A China tenta de tempos a tempos encenar uma tímida abertura para agradar aos países com quem mantém relações, principalmente comerciais. Aproveitou os Jogos Olímpicos para mostrar o seu lado mais moderno e desenvolvido. Mas o seu carácter anti-democrático e a falta de respeito pelos direitos humanos tornam inevitavelmente por vir ao de cima e quando os seus interesses de domínio estão em jogo nem tenta disfarçar.
Mais uma vez, ao cancelar o encontro com a União Europeia já acordado e programado com Sarkozy, pela simples razão de este ter agendado um encontro com o Dalai Lama, não deixa esquecer que continua a ser uma ditadura férrea, em que um partido domina toda a vida do país sem qualquer contemporização. O facto de, depois das reformas de Teng Xiaoping, ter abandonado na prática o comunismo, como propriedade exclusiva dos meios de produção pelo estado e planificação económica global, e adoptado a economia de mercado, deixando crescer o capitalismo mais selvagem, não impede que no aspecto de regulação política o domínio do Partido Comunista continue absoluto.
Se a União Europeia se curva servilmente e admite em silêncio estes atropelos à sã convivência internacional, torna-se cúmplice e contribui para a perpetuação da situação.