Alguém ainda se lembra da luta académica de 1962 a favor da autonomia da Universidade e contra o Decreto 40900? As críticas que se têm ouvido contra a contratação de Pedro Passos Coelho pelo ISCSP da UL levam a crer que já não. A esquerda contribuiu decisivamente para esta luta, desde a esquerda moderada e democrática até à esquerda comunista. E, nesse tempo, poderia considerar-se de esquerda todo aquele que estava contra a ditadura de Salazar, muitos dos quais são agora designados como de direita. O ódio que Passos Coelho suscita na actual esquerda, leva a uma verdadeira cegueira. Chega ao ridículo de afirmar que, se o PSD voltar ao poder, vamos ter novamente cortes nos salários da função pública e nas pensões, entre outras malfeitorias, como se os cortes não tivessem sido iniciados pelo PS no tempo de Sócrates e continuados porque o acordo com a troika feito pelo PS assim o exigia, como aliás exigia também a salvação das finanças do País. Se a Universidade é de opinião que a experiência governativa pode ajudar a transmitir critérios de Administração Pública, não são razões políticas que se devem sobrepor.
PS: Já depois de escrever isto, vi isto, com que concordo totalmente.
COMENTÁRIOS SOBRE ACONTECIMENTOS DO DIA A DIA E DIVAGAÇÕES SOBRE EXPERIÊNCIAS PESSOAIS
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terça-feira, 6 de março de 2018
sexta-feira, 2 de março de 2018
Reconhecimento (II)
Também estou com Rodrigo Moita de Deus quando escreve no 31 da Armada: «Na sua cabeça até pode ter presidenciais esperanças para o dia em MRS se farte do lugar mas a verdade é que Passos Coelho sai de cena como o mau da fita. Mau líder da oposição. E o homem responsável pela "destruição do SNS", pelo "desinvestimento público", a "pior crise económica da democracia" e a probreza de milhares e milhares de portugueses. O pai da austeridade. O passismo tornou-se adjetivo. E o adjetivo não é um elogio. Uma narrativa da esquerda que o próprio, por omissão, deixou vingar. A política tem destas injustiças. Passos fez o que mais ninguém quis fazer - nem o PS. Assumiu responsabilidades que mais ninguém quis assumir - nem o Presidente. E, contra todas as expectativas, conseguiu. E conseguiu mesmo. O país que não tinha dinheiro para o ordenado dos funcionários públicos evitou a ruptura. O governo que não tinha condições para sobreviver mais de três meses durou um mandato inteiro e até ganhou as eleições. Ao país herdado e falido de 2011 valeu a teimosia daquele homem. Tudo o resto é conversa. E no fundo, no fundo, a Catarina, o Jerónimo e o António até sabem disso.»
PS: Não dou qualquer importância a comentários de anónimos. Até ficarei muito divertido se o Sr. Anónimo que se fartou de rir ao ler o meu artigo anterior também achar graça a este.
PS: Não dou qualquer importância a comentários de anónimos. Até ficarei muito divertido se o Sr. Anónimo que se fartou de rir ao ler o meu artigo anterior também achar graça a este.
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obrigado,
Pedro Passos Coelho,
reconhecimento
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Em defesa de Pedro Passos Coelho
Como disse antes, os ataques a Pedro Passos Coelho foram a nota dominante no período de propaganda eleitoral para as autárquicas, aliás no seguimento da tendência anterior. Passos Coelho foi criticado pela esquerda, pelo centro e pela direita. Os "erros" de Passos Coelho foram objecto de inúmeros artigos na imprensa e nas redes sociais e de comentários e debates, como se fosse ele o responsável da triste situação do País em termos de endividamento, crescimento anémico, desinvestimento e estagnação. Logo durante a informação dos primeiros resultados das autárquicas, foi proclamada a "tragédia", a "derrocada" e a necessidade de mudança de líder e de políticas em consequência dos "maus resultados" do partido, exclusivamente responsabilidade de Passos Coelho.
Tenho verificado que de um modo geral os "erros" apontados a Passos Coelho são principalmente de ordem de estratégia partidária e não das ideias políticas. A esquerda, essa sim, critica a ideologia de Passos Coelho e apelida-o de "neo-liberal", epíteto que enfia bem em tudo o que não é de esquerda. Fora da esquerda, critica-se o modo como dirige o partido, responsabilizando-o pelos maus resultados, mas não tanto as políticas seguidas quando primeiro-ministro ou as preconizadas quando na oposição. Veja~se um exemplo típico, em que se apontam como "erros fatais" não ter explicado ao povo a gravidade da situação herdada em 2011, não ter tido a relação mais apropriada com Paulo Portas, o ter proclamado "que se lixem as eleições", o ter anunciado o caos (ou a vinda do diabo) quando da montagem da geringonça, o ter anunciado "depois de mim, o dilúvio" e ser a "cara das más notícias", por liderar um "partido nervoso" que não gosta de estar na oposição. Todos estes "erros" podem ser reais, mas são todos erros de estratégia. A maioria dos comentadores políticos referem-se à estratégia como o aspecto principal da luta política, seguindo o exemplo de Marcelo Rebelo de Sousa quando era apenas comentador (agora é Presidente da República e continua a ser comentador, talvez mais contido). Esquecem que o que interessa ao País é que seja bem governado, e isso implica boas ideias políticas. A estratégia é só um meio de poder chegar a governar. Há que notar que o autor destas críticas começa por declarar a sua admiração por Passos Coelho e o reconhecimento de que o "país lhe deve muitíssimo", declarações com que estou perfeitamente de acordo.
Como erros do Presidente do PSD no que se refere à campanha autárquica apontam-se também o "não ter apoiado Cristas em Lisboa", "optar por medir forças à direita" e "fomentar e manter uma candidatura ridícula" no Porto. Mais uma vez erros estratégicos e não de linha política. Estes erros podem ter tido influência nos maus resultados nas eleições do dia 1, mas não vejo em como podem contribuir para um melhor ou pior juízo sobre as ideias políticas de Passos Coelho. Sobre os resultados das autárquicas e o modo como foram apreciados dos modos mais diversos e muitas vezes despropositados, espero vir ainda a falar.
Tenho verificado que de um modo geral os "erros" apontados a Passos Coelho são principalmente de ordem de estratégia partidária e não das ideias políticas. A esquerda, essa sim, critica a ideologia de Passos Coelho e apelida-o de "neo-liberal", epíteto que enfia bem em tudo o que não é de esquerda. Fora da esquerda, critica-se o modo como dirige o partido, responsabilizando-o pelos maus resultados, mas não tanto as políticas seguidas quando primeiro-ministro ou as preconizadas quando na oposição. Veja~se um exemplo típico, em que se apontam como "erros fatais" não ter explicado ao povo a gravidade da situação herdada em 2011, não ter tido a relação mais apropriada com Paulo Portas, o ter proclamado "que se lixem as eleições", o ter anunciado o caos (ou a vinda do diabo) quando da montagem da geringonça, o ter anunciado "depois de mim, o dilúvio" e ser a "cara das más notícias", por liderar um "partido nervoso" que não gosta de estar na oposição. Todos estes "erros" podem ser reais, mas são todos erros de estratégia. A maioria dos comentadores políticos referem-se à estratégia como o aspecto principal da luta política, seguindo o exemplo de Marcelo Rebelo de Sousa quando era apenas comentador (agora é Presidente da República e continua a ser comentador, talvez mais contido). Esquecem que o que interessa ao País é que seja bem governado, e isso implica boas ideias políticas. A estratégia é só um meio de poder chegar a governar. Há que notar que o autor destas críticas começa por declarar a sua admiração por Passos Coelho e o reconhecimento de que o "país lhe deve muitíssimo", declarações com que estou perfeitamente de acordo.
Como erros do Presidente do PSD no que se refere à campanha autárquica apontam-se também o "não ter apoiado Cristas em Lisboa", "optar por medir forças à direita" e "fomentar e manter uma candidatura ridícula" no Porto. Mais uma vez erros estratégicos e não de linha política. Estes erros podem ter tido influência nos maus resultados nas eleições do dia 1, mas não vejo em como podem contribuir para um melhor ou pior juízo sobre as ideias políticas de Passos Coelho. Sobre os resultados das autárquicas e o modo como foram apreciados dos modos mais diversos e muitas vezes despropositados, espero vir ainda a falar.
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