio sem ajuda, mas por sorte caí em cima desta notícia ao fazer uma busca na net. Não sei porquê, mas desconfio que é melhor escolher outra localização para a próxima cimeira. E daí, talvez não, pode ser mesmo apropriado fazê-la numa Líbia renovada e sem Khadafi (e, já agora, de preferência também sem José Sócrates).
«A Líbia propôs organizar a próxima cimeira União Europeia-África, anunciou hoje em Lisboa o primeiro-ministro José Sócrates, no seu discurso de encerramento da II Cimeira UE-África.»

Eu não tenho tão boa memória que me lembrasse deste anúncio sem ajuda, mas por sorte caí em cima desta notícia ao fazer uma busca na net. Não sei porquê, mas desconfio que é melhor escolher outra localização para a próxima cimeira. E daí, talvez não, pode ser mesmo apropriado fazê-la numa Líbia renovada e sem Khadafi (e, já agora, de preferência também sem José Sócrates).
Etiquetas:
Líbia Khadafi cimeira Europa-África Sócrates
terça-feira, 15 de março de 2011
Apostas
Um amigo meu estava convencido que, na declaração que ia fazer ontem às 20 h, Sócrates informaria que o Governo, perante a recusa da oposição em dar o seu aval às medidas “corajosas” do chamado PEC4, se iria demitir ou pelo menos apresentar uma moção de confiança, com o que transformaria a crise política potencial numa verdadeira crise política. Disse-lhe que esse comportamento não me parecia o próprio do modo de Sócrates estar na política. Parecia-me antes que o PM iria dizer que o PEC4 era fundamental para a estabilidade e que a oposição, ao estar contra estas medidas, era culpada de desencadear uma crise que afogaria o País.
Infelizmente não chegámos a apostar nem umas cervejas nem sequer a feijões. Se tivéssemos apostado, eu teria ganho. Sócrates pensa que tem o monopólio da verdade e que é o salvador do País. Não admite que tem qualquer responsabilidade na crise económica que atravessamos nem nos resultados nulos das medidas que tem preconizado de 15 em 15 dias na tentativa vã fazer baixar as taxas de juro dos nossos créditos. A culpa é sempre da ganância dos especuladores, da sede de poder da oposição e em geral dos outros, nunca dele próprio e das suas políticas. Verdadeiramente, não há pior cego do que aquele que não quer ver.
Infelizmente não chegámos a apostar nem umas cervejas nem sequer a feijões. Se tivéssemos apostado, eu teria ganho. Sócrates pensa que tem o monopólio da verdade e que é o salvador do País. Não admite que tem qualquer responsabilidade na crise económica que atravessamos nem nos resultados nulos das medidas que tem preconizado de 15 em 15 dias na tentativa vã fazer baixar as taxas de juro dos nossos créditos. A culpa é sempre da ganância dos especuladores, da sede de poder da oposição e em geral dos outros, nunca dele próprio e das suas políticas. Verdadeiramente, não há pior cego do que aquele que não quer ver.
domingo, 13 de março de 2011
O que os jovens precisam é de modernidade
Leio e custa-me a acreditar, mas indo às fontes primárias acabo por crer que Sócrates disse mesmo o que se diz que disse. É o que se pode chamar uma grande compreensão pelos problemas dos jovens de hoje. Era mesmo o que mais se reclamava na manifestação do "geração à rasca" era modernidade.
Etiquetas:
geração à rasca modernidade Sócrates
Subscrever:
Mensagens (Atom)