domingo, 20 de março de 2011

Líbia

Quem se lembrará desta notícia do Público de 2007.12.09?

«A Líbia propôs organizar a próxima cimeira União Europeia-África, anunciou hoje em Lisboa o primeiro-ministro José Sócrates, no seu discurso de encerramento da II Cimeira UE-África.»




Eu não tenho tão boa memória que me lembrasse deste anúncio sem ajuda, mas por sorte caí em cima desta notícia ao fazer uma busca na net. Não sei porquê, mas desconfio que é melhor escolher outra localização para a próxima cimeira. E daí, talvez não, pode ser mesmo apropriado fazê-la numa Líbia renovada e sem Khadafi (e, já agora, de preferência também sem José Sócrates).

terça-feira, 15 de março de 2011

Apostas

Um amigo meu estava convencido que, na declaração que ia fazer ontem às 20 h, Sócrates informaria que o Governo, perante a recusa da oposição em dar o seu aval às medidas “corajosas” do chamado PEC4, se iria demitir ou pelo menos apresentar uma moção de confiança, com o que transformaria a crise política potencial numa verdadeira crise política. Disse-lhe que esse comportamento não me parecia o próprio do modo de Sócrates estar na política. Parecia-me antes que o PM iria dizer que o PEC4 era fundamental para a estabilidade e que a oposição, ao estar contra estas medidas, era culpada de desencadear uma crise que afogaria o País.

Infelizmente não chegámos a apostar nem umas cervejas nem sequer a feijões. Se tivéssemos apostado, eu teria ganho. Sócrates pensa que tem o monopólio da verdade e que é o salvador do País. Não admite que tem qualquer responsabilidade na crise económica que atravessamos nem nos resultados nulos das medidas que tem preconizado de 15 em 15 dias na tentativa vã fazer baixar as taxas de juro dos nossos créditos. A culpa é sempre da ganância dos especuladores, da sede de poder da oposição e em geral dos outros, nunca dele próprio e das suas políticas. Verdadeiramente, não há pior cego do que aquele que não quer ver.

domingo, 13 de março de 2011

O que os jovens precisam é de modernidade

Leio e custa-me a acreditar, mas indo às fontes primárias acabo por crer que Sócrates disse mesmo o que se diz que disse. É o que se pode chamar uma grande compreensão pelos problemas dos jovens de hoje. Era mesmo o que mais se reclamava na manifestação do "geração à rasca" era modernidade.

sábado, 12 de março de 2011

Sacrifícios: ultrapassado o limite?

Dois dias depois do discurso do PR em que lembrava que há limites para os sacrifícios que é possível pedir aos cidadãos comuns, eis que aparece de repente e sem aviso prévio um novo PEC imediatamente submetido a Bruxelas! Neste documento, apresentado no dia 11 de manhã pelo Ministro das Finanças numa sessão convocada na véspera à noite, anunciam-se novos sacrifícios, e não dos menores. Afinal a maravilhosa consolidação orçamental não estava a correr tão bem como o PM nos dizia ainda há poucas horas! O pacote não tinha sido discutido com os parceiros sociais nem tão pouco o PR tinha sido informado! Perante esta situação absolutamente aberrante, Passos Coelho foi claro: Apesar do entusiasmo com que as medidas foram recebidas na reunião dos ministros da eurozona, Passos Coelho declarou que o PSD não viabilizaria as medidas agora anunciadas.

quinta-feira, 10 de março de 2011

É a guerra!

Não, não me refiro à Líbia, onde, infelizmente, também há uma guerra mortífera entre um tirano e um povo que anseia por liberdade. A guerra a que me refiro agora é a declarada entre o Presidente da República recém reeleito e o partido do Governo. O discurso de tomada de posse do PR para o segundo mandato foi sentido pelo PS como um ataque. Um discurso inesperado, mas correctíssimo, rigoroso e certeiro. Todas as críticas que ouvi de diversos quadrantes pareceram-me descabidas. A mais importante, porque adiantada logo a seguir ao discurso pelo PM, foi a que apontava como uma falha a ausência de menção da crise internacional como causa da nossa crise, já que, segundo Sócrates, crise idêntica é sentida por toda a Europa. Esta declaração vem na sequência da constante dos discursos do PM que sempre que tem de falar nas dificuldades financeiras que atravessamos faz questão de afirmar que são consequência da crise internacional.

O certo é que as reacções de diversos elementos do PS mostraram o quão desagradados ficaram com as palavras, certamente duras mas justas, do PR. Estas reacções, mais do que o discurso, mostram que o clima de guerra está instalado. Aguardam-se os próximos capítulos.

PS: Muito certeiro o postal sobre o diagnóstico feito no discurso publicado no Quarta República.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Requiem pela língua portuguesa

aqui dei conta do meu descontentamento pela secundarização da língua portuguesa no domínio da propriedade industrial. O nosso governo, ao aderir ao Acordo de Londres sobre tradução de patentes, sem que nada o obrigasse a isso, manifestou desprezo pela nossa língua, que, segundo The Cambridge Encyclopedia of Language (David Crystal, Cambridge University Press, 1987), está em 8.º lugar em número de falantes, depois de inglês, chinês, hindi, espanhol, russo francês e arábico. É portanto, das línguas europeias, a 4.ª língua mais falada no mundo, pelo que merecia outro tratamento. As línguas oficiais do Instituto Europeu de Patentes são o inglês, o francês e o alemão. Compreende-se a presença do alemão, que, apesar de estar em 12.º lugar das línguas mais faladas, tem maior expansão na Europa e tem uma importância indiscutível nos domínios industrial e económico. Mas já não se aceita que nem para vigorar no nosso país seja necessária a tradução de documentos legais, como as patentes, para português.

Há pouco, José Ribeiro e Castro escreveu no Expresso um pequeno texto em que desenvolve com grande precisão os argumentos para a preservação da língua portuguesa neste domínio. Merece a pena lê-lo e meditar.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ele há ditadores e ditadores

Depois de ouvir (os excertos d)o discurso de Khadafi, chego à conclusão que afinal Ben Ali e Hosni Mubarak eram ditadores suaves, não só por se terem retirado sem batalha, mas principalmente por, antes de reconhecer a derrota e deixado o poder, terem ambos feito discursos algo conciliadores, que revelavam algum grau de cedência, embora não suficiente, em vez das ameaças de Khadafi. Por outro lado tinham um discurso muito mais estruturado e com uma linha lógica, ao passo que o discurso ameaçador de do líder líbio era descoordenado e revelava falta de domínio de si.E eu que achei o longo discurso do filho de Khadafi patético! Isso foi antes de ouvir o discurso do pai. Não desejo a morte de ninguém e sou frontalmente contra a pena de morte, mas se Khadafi deseja tanto morrer como mártir, porque não lhe fazem a vontade?