COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Espionagem, escutas, PR e assessor
Como é possível haver tantas pessoas a escrever e a dizer coisas, por vezes contraditórias, sobre o estranho caso da espionagem ou das escutas em Belém e sobre o assessor que disse ou encomendou, com ou sem indicação ou autorização ou ordem do PR, que se desse publicidade às desconfianças da dita espionagem ou das ditas escutas, a um jornalista que pediu a um colega que investigasse por um e-mail, o qual terá sido espiado ou foi propositadamente enviado ou talvez desviado ou soprado e que veio publicado num outro jornal que não o dos jornalistas citados, o que levou o PR a demitir o dito assessor para mostrar que a ordem, sugestão ou indicação para dizer ou encomendar a referida desconfiança de haver escutas ou espionagem não tinha sido dada por ele, demissão que poderá favorecer ou não o PS nas próximas eleições, o que talvez tenha sido ou não propositado da parte de algum dos intervenientes? Bem, pela longa frase parece que realmente há muito que dizer ou escrever sobre o assunto, mesmo sem se saber praticamente nada de certo sobre o dito assunto.
Etiquetas:
escutas Belém assessor demissão
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Manuela: sentido de humor surpreendente

Pode haver dúvidas sobre que ganhou outro dia o debate entre Sócrates e Manuela Ferreira Leite. Tanto que pode haver que as houve: uns opinaram que ganhou S, outros que ganhou MFL, e ainda alguns, para não se comprometerem, afirmaram que houve um empate.
Mas hoje, graças a um conhecido grupo de humoristas que tenta desde ontem esmiuçar o sufrágio dos portugueses, poucas dúvidas restarão que em entrevistas ao Gato Fedorento Manuela ganhou em toda a linha. Mostrou calma, segurança, sentido de humor e fair play. Principalmente mostrou à-vontade e foi natural. Foi ela própria, porém surpreendentemente bem disposta e até um pouco brincalhona, sem deixar de ser sincera, ao contrário do entrevistado da véspera, que deu sinais evidentes de estar nervoso e pouco à vontade, respondendo o politicamente correcto e sem graça, embora se tivesse rido muito.
Dito isto, devo confessar que não penso que seja inevitável que o facto de se portar melhor num programa humorístico, embora com perguntas muito sérias, indique alguém para o cargo de primeiro-ministro. Assim como o facto de alguém fazer gafes ou de não gostar de comícios não é sinal de que não pode ser bom primeiro-ministro. As qualidades que penso que um bom primeiro ministro deve ter são outras (excepto a sinceridade, de que se tem sentido a falta ultimamente). Mas foi refrescante assitir a uma boa entrevista, com humor, mas no fundo muito séria.
domingo, 13 de setembro de 2009
Energia alternativa em Évora: refrigeração a leque

A avaliar pelas imagens que acabo de ver na TV (Jornal da RTP2) do aspecto da sala durante o discurso de Carlos Zorrinho, responsável pelo chamado Plano Tecnológico, a anteceder a intervenção de José Sócrates, ficou claro que a energia alternativa mais apropriada para arrefecer os rostos afogueados dos militantes socialistas presentes, principalmente das militantes, era a refrigeração a leque. Se o uso do leque for imposto durante o Verão em todos os edifícios públicos como uma norma do Plano Tecnológico, a poupança de energia com base em combustíveis fósseis será enorme e evitar-se-á a emissão de muitas toneladas de CO2 para a atmosfera, retardando assim o aquecimento global. Vamos pois todos abanarmo-nos com leques.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Capela de Santo Amaro
Vi no Lisboa S.O.S. com desgosto imagens do estado de degradação a que chegou a Capela de Santo Amaro.

Quando frequentei o Liceu de D. João de Castro, de que consta querem desactivá-lo como estabelecimento de ensino, apesar das condições ímpares que apresenta para esse fim, morei durante anos na Rua dos Lusíadas e visitei várias vezes a Capela de Santo Amaro, então já abandonada, mas ainda não vandalizada nem grafitada. Fazia-o com deleite e custa-me muito ver o estado a que chegou. Felizmente parece possível a recuperação, assim haja vontade e meios.
Perante casos como este, infelizmente não raros, custa-me pensar que há quem defenda os graffiti como uma forma de arte sem condenar o seu emprego sobre artes mais antigas e que deveriam ser preservadas. Pode ser que sejam uma forma de arte – popular e contemporânea – quando não se limitam a rabiscos ou a iniciais mais ou menos elaboradas que se destinam prioritariamente a delimitar territórios, mas mesmo quando incluem desenhos que podemos considerar artísticos deveriam seleccionar como base muros ou paredes que não pertencessem a monumentos e que não fossem desfeados com a cobertura de graffiti. Até um grande artista deveria ser alvo de crítica se resolvesse pintar sobre um monumento antigo.

Quando frequentei o Liceu de D. João de Castro, de que consta querem desactivá-lo como estabelecimento de ensino, apesar das condições ímpares que apresenta para esse fim, morei durante anos na Rua dos Lusíadas e visitei várias vezes a Capela de Santo Amaro, então já abandonada, mas ainda não vandalizada nem grafitada. Fazia-o com deleite e custa-me muito ver o estado a que chegou. Felizmente parece possível a recuperação, assim haja vontade e meios.
Perante casos como este, infelizmente não raros, custa-me pensar que há quem defenda os graffiti como uma forma de arte sem condenar o seu emprego sobre artes mais antigas e que deveriam ser preservadas. Pode ser que sejam uma forma de arte – popular e contemporânea – quando não se limitam a rabiscos ou a iniciais mais ou menos elaboradas que se destinam prioritariamente a delimitar territórios, mas mesmo quando incluem desenhos que podemos considerar artísticos deveriam seleccionar como base muros ou paredes que não pertencessem a monumentos e que não fossem desfeados com a cobertura de graffiti. Até um grande artista deveria ser alvo de crítica se resolvesse pintar sobre um monumento antigo.
Etiquetas:
Capela de Santo Amaro Lisboa S.O.S. graffiti
domingo, 6 de setembro de 2009
A saúde nos programas eleitorais
A acusação tem sido repetida nestes últimos dias: Sócrates diz que o programa eleitoral do PSD não refere uma única vez o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que acha particularmente grave e sinal de que aquele partido está contra o sistema de saúde público. Sócrates insere esta ideia na estratégia geral que, segundo ele, o PSD persegue de privatização geral, entregando à iniciativa provada até a saúde, a Segurança Social e a educação.
Resolvi verificar o fundamento da acusação principal -- a ausência de referências ao SNS no programa do PSD -- e das conclusões que Sócrates tira daí.
Se bem que seja verdade que não encontrei a expressão "Serviço Nacional de Saúde" uma única vez no programa do PSD, verifiquei que a palavra "saúde" aparece no texto 35 vezes, enquanto que o programa do PS cita a palavra 121 vezes. Mas daí não se pode concluir que o PS se preocupe mais com a saúde dos portugueses, já que o seu programa é muito mais extenso e pormenorizado, tendo 130 páginas, enquanto o do PSD tem apenas 39. Portanto a palavra "saúde" aparece uma média de 0,90 vezes por página no documento do PSD e 0,93 no do PS. A diferença não é pois significativa.
Vi ainda que a expressão "Serviço Nacional de Saúde" ou a sigla "SNS" só são citadas pelo PS 22 vezes, pelo que se vê que se pode dizer muito sobre política de saúde mas referindo o respectivo serviço público pelo nome apenas 18% das vezes (0% pelo PSD).
Mas o programa do PSD inclui designadamente expressões como:
«serviços públicos básicos – como a saúde
Plano Nacional de Saúde
serviços públicos de saúde
política de saúde»,
defende:
«maior acessibilidade aos serviços de saúde»
e afirma:
«Desenvolveremos políticas específicas de saúde infantil
comprometemo-nos com a universalidade no acesso aos cuidados de saúde
Alargaremos progressivamente a liberdade de escolha pelo utente dos prestadores de serviços de saúde: o beneficiário passará a poder escolher cada vez mais, dentro ou fora do sistema público, o hospital ou o centro de saúde da sua eleição
Defenderemos uma gestão integrada da Rede de Cuidados de Saúde»
Parece-me inevitável concluir que, embora se possa discordar da política de saúde do PSD -- e não espanta que Sócrates discorde --, o que não é legítimo é acusar o PSD de estar contra o Serviço Nacional de Saúde, só por não o referir expressamente pelo nome. Se eu disser "o actual primeiro-ministro", toda a gente sabe a quem me estou a referir, mesmo não lhe dizendo o nome.
Resolvi verificar o fundamento da acusação principal -- a ausência de referências ao SNS no programa do PSD -- e das conclusões que Sócrates tira daí.
Se bem que seja verdade que não encontrei a expressão "Serviço Nacional de Saúde" uma única vez no programa do PSD, verifiquei que a palavra "saúde" aparece no texto 35 vezes, enquanto que o programa do PS cita a palavra 121 vezes. Mas daí não se pode concluir que o PS se preocupe mais com a saúde dos portugueses, já que o seu programa é muito mais extenso e pormenorizado, tendo 130 páginas, enquanto o do PSD tem apenas 39. Portanto a palavra "saúde" aparece uma média de 0,90 vezes por página no documento do PSD e 0,93 no do PS. A diferença não é pois significativa.
Vi ainda que a expressão "Serviço Nacional de Saúde" ou a sigla "SNS" só são citadas pelo PS 22 vezes, pelo que se vê que se pode dizer muito sobre política de saúde mas referindo o respectivo serviço público pelo nome apenas 18% das vezes (0% pelo PSD).
Mas o programa do PSD inclui designadamente expressões como:
«serviços públicos básicos – como a saúde
Plano Nacional de Saúde
serviços públicos de saúde
política de saúde»,
defende:
«maior acessibilidade aos serviços de saúde»
e afirma:
«Desenvolveremos políticas específicas de saúde infantil
comprometemo-nos com a universalidade no acesso aos cuidados de saúde
Alargaremos progressivamente a liberdade de escolha pelo utente dos prestadores de serviços de saúde: o beneficiário passará a poder escolher cada vez mais, dentro ou fora do sistema público, o hospital ou o centro de saúde da sua eleição
Defenderemos uma gestão integrada da Rede de Cuidados de Saúde»
Parece-me inevitável concluir que, embora se possa discordar da política de saúde do PSD -- e não espanta que Sócrates discorde --, o que não é legítimo é acusar o PSD de estar contra o Serviço Nacional de Saúde, só por não o referir expressamente pelo nome. Se eu disser "o actual primeiro-ministro", toda a gente sabe a quem me estou a referir, mesmo não lhe dizendo o nome.
sábado, 5 de setembro de 2009
Liberdade de imprensa - liberdade de expressão
O recente episódio do afastamento da jornalista da TVI Manuela Moura Guedes do Jornal Nacional de Sexta-feira já foi tão escalpelizado (ver aqui, aqui e aqui) que será difícil dizer mais. Mas não vi ainda ninguém defender a tese que me parece evidente de que os ataques verbais continuados do primeiro-ministro e do secretário-geral do PS, que por acaso são uma e a mesma pessoa, ao dito Jornal Nacional e à sua apresentadora foram objectivamente modos de pressão sobre o conteúdo jornalístico daquele programa. Não sei, ninguém sabe (a não ser os intervenientes anónimos), de quem partiu a ordem do afastamento, pode ter sido dalguém do PS, mas também pode não ter sido. Provavelmente nunca viremos a saber bem como e porquê as coisas aconteceram assim. Mas as pressões anteriores têm um rosto, lembramo-nos delas e foram recordadas, estão gravadas, é um facto objectivo.
Agora, defender, como fez Mário Soares, que se trata de um simples problema de uma empresa e que o governo não tem nada a ver com o assunto ou é ingenuidade ou má-fé. Por outro lado, considerar que se trata de um assunto legal ou apenas discutir se o Jornal Nacional das sextas apresentado por Manuela Moura Guedes tinha ou não qualidade, se era ou não populista, se gostávamos ou não de o ver, são visões redutoras da questão. Mesmo admitindo que o Jornal Nacional da Manuela Moura Guedes era deplorável e populista, o que não me parece pelos poucos minutos a que assisti, a censura evidente exercida por alguém sobre o programa é um atentado à liberdade de expressão.
Agora, defender, como fez Mário Soares, que se trata de um simples problema de uma empresa e que o governo não tem nada a ver com o assunto ou é ingenuidade ou má-fé. Por outro lado, considerar que se trata de um assunto legal ou apenas discutir se o Jornal Nacional das sextas apresentado por Manuela Moura Guedes tinha ou não qualidade, se era ou não populista, se gostávamos ou não de o ver, são visões redutoras da questão. Mesmo admitindo que o Jornal Nacional da Manuela Moura Guedes era deplorável e populista, o que não me parece pelos poucos minutos a que assisti, a censura evidente exercida por alguém sobre o programa é um atentado à liberdade de expressão.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Debates e comentários
Têm-se ouvido já de há muito numerosas vozes críticas sobre a falta de discussão de ideias nas campanhas eleitorais e designadamente nos debates. Estas críticas são muitas vezes inteiramente justas. Mas quando se ouvem comentadores a expressar a sua opinião sobre os debates só se referem à táctica e à estratégia das discussões e raramente ao conteúdo. Mais parecem comentadores de futebol a falarem do modo como decorreram os jogos, do mérito e demérito dos jogadores e das tácticas dos treinadores. Se a política se parece cada vez mais com o futebol, estes comentadores também contribuem para isso.
Etiquetas:
política futebol tácticas debates
Subscrever:
Mensagens (Atom)