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sexta-feira, 31 de março de 2017

Pagar ou não pagar, eis a questão

Comprar bancos por zero euros parece que se torna uma actividade vulgar. A venda do Novo Banco foi um grande êxito ou terá antes sido uma desgraça. A culpa desta desgraça, no segundo caso, é do Ricardo Salgado, do Passos Coelho, do Centeno ou do António Costa? E, finalmente a grande questão, os contribuintes vão ou não ter de pagar? António Costa afirmou com ar solene que não. Todos os restantes comentadores dizem que sim. É difícil saber quem fala verdade porque está muita coisa em jogo, desde as responsabilidades dos bancos no Fundo de Resolução, até à habilidade do  fundo Lone Star (ou será Lonestar tudo pegado?) em fazer o banco ter lucros e evitar as perdas com os activos de risco. Ou será o Fundo de Resolução que terá de cuidar destes activos? Bem, basta de interrogações. Se tivermos de pagar, não haverá modo de fugir. Ou há?

sábado, 14 de janeiro de 2017

Será que os portugueses querem mesmo o Novo Banco nacionalizado?

A SIC e o Expresso noticiam que a maioria dos portugueses aprova a nacionalização do Novo Banco. Aprova? Não é bem assim. Lendo melhor, segundo uma sondagem, a maioria dos portugueses concorda com a nacionalização do Novo Banco se não houver se não houver uma boa proposta de compra. Será agora verdade? Talvez seja melhor explicar ainda que, segundo o vídeo da notícia no sítio da SIC-Notícias, a maioria concorda se não houver proposta de compra lucrativa. Pode haver alguma diferença entre o que se considera uma boa proposta e uma proposta lucrativa. Lucrativa para quem? Poderá ser considerada lucrativa uma proposta que não cubra pelo menos a quantia que o Estado emprestou ao Fundo de Resolução? Se não, já é sabido que não existe qualquer proposta lucrativa. E como foi feita a pergunta aos entrevistados para a sondagem? O modo como a pergunta é feita é muito importante. Pelo modo como são apresentados os resultados da sondagem presume-se que, na hipótese de não haver uma proposta de compra boa ou lucrativa, se deu a escolher entre a nacionalização e a liquidação. Não foi posta a hipótese de vender mesmo que ao proponente de uma proposta menos boa ou não lucrativa. Ora há quem tenha defendido publicamente que a melhor solução é vender pela melhor proposta (ou seja, pela menos má). Esta resposta não foi prevista. Portanto parece.me que a conclusão de que há uma maioria de portugueses que concorda que a melhor hipótese é a nacionalização está profundamente errada. Ainda bem, porque afinal os portugueses não são maioritariamente estúpidos e não gostam de desperdiçar dinheiro.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Será intencional?

Se o Governo, ou António Costa, ou Mário Centeno quisessem desvalorizar o Novo Banco, qual seria a melhor maneira? Era, de certeza, anunciar que tinham grande preocupação com a situação do banco, que provavelmente não seria possível vendê-lo e que admitiam que poderia a curto prazo, digamos em 1 ano, proceder à sua liquidação. Conhecida a história do BANIF, mesmo com as enormes dúvidas que ainda subsistem sobre o que aconteceu e porquê, é evidente que perante tal anúncio os eventuais interessados na compra teriam bons argumentos para baixar significativamente o valor das suas ofertas. A única diferença para o BANIF é que a eventual liquidação, agora mais provável depois do seu anúncio, tem o prazo de 1 ano e não de 1 dia, mas, apesar desta diferença muito importante, o Novo Banco tem hoje menos valor e menor possibilidade de sobrevivência do que tinha ontem. Não haverá, creio, corrida aos levantamentos, mas é de prever que pouco a pouco, no decurso do prazo indicado, os depósitos e outras aplicações irão diminuindo. Quem será tão descuidado que deixe valores consideráveis à guarda dum banco ao aproximar-se a data em que foi anunciada a sua possível liquidação. Nem o Fundo de Garantia de Depósitos poderá evitar esta tendência.

Outra questão é saber se o envio por carta destas preocupações e previsões para a Comissão Europeia, sabendo que tudo seria do domínio público em pouco tempo, foi consequência de pura incompetência ou fruto de qualquer plano maquiavélico cuja finalidade não vislumbro. De qualquer modo, responsáveis competentes e honestos não o fariam.