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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Finalmente um pouco de bom senso

Na complicada questão da Catalunha houve finalmente um pouco de bom senso. Até hoje tanto um lado como o outro apenas tinham acções que levavam a maior afastamento de um possível desfecho pacífico. Hoje, uma declaração de independência imediata teria como efeito previsível uma reacção da parte do Governo central de Espanha que poderia levar a confrontos de graves  consequências. Mas, apesar de algumas pressões de independentistas mais radicais, o Presidente da Catalunha optou, ao que parece após conversações e hesitações, por uma declaração de independência com efeitos suspensos para possibilitar um diálogo, diálogo que era preconizado por vários sectores, quer catalães, quer exteriores. Mas não se pode pensar que todos os perigos passaram. A primeira reacção de um membro do Governo espanhol não foi apaziguadora, ao declarar que a Espanha não aceita qualquer chantagem. Ouvi na íntegra o discurso de Puigdemont, mas, com traduções simultâneas ao que me pareceu incompletas e com a dificuldade de compreender completamente o atropelo do discurso em catalão e em castelhano original e em sobreposição a tradução portuguesa, não consegui apanhar tudo em condições.Mas do que ouvi não me pareceu que em todo o discurso houvesse algo que se pudesse considerar como chantagem. No entanto deu para entender que o Presidente catalão fez uma longa introdução justificativa com argumentos que não poderão ser aceites pelo Governo espanhol, por se basear numa lei de referendo e nos resultados do próprio referendo que Espanha considera ilegais e inválidos. Se Rajoy aceitar negociar não será, com certeza, na base em que Puigdemont tentou colocar a questão. Mas se Rajoy recusar o diálogo e não corresponder ao convite para conversações por a base proposta ser a busca de uma via para a independência, cometerá um grave erro, voltando-se à situação imprevisível mas potencialmente explosiva anterior. Uma mediação de alguém do exterior que não seja espanhol nem catalão poderá ajudar a evitar confrontos violentos.

domingo, 24 de setembro de 2017

Catalunha 3

Ainda a propósito dos antecedentes históricos da actual tentativa da Catalunha de conquistar a independência em relação à Espanha, transcrevo um pequeno trecho da obra "História concisa de Portugal" de José Hermano Saraiva sobre o assunto:

"Em Junho de 1640, [na Catalunha] uma multidão de ceifeiros (ou segadores), que, segundo uma velha tradição, visitava Barcelona no dia do Corpus Christi, amotinou-se, incendiou os arquivos públicos e matou o governador castelhano. Todo o condado aderiu imediatamente à revolta e pediu o apoio militar da França. O rei de França, Luís XIII, foi proclamado em 1641 conde de Barcelona.
O Governo de Madrid decidiu esmagar a revolta e ordenou a mobilização dos nobres portugueses para acompanharem o rei durante a guerra da Catalunha. Essa ordem serviu de causa imediata à revolução portuguesa."

Este episódio é abordado pela Wikipedia que descreve com algum grau de pormenor a história da Catalunha desde os primeiros povoamentos no paleolítico. Na edição da Wikipedia em inglês há também referência à revolta dos ceifeiros, que é ainda desenvolvida em entradas próprias, quer na versão portuguesa (Guerra dos Segadores), quer na em inglês (Catalan revolt). Curiosamente, ou talvez não, a versão espanhola da Wikipedia apresenta o capítulo sobre a história da Catalunha muito mais resumido e sem qualquer referência à revolta dos ceifeiros ou a qualquer outra tentativa de separação da Espanha. Em contrapartida, a versão em catalão tem amplas referências a diferentes períodos da história da Catalunha, incluindo o da Idade Moderna, que por sua vez faz referência a um artigo específico sobre a Guerra dels Segadors.


Revolta dos Segadores

Note-se que a Catalunha estava integrada no reino de Aragão, de que era parte principal, até à união deste com Castela, em virtude do casamento dos reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela em 1469, levando à criação do reino de Espanha.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Catalunha 2

A tensão entre o Governo espanhol e os independentistas da Catalunha tem vindo a agravar-se a ritmo alucinante. Não tenho posição nem simpatias por qualquer dos lados em confronto. Por um lado, lembro os 60 anos de domínio filipino sobre Portugal, relembro a rebelião de 1640 (refiro-me à rebelião na Catalunha) e reconheço que a nossa restauração e libertação do domínio espanhol foi, em parte, favorecida pelo facto de Filipe IV (de Espanha) ter de ocupar tropas a sufocar os catalães. Daí resulta uma certa simpatia pelos catalães com que nos sentimos um tanto irmanadas. Mas estes acontecimentos históricos já vão muito longe, e agora é difícil ajuizar se o desejo de liberdade da Catalunha faz algum sentido e se não seria melhor negociarem uma maior autonomia. Se a Espanha fosse um estado federal, com as regiões como estados de direito, talvez como os cantões suíços, poderiam ter governos próprios com mais liberdade. O certo é que tanto do lado do Governo de Espanha como dos independentistas da Catalunha tem sido dados passos que não facilitam qualquer solução negociada. E quando nos lembramos de casos com algumas semelhanças, como o do Quebec no Canadá e o da Escócia no Reino Unido, em que os referendos foram realizados com autorização dos governos centrais respectivos, é forçoso concluir que o caminho escolhido pelos catalães não é o melhor e que a reacção de Rajoy também é desastrosa.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Catalunha

Será que Rajoy não se apercebe que ao usar demasiada força, apreendendo boletins de voto e prendendo altos responsáveis catalães, pode estar a provocar uma reacção nos potenciais votantes no referendo que tenha como resultado um aumento significativo dos votos favoráveis à independência da Catalunha? Se bem que se escude na constituição, na lei e em decisões judiciais, a violência da acção da guarda às ordens de Madrid só poderá potenciar as opiniões contrárias, mesmo em cidadãos que estariam, sem esta acção, mais inclinados à abstenção ou ao voto contra.