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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Primárias do PSOE

Decorreram hoje as eleições primárias para eleger o Secretário-Geral do PSOE. Ganhou Pedro Sánchez, que retorna assim ao seu antigo cargo. Mas a acreditar no pouco interesse que os nossos canais de TV deram ao assunto, nada disto tem importância, nada disto nos afecta (Veremos amanhã se os jornais seguem o mesmo caminho). É natural, atendendo a que a Espanha é um país pequeno, longíssimo de Portugal e com o qual não temos praticamente relações. É o oposto aos EUA, país com o qual temos uma longa fronteira comum e que tem relações privilegiadas connosco. Por essa razão, as primárias dos partidos americanos tiveram, desde a campanha até aos resultados, uma presença nos nossos noticiários televisivos e nas primeiras páginas dos jornais que chegou a ser cansativa de tão frequente e repetida. Presença que continuou com as eleições presidenciais e com os factos anedóticos da administração Trump. Claro, isto é devido à importância que os EUA têm para este vizinho chegado que somos nós. Agora o que se passa em Espanha não interessa para nada. Pode ser que Sánchez faça agora cair o governo de Rajoy e provoque eleições antecipadas. Pode ser que volte a tentar uma geringonça à la española, mas quem quer saber disso? Pode ser que ressuscite o sonho de uma série de geringonças nos países da Europa do Sul. Mas Trump continua a encher os noticiários. Trump é que interessa (além do futebol, que foi o tema de abertura dos noticiários desta meia-noite). Ninguém quer saber do que se passa nesse pequeno país longínquo que se chama Espanha!

terça-feira, 26 de maio de 2015

A grande revolução eleitoral espanhola não foi assim tão grande

O panorama eleitoral espanhol sofreu uma grande mudança, mas não uma grande revolução. Os partidos emergentes afirmaram-se como sérios concorrentes, mas não ainda como alternativa. Afinal o PP manteve-se como partido mais votado e o PSOE como segundo a nível nacional. O Podemos, que chegou a estar em primeiro lugar em sondagens no final de 2014, teve um bom resultado, mas não conseguiu mais do que o terceiro lugar, tendo o Ciudadanos ficado em quarto. Quando Pablo Iglesias anuncia "o princípio do fim do bipartidarismo", estará a anunciar o seu desejo, mas nada indica que as quedas do PP e do PSOE continuem nos próximos actos e é mesmo duvidoso que se mantenham nas próximas legislativas. Se Iglesias sonhava com um resultado à Siriza, deve ter ficado desiludido, mantendo o sorriso triunfante para disfarçar. Os comentadores que previam a ultrapassagem do PP pelas forças de oposição, quer as velhas quer as novas, mas principalmente estas, falharam. Não bastou o descontentamento pelas medidas de austeridade e pelas suspeitas de corrupção para afastar o PP do primeiro lugar. Se é certo que as perdas foram graves e, a nível municipal, gravíssimas, podendo mesmo perder a Câmara de Madrid, continua a ser um partido forte e decisivo na política espanhola.