terça-feira, 14 de abril de 2009

Descida de inflação não é o mesmo que inflação negativa

Continua a confusão na cabeça de muitos jornalistas entre grandezas e variações. Hoje ouvi várias vezes na TV dizer que "a baixa da inflação acontece pela primeira vez em 40 anos". Ora não é preciso recuar muitos meses para vermos baixas da inflação. Em 40 anos baixou muitíssimas vezes. O que é inédito é ser negativa, isto é o que é inédito (em 40 anos) é a baixa de preços e não a baixa da inflação. Será muito difícil que esta noção entre na cabeça de alguns jornalistas?

O blog A Pente Fino bem tem lutado pela distinção entre grandeza e variação. Pelos vistos com reduzido êxito.

Crise e propaganda governamental

O país afunda-se na crise. As previsões hoje anunciada no Boletim de Primavera do Banco de Portugal são péssimas (uma jornalista disse há pouco num canal televisivo que não identifiquei [a TV estava noutra sala e só ouvi o som] que são pessimistas; a jornalista não sabe o que quer dizer pessimista, infelizmente as previsões são péssimas, mas devem ser realistas).

No entanto o nosso primeiro-ministro desdobra-se em eventos mostrando o seu sorriso e debitando o seu discurso próprios de quem governa um país esplendoroso e próspero. Alguma vez se justifica que o PM perca o seu precioso tempo a visitar uma escola onde se vão fazer obras de reabilitação, obras que foram prometidas com pompa para dezenas de escolas e que são mais que necessárias, e no dia seguinte dedique parte importante da sua agenda em comparecer na sessão de lançamento do novo mapa judicial, alvo de muitas críticas, e a inaugurar uma farmácia. Decididamente, José Sócrates não vive no mesmo país que nós.

domingo, 12 de abril de 2009

Democracia sem partidos?

No blog Portugal Contemporâneo, Pedro Arroja sugere a proibição dos partidos políticos e a instauração de uma democracia sem partidos. Os argumentos sobre os malefícios dos partidos são apresentados extensivamente. São argumentos na sua maioria válidos, na minha opinião. No entanto Pedro Arroja advoga, no lugar da democracia partidária, uma democracia directa.

Assim como o capitalismo, com todos os seus grandes defeitos, ainda é o melhor sistema económico inventado até agora, a democracia partidária também ainda não tem alternativa à altura. O Prof. Pedro Arroja não respondeu ainda às dúvidas expostas nos comentários à sua proposta de proibição dos partidos nem esclareceu como concebe uma democracia sem partidos. Democracia directa baseada em referendos é coisa que não vejo como pode funcionar. Não haveria parlamento? Como se escolhia o governo, se é que haveria governo? Quem fazia as perguntas que iriam a referendo? Seria possível fazer referendos com a frequência necessária para resolver os problemas do país? Um referendo por semana? Por dia?

Proibir partidos? Logo se formariam movimentos de cidadãos ou clubes cívicos ou grupos de pressão ou lobies e ficávamos na mesma ou pior.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Leio no blog Geração Rasca:

"Obama defende entrada da Turquia na União Europeia

A ideia é boa... mas só depois de Obama integrar o Afeganistão nos EUA"

Acrescento:

Se Obama acha assim tão importante que a Turquia seja acolhida no grupo das nações ocidentais, democráticas e que respeitam os direitos humanos (a fim de provar que países de maioria muçulmana podem integrar este grupo para encorajar outros estados a fazê-lo e desencorajar extremismos), que aceite a Turquia como mais um estado dos Estados Unidos. Que pretenda que a União Europeia a deixe entrar, Obama que me desculpe, mas não tem nada com isso.

terça-feira, 7 de abril de 2009

NATO ou OTAN?

Nos postais anteriores uso, como sempre usei e usarei, a sigla OTAN para designar a Organização do Tratado do Atlântico Norte. Durante muitos anos depois da sua criação era por esta sigla que era designada na imprensa portuguesa. A crescente influência da língua inglesa entre nós, como praticamente em quase todo o mundo, leva agora a imprensa e a TV a escreverem e dizerem NATO. Mas se consultarem a imprensa dos outros países de línguas latinas, pelo menos a França, a Espanha e a Itália, verificarão que continuam a usar OTAN. Concordo com esta posição, visto que é uma organização internacional e não inglesa ou americana e acho deplorável que neste caso se tenha esquecido que há uma sigla que já era tradicional e é mais conforme com a nossa língua.

Ainda a posição do novo secretário da OTAN Rasmussen

Ontem li a notícia de que, no encontro da Aliança das Civilizações, o novo secretário-geral da OTAN, Anders Rasmussen poderia vir a pedir desculpas pela publicação em 2005 de caricaturas de Maomé julgadas ofensivas para o Islão, como compensação (ou condição?) para a retirada do veto da Turquia para a sua nomeação. Fiquei perplexo: Afinal, o homem que tinha julgado ter uma defesa intransigente da liberdade de expressão no seu país ia ceder por um cargo? Quem recusara dobrar a espinha perante as exigências e a incompreensão ia agora negar a sua verticalidade?

O meu temor não tinha, afinal, razão de ser e os que aventaram a hipótese de cedência é que estavam enganados. Segundo noticia hoje o Público, Rasmussen declarou:
"Respeito o islão como uma das maiores religiões do mundo assim como os seus símbolos religiosos." e "Fiquei muito perturbado por or cartoons terem sido vistos por muitos muçulmanos como uma tentativa da Dinamarca insultar ou se comportar com desrespeito para com o islão ou o profeta Maomé." e acrescentou ainda: "Penso que todas as formas de censura são inimigas do diálogo, da compreensão mútua. A liberdade de expressão é uma condição prévia para um diálogo aberto e claro."

Digno.

sábado, 4 de abril de 2009

A posição da Turquia sobre a nomeação do secertário-geral da OTAN



Apesar de estar ciente de que o actual governo e presidência turcos pendem para o lado do radicalismo islâmico, embora moderadamente (não me enganei a escrever: é mesmo possível um radicalismo moderado, de que a política turca é exemplo), admirei-me sobre a alegada oposição da Turquia à nomeação de Rasmussen como novo secretário-geral da OTAN. Tal oposição não só era, em primeiro lugar, despropositada, já que as críticas dos islamistas à recusa de Rasmussen em pedir desculpas quando da publicação das caricaturas de Maomé apenas revelavam incompreensão do que é a liberdade de expressão nas democracias e do poder dos governos democráticos para a controlar, como, em segundo lugar, a Tuquia só tinha vantagem em manter a sua política moderada e o seu respeito pela tradução secular se queria continuar a servir de ponte entre o ocidente e os outros países muçulmanos.
Prevaleceu o bom senso, por melhor compreensão do problema ou por pressões dos restantes parceiros na OTAN. Foi melhor assim.