Ontem li a notícia de que, no encontro da Aliança das Civilizações, o novo secretário-geral da OTAN, Anders Rasmussen poderia vir a pedir desculpas pela publicação em 2005 de caricaturas de Maomé julgadas ofensivas para o Islão, como compensação (ou condição?) para a retirada do veto da Turquia para a sua nomeação. Fiquei perplexo: Afinal, o homem que tinha julgado ter uma defesa intransigente da liberdade de expressão no seu país ia ceder por um cargo? Quem recusara dobrar a espinha perante as exigências e a incompreensão ia agora negar a sua verticalidade?
O meu temor não tinha, afinal, razão de ser e os que aventaram a hipótese de cedência é que estavam enganados. Segundo noticia hoje o Público, Rasmussen declarou:
"Respeito o islão como uma das maiores religiões do mundo assim como os seus símbolos religiosos." e "Fiquei muito perturbado por or cartoons terem sido vistos por muitos muçulmanos como uma tentativa da Dinamarca insultar ou se comportar com desrespeito para com o islão ou o profeta Maomé." e acrescentou ainda: "Penso que todas as formas de censura são inimigas do diálogo, da compreensão mútua. A liberdade de expressão é uma condição prévia para um diálogo aberto e claro."
Digno.
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terça-feira, 7 de abril de 2009
sábado, 4 de abril de 2009
A posição da Turquia sobre a nomeação do secertário-geral da OTAN

Apesar de estar ciente de que o actual governo e presidência turcos pendem para o lado do radicalismo islâmico, embora moderadamente (não me enganei a escrever: é mesmo possível um radicalismo moderado, de que a política turca é exemplo), admirei-me sobre a alegada oposição da Turquia à nomeação de Rasmussen como novo secretário-geral da OTAN. Tal oposição não só era, em primeiro lugar, despropositada, já que as críticas dos islamistas à recusa de Rasmussen em pedir desculpas quando da publicação das caricaturas de Maomé apenas revelavam incompreensão do que é a liberdade de expressão nas democracias e do poder dos governos democráticos para a controlar, como, em segundo lugar, a Tuquia só tinha vantagem em manter a sua política moderada e o seu respeito pela tradução secular se queria continuar a servir de ponte entre o ocidente e os outros países muçulmanos.
Prevaleceu o bom senso, por melhor compreensão do problema ou por pressões dos restantes parceiros na OTAN. Foi melhor assim.
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OTAN secretário-geral Rasmussen Turquia
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