sábado, 29 de agosto de 2009

Linha vermelha e campanha eleitoral


O prolongamento da linha vermelha do Metro hoje inaugurado é sem dúvida uma boa notícia para a cidade de Lisboa e para os seus moradores, especialmente para os do bairro dos Olivais, como eu. Gosto de andar de Metro e a ligação ao Saldanha e a São Sebastião vai-me poupar muito tempo. No entanto, fiquei muito desagradavelmente surpreendido ao verificar, pelas reportagens da inauguração nas televisões de hoje, que o ministro Mário Lino aproveitou a ocasião para fazer propaganda política partidária, atacando o PSD e o seu programa. Mário Lino tem todo o direito de dizer publicamente as suas opiniões políticas e até de participar activamente na campanha eleitoral. Pode defender a política do PS, partido que apoia o seu governo, e mesmo de atacar o PSD e dizer mal do seu programa, se não concorda com ele. Mas fazê-lo enquanto ministro e numa inauguração de uma infraestrutura não me parece correcto. Vá aos comícios do PS ou dê entrevistas, mas em pleno Metropolitano num acto público em que representa o seu governo não devia ter falado como falou.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Habemus programa do PSD

Na data anunciada e sem as fanfarras de propaganda a que o PS nos habituou, foi apresentado o programa do PS.

No blog Quarta República pode ler-se:

«Acho mal, acho muito mal...

... que a Dr.a Manuela Ferreira Leite não tenha tido uma palavrinha de agradecimento para o PS e para o Engº Sócrates pela publicidade que durante semanas fizeram ao programa eleitoral do PSD hoje apresentado, e pela expectativa, verdadeiramente invulgar em 34 anos de eleições gerais, que à volta dele se gerou.»
posted by JM Ferreira de Almeida @ 21:14

Pois eu não cheguei a compreender onde queria o PS chegar com as críticas constantes ao "atraso" da apresentação do programa do PSD, sabendo-se que era certo que mais tarde ou mais cedo ele seria apresentado e evidentemente antes das eleições, desvanecendo-se então qualquer influência que essas críticas pudessem ter no sentido da votação. De facto só serviu para criar uma enorme expectativa.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Manuel António Pina disse tudo

Nada há a acrescentar ao que Manuel António Pina disse no JN, mas vale a pena transcrever:

«Fazer batota

2009-08-18

Não sei para que servem os chamados "mandatários", mas alguma serventia hão-de ter ou os partidos não se dariam ao trabalho de os arranjar. Tratando-se de eleições e estando votos em causa, é provável que um "mandatário" seja alguém que supostamente renda votos.

Assim, se o partido A ou o partido B cobiçarem, por exemplo, os votos dos gagos, arranjarão um "mandatário para os gagos", alguém que seja um modelo para os gagos, de tal maneira que, votando ele num determinado partido, todos os outros gagos façam o mesmo, assim a modos que um flautista de Hamelin dos gagos. É por isso que não vejo a lógica da escolha da tal de Carolina Patrocínio (quem?) para "mandatária para a juventude" do PS. Será aquele o modelo (em plástico que, como diz O'Neill, sai mais barato) de juventude que o PS tem para oferecer aos jovens, uma juventude com empregadas para tirar os caroços das cerejas e as grainhas das uvas e que "prefere fazer batota a perder"? Ou o PS também prefere fazer batota a perder? Disse Sócrates em Amarante que a crise ainda não acabou. A financeira não sei, mas a outra vai de vento em popa.»

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Assassino recebido como herói

Leio no Público on-line:

«O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, David Miliband, declarou hoje à BBC Radio 4 que "as imagens de um assassino de massas a ser recebido em Tripoli como um herói são profundamente perturbadoras, acima de tudo pelas 270 famílias que choram todos os dias a perda dos seus entes queridos, há 21 anos, mas também por qualquer pessoa que tenha uma réstea de humanidade"

"Perturbador" é, quanto a mim, o mínimo que se pode dizer. Não sou da família das vítimas, não vivo em Lockerbie, nem nunca lá estive. Nem sequer sou escocês, mas fiquei profundamente chocado e triste com a notícia da recepção dada ao assassino Megrahi em Tripoli. Não que seja caso único, mas este é particularmente chocante e mostra que qualquer "aliança de civilizações" é ainda um mito (talvez seja um mito, mesmo sem o "ainda"). Há um fosso de mentalidades e a ilusão que alguns defendem de que os terroristas são uma minoria desenraizada é desmentida por estes comportamentos de massas.

domingo, 16 de agosto de 2009

Garotices

Visito com certa frequência o blog 31 da Armada e muitas vezes encontro opiniões interessantes. Agrada-me o seu ar desempoeirado e por vezes irónico. Apesar de republicano convicto, nunca me incomodou a sua costela monárquica, ou mesmo mais do que uma costela.
Fiquei deveras surpreendido por este blog ou pelo menos alguns dos seus colaboradores terem levado a cabo uma acção que só se pode considerar uma garotice: trepar à varanda principal da Câmara Municipal de Lisboa para substituírem a bandeira da cidade pela bandeira monárquica azul e branca. Por acaso até gosto das cores e só a coroa real, apesar de bonita, me incomodaria se correspondesse à nossa forma de organização política. Até acho que poderia ter sido mais acertado que os revolucionários republicanos de 1910 tivessem mantido as cores e apenas retirado a coroa. Mas não foi isso que aconteceu e, mal ou bem, a nossa bandeira é verde-rubra e não está sequer em causa, porque a que foi retirada (e agora justamente devolvida lavada e passada a ferro) foi a bandeira da cidade de Lisboa e não a bandeira nacional. Mas o acto em si não tem significado e não merecia o relevo que a comunicação social decidiu conceder-lhe, certamente por falta de assuntos mais importantes e por constituir uma reportagem barata.

sábado, 18 de julho de 2009

Sócrates ou Robim dos Bosques?

No Insurgente, Miguel Botelho Moniz escreve em "Guilhotinando o futuro":

"José Sócrates está contente com as estatísticas da desigualdade e risco de pobreza em Portugal. Segundo ele, isso será mérito da acção governativa; é o atingir do objectivo do estado. Como bom “humanitário”, Sócrates perpetua o erro que sempre esteve por trás do socialismo: A promoção da igualdade à custa da produção, descuidando que sem a última não há “transferências” que sejam possíveis.

O lado escondido do estudo do INE é que a redução de desigualdades e de risco de pobreza incide apenas nos sectores sociais directamente dependentes do estado para a sua subsistência e que por definição não são sectores produtivos: Reformados, idosos carenciados e indivíduos socialmente excluídos. Já noutros sectores sociais essas desigualdades e risco de pobreza aumentaram. Entre população activa desempregada e crianças (que por sua vez estão dependentes de pessoas na população activa), os números pioraram, ultrapassando já as estatísticas dos idosos. Isto é: Foi dado apoio social à custa do empobrecimento dos sectores produtivos, pondo em causa estes últimos e a própria capacidade futura de conceder apoios sociais.

O mais preocupante é que os dados do INE são relativos a 2007. Não incluem, portanto, os resultados do agravamento da crise, nomeadamente o vertiginoso aumento do desemprego. Mas enfim. Deixê-mo-lo ficar satisfeito consigo próprio."

Tem razão. Os grandes "triunfos" do governo Sócrates, a sua grande obra a favor do "estado social" basearam-se na redistribuição da riqueza, tirar a uns para dar aos outros. Como Robin Hood, o princípio seria tirar aos ricos para dar aos pobres. No entanto, como hoje no i Martim Avilez Figueiredo notou muito bem, os ricos já nem eram assim tão ricos, eram mais classe média, e com esta redistribuição acabaram ficando mais pobres. A redução das desigualdades sem criação acrescida de riqueza tem inevitavelmente este resultado.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Patentes e traduções

Acabei de saber, pela notícia inclusa no blog 31 da Armada, que o governo português se prepara para aderir ao artigo 65 do Protocolo de Londres sobre patentes, pelo qual deixa de ser obrigatório apresentar tradução em português do texto completo de patentes para as tornar válidas no nosso país, fazendo fé no nosso país o texto numa das línguas oficiais da Patente Europeia, inglês, francês ou alemão. Tenho seguido este assunto com atenção e até agora congratulava-me com a renitência do nosso país em aderir a este artigo, no que estava bem acompanhado por Espanha, Itália, Grécia, Polónia e outros. Pois bem, ao que parece quem manda cá mudou de opinião e acha agora que não há problemas em tornar oficialmente válidos e legais documentos escritos numa língua estrangeira. Contudo os inventores portugueses, infelizmente poucos, mas que por isso mesmo mereciam ser acarinhados, continuam a ter de mandar fazer traduções, e de as pagar, para uma das línguas oficiais da Patente Europeia, além, evidentemente, para as línguas dos países que não aderirem ao artigo 65, se quiserem proteger as suas invenções nesses países. Não há qualquer vantegem para Portugal nessa nossa projectada adesão, a não ser um eventual aumento de patentes europeias registadas no nosso país, o que também não nos traz qualquer vantagem, além de uma maior cobrança de taxas pelo INPI. Em contrapartida, quem fica a ganhar são as empresas e os inventores franceses, ingleses e alemãoes, que. esses sim, poupam nas traduções. Não posso concordar com essa situação. Por isso assinei a petição.

Declaração de interesse: Além de utilizador durante toda a minha carreira profissional de literatura de patentes como fonte de conheciemento, fui durante muitos anos tradutor técnico e traduzi textos de numerosíssimas patentes a partir de originais alemães, ingleses e franceses. Hoje já me reformei e deixei essa actividade, embora tenha tradutores técnicos na família. Creio que esse facto não me tira a independência de critério.