Foi anunciado que os aumentos de pensões para 2009 se situam entre 2,1% e 2,9%, com excepção das pensões superiores a 5000 €, que não terão qualquer aumento. Isto quer dizer que, na verdade, oa aumentos não se situam entre 2,1% e 2,9%, mas sim entre zero e 2,9%.
Mas o que ninguém disse nem ninguém comentou é que pela primeira vez os aumentos só se verificaram nas pensões de Janeiro, ao contrário do que era norma (ou pelo menos habitual há largos anos) de o ajuste ser efectuado logo em Dezembro e abranger o subsídio de Natal.
Recorde-se que já o ano passado se verificara o mesmo, mas que perante os protestos o ministro Vieira da Silva veio a fazer uma compensação, embora já no início de 2008, repondo o valor correspondente ao aumento do mês de Dezembro e do subsídio. Se bem me lembro, foi dito então que seria a última vez e que a compensação só foi feita por não ter havido aviso prévio da alteração da data dos aumentos. Quanto a mim, esta explicação não justifica que agora, em que pela primeira vez não há aumentos em Dezembro nem compensação com retroactivos, o facto não seja sequer lembrado. Note-se que o adiamento da data de qualquer aumento equivale, numa base anual, a um aumento menor.
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Difícil subir impostos?
A propósito da conferência de imprensa de hoje do Governador do Banco de Portugal, diz JM Ferreira de Almeida no blog Quarta República:
«Afinal o Dr. Vitor Constâncio veio dizer que não recomenda o alívio fiscal porque "as descidas de impostos são sempre difíceis de inverter". Se bem entendo o que quer dizer, em Portugal é dificil subir impostos.
Concluo que a minha ignorância deve também ser fruto de muita distracção. Porque no País em que vivo sempre me pareceu que a coisa mais fácil (e menos ponderada) que um governo consegue fazer é justamente subir todos os impostos...»
Não resisti a comentar:
Realmente, o argumento da dificuldade de subir os impostos só pode ser um elogio a este governo, que foi a primeira coisa que fez quando tomou posse e tem continuado todos os anos a fazer essa coisa tão difícil. E ainda por cima, certamente por modéstia, afirma repetidamente que não o faz. Na verdade a modéstia é a marca distintiva de José Sócrates, como se tem visto abundantemente e ainda hoje na entrevista que deu na SIC-notícias.
Não resisti a comentar:
Realmente, o argumento da dificuldade de subir os impostos só pode ser um elogio a este governo, que foi a primeira coisa que fez quando tomou posse e tem continuado todos os anos a fazer essa coisa tão difícil. E ainda por cima, certamente por modéstia, afirma repetidamente que não o faz. Na verdade a modéstia é a marca distintiva de José Sócrates, como se tem visto abundantemente e ainda hoje na entrevista que deu na SIC-notícias.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Clarividência
Acabo de ler no Público de hoje a crónica de António Barreto "Tudo como dantes, nada como dantes".
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=cronista.asp%3Fimg%3DantonioBarreto.jpg%26id%3D288833%26check%3D1
Um texto de uma clarividência quase arrepiante, lúcido, incisivo, quase cruel.
Conheci António Barreto nos anos 60, principalmente durante a crise académica de 1962, e já então fiquei a apreciar a sua lucidez e frontalidade, frutos não só de uma grande inteligência mas também de uma honestidade que o levam a não contemporizar com a necessidade de ser "politicamente correcto".
Depois de muitos anos sem saber dele, eis que tive notícia do seu regresso a Portugal e à actividade política. Actualmente continuo a ler regularmente as suas crónicas e a concordar com quase tudo o que diz. Descomprometido, desassombrado, dá-se ao luxo de dizer o que pensa.
A crónica de hoje não poupa os políticos. Sem particularizar, não se inibe de afirmar: "Os governos, a começar pelo português, têm dado lições inesquecíveis que todos os manipuladores do mercado usam como inspiração. Mentira, leis retroactivas, mudança inesperada de regras, intrusão na vida privada dos cidadãos, instabilidade fiscal, falta de cumprimento de cláusulas contratuais, adjudicações de favor, licenças sem concurso público, favoritismo e nomeações de altos dirigentes por confiança partidária, tudo tem justificação, tudo se explica pela necessidade de vencer, de crescer e de ganhar eleições."
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=cronista.asp%3Fimg%3DantonioBarreto.jpg%26id%3D288833%26check%3D1
Um texto de uma clarividência quase arrepiante, lúcido, incisivo, quase cruel.
Conheci António Barreto nos anos 60, principalmente durante a crise académica de 1962, e já então fiquei a apreciar a sua lucidez e frontalidade, frutos não só de uma grande inteligência mas também de uma honestidade que o levam a não contemporizar com a necessidade de ser "politicamente correcto".
Depois de muitos anos sem saber dele, eis que tive notícia do seu regresso a Portugal e à actividade política. Actualmente continuo a ler regularmente as suas crónicas e a concordar com quase tudo o que diz. Descomprometido, desassombrado, dá-se ao luxo de dizer o que pensa.
A crónica de hoje não poupa os políticos. Sem particularizar, não se inibe de afirmar: "Os governos, a começar pelo português, têm dado lições inesquecíveis que todos os manipuladores do mercado usam como inspiração. Mentira, leis retroactivas, mudança inesperada de regras, intrusão na vida privada dos cidadãos, instabilidade fiscal, falta de cumprimento de cláusulas contratuais, adjudicações de favor, licenças sem concurso público, favoritismo e nomeações de altos dirigentes por confiança partidária, tudo tem justificação, tudo se explica pela necessidade de vencer, de crescer e de ganhar eleições."
Etiquetas:
António Barreto crónica Público manipulação
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Bela tradução, Feliz Natividade
Na caixa de um presépio Made in China à venda no Corte Inglés pode ler-se as seguintes indicações que pretendem ser em português:
"Colecão da Natividade
- ojogo de 9,inclui
-1 cenario pintado mão da natividade
-mão de 8 pces. figurine feitos
Não para criancas sob 3 anos velho"
Se a língua portuguesa é a 5.ª mais falada no mundo, será assim tão difícil achar alguém que possa traduzir devidamente do original ou corrigir a tradução?
"Colecão da Natividade
- ojogo de 9,inclui
-1 cenario pintado mão da natividade
-mão de 8 pces. figurine feitos
Não para criancas sob 3 anos velho"
Se a língua portuguesa é a 5.ª mais falada no mundo, será assim tão difícil achar alguém que possa traduzir devidamente do original ou corrigir a tradução?
Irlanda e Tratado de Lisboa
Como era de prever, a Irlanda foi obrigada a ceder e prometeu fazer novo referendo sobre o Trtado de Lisboa até ao fim de 2009, a troco de promessas de resolver os assuntos que se supõe serem mais polémicos e terem sido a razão do "não" maioritário no primeiro referendo: Assim foi nomeadamente prometido que a Irlanda manterá o seu comissário e que não será obrigada na modificar as suas leis que penalizam o aborto e a eutanásia.
Segundo uma notícia, que não ouvi repetida por mais nenhuma fonte, a manutenção do comissário não será exclusiva da Irlanda, mas sim de todos os 27. A ser verdade será a única solução lógica; não se entenderia que, apesar da redução do número de comissários, apenas a Irlanda visse o seu lugar assegurado. Mas então isso não implicará uma alteração do tratado que terá de ser novamente aprovado e ratificado por todos os estados? E se houver mais países aderentes à UE no futuro, será que estes também terão um comissário cada?
Mas o que mais me chocou foi a notícia dada pelo correspondente da RTP em Bruxelas, José Esteves Martins que declarou: "A reunião começou com uma boa notícia: a Irlanda prometeu repetir o referendo até ao fim de 2009." Parece-me uma grave falta de ética jornalística designar esta notícia como "boa". A mim e a muita gente parece uma má notícia. O jornalista não deve emitir juízos de valor sobre o que lhe parece bom ou mau, deve limitar-se a informar.
Segundo uma notícia, que não ouvi repetida por mais nenhuma fonte, a manutenção do comissário não será exclusiva da Irlanda, mas sim de todos os 27. A ser verdade será a única solução lógica; não se entenderia que, apesar da redução do número de comissários, apenas a Irlanda visse o seu lugar assegurado. Mas então isso não implicará uma alteração do tratado que terá de ser novamente aprovado e ratificado por todos os estados? E se houver mais países aderentes à UE no futuro, será que estes também terão um comissário cada?
Mas o que mais me chocou foi a notícia dada pelo correspondente da RTP em Bruxelas, José Esteves Martins que declarou: "A reunião começou com uma boa notícia: a Irlanda prometeu repetir o referendo até ao fim de 2009." Parece-me uma grave falta de ética jornalística designar esta notícia como "boa". A mim e a muita gente parece uma má notícia. O jornalista não deve emitir juízos de valor sobre o que lhe parece bom ou mau, deve limitar-se a informar.
Etiquetas:
Irlanda referendo Tratado de Lisboa
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Anjos e sexo
Continuo sem saber se os anjos têm sexo, se é que existem anjos. Mas acabo de ver, através do blog arte+arte, que recomendo vivamente, várias imagens de anjos que, se é verdade que não me elucidaram, deixaram-me algumas pistas.
Veja-se este anjo.
Parece-me evidente que é do sexo feminino.
Mas agora veja-se este:
Este já me parece mais masculino.
Mas este último quadro de Moreau tem mais um pormenor interessante: O anjo tem nitidamente umbigo. Que significará isto? Que os anjos são vivíparos?
Agora a sério, só me parece que cada artista pinta os anjos conforme a sua imaginação lhe dita. Porque afinal os anjos são fruto da imaginação, penso eu.
E confesso que há problemas muito mais importante do que estas divagações.
Nota: Os quadros foram reproduzidos do blog indicado.
Veja-se este anjo.
Parece-me evidente que é do sexo feminino.Mas agora veja-se este:
Este já me parece mais masculino.Mas este último quadro de Moreau tem mais um pormenor interessante: O anjo tem nitidamente umbigo. Que significará isto? Que os anjos são vivíparos?
Agora a sério, só me parece que cada artista pinta os anjos conforme a sua imaginação lhe dita. Porque afinal os anjos são fruto da imaginação, penso eu.
E confesso que há problemas muito mais importante do que estas divagações.
Nota: Os quadros foram reproduzidos do blog indicado.
Praxes
Li agora mesmo com muito agrado a notícia de que o Instituto Piaget foi condenado a pagar uma indemnização no caso da aluna vítima de praxes degradantes. Tenho seguido o caso, assim como outros semelhantes, e as primeiras decisões de absolvição e de arquivamento deixaram-me espantado e revoltado. Agora finalmente considero que foi feita justiça.
Não sei que tradição existe nas praxes que se praticam no Instituto Piaget, mas mesmo uma longa tradição não justifica práticas aberrantes e humilhantes como as descritas neste caso e noutros. Se a tradição justificasse tudo, ainda teríamos pena de morte e escravatura. Mas sei que em Lisboa a ocorrência de praxes é recente e não tem qualquer tradição. Quando estudei no IST os caloiros eram acolhidos por uma Semana de Recepção aos Caloiros em que o evento principal era o Baile de Recepção aos Caloiros. Tudo cordial e simpático. Uma geração mais tarde, os meus filhos já foram vítimas de praxes que consistiam principalmente em pinturas na face. Não chegavam às torturas e humilhações que agora se descrevem, mas mesmo assim ficaram revoltados e chocados por terem sido obrigados a estas práticas contra vontade. Temo que quando os meus netos chegarem à Universidade, se lá chegarem, as praxes sejam ainda mais refinadas e absurdas. A não ser que a divulgação destes casos leve pelo menos a um abrandamento. Assim espero, mas os argumentos que neste caso foram adiantados pela escola e pelo tribunal de primeira instância, e a descrição de que a aluna praxada teve de mudar de escola e de cidade porque "era alvo de frequentes ofensas e insultos por ter denunciado o caso" não permite grandes esperanças.
A dignidade desta aluna que depois de tantas derrotas não desistiu do caso por ter a convicção da sua razão merece o maior louvor.
Não sei que tradição existe nas praxes que se praticam no Instituto Piaget, mas mesmo uma longa tradição não justifica práticas aberrantes e humilhantes como as descritas neste caso e noutros. Se a tradição justificasse tudo, ainda teríamos pena de morte e escravatura. Mas sei que em Lisboa a ocorrência de praxes é recente e não tem qualquer tradição. Quando estudei no IST os caloiros eram acolhidos por uma Semana de Recepção aos Caloiros em que o evento principal era o Baile de Recepção aos Caloiros. Tudo cordial e simpático. Uma geração mais tarde, os meus filhos já foram vítimas de praxes que consistiam principalmente em pinturas na face. Não chegavam às torturas e humilhações que agora se descrevem, mas mesmo assim ficaram revoltados e chocados por terem sido obrigados a estas práticas contra vontade. Temo que quando os meus netos chegarem à Universidade, se lá chegarem, as praxes sejam ainda mais refinadas e absurdas. A não ser que a divulgação destes casos leve pelo menos a um abrandamento. Assim espero, mas os argumentos que neste caso foram adiantados pela escola e pelo tribunal de primeira instância, e a descrição de que a aluna praxada teve de mudar de escola e de cidade porque "era alvo de frequentes ofensas e insultos por ter denunciado o caso" não permite grandes esperanças.
A dignidade desta aluna que depois de tantas derrotas não desistiu do caso por ter a convicção da sua razão merece o maior louvor.
Etiquetas:
praxe tradição Instituto Piaget condenação
Subscrever:
Mensagens (Atom)